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Política no Cinema

Para a edição desta sexta-feira do CineSemana, aproveitando a proximidade das eleições, estamos preparando uma matéria de duas páginas sobre bons filmes com conotação política.

Um deles é Adão ou Somos Todos Filhos da Terra (1999). O personagem deste documentário em curta-metragem foi descoberto durante as filmagens de um outro documentário, este bem mais conhecido, Notícias de uma Guerra Particular (1999). O filme é uma pequena obra-prima, e mostra a visão de mundo deste compositor de mais de 500 músicas, que vive numa cadeira de rodas depois de ser baleado diversas vezes. Pra quem tem boa memória, Adão Xalebaradã, depois deste filme, veio a ser convidado para interpretar Exu – que faz a conversão de Dadinho em Zé Pequeno – em Cidade de Deus (2002).

Confere:

Dra. Stallone ou Havanir Balboa?

Em tempos de eleições, o que mais se vê por aí são campanhas e candidatos metidos a engraçadinhos.

Pois nos quesitos humor não-intencional, falta de noção e ridicularidade, este site de uma deputada federal já eleita ganha de qualquer coisa no universo.  Preste atenção no jingle (que pode ser ouvido ao entrar no site), e veja se você não reconhece a música tema de um filme famoso que a deputada “pegou emprestado” e avacalhou como bem entendeu.

Com tamanha falta de critério, até Deus duvida que a nobre deputada tenha pago pelos direitos autorais da obra original utilizada como base para o seu jingle.

Frieza no Fronteiras

Milton Hatoum e Sergio RamirezTalvez tenha sido culpa da chuva torrencial e da baixa temperatura, mas a quarta conferência do Fronteiras do Pensamento 2008, realizada nesta segunda-feira, em Porto Alegre, foi bem gelada.

O público não chegou perto de lotar as dependências do Salão de Atos da UFRGS. Mas isso se explica, também, pelos próprios conferencias: Milton Hatoum e Sergio Ramirez tinham capacidade de sobra para estarem lá, mas pouquíssima gente os conhecia.

Ramirez, escritor e político nicaragüense, foi vice-presidente de seu país entre 1984 e 1990, depois de participar da derrubada do ditador Anastásio Somoza. Como convém a um escritor, preferiu ler uma apresentação previamente escrita ao invés de arriscar-se no livre improviso, o que se mostrou uma decisão acertada. Falou sobre as fronteiras entre literatura e política, suas incompatibilidades e como uma afeta a outra na prática. Seu melhor momento, entretanto, foi quando defendeu um distanciamento crítico na hora de verter acontecimentos políticos para o papel.

Já o premiadíssimo escritor amazonense Milton Hatoum, vencedor de três prêmios Jabuti com os três livros que publicou, preferiu uma abordagem mais informal, autobiográfica e menos planejada. Falou sobre sua crença de que todo escritor carrega consigo certos fantasmas, os quais precisa exorcisar no decorrer da carreira literária, e defendeu também um maior rigor dos próprios autores sobre aquilo que publicam.

Ambas as apresentações foram recebidas com frieza por um público que preferiu se retirar do Salão de Atos antes mesmo da rodada de perguntas.

O próximo encontro acontecerá no dia 30 de junho, com a escritora somaliana Ayaan Hirsi Ali e o psicanalista e filósofo brasileiro Renato Mezan.

Reaberto debate sobre indecência no rádio e TV dos EUA

Depois de 30 anos, a Suprema Corte dos Estados Unidos deve reabrir o debate acerca do que é qualificado como “indecente” na transmissão de rádio e TV daquele país. O principal motivo são as eternas brigas entre a Federal Communications Commission, órgão regulador, e as emissoras. As multas aplicadas para cada vez que uma emissora veicular uma obscenidade é de US$ 325 mil, mas as regras para qualificar os padrões de indecência são muito vagas. Segundo definição da comissão, obscenidades são “palavras que sejam derivações da palavra foder, em qualquer contexto, pois elas têm conotação sexual”. A situação vem provocando verdadeiro pânico nas pequenas emissoras afiliadas. Muitas delas têm se negado a transmitir filmes como O Resgate do Soldado Ryan, e também transmitem eventos ao vivo com um atraso de alguns segundos para poderem cortar qualquer deslize vocabular. Paranóia completa!

Animação Horton e o Mundo dos Quem! é contra o aborto e a pesquisa com células-tronco?

HortonAinda não assisti ao filme, mas durante o fechamento da 20ª edição do jornal, lendo um pouco sobre a animação Horton e o Mundo dos Quem!, que chega aos cinemas brasileiros amanhã, comecei a bolar uma pseudo-teoria conspiratória aparentemente maluca:

E se esta produção tivesse como objetivo incutir ideais conservadores nas crianças, sobretudo contra o aborto e pesquisas com células- tronco?

Os argumentos, que me vieram naturalmente ao conhecer melhor a trama do filme, são os seguintes:

O enredo trata de Horton, um elefante bonzinho que dedica a vida a uma nobre causa: salvar a vida de seres microscópicos que vivem em um grão de poeira. Claro que, por conta de nem mesmo conseguir enxergar seus protegidos, ele é motivo de chacota dos amigos, mas segue em frente com bravura em defesa de sua ética.

O simpático elefantinho tem um lema muito interessante: “Uma pessoa é uma pessoa, não importa o tamanho que tenha”.

Por último, o filme é da Fox, cujas posições conservadoras são conhecidas e abertamente defendidas pela própria companhia.

Mas eis que, para minha surpresa, descubro que não fui o único a fazer tais relações. O site de notícias G1 acaba de publicar uma matéria com um ponto de vista parecido com este. E pior: pesquisando no Google, descobri que há cerca de duas semanas grupos anti-aborto nos Estados Unidos já adotaram o lema de Horton.

Assim que assistir ao filme, dou minha impressão sobre o assunto. Enquanto isso, sintam-se convidados a opinar nos comentários.

Jack Nicholson põe seus personagens em campanha para Hillary

Ao contrário do que acontece por aqui, onde a maioria dos artistas prefere nem revelar em quem votarão nas eleições, nos Estados Unidos é bastante comum que, mais do que abrir o voto, as personalidades com poder de influência façam campanha aberta em prol de seus candidatos preferidos. É o caso de Jack Nicholson, que nesta semana resolveu dar uma forcinha extra para Hillary Clinton, que disputa as prévias do partido democrata para concorrer à Casa Branca. Em um vídeo espalhado pela internet, uma montagem com os personagens mais clássicos de Nicholson, entre eles o Coringa de Batman (1989), o coronel Nathan Jessep de Questão de Honra (1992) e o louco Jack Torrance de O Iluminado (1980) respondem questões sobre o futuro dos EUA. Confira:

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