Blog do jornal CineSemana

A criatividade é o que faz a diferença

No cinema, a criatividade é o que diferencia um “filme bem feito” de um “filme bom”.

Hollywood, por exemplo, despeja centenas de filmes todos os anos, possivelmente milhares, quase todos muito bem feitos. Por aqui, nós brasileiros andamos a passos largos nos últimos anos nesse sentido, e a cada ano mais películas interessantes e bem realizadas chegam às salas.

Mas é o cinema argentino, atualmente, que consegue, por vezes até mesmo com produções que não são especialmente notáveis pela excelência técnica, apresentar bons filmes em profusão.

Proporcionalmente, creio que  nenhuma outra cinematografia consegue chegar perto do que os argentinos estão fazendo.

Argumentos geniais, roteiros cuidadosos, e nem é preciso que Ricardo Darín esteja em cena.

Não é exagero que recebam cada vez mais espaço nas salas de exibição brasileiras e do mundo todo. Uma pena que, por aqui, ainda cheguem com um tantinho de atraso.

Post inspirado no ótimo O Homem ao Lado (Mariano Cohn e Gastón Duprat, 2009).

Meu filme favorito

IVANA VERLE, roteirista e professora
(Federico Fellini, 1963)

“Admiro aqueles que conseguem enumerar suas obras preferidas com graça e precisão enquanto eu me debato interminavelmente para eleger um top 50 (mil). de Fellini é a exceção, tem sido o meu filme preferido nos últimos quinze anos, e acredito que continuará sendo por muitos mais. Tenho um carinho especial pelos filmes que abordam a prática cinematográfica, um encantamento profundo por toda a obra de Fellini, e essa intersecção é como um soco gentil em meu imaginário.”

Box office (10 a 12 de junho)

As maiores bilheterias do último final de semana no Brasil:

1. Kung Fu Panda 2 (R$ 7,6 milhões)
1. X-Men: Primeira Classe (R$ 4,2 milhões)
3. Se Beber, Não Case!: Parte 2 (R$ 3,2 milhões)
4. Piratas do Caribe 4 (R$ 2,8 milhões)
5. Qualquer Gato Vira-Lata (R$ 1,6 milhão)

As maiores bilheterias do último final de semana nos EUA:

1. Super-8 (US$ 35,5 milhões)
2. X-Men: Primeira Classe (US$ 24,1 milhões)
3. Se Beber, Não Case!: Parte 2 (US$ 17,7 milhões)
4. Kung Fu Panda 2 (US$ 16,5 milhões)
5. Piratas do Caribe 4 (US$ 11 milhões)

Fontes: FilmB e Rentrak

Uma bela atriz para começar a semana

Michelle Williams

Meu filme favorito

JOÃO KOWACS CASTRO, escritor
Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (Melvin Van Peebles, 1971)

“Melvin Van Peebles escreveu, dirigiu, estrelou, montou e “conduziu” a trilha sonora desse filme independente que foi um sucesso de bilheteria. O partido americano dos panteras negras o tornou o seu filme oficial. Revolucionário na temática e na forma, o Sweet Sweetback’s Baadasssss Song é um manifesto críptico de um povo oprimido, os negros americanos, no qual é possível ver paralelos com O Bandido da Luz Vermelha, O Acossado, e o neo-realismo italiano (afinal de contas, quase todos os personagens foram interpretados por não atores). Tudo isso ao som de Earth, Wind and Fire, no começo da carreira, tocando um funk endiabrado.”

O que a telona reserva para as férias
(ou as férias reservam para a telona)

Enquanto no Brasil – especialmente no sul – faz cada vez mais frio, no hemisfério norte o calor já chegou, e com ele vem a iminência das prolongadas férias escolares. Com a criançada dos principais mercados de cinema sem aulas, os estúdios dedicam todos os seus esforços para atraí-los às salas de exibição, e o resultado disso é uma programação repleta de blockbusters e grandes lançamentos de franquias.

Bem dizer, essa temporada já começou, como bem indica a sequência de estreias das últimas semanas: Piratas do Caribe 4, Se Beber, Não Case!: 2 e X-Men: Primeira Classe. Mas ainda há muito mais por vir.

