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O leitor mais atento de literatura estrangeira em português certamente já notou que há traduções e traduções pelas estantes das nossas livrarias pelo Brasil. Em 99,9999% dos casos, compensa – e muito – gastar uns reais a mais para ter acesso a uma tradução direta do original, de preferência produzida por um tradutor reconhecido. A chancela de editoras mais gabaritas também ajuda na hora da escolha: Companhia das Letras, CosacNaify e 34, por exemplo, costumam publicar trabalhos muito bem realizados.
Em 2007, cansada de tanta picaretagem institucionalizada no nosso universo brasileiro das letras, a tradutora Denise Bottmann começou o blog Não Gosto de Plágio, onde discute a questão abertamente, faz cotejos comparativos de edições suspeitas e por aí vai.
Não por acaso, uma das maiores vítimas desses cotejos é a editora Martin Claret, fundada na década de 1970 por um gaúcho em São Paulo. A editora é constantemente acusada de roubar traduções, já tendo quatro casos de plágio confirmados, conforme esta matéria da Folha de São Paulo. Agora, decidiu notificar judicialmente Denise pelo que vem escrevendo em seu blog. Quero só ver.
Uma das coisas mais engraçadas é ver o nome dos “tradutores” da Martin Claret: Alexandre Boris Popov, o “especialista em russo”, e um tal Pietro Nassetti, tão bom que já teria traduzido Shakespeare, Maquiavel, Descartes, Rousseau, Voltaire, Schopenhauer, Balzar e Poe, de acordo com a mesma Folha. Mas é bom esse Pietro Nassetti, heinhô, Batista!
Interessantíssimo dar uma checada nos verbetes da Martin Claret tanto na Wikipedia quanto na Descicolpédia (praticamente iguais, impossível humilhação maior que a realidade).
No blog mantido por Denise, há seções que recomendo, como traduções Para Fugir, e a lista de todos os cotejos de traduções já realizados por ela.
Hoje o filme Anjos e Demônios irá invadir as salas de exibição brasileiras.
E, sobre o autor do livro que originou o filme, o ator sueco Stellan Skarsgard, 57, que faz parte do elenco da adaptação cinematográfica, disse o seguinte:
“Eu acho que o Dan Brown é um escritor terrivelmente ruim, mas ele tem deixas após cada capítulo que o fazem continuar lendo”
Disse Skarsgard que só aceitou participar do filme depois de ler o roteiro.
E aí? Será que livros ruins podem mesmo dar origem a bons filmes?
Até que enfim! Pensei que este dia jamais iria acontecer.
Com apenas vários anos de atraso, um jornal brasileiro resolveu publicar em suas páginas as tirinhas Macanudo do argentino Liniers. A felizarda é a Folha de São Paulo, que deve começar a publicação dentro do caderno Ilustrada a partir de junho.
No Brasil, Liniers teve seu primeiro álbum, conhecido como Macanudo 1, lançado pela Zarabatana, que em breve deve lançar em português também o volume 2.
Pra quem não é assinante da Folha, não quer esperar até junho e nem comprar um de seus seis livros Macanudo (recomendo muito as edições argentinas, são mais baratas que a primeira edição brasileira mesmo encomendando daqui) o blog do Liniers publica uma tirinha por dia.
A de hoje é esta aqui:

Acabo de receber aqui na redação o Ficção de Polpa 3, da Não Editora. Pra variar, tudo muito caprichado, capa belíssima de Daniel HDR com direito a “making-of” e tudo, além de novidades como um conto em forma de quadrinho.
Mais além farei um comentário melhor sobre o livro, que terá sessão de autógrafos dia 13 de maio no Cult Bar (Rua Comendador Caminha, 348), em Porto Alegre.
Anjos e Demônios ainda nem chegou aos cinemas (só em 15 de maio). The Lost Symbol, próximo livro de Dan Brown, também sequer chegou às livrarias, coisa que só deve acontecer em 15 de setembro (com ínfimas 5 milhões de cópias em inglês).
Mesmo assim, o escritor achou que era uma boa hora de anunciar que já está com o roteiro pronto para seu próximo filme, baseado no livro a ser lançado.
Interessante o roteiro ficar pronto antes do romance.
É o primeiro livro adaptado de um filme – na verdade, de um roteiro de filme – da carreira do escritor.
