Blog do jornal CineSemana

Postagens na categoria ‘Política’

CineSemana viu Lula: O Filho do Brasil

Então, eis que ontem assisti ao muy polêmico Lula: O Filho do Brasil, que deve ser lançados em mais de 500 salas brasileiras em janeiro. Enquanto preparo algo assim um pouquinho mais pensado pra edição impressa do CineSemana, deixo aqui minhas primeiras impressões.

- Não há como fugir da categorização: o filme é, sim, um dramalhão. Até mesmo seu diretor, Fábio Barreto, não tentou fugir do rótulo, e deixou bem claro que o objetivo disso é “chegar no grande público”. Trilha marcadíssima, invasiva, sublinhando cada ação e dando tom de ato heroico.

- Aliás, sobre isso, foi Fábio Barreto quem disse: o personagem Aristides (pai de Lula) é mostrado apenas em suas características ruins no intuito de deixá-lo bem caracterizado como o vilão na estrutura dramática (muy simplória) do filme. O que nos permite concluir que Lula só é mostrado em suas características positivas para ficar caracterizado com o heroi. E assim é, de fato, no filme.

- O problema é que, até onde eu havia entendido, o objetivo do longa-metragem era, entre outros, mostrar a “faceta humana” de Lula. A questão é que humanidade e perfeição não casam. É preciso que haja erros, problemas, defeitos para que haja qualquer humanidade. Herois não são humanos, são melhores que humanos. Colocar qualquer personagem que não seja Clarks Kents e Peters Parkers nessa categoria é pura demência.

- O filme é bem feito. O som é excelente. A captação direta é nota 10. Tecnicamente, não há do que reclamar.

- Incomoda o caráter pedagógico da fita, que explica tudinho, quase desenha, pra ficar tudo bem claro, saca?

- A desde o princípio imorredoura questão se o filme é ou não propaganda irritou bastante o clã Barreto presente na sessão (Fábio, diretor; Paula, sua irmã produtora; e seus pais Luiz Carlos e Lucy, também produtores da LC Barreto). Mas a questão absolutamente não é esta, me parece.

- Todo filme, ainda mais um filme muito popular, participa na construção da memória. O que é acentuadíssimo pelo fato de que, no caso específico da história de vida de Lula, não há quase imagens públicas e muito pouco se conhece sobre o assunto. A memória mediada será para sempre a única disponível para a imensa maioria das pessoas. O que acentua a importância do longa-metragem.

- Este filme terá, por exemplo, muito mais importância na memória sobre o Lula homem antes da presidência do que A Lista de Schindler teve na luta pela memória sobre a Segunda Guerra ou de O Grupo Baader-Meinhof sobre a RAF alemã.

- O começo do filme, que ressalta que não foi utilizada nenhuma lei de incentivo para captação de recursos, mas agradece e dá grande destaque aos variados patrocinadores que aceitaram investir no longa, gerou risinhos constrangidos do público (mesmo que constituído unicamente de jornalistas e convidados) cada vez que a logomarca de uma empreiteira aparecia, dançava pela telona, e depois desaparecia.

- O objetivo declarado da produtora Paula Barreto é ultrapassar a barreira de 1 milhão de espectadores. A de seu pai, Luiz Carlos, é que Lula: O Filho do Brasil se torne a maior bilheteria da história do cinema brasileiro.

Novela Polanski mais perto de um fim

Se você acha muito chata “Viver a Vida”, o que dizer então dessa novela envolvendo Roman Polanski, sua prisão na Suíça, pedido de extradição para os Estados Unidos e campanhas por sua soltura junto aos colegas das artes?

Pois agora, tudo indica, o cineasta franco-polonês deverá mesmo cumprir prisão domiciliar e era isso.

Só sinto alívio. Não por Polanki, nem por sua suposta vítima à época (1977). Mas por nós.

Sinceramente, nada mais cansativo do que meses de debates sobre um crime de natureza sexual envolvendo apenas argumentos de natureza artística.

Passemos para a próxima novela sem fim do show bizz, sim?

Academia de Hollywood convida 134 para virarem membros

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas convidou 134 novos profissionais da indústria para fazerem parte de seus quadros.

