Um ator para o meio da semana
- Publicado quarta-feira, 04.03.2009 por Julia Dantas
- Atores Belíssimos
- 1 comentário »
Johnny Depp, também conhecido com Jack Sparrow
Johnny Depp, também conhecido com Jack Sparrow
Depois de menos de nove semanas em cartaz em todo o Brasil, a comédia Se Eu Fosse Você 2, de Daniel Filho, com Tony Ramos e Glória Pires, está ultrapassando hoje, agora, (tudo indica, pelos cálculos e médias, etc.) a impressionante marca de 5,391 milhões de ingressos vendidos, tornando-se oficialmente o filme de maior público da retomada.
Quem possuía o recorde anterior era Dois Filhos de Francisco, de Breno Silveira. Em seu fim-de-semana de estreia, Se Eu Fosse Você 2 já havia quebrado outra marca histórica ao levar 570 mil espectadores às salas de exibição, superando Carandiru como a maior abertura do cinema nacional em 14 anos.
O filme de Daniel Filho também possui o maior faturamento de um filme do Brasil desde a retomada.
Êta!
O dia está bom para os cinéfilos que gostam de acompanhar o mundo do cinema também pela literatura. A editora Panini acaba de anunciar a tradução brasileira para a biografia de Heath Ledger. Sob o título Heath Ledger: o astro sombrio de Hollywood, o livro dá especial destaque para sua preparação para o papel do Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas, e também para seus relacionamentos amorosos.
Além disso, a L&PM está lançando a história em quadrinhos de Valsa com Bashir, adaptada do documentário israelense em animação de mesmo nome que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A graphic novel é escrita por Ari Folman – também diretor do filme – e ilustrada por David Polonsky. A história remonta o massacre de centenas de palestinos em campos de refugiados no Líbano, executado por milícias cristãs em setembro de 1982. Na época, Folman era um soldado de Israel enviado ao local.
Ainda aproveitando o Oscar, a L&PM preparou uma seleção de livros que são citados no filme O Leitor, pelo qual Kate Winslet foi nomeada melhor atriz. Entre as ofertas da editora, estão A Dama do Cachorrinho, Guerra e Paz e Odisséia.
Aproveitando a turnê que os traz ao Brasil, os roqueiros do Iron Maiden farão no Rio de Janeiro a première mundial de seu longa-metragem Flight 666. O filme é um registro de parte da turnê Somewhere Back in Time. A sessão ocorrerá no Cine Odeon, às 14h do dia 14 de abril, poucas horas antes da banda subir ao palco para a apresentação na Praça da Apoteose, e contará com a presença dos músicos. O preço módico dos ingressos é de R$ 80. O lançamento mundial do filme acontece dia 21 de abril.

É nesse nível que andam as opiniões que tenho acompanhado sobre Quem Quer Ser um Milionário?: ou é taxado de bobagem incomensurável ou é uma maravilhosa história de amor, ou é miséria videoclíptica ou uma genial fábula moderna incompreendida, despautério otimista inverossímil versus filmaço do ano. Será que há necessariamente que se optar entre a completa falta de qualidades e a onipresença de todas elas?
Não tenho dúvida de que os oito Oscars conquistados influenciam demais esse debate. E ter levado o prêmio principal o coloca imediatamente como uma espécie de alvo, sempre foi assim. Só que não sei se tanta pedrada – como aquela de Salman Rushdie - é justa. Na verdade acho que não é.
Primeiro, creio que o filme de Danny Boyle anda sofrendo comparações meio indevidas. Compará-lo a Trainspotting, do próprio Boyle, é antes de tudo uma covardia. Aquele era um filme independente, que respirava outros ares e possuía outros anseios.
Depois, não acredito que o filme, apesar de alguma semelhança na fotografia (e na presença de uma galinha cacarejando e correndo entre uns casebres em uma tomada), tivesse qualquer intenção de ser um Cidade de Deus da Índia, como ouvi por aí. Isso é bobagem. Cidade de Deus se pretende um retrato de um subúrbio do Rio algumas décadas atrás. Slumdog, como eu o entendo, claramente abdica de qualquer pretensão realista desde o primeiro segundo até a coreografia bollywoodiana dos créditos finais. A verossimilhança da história só é possível dentro do contrato estabelecido entre público e obra a partir do momento que este a encara como um conto de fadas, um Harry Potter miserável sem varinha mágica, essas coisas.
Gosto de muitas coisas desse Quem Quer Ser um Milionário?. Como já disse aqui, gosto muito da música, embora reconheça que é empregada de uma maneira por vezes excessiva por Boyle, e que de fato há uma “videoclipização” desnecessária em longas tomadas de música alta combinada com paisagens, sorrisos, corridas de crianças (mas, novamente, isso é Bollywood!). Gosto daquela fotografia que todos parecem detestar, supercontrastada, achei que funcionou bem no caso, mas concordo que junto com algumas trucagens mais brutas ajudou a espalhar por todo o longa esse caráter “videoclíptico” tão criticado.
No mais, acho que a fábula do chinelão desgraçado que no final tira a sorte grande fisga o público com facilidade, os personagens Jamal, Latika e o Sílvio Santos malvadão indiano Kumar também. Claro que há quem contra-argumente que a história é insustentável e os personagens são da profundidade dramática de uma poça d’água. Claro que são! Assim como a história e os personagens e tudo em Mamma Mia!. E aí está o ponto. É mais ou menos como eu acho que Slumdog deve ser encarado, como um híbrido musical-fábula bolly-hollywoodiano diferentão, e não como um Trainspotting indiano ou coisa que o valha.
Acho que quem vai assisti-lo no ímpeto de ver um clássico “filmaço autoral” pode acabar perdendo a chance de perceber um filme divertido e diferente que o dito público comum tem visto de cara e apreciado.