O lançamento mais aguardado da garotada é, sem dúvida, é a segunda parte do episódio final da saga Harry Potter. O desfecho da cinessérie baseada na obra de J.K. Rowling chega às salas de exibição em 15 de julho, data mais nobre do período.

Outras continuações também estão programadas: são os casos do segundo longa-metragem animado Carros, que deve estrear em 23 de junho por aqui, e também do terceiro filme da franquia Transformers, previsto para 1° de julho.

Entre os super-heróis, os destaques vão para o aguardado Capitão América, da Marvel, que deve chegar às telas em 29 de julho, e Lanterna Verde, da DC Comics, cuja estreia está programada para 19 de agosto.

E, muito embora acabem ficando meio em segundo plano nesta época, os mais crescidinhos não foram totalmente esquecidos pelo distribuidores. Pelos menos três produções destinadas ao público adulto estão agendadas para o período de férias, aqui no Brasil: Meia-noite em Paris, de Woody Allen; A Árvore da Vida, filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes este ano, de Terrence Malick; e Melancolia, longa de Lars Von Trier que também foi premiado no festival francês.

Confira os principais lançamentos do período:

Para a gurizada

23 de junho – Carros 2, animação de Brad Lewis e John Lasseter

1° de julho – Transformers: O Lado Escuro da Lua, filme de ação de Michael Bay

15 de julho – Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2, de David Yates

29 de julho – Capitão América: O Primeiro Vingador, aventura de Joe Johnston

5 de agosto – Os Smurfs, comédia de Colin Brady

19 de agosto – Lanterna Verde, aventura de Martin Campbell

Para os adultos

17 de junho – Meia-Noite em Paris, comédia de Woody Allen, com Owen Wilson

24 de junho – A Árvore da Vida, drama de Terrence Malick, com Brad Pitt e Sean Penn

5 de agosto – Melancolia, drama/ficção científica de Lars Von Trier, com Kirsten Dunst

Box Office (3 a 5 de junho)

As maiores bilheterias do último final de semana no Brasil:

1. X-Men: Primeira Classe (R$ 6,3 milhões)
2. Piratas do Caribe 4 (R$ 6,1 milhões)
3. Se Beber, Não Case!: Parte 2 (R$ 3,8 milhões)
4. Velozes e Furiosos 5 (R$ 1,1 milhão)
5. Rio (R$ 0,2 milhão)

As maiores bilheterias do último final de semana nos EUA:

1. X-Men: Primeira Classe (US$ 55,1 milhões)
2. Se Beber, Não Case!: Parte 2 (US$ 31,4 milhões)
3. Kung Fu Panda 2 (US$ 23,9 milhões)
4. Piratas do Caribe 4 (US$ 18 milhões)
5. Bridesmaids (US$ 12 milhões)

Fontes: FilmB e Rentrak

Uma bela atriz para começar a semana

Janueary Jones, em cartaz em X-Men: Primeira Classe.

40 anos de Laranja Mecânica: um símbolo de irreverência e originalidade do cinema

Há 40 anos era lançado o filme que se tornaria um grande clássico do cinema mundial. Laranja Mecânica, do diretor Stanley Kubrick, foi baseado no livro homônimo de Anthony Burgess e chocou com uma história forte e violenta, na qual um jovem, líder de uma gangue de delinquentes, cai nas mãos da polícia. A irreverência do filme causou desconforto na época de seu lançamento, fazendo com que o longa fosse impedido de ser exibido em diversos países. Com o tempo, Laranja Mecânica ficou conhecido por diferentes gerações e tornou-se um sucesso que é lembrado até hoje pela herança cultural e estética que deixou.

Diversas homenagens estão sendo promovidas para prestigiar as quatro décadas do filme. A mais significativa delas ocorreu no último dia 19 de maio, durante o 64º Festival de Cinema de Cannes. O longa foi exibido em sessão especial com cópia digitalmente restaurada para os convidados do festival, com a presença do ator principal do longa, Malcolm McDowell. São raras as produções que, como Laranja Mecânica, conseguem arrebatar tantos fãs, capazes de assistirem à película dezenas de vezes e conhecerem qualquer detalhe relacionado à história. A originalidade do filme atraiu públicos diferentes. Ao mesmo tempo em que compreender e comentar o longa de Kubrick tornou-se sinônimo de intelectualidade, o filme tornou-se um produto símbolo da indústria cultural, tendo sua identidade visual espalhada em xícaras, chaveiros, camisetas, imãs, quadros e bolsas.