Entre os novos convidados (que ainda precisam dar o aceite para virarem efetivamente membros), muitas estrelas, como os atores James Franco, Michael Cera, Anne Hathaway, Emile Hirsch, James McAvoy, Seth Rogen, Amy Ryan e o apresentador da última cerimônia do Academy Awards, Hugh Jackman.

Outros profissionais que já gozavam de muito prestígio só agora receberam o convite, como o diretor vencedor do último Oscar, Danny Boyle, e o compositor Clint Mansell, criador de trilhas marcantes como as de Réquiem para um Sonho e O Lutador.

Ao todo, o número de membros da Academia não passa de 6 mil. São eles que votam e escolhem os vencedores da maior premiação da indústria do cinema.

Veja a lista completa dos novos convidados.

Autora de Persépolis faz apelo contra a violência no Irã

O Drawn!, blog tradicional sobre cartoon e ilustração, publicou uma mensagem que seria de autoria de Marjane Satrapi, a iraniana autora de Persépolis.

Na nota, ela conclama as pessoas para assinem uma petição na ONU “para acabar com a violência, prisões e torturas no Irã”.

Marjane conclui dizendo que “a situação está muito muito feia” por lá.

Lula vira personagem em South Park

Lula em South Park

Está aí a imagem para provar. O Lula em versão animada apareceu no episódio Pinewood Derby que foi ar ontem, quarta-feira, em South Park. Conforme a descrição do episódio feita pela Folha Online, a participação não é das mais abonadoras, digamos assim.

Via A Nova Corja.

Os antecessores de Obama no cinema

Como o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, tanto alarde em torno da posse de Barack Obama, se justifica. Mas inúmeros outros negros já comandaram a Casa Branca no cinema e na TV, causando, é óbvio, bem menos alarde. Relembremos:

James Earls Jones como o presidente Douglas Dilman em The Man, 1972:

Tommy Lister como o presidente Lindberg em O Quinto Elemento, 1997:

Morgan Freeman como o presidente Tom Beck em Impacto Profundo, 1998:

Dennis Haysbert e D. B. Woodside como os presidente David e Wayne Palmer na série 24 Horas:

Chris Rock como o presidente democrata Mays Gilliam em Um Pobretão na Casa Branca, 2003:

Danny Glover chegará à tela este ano como o presidente Wilson em 2012:

Mano Changes: não vou fazer lei pra abolir gravata

Como o Gustavo já tinha anunciado, entrevistamos o Mano Changes essa semana. O deputado nos recebeu no seu gabinete na Assembléia Legislativa para um informal bate papo sobre o encontro entre arte e política. A íntegra da nossa conversa você confere abaixo, mas posso dizer que foi um alívio entrevistar um político que não fugiu das perguntas. Confira:

Vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu e deputado estadual eleito com 43 mil votos, Mano Changes é a pessoa mais irreverente que se poderia encontrar na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Nesta entrevista exclusiva, ele mostra como equilibra a vida de músico e a de político, declara sua opinião sobre a descriminalização da maconha e conta o que acontece quando 54 engomadinhos dividem o mesmo espaço com o autor de músicas como Ah, Eu Tô Sem Erva, Merda de Bar e seu mais recente sucesso, Chuva nas Calcinha.

Por que entrar na política quando você já tinha uma carreira artística consolidada de sucesso?
Tenho, né, a música é a minha profissão, é o amor da minha vida, o que me faz feliz e eu nunca posso deixar de conviver com o palco e as pessoas que gostam das músicas que a gente compõe. Só que a Comunidade [Nin-Jitsu] sempre foi politicamente incorreta, sempre foi uma banda divertida, mas isso não significa que eu não tinha pretensões de ajudar as pessoas. Eu vi que era a pessoa pública que era o Mano Changes pra juventude era uma oportunidade de trazer uma pessoa diferente pra Assembléia, que representasse uma galera que não tem voz aqui ou que não se sente à vontade de estar na Assembléia.
Eu queria contribuir, ajudar e usar um pouco da experiência de vida que eu tenho pra trazer mais representatividade pro jovem. Hoje um dos maiores problemas do nosso País é a falta de oportunidade de emprego pro jovem que está apto ao mercado de trabalho e eu acredito que uma das causas é a falta de representatividade do jovem na política.

