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Luiz Antonio de Assis Brasil, secretário de estado da cultura do RS
Romancista com quase duas dezenas de livros publicados, violoncelista integrante por 15 anos a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e professor universitário, Luiz Antonio de Assis Brasil assumiu a Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, no último mês de janeiro, sob os olhares esperançosos da classe artística. Sua tarefa, conforme ele mesmo diz, é apartar conflitos e dinamizar a produção cultural do estado, levando-a ao século 21. Para isso, entretanto, terá que recuperar o muito tempo perdido e desfazer uma série de entraves que vêm atrasando o setor, entre eles o puro desinteresse político na área, traduzido na falta de recursos. E com sua reputação em jogo, ele afasta qualquer suposição sobre ser apenas uma figura decorativa na pasta: “eu estou no comando”.
Por que o senhor resolveu aceitar o convite para ser o secretário da cultura?
Eu pensei assim: alguma coisa tem que ser feita pela cultura. Temos vários problemas um pouco complicados na cultura nos últimos tempos, uma situação de conflito entre órgãos: secretaria e conselho. Alguma coisa precisava ser feita. Pensei sobre o assunto, achei que deveria encarar até como um compromisso com a minha geração, de fazer algo pela minha geração. A gente sabe que a literatura é que vai ficar. É visível, não existem restos invisíveis, mas perceptíveis, por uma questão de tempo. Mas o estado da situação é que eu tenho um conhecimento da rede cultural do estado e sei onde estão os problemas. E eu sei bem onde estão. E me permiti, assim, aceitar. Por outro lado, também, o governo me deu muita liberdade na composição dos cargos, isso me permitiu fazer várias escolhas, pela competência, pelo currículo. Enfim, é mais como eu me senti na obrigação de fazer alguma coisa pela minha geração. Continue lendo »

