Depois de duas horas de deliberações, o comitê formado por seis profissionais do setor mais seu presidente, o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin, escolheu hoje o filme Última Parada, 174, de Bruno Barreto, como o representante brasileiro no Oscar. A escolha não foi unânime, mas consensual.
Agora, o filme de Barreto concorre com produções de outras 90 nações em busca de uma vaguinha entre os cinco finalistas que disputam a estatueta na festa da Academia, no Kodak Theatre, em Los Angeles.
Filme de Barreto é inspirado no documentário Ônibus 174, de José Padilha, que resgata a história de vida do seqüestrador Sandro Dias do Nascimento
Na enquete sobre quem deveria ser o candidato brasileiro, Última Parada, 174 teve um único voto. O campeão de preferência foi, como o esperado, Meu Nome Não é Johnny, com milhares e milhares de nove votos. Aproveite pra responder agora o que achou da escolha.
Eu, apesar de não ter visto o filme ainda, mas baseado unicamente na grande simpatia pelo documentário de José Padilha que deu origem a este ficcional, gostei da decisão!
Acabo de assistir ao trailer de Missão Babilônia, novo filme estrelado pelo ator bombadão Vin Diesel e uma coisa me chamou muito a atenção (não foi o número absurdo de explosões consecutivas). A trilha sonora, que é uma das minhas favoritas de filmes. Quem gosta de cinema certamete vai reconhecer. Confere aí:
A grande questão, no entanto, é que esta é a trilha original composta para Réquiem para um Sonho, de Darren Aronofsky, pelo genial Clint Mansell. Nada demais, não fosse o fato de tal crédito não constar no IMDB. Lá, consta somente o crédito da trilha original para um cidadão de nome Atli Örvarsson. Que feio!
Pra você que não se lembra de Réquiem…, separei aqui uma versão do trailer com a trilha do Clint Mansell feita por um fã. Sensacional!
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Update 16/09 - 19:15: O amigo Solon Brochado acaba de dar mais informações curiosas a respeito da trilha composta pelo Clint Mansell. Diz ele que a música já foi usada em Senhor dos Anéis - ver aqui na Wikipedia - e usada no trailer do jogo, também. Segundo ele, “é uma versão com um coro, mas é a mesma música. Ela ficou tão famosa que virou uma música por si só, sem ligação com o filme.”
Estréia hoje Ensaio Sobre a Cegueira, o filme de Fernando Meirelles (Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel) baseado no livro vencedor do Nobel de José Saramago. Pude ver o filme terça-feira passada em uma cabine de imprensa e vim recomendar a vocês que assistam também.
Ainda não digeri completamente tudo que vi, o que é sempre bom sinal: o filme de Meirelles tem muito a dizer. O que mais me impressionou, entretanto, foi a forma como a história prende o espectador. É impossível tirar os olhos da tela por um só segundo, mesmo quando talvez esse fosse nosso instinto ao ver exposta a degradação dos homens subitamente cegos.
(Para quem não pôde ver o trailer ou ler o livro, breve resumo da história e trailers aqui)
Os acontecimentos, os personagens, os efeitos de câmera, tudo contribui para o envolvimento do público. Nos sentimos cúmplices daquelas pessoas confinadas, ao mesmo tempo que existe um certo voyeurismo perverso em testemunhar a nudez (em todos os sentidos) exposta por cada um dos cegos. Ponto para Meirelles, que consegue nos fazer ter uma breve idéia da cegueira branca graças à ousadia na direção, como nos sentir na pele da Mulher do Médico, a única que ainda consegue enxergar, o que pode ser pior do que estar cego.
Para mim, a prova de que, não apenas eu, mas todo o público estava conectado aos personagens foi a reação às (poucas) cenas cômicas. São três ou quatro momentos engraçados que pontuam a aflição que dá o tom geral à narrativa, e nestes três ou quatro momentos, nós do público rimos junto e da mesma maneira que as pessoas na telona. É um riso de catarse, para eles e para nós, uns breves instantes em que respiramos um pouco de alívio e nos lembramos daquilo que nos faz humanos.
Para dar continuidade ao post publicado pelo Fernando na terça, acabo de descobrir mais um joguinho legal na internet envolvendo cinema.
Este aqui eu não faço nem idéia de que filme seja
Pois este jogo aqui é bem simples, mas tão viciante quanto os outros: um frame é apresentado randomicamente por vez, e o vivente tem que acertar a que filme ele pertence. Parece fácil, mas na prática a coisa não é bem assim. Dos dez frames que vi até agora, só acertei quais eram os filmes em dois casos. Média horrível de 20%!
por Igor Salomão Teixeira Mestre em História e professor da UFRGS
15 de outubro é dia do professor! Escrevo para homenagear meus professores (ex e atuais), minha mãe, professora da antiga “quarta série”, e minha irmã, que também é professora de história. Faço isso, por reconhecer as dificuldades de ser professor no Brasil. Quando pensei neste artigo, pensei na minha crença quase utópica de que é na sala de aula que uma sociedade pode iniciar um processo de mudança: falamos de inclusão, cotas nas Universidades, bolsa-escola, Prouni. Mas, e o professor? O professor é o motor da mudança: sua sensibilidade, formação e dedicação que iniciam as transformações.