Você diz que a Comunidade é uma banda politicamente incorreta, o que reflete em ti. Como você foi recebido na Assembléia pelos outros deputados?
Eles começaram a conhecer a banda depois que eles me conheceram porque eles vivem em outro mundo, até os mais novos não tinham muita referência do que toca no Rio Grande do Sul, o que a gurizada tá ouvindo. Então as pessoas esperavam o Mano um cara polêmico só por ele ser músico e só por ele ser jovem. Mas eu sou um cara de diálogo, eu sou um cara que respeita muito o que as pessoas tem pra dizer. E acho que a política requer isso. Pra representar alguém, tu tem que saber ouvir esse alguém, e mostrando que eu não tenho ranço político, que eu sou um cara aberto a idéias, independente da onde elas vierem, as pessoas viram um cara de diálogo, com cabeça aberta e isso trouxe respeito. Muita gente disse ‘ah, mas olha só o Mano quer aparecer, ele usa terno e camisa pra fora das calças’. Eu uso porque eu me sinto à vontade. Se tu for pensar na maioria dos jovens que vai a casamento, que vai a debutante,  a gurizada usa camisa pra fora das calças e hoje é fashion até. A gente tem que estar o mais confortável possível pra poder trabalhar sem ferir o regimento interno, que diz que tem que estar de paletó, gravata e camisa no Plenário, mas não interessa como vai estar a camisa e a gravata.

Você guarda uma camisa sobressalente aqui?
Tem, tá ali [aponta para um armário no canto da sala], com certeza. Eu uso gravata mesmo no Plenário só.

Também não tem porque não usar e criar conflito, né?
Não, claro. O Raul Pont disse pra mim ‘ah tu tem que fazer uma lei pra abolir a gravata, e eu te apoio`. Daí eu disse que não ia fazer lei pra abolir gravata, fazer lei pra me privilegiar. Eu estou aqui pra privilegiar as pessoas, não pra eu me sentir mais confortável, gravata é um respeito ao Estado, ao povo e aos eleitores que acreditam na gente também.
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Nesta sexta-feira: Mano Changes no CineSemana

Preparem-se. Eu e a Julia acabamos de voltar da Assembléia Legislativa gaúcha, onde entrevistamos o Deputado e Vocalista Mano Changes.

Posso adiantar que ele não fugiu de nenhuma pergunta. Falou sobre preconceito por parte dos políticos “ortodoxos” com seu jeitão desleixado (guarda uma camisa amarrotada no armário do gabinete, pras ocasiões de votação no plenário), artistas na política, os perigos de um deputado roqueiro fazendo show em cima de um palco, lei seca e, claro, maconha, que é tema de muitas músicas da Comunidade Nin-Jitsu, banda da qual é o vocalista.

Vossa Excelência Deputado Mano Changes, grande presença no gabinete 1104

Vossa Excelência Deputado Mano Changes, grande presença no gabinete 1104

Política no Cinema

Para a edição desta sexta-feira do CineSemana, aproveitando a proximidade das eleições, estamos preparando uma matéria de duas páginas sobre bons filmes com conotação política.

Um deles é Adão ou Somos Todos Filhos da Terra (1999). O personagem deste documentário em curta-metragem foi descoberto durante as filmagens de um outro documentário, este bem mais conhecido, Notícias de uma Guerra Particular (1999). O filme é uma pequena obra-prima, e mostra a visão de mundo deste compositor de mais de 500 músicas, que vive numa cadeira de rodas depois de ser baleado diversas vezes. Pra quem tem boa memória, Adão Xalebaradã, depois deste filme, veio a ser convidado para interpretar Exu – que faz a conversão de Dadinho em Zé Pequeno – em Cidade de Deus (2002).

Confere:

Dra. Stallone ou Havanir Balboa?

Em tempos de eleições, o que mais se vê por aí são campanhas e candidatos metidos a engraçadinhos.

Pois nos quesitos humor não-intencional, falta de noção e ridicularidade, este site de uma deputada federal já eleita ganha de qualquer coisa no universo.  Preste atenção no jingle (que pode ser ouvido ao entrar no site), e veja se você não reconhece a música tema de um filme famoso que a deputada “pegou emprestado” e avacalhou como bem entendeu.

Com tamanha falta de critério, até Deus duvida que a nobre deputada tenha pago pelos direitos autorais da obra original utilizada como base para o seu jingle.

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