E eis que o Brasil escolheu o seu representante para tentar uma das cinco indicações ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira, e o selecionado foi Lula: O Filho do Brasil, de Fábio Barreto.
Não dá pra dizer que a escolha foi absurda. Os outros candidatos eram As Melhores Coisas do Mundo, A Suprema Felicidade, Antes que o Mundo Acabe, Bróder!, Carregadoras de Sonhos, Cabeça a Prêmio, Cinco Vezes Favela:Agora Por Nós Mesmos, Chico Xavier, É Proibido Fumar, Em Teu Nome, Hotel Atlântico, Nosso Lar, Olhos Azuis, Ouro Negro, O Bem Amado, O Grão, Os Inquilinos, Os Famosos e os Duendes da Morte, Quincas Berro D’Água, Reflexões de um Liquidificador, Sonhos Roubados e Utopia e Barbárie.
A questão é que o apontamento da cinebiografia de Lula gera desconforto: o filme claramente usa tintas mais do que positivas para envernizar a trajetória pessoal de Luiz Inácio (é, enfim, um filme de ficção), ao mesmo tempo em que o país está em período eleitoral e o presidente-protagonista é cabo-eleitoral de um dos candidatos; simultaneamente, há ainda a questão de que muitos dos jurados que atuaram na escolha ocupam cargos de indicação política em ministérios, secretarias, agências, etc. É claro que não se espera que alguém tenha sido obrigado ou constrangido a nada. Mas é aquela coisa… é “meio chato”, pra dizer o mínimo.
O júri que indicou Lula: O Filho do Brasil foi formado por representantes do Ministério da Cultura, da Secretaria do Audiovisual, da Agência Nacional de Cinema e da Academia Brasileira de Cinema: Cássio Henrique Starling Carlos, Clélia Bessa, Elisa Tolomelli, Frederico Hermann Barbosa Maia, Jean Claude Bernardet, Leon Cakoff, Márcia Lellis de Souza Amaral, Mariza Leão Salles de Rezende e Roberto Farias.
De acordo com Roberto Farias, presidente da Academia Brasileira de Cinema, a decisão ocorreu por unanimidade. E tudo indica que a estratégia foi usar a figura conhecida internacionalmente de Lula para aumentar as possibilidades de uma indicação. A própria declaração do secretário do Audiovisual, Newton Cannito, à Folha vem confirmar a possibilidade: “É o filme que tem mais chance de ganhar esse prêmio. Não é o melhor nem o mais popular”.
O Ministério da Cultura está reformando a lei de direitos autorais, instrumento de suma importância para regulamentar, entre outras coisas, o funcionamento do meio cultural.
Todo cidadão tem direito a opinar sobre as propostas de mudança, e pode fazê-lo através da internet até o dia 28 de julho.
O endereço é www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral.
Vai lá.
Acabou ontem, segunda-feira, a infindável novela Roman Polanski.
O cineasta franco-polonês, que estava preso na Suíça até que fosse julgado o pedido de extradição feito pelos Estados Unidos, foi libertado. A justiça suíça retirou qualquer acusação que havia sobre o réu, que se mandou do país e ninguém até agora sabe para onde ele foi.
Aparentemente, apenas os Estados Unidos se mostraram contrariados com a sentença. Profissionais e artistas do do meio cinematográfico, a família de Polanski e até a própria vítima ficaram satisfeitos com o encerramento do caso e a libertação do cineasta.
Samantha Geimer, que em 1977, aos 13 anos, manteve relações sexuais consideradas ilegais com o diretor, afirmou para uma rádio francesa que aprova a decisão judicial.
Também ficamos livres nós todos, que não aguentávamos mais este assunto. Que Polanski nos brinde com mais ação à frente das câmeras e menos barracos policiais.
Então, eis que ontem assisti ao muy polêmico Lula: O Filho do Brasil, que deve ser lançados em mais de 500 salas brasileiras em janeiro. Enquanto preparo algo assim um pouquinho mais pensado pra edição impressa do CineSemana, deixo aqui minhas primeiras impressões.
- Não há como fugir da categorização: o filme é, sim, um dramalhão. Até mesmo seu diretor, Fábio Barreto, não tentou fugir do rótulo, e deixou bem claro que o objetivo disso é “chegar no grande público”. Trilha marcadíssima, invasiva, sublinhando cada ação e dando tom de ato heroico.
- Aliás, sobre isso, foi Fábio Barreto quem disse: o personagem Aristides (pai de Lula) é mostrado apenas em suas características ruins no intuito de deixá-lo bem caracterizado como o vilão na estrutura dramática (muy simplória) do filme. O que nos permite concluir que Lula só é mostrado em suas características positivas para ficar caracterizado com o heroi. E assim é, de fato, no filme.
- O problema é que, até onde eu havia entendido, o objetivo do longa-metragem era, entre outros, mostrar a “faceta humana” de Lula. A questão é que humanidade e perfeição não casam. É preciso que haja erros, problemas, defeitos para que haja qualquer humanidade. Herois não são humanos, são melhores que humanos. Colocar qualquer personagem que não seja Clarks Kents e Peters Parkers nessa categoria é pura demência.
- O filme é bem feito. O som é excelente. A captação direta é nota 10. Tecnicamente, não há do que reclamar.
- Incomoda o caráter pedagógico da fita, que explica tudinho, quase desenha, pra ficar tudo bem claro, saca?
- A desde o princípio imorredoura questão se o filme é ou não propaganda irritou bastante o clã Barreto presente na sessão (Fábio, diretor; Paula, sua irmã produtora; e seus pais Luiz Carlos e Lucy, também produtores da LC Barreto). Mas a questão absolutamente não é esta, me parece.
- Todo filme, ainda mais um filme muito popular, participa na construção da memória. O que é acentuadíssimo pelo fato de que, no caso específico da história de vida de Lula, não há quase imagens públicas e muito pouco se conhece sobre o assunto. A memória mediada será para sempre a única disponível para a imensa maioria das pessoas. O que acentua a importância do longa-metragem.
- Este filme terá, por exemplo, muito mais importância na memória sobre o Lula homem antes da presidência do que A Lista de Schindler teve na luta pela memória sobre a Segunda Guerra ou de O Grupo Baader-Meinhof sobre a RAF alemã.
- O começo do filme, que ressalta que não foi utilizada nenhuma lei de incentivo para captação de recursos, mas agradece e dá grande destaque aos variados patrocinadores que aceitaram investir no longa, gerou risinhos constrangidos do público (mesmo que constituído unicamente de jornalistas e convidados) cada vez que a logomarca de uma empreiteira aparecia, dançava pela telona, e depois desaparecia.
- O objetivo declarado da produtora Paula Barreto é ultrapassar a barreira de 1 milhão de espectadores. A de seu pai, Luiz Carlos, é que Lula: O Filho do Brasil se torne a maior bilheteria da história do cinema brasileiro.
Se você acha muito chata “Viver a Vida”, o que dizer então dessa novela envolvendo Roman Polanski, sua prisão na Suíça, pedido de extradição para os Estados Unidos e campanhas por sua soltura junto aos colegas das artes?
Pois agora, tudo indica, o cineasta franco-polonês deverá mesmo cumprir prisão domiciliar e era isso.
Só sinto alívio. Não por Polanki, nem por sua suposta vítima à época (1977). Mas por nós.
Sinceramente, nada mais cansativo do que meses de debates sobre um crime de natureza sexual envolvendo apenas argumentos de natureza artística.
Passemos para a próxima novela sem fim do show bizz, sim?
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas convidou 134 novos profissionais da indústria para fazerem parte de seus quadros.
Entre os novos convidados (que ainda precisam dar o aceite para virarem efetivamente membros), muitas estrelas, como os atores James Franco, Michael Cera, Anne Hathaway, Emile Hirsch, James McAvoy, Seth Rogen, Amy Ryan e o apresentador da última cerimônia do Academy Awards, Hugh Jackman.
Outros profissionais que já gozavam de muito prestígio só agora receberam o convite, como o diretor vencedor do último Oscar, Danny Boyle, e o compositor Clint Mansell, criador de trilhas marcantes como as de Réquiem para um Sonho e O Lutador.
Ao todo, o número de membros da Academia não passa de 6 mil. São eles que votam e escolhem os vencedores da maior premiação da indústria do cinema.
Veja a lista completa dos novos convidados.

