Como o Gustavo já tinha anunciado, entrevistamos o Mano Changes essa semana. O deputado nos recebeu no seu gabinete na Assembléia Legislativa para um informal bate papo sobre o encontro entre arte e política. A íntegra da nossa conversa você confere abaixo, mas posso dizer que foi um alívio entrevistar um político que não fugiu das perguntas. Confira:
Vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu e deputado estadual eleito com 43 mil votos, Mano Changes é a pessoa mais irreverente que se poderia encontrar na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Nesta entrevista exclusiva, ele mostra como equilibra a vida de músico e a de político, declara sua opinião sobre a descriminalização da maconha e conta o que acontece quando 54 engomadinhos dividem o mesmo espaço com o autor de músicas como Ah, Eu Tô Sem Erva, Merda de Bar e seu mais recente sucesso, Chuva nas Calcinha.
Por que entrar na política quando você já tinha uma carreira artística consolidada de sucesso?
Tenho, né, a música é a minha profissão, é o amor da minha vida, o que me faz feliz e eu nunca posso deixar de conviver com o palco e as pessoas que gostam das músicas que a gente compõe. Só que a Comunidade [Nin-Jitsu] sempre foi politicamente incorreta, sempre foi uma banda divertida, mas isso não significa que eu não tinha pretensões de ajudar as pessoas. Eu vi que era a pessoa pública que era o Mano Changes pra juventude era uma oportunidade de trazer uma pessoa diferente pra Assembléia, que representasse uma galera que não tem voz aqui ou que não se sente à vontade de estar na Assembléia.
Eu queria contribuir, ajudar e usar um pouco da experiência de vida que eu tenho pra trazer mais representatividade pro jovem. Hoje um dos maiores problemas do nosso País é a falta de oportunidade de emprego pro jovem que está apto ao mercado de trabalho e eu acredito que uma das causas é a falta de representatividade do jovem na política.
Você diz que a Comunidade é uma banda politicamente incorreta, o que reflete em ti. Como você foi recebido na Assembléia pelos outros deputados?
Eles começaram a conhecer a banda depois que eles me conheceram porque eles vivem em outro mundo, até os mais novos não tinham muita referência do que toca no Rio Grande do Sul, o que a gurizada tá ouvindo. Então as pessoas esperavam o Mano um cara polêmico só por ele ser músico e só por ele ser jovem. Mas eu sou um cara de diálogo, eu sou um cara que respeita muito o que as pessoas tem pra dizer. E acho que a política requer isso. Pra representar alguém, tu tem que saber ouvir esse alguém, e mostrando que eu não tenho ranço político, que eu sou um cara aberto a idéias, independente da onde elas vierem, as pessoas viram um cara de diálogo, com cabeça aberta e isso trouxe respeito. Muita gente disse ‘ah, mas olha só o Mano quer aparecer, ele usa terno e camisa pra fora das calças’. Eu uso porque eu me sinto à vontade. Se tu for pensar na maioria dos jovens que vai a casamento, que vai a debutante, a gurizada usa camisa pra fora das calças e hoje é fashion até. A gente tem que estar o mais confortável possível pra poder trabalhar sem ferir o regimento interno, que diz que tem que estar de paletó, gravata e camisa no Plenário, mas não interessa como vai estar a camisa e a gravata.
Você guarda uma camisa sobressalente aqui?
Tem, tá ali [aponta para um armário no canto da sala], com certeza. Eu uso gravata mesmo no Plenário só.
Também não tem porque não usar e criar conflito, né?
Não, claro. O Raul Pont disse pra mim ‘ah tu tem que fazer uma lei pra abolir a gravata, e eu te apoio`. Daí eu disse que não ia fazer lei pra abolir gravata, fazer lei pra me privilegiar. Eu estou aqui pra privilegiar as pessoas, não pra eu me sentir mais confortável, gravata é um respeito ao Estado, ao povo e aos eleitores que acreditam na gente também. Continue lendo »
Preparem-se. Eu e a Julia acabamos de voltar da Assembléia Legislativa gaúcha, onde entrevistamos o Deputado e Vocalista Mano Changes.
Posso adiantar que ele não fugiu de nenhuma pergunta. Falou sobre preconceito por parte dos políticos “ortodoxos” com seu jeitão desleixado (guarda uma camisa amarrotada no armário do gabinete, pras ocasiões de votação no plenário), artistas na política, os perigos de um deputado roqueiro fazendo show em cima de um palco, lei seca e, claro, maconha, que é tema de muitas músicas da Comunidade Nin-Jitsu, banda da qual é o vocalista.
Vossa Excelência Deputado Mano Changes, grande presença no gabinete 1104
Para a edição desta sexta-feira do CineSemana, aproveitando a proximidade das eleições, estamos preparando uma matéria de duas páginas sobre bons filmes com conotação política.
Um deles é Adão ou Somos Todos Filhos da Terra (1999). O personagem deste documentário em curta-metragem foi descoberto durante as filmagens de um outro documentário, este bem mais conhecido, Notícias de uma Guerra Particular (1999). O filme é uma pequena obra-prima, e mostra a visão de mundo deste compositor de mais de 500 músicas, que vive numa cadeira de rodas depois de ser baleado diversas vezes. Pra quem tem boa memória, Adão Xalebaradã, depois deste filme, veio a ser convidado para interpretar Exu – que faz a conversão de Dadinho em Zé Pequeno – em Cidade de Deus (2002).
Em tempos de eleições, o que mais se vê por aí são campanhas e candidatos metidos a engraçadinhos.
