Quem esperava um sujeito soturno, de ares sombrios e comportamento provocativo saiu surpreso do Salão de Atos da UFRGS no último domingo, dia 10, ao ver um David Lynch doce e calmo. Convidado a ministrar uma conferência no ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, o diretor de Veludo Azul (1986) e Cidade dos Sonhos (2001) frustrou alguns de seus admiradores que esperavam que sua participação como palestrante seguisse o curso de seus filmes, não-lineares, com alto grau de abstração e cercados de mistérios e situações inexplicáveis. Ele foi claro, objetivo e quase professoral.
Cerca de vinte minutos após a hora marcada para o início de sua palestra, Lynch ganhou o palco ostentando seu tradicional topete branco e um largo sorriso. Sentou-se ao lado do diretor e roteirista Gilberto Perin, que atuou nervosamente como um híbrido de entrevistador e mediador do cineasta com a platéia. Desde o primeiro segundo, David Lynch deixou bem claro o motivo de sua tour pelo País, e repetiu como um mantra seu discurso de louvação à meditação transcendental, prática da qual é seguidor há 35 anos.
“A meditação transcendental é a chave para portas que levam às profundezas da mente, que sempre estiveram lá mas normalmente não são exploradas”, disse o cineasta. Lynch defendeu a prática como método para aumentar a criatividade, e revelou que é a partir dela que surge grande parte de suas idéias, sempre de maneira fragmentária. “Muitas vezes não sei exatamente o que a idéia significa, mas vou em frente, pois acredito na intuição, que pode se tornar a solução dos problemas”, afirmou.
Embora demonstrasse clara preferência pelo assunto de que trata seu livro Em Águas Profundas: Criatividade e Meditação, o diretor não fugiu das respostas quando a temática era o cinema, sobre o que todos os presentes ansiavam por ouvir. David Lynch demonstrou sua preferência pelo cinema mais abstrato como forma de ampliar as possibilidades de interpretação, e sugeriu que a sétima arte pudesse se aproximar da música e pintura em nível de abstração. As perguntas clássicas não faltaram. Se David é tão feliz com a meditação, por que seus filmes são tão tristes? “Um artista não precisa sofrer para mostrar sofrimento”, respondeu, mostrando que as histórias refletem o mundo no qual elas acontecem. E antes que o músico britânico Donovan Leitch, outro embaixador da meditação transcendental, subisse ao palco para executar cinco de suas canções ao violão, a questão fatal sobre o seriado Twin Peaks, proferida em tom de brincadeira, foi ignorada pelo diretor com a elegância de quem finge que não ouviu uma piada ruim.
Bem que a DreamWorks tentou deixar a exibição do trailer de sua nova animação restrita aos participantes do Comic-Con, realizado no final de julho em San Diego, nos Estados Unidos. Mas não deu.
Algum espertinho gravou tudo, e o trailer de Monsters Vs. Aliens, que chega às telas só em março de 2009, acabou caindo na internet.
A 7ª edição do República do Rock acontece na próxima segunda-feira, 11 de agosto, com a participação das bandas Fantomáticos e Identidade (foto), que se apresentam às 19h30 no Teatro da Cia de Arte.
A cada duas semanas o República do Rock abre espaço para produções independentes, promovendo o encontro de uma banda recém estabelecida e uma banda emergente do cenário cultural de Porto Alegre, sempre às 19h30 com a entrada franca. A apresentação fica por conta do jornalista Léo Felipe.
Serviço
Fantomáticos e Identidade
Segunda-feira, dia 11 de agosto, às 19h30
Teatro da Cia de Arte (rua dos Andradas, 1780 - Centro)
Entrada franca
Há muito que admiro as composições de Vinícius de Moraes, mas pouco conheço de suas obras literárias, provavelmente porque elas estão longe das pratelerias das livrarias há muitos anos. Hoje, a Companhia das Letras mandou a ótima notícia de que vai lançar novas edições de todos os livros do Vinícius a partir do mês de agosto. Os novos volumes vão contar com caderno de fotos, críticas da época e posfácios.
