Blog do jornal CineSemana

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Diretora e coreógrafo da Cia.de Dança falam sobre o projeto

Bate-papo com Tânia Baumann, uma das fundadoras da Porto Alegre Cia.de Dança e diretora do espetáculo Olhos Fechados no Sol, e Mark Sieczkarek, primeiro coreógrafo convidado para trabalhar com o grupo.

A idéia é sempre trazer um coreógrafo de fora para trabalhar com a Companhia?
Tânia: Não, não tem nada fechado com relação a isso, muito pelo contrário. A Cia. pretende trabalhar com coreografias nacionais e locais também. A grande proposta é tentar sanar em Porto Alegre essa situação atual da dança que é trabalhada de forma muito isolada. A Cia. quer juntar as pessoas.

A formação do elenco é fixa?
Tânia: Ela não é uma companhia fechada em termos de elenco. Agora nós estamos trabalhando com onze pessoas, incluindo o Mark, mas isso não quer dizer que não possa vir um próximo coreógrafo e decidir trabalhar com mais ou menos gente. As dinâmicas da Cia. são bem naturais.

Mark, você já tinha alguma relação com o Brasil antes deste projeto?
Mark: Sim, já tem 15 anos que eu vim ao Brasil pela primeira vez. Tenho vários amigos aqui e na Alemanha conheço muitos brasileiros, há bastantes bailarinos brasileiros lá. Mas agora foi a primeira vez em Porto Alegre

Na criação desta coreografia, se levou em consideração a cultura brasileira ou ela pretende ser universal?

Mark: Isso são duas perguntas. A peça, em parte, tem a ver com a minha visita aqui, eu fiquei três semanas em Porto Alegre. Mas é a primeira vez que eu trabalho com um grupo só de brasileiros, normalmente é mais misturado lá na Europa, e o trabalho tem a ver com os bailarinos. Mas a dança é uma língua internacional sempre.

A Cia. conseguiu 60% do custo total do projeto com o Fumproarte. E os outros 40%?
Tânia: Essa é uma boa pergunta. A gente recebeu agora uma carta de aprovação da lei de incentivo Rouanet e estamos buscando patrocinadores, pessoas e empresas que queiram ajudar o projeto.

Vocês ainda estão atrás desses recursos, então?
Tânia: Sim, até mesmo porque a Cia. é um projeto de longo prazo, a gente está com vários projetos já saindo da gaveta, então vamos estar sempre buscando recursos. O Fumproarte foi importante para dar esse início, e foi importante a própria cidade ter bancado o lançamento da sua Cia.

Entrevista com Zé do Caixão

Zé do CaixãoEntrevista publicada na edição de 28 de março. Aproveitem.

Quais foram as fontes inspiradoras ara a sua carreira, e o que despertou você tão cedo para o cinema?
O que me despertou na cinematografia que eu fui criado desde os três anos nos fundos de um cinema na Vila Anastácia, em São Paulo. Sou filho único de pais artistas e circenses, meu pai era toureiro e minha mãe cantora de tango. Aos 19 anos, saí de um cinema e fui morar no fundo de outro. Mas nenhum personagem me inspirou porque senão eu jamais faria um personagem tão brasileiro e tupiniquim como o Zé do Caixão.

De onde surgiu o interesse pelo gênero de terror?
Foi na infância. No meu bairro tinha um vendedor de batatas e um dia ele foi dado como morto. Todos foram ao velório. A mãe falava que só os maus ficavam e os bons iam embora, a esposa chorava dizendo que queria ir com ele. Nós começamos a rezar junto com seus filhos para ele voltar e então voltou, mas na verdade não tinha morrido. Só que todo mundo correu, três garotos e eu estávamos diante do homem quando ele perguntou o que tinha acontecido, estava sentado e apavorado em cima do caixão com algodões no nariz e nos ouvidos. Nós falamos que ele morreu, rezamos e ele voltou. E aí entrou o delegado com o revólver e o padre falando “vai de retro satanás”. O homem tinha catalepsia. A partir daí ninguém mais comprou batata do homem e a mulher pediu o desquite. O vendedor de batatas ficou na solidão, enlouqueceu e acabou morrendo. Aquilo marcou minha infância aos seis anos de idade.