O Drawn!, blog tradicional sobre cartoon e ilustração, publicou uma mensagem que seria de autoria de Marjane Satrapi, a iraniana autora de Persépolis.
Na nota, ela conclama as pessoas para assinem uma petição na ONU “para acabar com a violência, prisões e torturas no Irã”.
Marjane conclui dizendo que “a situação está muito muito feia” por lá.

Está aí a imagem para provar. O Lula em versão animada apareceu no episódio Pinewood Derby que foi ar ontem, quarta-feira, em South Park. Conforme a descrição do episódio feita pela Folha Online, a participação não é das mais abonadoras, digamos assim.
Via A Nova Corja.
Como o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, tanto alarde em torno da posse de Barack Obama, se justifica. Mas inúmeros outros negros já comandaram a Casa Branca no cinema e na TV, causando, é óbvio, bem menos alarde. Relembremos:
James Earls Jones como o presidente Douglas Dilman em The Man, 1972:

Tommy Lister como o presidente Lindberg em O Quinto Elemento, 1997:

Morgan Freeman como o presidente Tom Beck em Impacto Profundo, 1998:

Dennis Haysbert e D. B. Woodside como os presidente David e Wayne Palmer na série 24 Horas:

Chris Rock como o presidente democrata Mays Gilliam em Um Pobretão na Casa Branca, 2003:

Danny Glover chegará à tela este ano como o presidente Wilson em 2012:
