Blog do jornal CineSemana

Postagens na categoria ‘Livros’

Salman Rushdie detestou Quem Quer ser um Milionário?

Ao contrário do Gustavo, Salman Rushdie parece não ter visto nada de positivo em Quem Quer ser um Milionário?. Um dos mais respeitados escritores do mundo, o indiano-britânico diversas vezes cotado ao prêmio Nobel disse que o filme empilha impossibilidades em cima de impossibilidades, como uma súbita mudança de locação de uma cidade para outra que ficava há mais de mil quilômetros da primeira. Ele ainda chamou o projeto de “presunção ridícula” e criticou o livro no qual o filme foi baseado por sua técnica narrativa antiquada.

Em diversos jornais americanos, Rushdie ainda jogou seu veneno em O Leitor (que chamou de “sem vida”) e O Curioso Caso de Benjamin Button (que para ele não tem nada a dizer). Para mim, ou isso quer dizer que a crítica e o público colocam essas questões técnicas abaixo da mensagem geral dos filmes ou que Salman Rushdie jamais ganhará um Oscar.

1000 romances que o Guardian diz que a gente tem que ler

Listas são uma desgraça, ainda mais quando abordam um tema do nosso interesse. Desde que fiquei sabendo desta lista que o Guardian fez com os MIL romances que todo mundo deveria ler, fiz força pra não passar perto mas acabei não resistindo e contabilizei todo o meu fracasso literário.

Do quase-infinito milhar de romances listados pelos britânicos, só li 19. OK, dezenove e mais dois pela metade, abandonados. 19/1000 = nota 0,019 de 10, ou, resumindo, NOTA ZERO pra mim. 

Das sete categorias nas quais os livros foram divididos, não li nenhum de Comédia, 1 de Crime, 1 e 1 abandonado de Família, 4 de Amor, incríveis 7 de Ficção-Científica e Fantasia, 2 de State of Nation (whaterver that means) e 4 e 1 abandonado de Guerra ou Viagem.

A meu favor, poderia argumentar que passei boa parte da minha vida de leitor me dedicando a contos e novelas menores. Ou ainda que a lista é essencialmente anglófona. Enfim… Esse tipo de brincadeira vale mesmo pra evidenciar a máxima que o castigo de todo leitor é lidar com a impossibilidade de ler tudo que quer.

A propósito, os comentários estão abertos pra quem quiser compartilhar também o seu próprio fracasso na listinha. Hehehe

John Updike: uma vida em imagens

John Updike, clicado em Massachusetts, 1966 (Foto: Susan Wood)

John Updike, clicado em Massachusetts, 1966 (Foto: Susan Wood)

Acabamos nem falando por aqui da morte de John Updike, um dos gigantes da prosa norte-americana, que se foi na última terça-feira, 27de janeiro, aos 76 anos. Vencedor do Pulitzer, Updike era romancista, contista, poeta e crítico literário com mais de 30 anos dedicados a resenhas na New Yorker. Ao longo de sua vida, publicou mais de 50 livros, em sua maioria retratando a vida social do interior dos Estados Unidos, mas não raro acrescentando uma acentuadíssima verve sexual a suas histórias.

Em homenagem ao escritor, o Guardian publicou uma série de 15 imagens que contam, em resumo, a vida de Updike desde que nasceu em Shillington, uma pequena cidadezinha no leste da Pensilvânia. Vale a pena conferir.

Não Editora ganha Açorianos de destaque do ano. Prêmio principal é dividido

No ano em que, de maneira inédita, o Prêmio Açorianos de Literatura viu sua principal distinção ser repartida entre duas obras, a jovem Não Editora faturou o prêmio de destaque do ano. O prêmio para o Livro do Ano foi para os volumes Teatro de Arena: Palco de Resistência, de Rafael Guimaraens, e Machado e Borges e outras histórias de Machado de Assis, de Luís Augusto Fischer. O valor de R$ 10 mil reservado ao vencedor será dividido pelos dois.

Confira todos os vencedores:

Livros do Ano
Machado e Borges e outros ensaios sobre Machado de Assis, de Luís Augusto Fischer (Arquipélago Editoria) e Teatro de arena – Palco de Resistência, de Rafael Guimaraens (Libretos).

Narrativa Longa
Acenos e Afagos, de João Gilberto Noll (Record)

Especial
Teatro de Arena – Palco de Resistência, de Rafael Guimaraens (Libretos) Continue lendo »

Escolha uma capa para Novo Hamburgo

Novo Hamburgo vai ganhar um livro de fotos da cidade no próximo ano. Os autores do projeto são os fotógrafos Joel e Isa Reichert, que ao lado do jovem fotógrafo Paulo Rodrigo fizeram mais de cem registros da arquitetura, do povo e dos hábitos dos novo-hamburguenses. O livro será escrito em português, espanhol e inglês, todo colorido e em capa dura.

Mas o mais legal é que a própria comunidade vai poder escolher a foto da capa. São quatro opções: a arquitetura de Hamburgo Velho; uma vista panorâmica da cidade; formas de sapato do Museu Nacional do Calçado; e o Monumento ao Sapateiro. Para votar, basta entrar no site do livro e clicar na sua imagem preferida. Em abril do ano que vem, ela poderá estar estampando os exemplares de Novo Hamburgo Em Foto.