Os primeiros lançamentos serão O Caminho para a distância, que reúne cerca de 40 poemas; Poemas Sonetos e Baladas, com nome bastante auto-explicativo e aqui publicado junto com o poema Pátria minha, originalmente criado como um pequeno livro; e Nova Antologia Poética, organizada por Antonio Cicero e Eucanaã Ferraz. Mais detalhes, no site da editora.
De brinde, deixo um dos poemas do autor, presente no Caminho para a distância, que deve estar disponível para compra a partir de segunda-feira.
Vinte Anos
Eu fui feliz nesse passado grato
Viviam então em mim forças que já me faltam.
Possuía a mesma sinceridade nos bons e maus sentimentos.
Aos frenesis da carne se sucediam os grandes misticismos quietos.
Era um pequeno condor que ama as alturas
E tem confiança nas garras.
Tinha fé em Deus e em mim mesmo
Confessava-me todo domingo
E tornava a pecar toda segunda-feira
Tinha paixão por mulheres casadas
E fazia sonetos sentimentais e realistas
Hilton Lima, publicitário e editor do blog DROPOUT
É inegável o dom que o cinema tem para transformar o desconhecido em popular. Se um assunto é demasiadamente específico ou incomum, o cinema consegue introduzi-lo na cabeça do espectador em questão de minutos. Em breve, o que antes era do conhecimento de poucos, passa a ser dominado superficialmente por todos. Os assuntos vão desde o último genocídio africano ignorado pela imprensa internacional, até o nome e a aparência de uma determinada espécie de dinossauro. Você sabia que, na realidade, o temido Velociraptor do filme Jurassic Park era do tamanho de um cachorro e tinha o corpo revestido por penas? Não, pois no filme, ele foi retratado como um aterrorizante lagarto do tamanho de um carro, e não como um galinhão com dentes.
Embora diferentes, as duas versões do Velociraptor são muito feias
Porém, em época de Olimpíadas, é inevitável a lembrança dos esportes que foram introduzidos ao público brasileiro quase que exclusivamente por intermédio do cinema. O esporte sempre foi um prato cheio para roteiristas e diretores, por apresentar o tradicional conflito entre heróis e vilões de uma forma que somente a guerra é capaz de reproduzir. Como quase toda a produção cinematográfica que chega aos cinemas brasileiros é americana, os esportes de escolha para o cinema são, obviamente, aqueles populares nos EUA, como o beisebol e o futebol americano.
O mais curioso é que o cinema foi o principal responsável pelo fato de tais esportes não necessitarem de maiores explicações para o público em geral, hoje em dia. Quase ninguém entende as regras, mas existe um domínio superficial. O mesmo domínio superficial que faz alguém com nenhum interesse em Arqueologia compreender o que a insólita palavra Velociraptor significa. No caso dos esportes americanos infestados de intervalos, as transmissões de jogos são um fenômeno recente, e praticamente restrito à TV a cabo. A verdadeira “popularização” se deu através dos filmes.
Porém, os filmes não são a única forma de divulgar esportes excêntricos para o público em geral. Nesse aspecto, perdem em eficácia para as Olimpíadas. Na próxima semana, as mais variadas e enfadonhas modalidades esportivas voltarão a habitar a mente do cidadão comum. Ocuparão as grades de programação das emissoras de televisão, que apresentarão ao espectador termos como Wazari, Sukahara e Badminton, ou, até mesmo, tentarão contextualizar por que alguém pratica Marcha Olímpica. Terminadas as Olímpiadas, o espectador irá se sentir culturalmente mais rico, pois terá adquirido um conhecimento superficial sobre uma série de esportes que irão hibernar em seu cérebro pelos próximos quatro anos, para serem acordados novamente apenas em 2012.