Como nasceu o personagem Zé do Caixão?
O personagem nasceu em 1963, eu muito católico como sou, freqüentava toda procissão de Sexta-Feira Santa. Nesse ano, cheguei atrasado e fui rezar na igreja, mas o padre me mandou junto de mais 12 retardatários para rua. Eu perdi a cabeça e falei que daquele dia em diante nunca mais entraria numa igreja a não ser para ser padrinho de casamento, missa de sétimo dia ou para filmagens. E realmente nesse mesmo ano nasceria então Zé do Caixão, de um filme que eu iria fazer sobre a juventude. Mas mudou toda a minha cabeça e eu parti para fazer o terror, aquilo que eu mais gostava na vida.Atualmente, todos o conhecem.

Como era a reação do público quando você incorporou o personagem Zé do Caixão com as unhas compridas pela primeira vez em comparação a hoje?
O mundo todo conhece o Zé do Caixão. No início existia muita superstição, as pessoas se benziam depois que passavam por mim. Era meio difícil essa situação. Agora a coisa é comum, o pessoal me pede autógrafos e para tirar foto. No passado eu também andava totalmente de preto. Hoje em dia eu ando com a calça preta e tal, mas eu mudo a camisa, pode ser vermelha, amarela, verde e assim por diante.

O gênero de horror faz muito sucesso nos Estados Unidos, Japão e Europa. Por que o Brasil não aposta neste gênero?
No Brasil tem muita supertição. Aliás, discriminação. O terror aqui é muito discriminado. Nós conseguimos uma verba para fazer Encarnação do Diabo, que é a última parte da minha trilogia, por causa das produtoras grandes. A Olhos de Cão, que produziu O Prisioneiro da Grade de Ferro, e a Gullane Filmes se reuniram para conseguir a verba, mas foi muito difícil. Graças a Deus, a fita está terminando. Estamos na parte musical e o longa deve ser lançado em 25 de julho ou no dia 8 de agosto. No momento estamos terminando a trilha sonora.

O que representa para você ter um maior reconhecimento no exterior do que no Brasil? O que faz você permanecer aqui?
No passado eu fiquei chateado, mas no Canadá um cara me disse: não fica chateado, porque lá é o terceiro mundo e aqui é o primeiro. E se o primeiro está te apoiando, você não tem que ficar chateado com os brasileiros. Foi então que eu passei a dar palestras em faculdades e assim procuro ajudar os novatos, principalmente estudantes de comunicação.

Qual a sua expectativa para o lançamento do longa Encarnação do Demônio?
Eu esperei mais de 40 anos para gravar este filme. Este segundo longa Essa Noite Encarnarei no Teu Cadáver foi feita em 1966, o Encarnação era para ter sido realizado em 1967. Fazia 20 anos que eu não dirigia um longa. Em 2003 eu fiz o Fim, um curta de 35mm e continuei fazendo filmes em vídeo digital, que eu não gosto, e também participando de muitos filmes como ator. Encarnação do Demônio é a maior fita já feita na América Latina e vai fazer inveja até nos americanos, tenho certeza de que eles vão se ajoelhar. Nossa! Era o maior sonho da minha vida e quando eu lançar eu acho que o sonho estará concluído.

CineSemana traz entrevista com Zé do Caixão

Na edição desta sexta-feira (28), o jornal CineSemana traz matérias para os mais variados gostos. Em entrevista exclusiva, o diretor cult de filmes de terror José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão conta suas histórias bizarras e seus novos projetos.

Lucas, o vocalista da Fresno, adianta com exclusividade ao CineSemana as novidades do novo álbum Redenção. A banda deixa de lado o som alternativo agora aposta em músicas mais “suaves”. A estréia da primeira companhia de dança da capital gaúcha e a cobertura do Festival Cinematográfico Internacional del Uruguay.

A programação dos filmes, o roteiro cultural e muito mais, você confere no CineSemana, que a partir de hoje também será distribuído nas ruas de Porto Alegre.