Laurentino Gomes autografa 1808 nesta quarta em Blumenau

Atenção, blumenauense!

O escritor e jornalista Laurentino Gomes estará em Blumenau amanhã, quarta-feira, pra lançar sua obra 1808 – Como uma Rainha Louca, um Príncipe Medroso e uma Corte Corrupta Enganaram Napoleão e Mudaram a História de Portugal e do Brasil (Ed. Planeta, 415 pág.). A partir das 19h30, o autor estará na Livrarias Catarinense do Shopping Neumarkt para um bate-papo com os fãs e sessão de autógrafos. A entrada, obviamente, é gratuita.

Conforme constava no release que eu recebi, o livro estará à venda por R$ 33,90 no local. Mas vou ser bonzinho com os pão-duros, unhas-de-fome, mãos-de-vaca: a Fnac o está vendendo por R$ 20,90, que dá um total de R$ 31,79  incluindo a taxa de entrega para Santa Catarina. Claro que, neste caso, o livro não vai chegar a tempo de pegar o autógrafo do cara.

Eu, pra falar a verdade, ganhei o livro há vários meses, mas confesso que ainda não consegui pegá-lo. Segue na minha pilha na cabeceira da cama, que tenho esperança diminuir ao menos um pouco durante o verão.

A propósito, o meu não é autografado.

Dom Casmurro em mil vozes

Genial este projeto Mil Casmurros, idéia do meu amigo Menezes encampada pela Rede Globo. Trata-se de uma leitura coletiva da obra célebre de Machado de Assis, que está sendo realizada em mil trechos. Qualquer um pode ir lá e gravar uma parte a partir da sua webcam e microfone.

Eu já gravei o meu trecho, o 998°, antepenúltimo, e sou vizinho de janela da minha amiga Elke Maravilha, como vocês podem conferir aqui.

Ficção científica do passado é a realidade de hoje

No artigo do CineSemana de hoje (download disponível ao lado), Samir Machado fala da morte de Michael Crichton, autor livros de ficção científica e criador de Jurassic Park. Achei hoje um artigo que aponta as cinco idéias mais malucas de Crichton que, com o passar do tempo, se mostraram nem tão malucas. O original, em inglês, você pode ler aqui, mas deixo um resumo das previsões quase proféticas que o escritor fez ao longo da vida.

Gorilas falantes
No livro Congo, o autor lança a idéia de primatas capazes de usar a linguagem humana para se comunicar. Ainda que cientistas mais céticos duvidem, há dois casos de macacos que aprenderam palavras simples em inglês e sabiam usá-las em frases.

Robôs replicantes
Em Prey, o autor retrata um mundo de robôs que se multiplicam sozinhos. Hoje, cientistas já conseguiram criar robôs que fazem cópias de si mesmos.

Super insetos do espaço
Ainda que não haja notícias de super-insetos extra-terrestres, o livro de Crichton antecipou muitas das questões de biossegurança que hoje são consideradas básicas.

Implantes cerebrais
Em 1972, implantes de eletrodos no cérebro como descritos no livro The Terminal Man eram pura ficção. Hoje, implantes no cérebro ajudam os surdos a desenvolverem alguma audição ajudam os cegos a enxergarem.

Clonagem de seres mortos
No mais clássico trabalho de Crichton, um cientista clona dinossauros. Hoje, já foi possível clonar um rato que estava morto e congelado há 16 anos.

Novidades da Não

Acabo de receber aqui na redação duas novidades da Não Editora: a primeira reimpressão de Ficção de Polpa Vol. 1, que antes havia sido publicado pela Fósforo, e o segundo livro de contos de Fernando Mantelli, Raiva nos Raios de Sol. Com relação a este último, como tem sido costume nos lançamentos da Não, chamam atenção o projeto gráfico, desta vez assinado por Guilherme Smee, e mais uma bela capa do Samir Machado de Machado. Em breve, o que interessa: uma resenhazinha do livro.

Arte pelas ruas de NY

Só poderia ser em Nova York, mesmo. Durante todo o mês de outubro, a quarta edição da anual Art in Odd Places (arte em lugares incomuns) está apresentando “Pedestrian on 14th Street, Manhattan”, exposição ao ar livre na rua que divide as partes norte e sul da cidade. A idéia é transformá-la num corredor de arte através de projetos que exploram conexões entre espaços públicos, tráfico de pedestres e perturbações efêmeras.

Se esta caixa fosse largada pelas ruas do nosso Brasilzão, logo seria transforamada em camelô

Se esta caixa fosse largada pelas ruas do nosso Brasilzão, provavelmente logo seria transforamda em camelô

A interessantíssima instalação acima é do artista Eric Doeringer, chamada Free Books. Consiste em caixas de papelão com a inscrição “livros grátis” colocadas em alguns pontos da 14th Street, repleta de livros que podem ser retirados pelos pedestres.

Onde está a arte, alguém poderá perguntar. Além da estranheza da caixa de livros grátis em plena rua, a sacanagem genial consiste no seguinte: as páginas finais de todos os livros foram arrancadas, e o efeito da instalação só se completa depois que o pedestre que retirou o exemplar desavisadamente da caixar tiver lido o livro inteiro e não conseguir descobrir o final.

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