Pois nos quesitos humor não-intencional, falta de noção e ridicularidade, este site de uma deputada federal já eleita ganha de qualquer coisa no universo. Preste atenção no jingle (que pode ser ouvido ao entrar no site), e veja se você não reconhece a música tema de um filme famoso que a deputada “pegou emprestado” e avacalhou como bem entendeu.
Com tamanha falta de critério, até Deus duvida que a nobre deputada tenha pago pelos direitos autorais da obra original utilizada como base para o seu jingle.
Talvez tenha sido culpa da chuva torrencial e da baixa temperatura, mas a quarta conferência do Fronteiras do Pensamento 2008, realizada nesta segunda-feira, em Porto Alegre, foi bem gelada.
O público não chegou perto de lotar as dependências do Salão de Atos da UFRGS. Mas isso se explica, também, pelos próprios conferencias: Milton Hatoum e Sergio Ramirez tinham capacidade de sobra para estarem lá, mas pouquíssima gente os conhecia.
Ramirez, escritor e político nicaragüense, foi vice-presidente de seu país entre 1984 e 1990, depois de participar da derrubada do ditador Anastásio Somoza. Como convém a um escritor, preferiu ler uma apresentação previamente escrita ao invés de arriscar-se no livre improviso, o que se mostrou uma decisão acertada. Falou sobre as fronteiras entre literatura e política, suas incompatibilidades e como uma afeta a outra na prática. Seu melhor momento, entretanto, foi quando defendeu um distanciamento crítico na hora de verter acontecimentos políticos para o papel.
Já o premiadíssimo escritor amazonense Milton Hatoum, vencedor de três prêmios Jabuti com os três livros que publicou, preferiu uma abordagem mais informal, autobiográfica e menos planejada. Falou sobre sua crença de que todo escritor carrega consigo certos fantasmas, os quais precisa exorcisar no decorrer da carreira literária, e defendeu também um maior rigor dos próprios autores sobre aquilo que publicam.
Ambas as apresentações foram recebidas com frieza por um público que preferiu se retirar do Salão de Atos antes mesmo da rodada de perguntas.
O próximo encontro acontecerá no dia 30 de junho, com a escritora somaliana Ayaan Hirsi Ali e o psicanalista e filósofo brasileiro Renato Mezan.
Depois de 30 anos, a Suprema Corte dos Estados Unidos deve reabrir o debate acerca do que é qualificado como “indecente” na transmissão de rádio e TV daquele país. O principal motivo são as eternas brigas entre a Federal Communications Commission, órgão regulador, e as emissoras. As multas aplicadas para cada vez que uma emissora veicular uma obscenidade é de US$ 325 mil, mas as regras para qualificar os padrões de indecência são muito vagas. Segundo definição da comissão, obscenidades são “palavras que sejam derivações da palavra foder, em qualquer contexto, pois elas têm conotação sexual”. A situação vem provocando verdadeiro pânico nas pequenas emissoras afiliadas. Muitas delas têm se negado a transmitir filmes como O Resgate do Soldado Ryan, e também transmitem eventos ao vivo com um atraso de alguns segundos para poderem cortar qualquer deslize vocabular. Paranóia completa!
Ainda não assisti ao filme, mas durante o fechamento da 20ª edição do jornal, lendo um pouco sobre a animação Horton e o Mundo dos Quem!, que chega aos cinemas brasileiros amanhã, comecei a bolar uma pseudo-teoria conspiratória aparentemente maluca:
E se esta produção tivesse como objetivo incutir ideais conservadores nas crianças, sobretudo contra o aborto e pesquisas com células- tronco?
Os argumentos, que me vieram naturalmente ao conhecer melhor a trama do filme, são os seguintes:
O enredo trata de Horton, um elefante bonzinho que dedica a vida a uma nobre causa: salvar a vida de seres microscópicos que vivem em um grão de poeira. Claro que, por conta de nem mesmo conseguir enxergar seus protegidos, ele é motivo de chacota dos amigos, mas segue em frente com bravura em defesa de sua ética.
O simpático elefantinho tem um lema muito interessante: “Uma pessoa é uma pessoa, não importa o tamanho que tenha”.
Por último, o filme é da Fox, cujas posições conservadoras são conhecidas e abertamente defendidas pela própria companhia.
Mas eis que, para minha surpresa, descubro que não fui o único a fazer tais relações. O site de notícias G1 acaba de publicar uma matéria com um ponto de vista parecido com este. E pior: pesquisando no Google, descobri que há cerca de duas semanas grupos anti-aborto nos Estados Unidos já adotaram o lema de Horton.
Assim que assistir ao filme, dou minha impressão sobre o assunto. Enquanto isso, sintam-se convidados a opinar nos comentários.
Ao contrário do que acontece por aqui, onde a maioria dos artistas prefere nem revelar em quem votarão nas eleições, nos Estados Unidos é bastante comum que, mais do que abrir o voto, as personalidades com poder de influência façam campanha aberta em prol de seus candidatos preferidos. É o caso de Jack Nicholson, que nesta semana resolveu dar uma forcinha extra para Hillary Clinton, que disputa as prévias do partido democrata para concorrer à Casa Branca. Em um vídeo espalhado pela internet, uma montagem com os personagens mais clássicos de Nicholson, entre eles o Coringa de Batman (1989), o coronel Nathan Jessep de Questão de Honra (1992) e o louco Jack Torrance de O Iluminado (1980) respondem questões sobre o futuro dos EUA. Confira: