Blog do jornal CineSemana

Giba Assis Brasil conta como foi a escolha de Última Parada, 174 para concorrer a uma vaga no Oscar

Giba Assis Brasil fala sobre filme nacional no Oscar e montagem

Giba Assis Brasil, um dos fundadores da Casa de Cinema de Porto Alegre (Foto: Agência Bossa/ Divulgação)

A 47ª edição do CineSemana traz entrevista com o montador Giba Assis Brasil, integrante da comissão que foi responsável pela seleção do filme Última Parada, 174, de Bruno Barreto, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O cineasta revela como se deu essa escolha, fala sobre o atual panorama dos filmes brasileiros e afirma que a boa montagem não é a mais performática, mas aquela que o espectador não percebe.

Ainda que tenha começado a carreira como diretor ao lado de Nelson Nadotti em Deu Pra Ti Anos 70 (1981), Giba se destaca, principalmente, quando o assunto é montar um filme. Fundador e um dos sócios da produtora Casa de Cinema de Porto Alegre, é dele a montagem de quase todas as produções de Jorge Furtado, incluindo o curta Ilha das Flores (1989) e os longas do diretor, entre eles O Homem Que Copiava (2003).

O filme Última Parada, 174 era o seu favorito entre os 14 inscritos para representar o Brasil no Oscar?
A decisão não foi unânime, mas a gente discutiu bastante todos os filmes que estavam inscritos e chegamos a uma decisão de consenso. A decisão foi assumida como sendo de toda a comissão.

Então a escolha não se deu através de uma simples votação, mas de um processo de deliberação sobre qual o melhor filme.

Foi um debate bastante longo, até demorou mais do que eu imaginava. Mas não teve absolutamente nenhuma pressão, nenhuma acusação, foi um debate respeitoso, de ponto de vista. Estava todo mundo representando a sua subjetividade, a sua relação com o cinema. A gente discutiu todos os filmes e fomos afunilando, eliminando alguns e chegamos à decisão final. O combinado é que a gente não exporia os resultados parciais para não gerar uma polêmica desnecessária. Não é que não houve polêmica; foi bastante discutido dentro do grupo, mas não queremos gerar um sentimento de “qual é o segundo lugar, qual é o terceiro lugar”. Todos os 14 filmes estavam aptos a representar o Brasil e nós escolhemos este.

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A ingrata missão de escolher um filme pelo cartaz

Por Eduardo Menezes

Eu não sei nada sobre cinema. Mas não se irrite comigo, vou provar que posso ser útil.

Mesmo pertencendo a uma casta diferente, tenho consciência da importância de um espaço especializado como este, e não faria dele palco para bradar aos quatro cantos o meu desconforto com a sétima arte. Principalmente porque esse desconforto não existe.

Sou um simples ignorante no tema, do tipo que não consegue viver a cultura cinematográfica como um todo por ser terrivelmente ruim com fisionomias e nomes. Gosto e vou ao cinema com freqüência, mas dificilmente saberia elencar os diretores e roteiristas dos filmes que assisto. No máximo, posso dizer como antipatizo com o Nicolas Cage – aquela implicância gratuita que só quem não tem nada a perder pode divulgar, sem preocupações maiores com argumentação.

Assim sendo, toda a responsabilidade na hora da escolha de um filme recai sobre fatores tidos como secundários por muitos, mas que são meus cães guia na cegueira que sinto numa fila de cinema, antes mesmo das luzes apagarem. E o meu melhor amigo nesta hora é o cartaz.

Entendo que muitos os colecionem e tenham como peças de estimação, mas para mim é apenas uma ferramenta. Logo, encaro ela com seriedade, e cobro que ela represente de fato o que estou prestes a assistir. E os senhores que me desculpem, mas nessa arte eu que sou especialista.

Alguns filmes têm cartazes tão inadequados que sequer deveriam ser assistidos. Xeque-Mate (2006), por exemplo, tem um cartaz que tenta simplificar um roteiro cheio de suspense e viravoltas em um filme de tiroteio “à la” Bruce Willis. Tanto que é o próprio que aparece empunhando duas armas no centro do banner, sendo que nem protagonista é. Nesse assalto ao bom senso, quem perde mais é Josh Hartnett, colocado em segundo plano.

Entendo a razão mercadológica, e que um filme com armas e Bruce Willis tem mais apelo, mas a história simplesmente não é esta.