Triste do esporte que não tem os filmes nem as Olímpiadas para divulgá-lo. É o caso do rugby, um esporte que mais parece um intermédio entre a versão tradicional e a americana do futebol. Possui objetivo e bola similares ao futebol americano, mas herdou do futebol normal a ausência de proteções, de capacetes e de paralisações a cada dois segundos. Sua total obscuridade no Brasil poderá acabar em breve, já que Clint Eastwood irá dirigir um filme narrando o importante papel que este esporte desempenhou na reconstrução da África do Sul após o Apartheid, com data de lançamento prevista para meados de 2009. Fosse outro esporte, pouco seria o alarde entre seus praticantes e apreciadores. Mas quando se aprecia algo tão desconhecido como o rugby, festeja-se o singelo fato da população geral compreender o significado da palavra “rugby” e possuir um conhecimento superficial sobre o esporte que tal palavra representa. E isso, o cinema sabe fazer como ninguém: popularizar o desconhecido da forma mais simples possível. Nem que para isso seja preciso depenar um dinossauro.
O entrevistado da edição 40 do CineSemana é o cineasta carioca Júlio Bressane. Considerado um dos expoentes do chamado Cinema Marginal brasileiro, Bressane terá sua obra reconhecida pela primeira vez no Festival de Cinema de Gramado. Desde que começou profissionalmente na sétima arte, em 1965, como assistente de direção de Walter Lima Júnior, ele dirigiu mais de 40 longas-metragens com orçamentos baixos e roteiros complexos, que fogem dos clichês cinematográficos. A 36º edição do festival, que acontece de 10 a 16 de agosto, homenageará o diretor com o Troféu Eduardo Abelin, prêmio concedido a grandes nomes do cinema nacional.
Filmes como Cleópatra (2007) e Dias de Nietszche em Turim (2002) traduzem o cinema profundamente ligado ao conteúdo produzido pelo cineasta. Seu mais recente trabalho, A Erva do Rato, realizado ao lado da diretora Rosa Maria Dias, foi selecionado na última terça-feira, 29, para a Mostra Horizontes do Festival de Veneza, sendo a sexta participação do diretor no evento. Nesta entrevista, Júlio Eduardo Bressane de Azevedo, de 62 anos, revela o quanto é difícil viabilizar seus filmes e seu descontentamento com o cinema brasileiro.
Como você começou no cinema?
Eu comecei a fazer cinema com dez anos de idade, ganhei uma câmera de presente e um projetor e comecei a fazer filmes. Foi assim que eu comecei.
Quais as influências para realização dos seus filmes?
Minhas principais influências vieram da leitura sistemática que eu fiz ao longo da minha vida. Autores como Dante, Camões, Shakespeare sempre estiveram muito próximos a mim. No meu ponto de vista, nunca dividi o cinema em escolas, eu sou um especialista em cinema mudo. Eu comecei a me interessar pelo cinema que se fazia no início e até hoje tenho mais interesse em cinema mudo do que falado. Continue lendo »
Finalmente foi divulgado o primeiro trailer do próximo filme de Walter Salles e Daniela Thomas, Linha de Passe. A dupla de diretores já atuou em parceria nos longas Terra Estrangeira (1996) e O Primeiro Dia (1998), além de uma porção de ótimos curtas-metragens (assista a alguns deles aqui e aqui).
Linha de Passe, que estréia nos cinemas daqui em 12 de setembro, levou o prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni no último Festival de Cannes. Tudo indica que será mais um belo filme assinado pelo brasileiro. Enquanto setembro não chega, fique com o trailer:
Ao estilo do saudoso Jogo da Vida, no Rock Star Rehab (algo como Clínica de Reabilitação das estrelas do rock), os jogadores escolhem uma celebridade enlouquecida para andar casas no tabuleiro da fama, que passa por danceterias de Los Angeles, festas VIP e noites na cadeia.
Com personagens que fazem alusão a Britney Spears, Lindsay Lohan e outros habitués de programas de desintoxicação, o jogo tem cartas com etapas como essa: “Uma empresa de cereais quer endossar sua carreira apesar de, em todos os eventos públicos que participou, você ter aparecido bêbado ou, de alguma forma, incoerente. Ganhe uma estrela dourada.”
Vence quem tiver o maior número de barbaridades no currículo sem perder o brilho de superstar.