Alan Pinus #19

Alan Pinus - 19

Gafieira carioca no calor porto-alegrense

Fui ontem no show da Orquestra Imperial no Opinião. Apesar do nome, a big band carioca não tem nada de orquestra. Formada por gente como o sambista Wilson das Neves, Moreno Veloso (o filho do Caetano), Rodrigo Amarante dos Los Hermanos e a cantora e atriz Thalma de Freitas, o grupo apresenta um repertório de gafieira e composições próprias.

Em Porto Alegre, alguns fãs de Los Hermanos ficaram decepcionados com a ausência de Amarante, mas uma das vantagens de uma banda com mais de 15 pessoas é que uma só não chegou a fazer falta. Animados e dançantes, os integrantes pareciam estar curtindo a festa tanto quanto nós, principalmente Wilson das Neves, a simpatia em pessoa. Para sorte do público, já que o show é muito mais para ser dançado do que visto, a casa não chegou a lotar. Infelizmente a qualidade do som do Opinião deixou muito a desejar. Quem quiser ouvir um pouco do samba imperial pode visitá-los no myspace ou procurar o disco Carnaval Só no Ano que Vem.

Edição online do CineSemana já está disponível

O jornal ainda nem começou a rodar na gráfica em Joinville, mas a edição desta semana já está disponível em PDF aqui no blog.

Isso porque, devido ao feriado, a programação do cinema foi antecipada, e as estréias que normalmente chegam às salas na sexta já entram em cartaz nesta quinta-feira.

O grande destaque desta semana é o épico de fantasia As Crônicas de Spiderwick, de Roger Waters. O filme entra em cartaz nos cinemas GNC Praia de Belas, Bourbon Novo Shopping, Iguatemi Caxias, Neumarkt e Balneário Camboriú.

O Sinal, um resgate do cinema noir dirigido e estrelado pelo argentino Ricardo Darín, estréia no GNC Moinhos.

No GNC Neumarkt, em Blumenau, o thriller O Orfanato marca a estréia de Juan Antonio Bayona na direção.

Reaberto debate sobre indecência no rádio e TV dos EUA

Depois de 30 anos, a Suprema Corte dos Estados Unidos deve reabrir o debate acerca do que é qualificado como “indecente” na transmissão de rádio e TV daquele país. O principal motivo são as eternas brigas entre a Federal Communications Commission, órgão regulador, e as emissoras. As multas aplicadas para cada vez que uma emissora veicular uma obscenidade é de US$ 325 mil, mas as regras para qualificar os padrões de indecência são muito vagas. Segundo definição da comissão, obscenidades são “palavras que sejam derivações da palavra foder, em qualquer contexto, pois elas têm conotação sexual”. A situação vem provocando verdadeiro pânico nas pequenas emissoras afiliadas. Muitas delas têm se negado a transmitir filmes como O Resgate do Soldado Ryan, e também transmitem eventos ao vivo com um atraso de alguns segundos para poderem cortar qualquer deslize vocabular. Paranóia completa!

Alan Pinus #18

Alan Pinus - 18

Horton é conservador, sim. E daí?

Conforme prometi, dou segmento aqui à discussão sobre se a animação Horton e o Mundo dos Quem! é realmente um filme conservador. Fui assistí-lo no final de semana bastante curioso, e posso dizer que sim, o filme sustenta valores um tanto conservadores.

Não vou adiantar maiores detalhes agora. Estou preparando uma matéria mais organizada que sai no jornal desta sexta-feira (quem não puder pegar o jornal nos cinemas sempre tem a opção de lê-lo na íntegra aqui mesmo). Lá, além de considerações sobre o filme, também alguns outros casos de produções que tomaram partido em temas polêmicos.

Mas adianto que, concorde ou não com a posição defendida pelo elefante Horton, o filme é bastante simpático e engraçado,e foi capaz de arrancar aplausos do público (na grande maioria formada por crianças e seus pais) que lotavam a sessão. Não me lembro a última vez em que vi aplausos na sala de exibição.

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