Outro exemplo estranho é de Meu Nome Não é Johnny (2008). Quando fui assistir, desconfiei muito do gosto de minha namorada, já ensaiando aquela reclamação ciumenta pra cima do Selton Mello. O rapaz aparecia como um gangster, abaixando os óculos escuros, cheirando a enredo policial setentista. Contudo, o filme é muito mais que isso. Nada perto do que o cartaz desvenda.

Talvez tenha funcionado de forma inversa a peça publicitária, já que ela baixou tanto minha expectativa na película que o que veio foi muito bem-vindo.

Portanto, se pintar aquela dúvida na fila do cinema, consultem um incauto que entende de cartazes. Será uma honra ajudar.

Alan Pinus #44

Era Uma Vez…

Assisti ao novo filme do Breno Silveira (que estreiou dirigindo 2 Filhos de Francisco, em 2005), que entra amanhã em cartaz nos cinemas, e pra falar a verdade não gostei muito do que vi em Era Uma Vez….

Em parte pela alta expectativa (me surepreendi muito positivamente com o 2 Filhos…), em parte porque achei que o filme repete ou tenta repetir alguns elementos que foram marcantes demais em Cidade de Deus, deixando o espectador com aquela sensação de deja-vu em certos momentos.

Uma coisa que me inquietou foi um certo clima de favela limpinha e com vista pro mar. Ok, a intenção do filme não é fazer uma denúncia das condições de vida no morro, mas acho que rolou uma certa esterilização da favela. Fora isso, gostaria de ter conhecido um pouco mais da personagem Nina (ela estuda, trabalha, não faz nada?) para poder compreender melhor algumas das escolhas dela. Por fim, achei a solução final sinceramente desastrada e um tanto forçada. É claro que, desde a metade da fita, vai se criando aquele clima de “algo desastroso está para acontecer”, mas acho que o caminho não poderia ter sido exatamente aquele seguido.

Só a comunidade foi convidada para o festerê

Só a comunidade foi convidada para o festerê

O filme tem qualidades, é claro. As atuações são boas, especialmente de Thiago Martins e Cyria Coentro, e até o Paulo César Grande não foi nada mal. Também há algumas cenas divertidas, especialmente quando o protagonista Dé faz suas tentativas atrapalhadas de conquistar a patricinha da Vieira Souto.

Vai gostar do filme quem aprecia histórias de amor e ao mesmo tempo não se importa com um clima meio “já vi isso antes no Cidade de Deus” no meio disso tudo. É um Romeu e Julieta transportado para Ipanema, no Rio de Janeiro, e ao invés das famílias rivais temos os dois mundos sociais antagônicos em conflito. Nada muito original, mas vá lá: é uma realidade brasileira e que também deve ser refletida pelo cinema.

Última Parada, 174, de Bruno Barreto, vai representar o Brasil no Oscar

Depois de duas horas de deliberações, o comitê formado por seis profissionais do setor mais seu presidente, o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin, escolheu hoje o filme Última Parada, 174, de Bruno Barreto, como o representante brasileiro no Oscar. A escolha não foi unânime, mas consensual.

Agora, o filme de Barreto concorre com produções de outras 90 nações em busca de uma vaguinha entre os cinco finalistas que disputam a estatueta na festa da Academia, no Kodak Theatre, em Los Angeles.

Filme de Barreto é indpirado no documentário Ônibus 174, de José Padilha, que resgata a história de vida do seqüestrador Sandro Nascimento, sobrevivente da "Chacina da Candelária"

Filme de Barreto é inspirado no documentário Ônibus 174, de José Padilha, que resgata a história de vida do seqüestrador Sandro Dias do Nascimento

Na enquete sobre quem deveria ser o candidato brasileiro, Última Parada, 174 teve um único voto. O campeão de preferência foi, como o esperado, Meu Nome Não é Johnny, com milhares e milhares de nove votos. Aproveite pra responder agora o que achou da escolha.

Eu, apesar de não ter visto o filme ainda, mas baseado unicamente na grande simpatia pelo documentário de José Padilha que deu origem a este ficcional, gostei da decisão!

Trilha surrupiada na cara dura?

Acabo de assistir ao trailer de Missão Babilônia, novo filme estrelado pelo ator bombadão Vin Diesel e uma coisa me chamou muito a atenção (não foi o número absurdo de explosões consecutivas). A trilha sonora, que é uma das minhas favoritas de filmes. Quem gosta de cinema certamete vai reconhecer. Confere aí:

A grande questão, no entanto, é que esta é a trilha original composta para Réquiem para um Sonho, de Darren Aronofsky, pelo genial Clint Mansell. Nada demais, não fosse o fato de tal crédito não constar no IMDB. Lá, consta somente o crédito da trilha original para um cidadão de nome Atli Örvarsson. Que feio!