Fui assistir a O Lutador, do bom Darren Aronofsky (de Pi, 1998) com algumas semanas de atraso. Além das expectativas pelo diretor do filme e pelo aclamado trabalho de Mickey Rourke – de fato muito bem interpretando ele mesmo – ambas supridas, estava ansioso para conferir o trabalho do compositor Clint Mansell – parceiro de Aronofsky em mais de uma oportunidade e mais conhecido pela trilha de Réquiem para um Sonho -, por quem já revelei aqui minha admiração.
Pois que saí da sessão sem ter “conseguido ouvir” a trilha, saí do cinema como se tivesse recém acordado, recobrado a consciência, e lembrei de ter “perdido” toda a parte musical do longa-metragem. Agora, pesquisando, lembro não só da trilha como de cada cena que ela pontua, o que é o maior dos méritos para um compositor que cria para o cinema, ter o seu trabalho praticamente encrostado na parte visual formando um bloco único. Não é exagero dizer que a música de Mansell é parte fundamental de O Lutador, mesmo (ou principalmente) quando não é percebida.
Ótimo filme com uma ótima trilha. Para quem, assim como eu, saiu da sala de exibição hipnotizado e sem lembrar dela, pode conferir aqui.
Ao contrário do Gustavo, Salman Rushdie parece não ter visto nada de positivo em Quem Quer ser um Milionário?. Um dos mais respeitados escritores do mundo, o indiano-britânico diversas vezes cotado ao prêmio Nobel disse que o filme empilha impossibilidades em cima de impossibilidades, como uma súbita mudança de locação de uma cidade para outra que ficava há mais de mil quilômetros da primeira. Ele ainda chamou o projeto de “presunção ridícula” e criticou o livro no qual o filme foi baseado por sua técnica narrativa antiquada.
Em diversos jornais americanos, Rushdie ainda jogou seu veneno em O Leitor (que chamou de “sem vida”) e O Curioso Caso de Benjamin Button (que para ele não tem nada a dizer). Para mim, ou isso quer dizer que a crítica e o público colocam essas questões técnicas abaixo da mensagem geral dos filmes ou que Salman Rushdie jamais ganhará um Oscar.
Este artigo do blog de cultura do Guardian (em inglês, apenas), puxando a brasa para o lado britânico como era de se esperar, deixa uma questão no ar: depois dos grandes resultados naquele que é um prêmio criado pela indústria conematográfica norte-americana para promover a si própria, é possível que o cinema produzido no Reino Unido continue ganhando espaço até suplantar Hollywood?
Antes de responder, atente para o seguinte: no último Oscar, Quem Quer Ser um Milionário? levou 8 estatuetas, A Duquesa levou uma, a britânica Kate Winslet, que já havia se tornado nome fácil na lista de indicados finalmente foi eleita melhor atriz, e até o melhor documentário, O Equilibrista, veio das bandas da Grã-Bretanha.
A pergunta, é claro, por enquanto não passa de uma provocação. Mas é bom não perder de vista o que aqueles jogadores de cricket, tomadores de chá e comedores de batatas estão aprontando para os próximos meses: The Young Victoria, Shifty, An Education, In the Loop, A Frenchman’s Guide to Love, London River.

Freida Pinto, de Quem Quer Ser um Milionário?
Entre as muitas qualidades de Quem Quer Ser um Milionário?, uma delas é, sem dúvida, a música que o pontua, muito boa e que ganha grande destaque na edição final do filme (demasiadamente, para algumas pessoas).
Das três canções originais indicadas ao último Oscar, duas eram de AR Rehman, O… Saya e Jai Ho. Esta última, que saiu vencedora, é pra mim um grande resumo musical do filme, sintetiza toda a mistura empregada por Danny Boyle no longa só que em versão musicada. Cordas que marcam tensão, elementos eletrônicos e até um trecho em espanhol, aparentemente sem sentido algum, lembrando Macarena. Coreografada, então, a canção virou a própria ode ao final feliz do filme.
Confere aí:
(CC) Alguns Direitos Reservados - CineSemana ultiliza o WordPress - Desenvolvido por Fernando Leite