Filmes como Sociedade dos Poetas Mortos (1989), Mudança de Hábito (1992 e 1993), Mr. Holland, Adorável Professor (1995), O Sorriso de Monalisa (2003) e Escritores da Liberdade (2007) não se diferenciam em suas temáticas: um novato entra para uma escola “problemática” (leia-se periferia, na lógica dos filmes) e/ou para lecionar em cursos sem prestígio. Assim, a Irmã Mary Clarence (ou Deloris), vivida por Woopi Goldberg em Mudança de Hábito, ou o Mr. Holland, professores de canto e música, respectivamente, não são muito diferentes um do outro. De odiados a heróis, de desrespeitados a autoridades.
Foram divulgados pelo Ministério da Cultura na última terça-feira, dia 9, os 14 longas-metragens inscritos para concorrerem a uma indicação ao Oscar em 2009 na categoria melhor filme em língua estrangeira. O representante brasileiro será divulgado até o dia 16 de setembro, e será escolhido por uma comissão formada por seis profissionais do meio audiovisual: Antonio Alfredo Torres Bandeira, Cleber Eduardo, Silvia Rabello, Maria Dora Mourão, Giba Assis Brasil e Paulo Sérgio Almeida. O nome do filme selecionado será enviado aos organizadores do Oscar, que então escolherão cinco indicados vindos de quase uma centena de países para a concorrerem na cerimônia realizada em fevereiro. Confira a lista dos filmes brasileiros inscritos, na qual chama atenção a ausência de Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas:
A Casa de Alice, de Chico Teixera A Via Láctea, de Lina Chamie Chega de Saudade, de Laís Bodansky Era Uma Vez…, de Breno Silveira Estômago, de Marcos Jorge Meu Nome Não é Johnny, de Mauro Lima Mutum, de Sandra Kogut Nossa Vida Não Cabe Num Opala, de Reinaldo Pinheiro Olho de Boi, de Hermano Penna Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado O Passado, de Hector Babenco Os Desafinados, de Walter Lima Júnior O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli Última Parada, 174, de Bruno Barreto
Qual você acha que deve ser o candidato brasileiro ao Oscar? Responda nossa enquete ao lado.
Acabo de assistir a Linha de Passe, e achei um filme e tanto. Mantém a tendência da nova safra de filmes brasileiros de voltar mais uma vez os olhos para dentro do próprio país e contar histórias com características bem locais (Wim Wenders apoiaria, certamente).
Quem conhece bem a trajetória cinematográfica dos diretores Walter Salles e Daniela Thomas não vai se espantar com o que verá na telona, mas quem espera algo na linha de Cidade de Deus ou Tropa de Elite está muito enganado. Na verdade, Linha de Passe até dialoga com estes, mas servindo como uma espécie de “negativo”. Ele faz a opção de retratar a pobreza de um ângulo ainda não muito explorado pelo nosso cinema, que é o das pessoas que não são miseráveis nem são bandidas, mas apenas pobres lutando pra sobreviver como podem.
Um ponto do longa-metragem que poderia ser considerado negativo (embora isso seja bem discutível) é o grande número de personagens principais cujas histórias pessoais se alternam no centro da trama. Ao mesmo tempo em que isso dá, ao final, uma noção mais completa da realidade em que vive aquela família paulistana, também dificulta que o espectador “mergulhe” no filme e sinta que realmente conhece cada um daqueles personagens.
Eu recomendo bastante, mas vá ao cinema consciente de que verá um filme reflexivo, autoral, com um ritmo bastante próprio e que pouco tem a ver com as câmeras frenéticas e os cortes rápidos e secos dos últimos sucessos produzidos no Brasil.
Me agrada muito essa tendência de liberar produções culturais de graça na internet. Depois da turma dos músicos (começando com Radiohead, passando por Nine Inch Nails, e, agora há pouco, Marcelo Camelo, entre vários outros) chegou a hora de os cineastas entrarem na moda. O pioneiro não poderia ser outro que não o polêmico e agitador Michael Moore.
O documentarista lançará Slacker Uprising, sobre o sistema eleitoral norte-americano, gratuitamente no dia 23 de setembro no site www.blip.tv. O filme consiste na viagem de Moore por 62 cidades durante a qual ele tentou convencer jovens a tornarem-se eleitores (como nos EUA o voto não é obrigatório, muitas pessoas preferem não participar da eleição).
A maior parte do orçamento de US$ 2 milhões da produção foi paga pelo próprio diretor, que disse esperar, como único retorno, o maior comparecimento de todos os tempos de eleitores jovens nas eleições de novembro. Além do download liberado, um DVD de Slacker Uprising de baixo custo será lançado em outubro.