Pra você que não se lembra de Réquiem…, separei aqui uma versão do trailer com a trilha do Clint Mansell feita por um fã. Sensacional!

Update 16/09 - 19:15: O amigo Solon Brochado acaba de dar mais informações curiosas a respeito da trilha composta pelo Clint Mansell. Diz ele que a música já foi usada em Senhor dos Anéis - ver aqui na Wikipedia - e usada no trailer do jogo, também. Segundo ele, “é uma versão com um coro, mas é a mesma música. Ela ficou tão famosa que virou uma música por si só, sem ligação com o filme.”

Os cegos são eles ou somos nós?

Estréia hoje Ensaio Sobre a Cegueira, o filme de Fernando Meirelles (Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel) baseado no livro vencedor do Nobel de José Saramago. Pude ver o filme terça-feira passada em uma cabine de imprensa e vim recomendar a vocês que assistam também.

Ainda não digeri completamente tudo que vi, o que é sempre bom sinal: o filme de Meirelles tem muito a dizer. O que mais me impressionou, entretanto, foi a forma como a história prende o espectador. É impossível tirar os olhos da tela por um só segundo, mesmo quando talvez esse fosse nosso instinto ao ver exposta a degradação dos homens subitamente cegos.

(Para quem não pôde ver o trailer ou ler o livro, breve resumo da história e trailers aqui)

Os acontecimentos, os personagens, os efeitos de câmera, tudo contribui para o envolvimento do público. Nos sentimos cúmplices daquelas pessoas confinadas, ao mesmo tempo que existe um certo voyeurismo perverso em testemunhar a nudez (em todos os sentidos) exposta por cada um dos cegos. Ponto para Meirelles, que consegue nos fazer ter uma breve idéia da cegueira branca graças à ousadia na direção, como nos sentir na pele da Mulher do Médico, a única que ainda consegue enxergar, o que pode ser pior do que estar cego.

Para mim, a prova de que, não apenas eu, mas todo o público estava conectado aos personagens foi a reação às (poucas) cenas cômicas. São três ou quatro momentos engraçados que pontuam a aflição que dá o tom geral à narrativa, e nestes três ou quatro momentos, nós do público rimos junto e da mesma maneira que as pessoas na telona. É um riso de catarse, para eles e para nós, uns breves instantes em que respiramos um pouco de alívio e nos lembramos daquilo que nos faz humanos.

Recomendo.

De que filme é este frame?

Para dar continuidade ao post publicado pelo Fernando na terça, acabo de descobrir mais um joguinho legal na internet envolvendo cinema.

Este aqui eu não faço nem idéia de que filme seja

Este aqui eu não faço nem idéia de que filme seja

Pois este jogo aqui é bem simples, mas tão viciante quanto os outros: um frame é apresentado randomicamente por vez, e o vivente tem que acertar a que filme ele pertence. Parece fácil, mas na prática a coisa não é bem assim. Dos dez frames que vi até agora, só acertei quais eram os filmes em dois casos. Média horrível de 20%!

E aí, sabichão, consegue média melhor?

Alan Pinus #43

Aos mestres, com carinho

por Igor Salomão Teixeira
Mestre em História e professor da UFRGS

15 de outubro é dia do professor! Escrevo para homenagear meus professores (ex e atuais), minha mãe, professora da antiga “quarta série”, e minha irmã, que também é professora de história. Faço isso, por reconhecer as dificuldades de ser professor no Brasil. Quando pensei neste artigo, pensei na minha crença quase utópica de que é na sala de aula que uma sociedade pode iniciar um processo de mudança: falamos de inclusão, cotas nas Universidades, bolsa-escola, Prouni. Mas, e o professor? O professor é o motor da mudança: sua sensibilidade, formação e dedicação que iniciam as transformações.

Filmes como Sociedade dos Poetas Mortos (1989), Mudança de Hábito (1992 e 1993), Mr. Holland, Adorável Professor (1995), O Sorriso de Monalisa (2003) e Escritores da Liberdade (2007) não se diferenciam em suas temáticas: um novato entra para uma escola “problemática” (leia-se periferia, na lógica dos filmes) e/ou para lecionar em cursos sem prestígio. Assim, a Irmã Mary Clarence (ou Deloris), vivida por Woopi Goldberg em Mudança de Hábito, ou o Mr. Holland, professores de canto e música, respectivamente, não são muito diferentes um do outro. De odiados a heróis, de desrespeitados a autoridades.

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