Atualmente, o filme é facilmente encontrado à disposição em locadoras, sites, lojas e pode ser visto até na TV. Mas nem sempre foi assim. Em 1971, a recepção foi bem diferente, e o longa foi considerado inadequado por conta de suas cenas impactantes e pela violência explícita. Apesar de ter recebido indicações para o Oscar, foi muito criticado e não levou nenhum prêmio. No Brasil, a película foi inicialmente banida pela ditadura, sendo liberada para exibição somente em 1978, com a inclusão de bolinhas pretas para esconder a nudez dos personagens. O episódio foi motivo de revolta e risadas do público. Muitos brasileiros até viajaram para o Uruguai, onde puderam assistir ao filme “sem bolinhas”.

A história de Laranja Mecânica é até hoje considerada atual. A ficção social ambientada num futuro não muito distante foi publicada originalmente em 1959. Por muito tempo, ninguém acreditou que fosse possível adaptá-la ao cinema, mas o nova-iorquino Stanley Kubrick acreditou na história e decidiu roteirizá-la. Existem diversas teorias sobre a fidelidade do longa-metragem com a história literária, mas sabe-se ao certo que Kubrick modificou intencionalmente alguns detalhes do romance de Burgess. O professor e tradutor do livro para o português, Fábio Fernandes, conta que algumas atitudes de Kubrick deixaram Burgess muito desgostoso. “A primeira edição americana do livro saiu mutilada, sem o último capítulo, e foi essa a versão que o Kubrick usou para o filme. Isso irritou muito o Anthony Burgess”.

Além da história repleta de originalidades, existem outras características que explicam tamanho sucesso, como a ousadia estética, visual e sonora do filme. A direção de arte, pensada nos mínimos detalhes, é até hoje elogiada, assim como o figurino e a maquiagem que são os ícones do longa. Não há quem o tenha assistido sem reparar nos macacões brancos e chapéus pretos, sem contar a maquiagem marcante do olho. A trilha sonora, que ia de Singin’in the Rain até a Nona Sinfonia de Beethoven, coloca o espectador exatamente dentro do clima do personagem. A impecável atuação de Malcolm McDowell, como Alex, marcou o início de uma série de anti-heróis que conquistaram o público. Fábio Fernandes acha que o carisma do ator foi fundamental para a construção do personagem. “Aquele sorrisinho cínico que só o McDowell sabia dar tinha uma energia que parecia convidar, ou melhor, convocar o espectador a se juntar a ele”. Isso tudo, somado à genialidade de Kubrick para conduzir e perturbar o espectador, fez de Laranja Mecânica um marco na história do cinema.

Algumas curiosidades:

* Basil, a cobra, foi colocada nas filmagens após o diretor Stanley Kubrick descobrir que Malcolm McDowell tinha fobia a cobras.
* No livro, o sobrenome de Alex, personagem principal, em momento algum é revelado. Comenta-se que DeLarge seja uma referência a um momento no livro em que Alex chama a si mesmo de “Alexander the Large”.
* O filme prenuncia o aparecimento do punk, que começava a surgir nos EUA e na Inglaterra. Em 1974, nos EUA, surgem os Ramones, e em 1975, os Sex Pistols, na Inglaterra, ambos com letras, ritmos e atitudes de revolta contra o sistema, também refletido por Laranja Mecânica.
* Furioso com as críticas que o filme recebeu após o lançamento, Kubrick tirou o longa de circulação no Reino Unido e só permitiu que o filme voltasse a ser exibido no país após sua morte, que ocorreu em 1999.

Meu filme favorito

LUCAS MENDES, jornalista e apresentador do Manhattan Connection
Afterschool (Antonio Campos, 2008)

“Cada tempo teve seu filme. Branca de Neve e os Sete Anões , Jules e Jim, Cidadão Kane e, mais recentemente, Afterschool, de Antonio Campos.”

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