No Brasil, nunca saiu um livro assim. Mais de 620 páginas, concentrando 2.582 tiras do personagem Garfield, criação de Jim Davis, em 1978. A obra é da L&PM série ouro (R$ 85), terceiro volume de uma coleção que teve antes Machado de Assis e Shakespeare.
Hoje, calcula-se, mais de 2,5 mil jornais do mundo inteiro publicam as tiras deste gato patife, preguiçoso, arrogante, mas sedutor. O livro gigante do Garfield, além de ser um deleite para seus fãs (que são muitos) no brasil, reúne a maior concentração de quadrinhos em um volume só.
A introdução da obra é do Goida, pesquisador, autor da Enciclopédia dos Quadrinhos e colaborador do CineSemana.
Rafael Bán Jacobsen lança Uma Leve Simetria (Não Editora, 224 páginas, R$30) na próxima quarta-feira, 18 de março, no Cult Bar (Rua Comendador Caminha, 348 – Porto Alegre), a partir das 18h30.
Quando se emprega a expressão ”escritor da nova geração” na tentativa de categorizar um novo integrante do universo literário, o estereótipo construído faz pensar em um blogueiro que cativou seus primeiros leitores através da internet, em anseios de renovação estilística, afeição a experimentações formais e, sobretudo, na inserção de elementos contemporâneos pouco comuns nas tramas, como videogames, redes sociais, aparatos tecnológicos, etc. Pois no sentido inverso caminha Rafael Bán Jacobsen, que na próxima quartafeira, dia 18 de março, lança em Porto Alegre seu terceiro livro, Uma Leve Simetria. Aos 27 anos, ele é a prova de que as ideias préconcebidas acerca desta tal nova geração estão muito longe de fazer jus à realidade. Continue lendo »
Há um grande mistério no mundo das letras que poucos ousam tentar explicar: os livros são publicados cada vez em tiragens menores, tanto que sua morte até já foi propagada diversas vezes (vide isto e mais isto), e há cada vez menos leitores, mas ainda assim, o número de aspirantes a escritores buscando uma primeira publicação parece se multiplicar em progressão geométrica.
Uma das causas disso tudo, além de muito livro ruim por aí, é uma dor de cabeça para os profissionais mais experimentados da área editorial. Pensando nisso, agentes literários e editores resolveram utilizar o serviço de microblogging Twitter para fazer o #Queryfail, um dia inteiro dedicado a debater, através de exemplos os mais diversos – e engraçados -, não apenas o que os novatos devem fazer, mas principalmente evitar na hora de entrar em contato e submeter o seu trabalho à apreciação.
O objetivo, de acordo com matéria do Guardian, era o de educar essa nova geração de aspirantes a escritores tão afoitos, mas o resultado acabou gerando polêmica, sobretudo porque o chapéu serviu pra muita gente, que não gostou nadinha de ver os exemplos publicados (ainda que anonimamente) em tom de deboche ou ironia. Mas verdade seja dita, os absurdos por vezes são tão grandes que fica difícil manter a sobriedade.
Veja alguns exemplos dados pelos profissionais de como ter seu trabalho rejeitado de cara:
1. Não siga as instruções
Ex: “Eu sei que você não publica livros de fantasia, mas espero que possa abrir uma exceção no meu caso”
2. Não inclua nada além do que é requisitado
Ex: Uma foto sua de bizarra de 20 anos atrás
3. Agentes e editores vivem de vender livros. Se você não tem um livro, não perca seu tempo (e o deles)
Ex: ”Tenho uma boa ideia para um livro que é a seguinte…”
4. Acrescente credenciais não profissionais e não relevantes
Ex: “Minha família adorou o final”
5. Pareça ser muito estranho
Ex: “Só mandei este meu livro pra você porque vozes internas me mandaram fazê-lo”
6. Não fique se achando
Ex: “Este é certamente o livro mais encorpado escrito neste novo século, e será capaz de acabar com o atual estado de paralisia criativa da literatura contemporânea”
Pronto. Parabéns. Assim, você pode ter certeza que seu livro jamais será publicado.

Este blog tem uma proposta bem interessante, juntar imagens que representam o momento silencioso da leitura. Como a acima, de Marilyn Monroe, registrada por Elliott Erwitt em 1955.
O dia está bom para os cinéfilos que gostam de acompanhar o mundo do cinema também pela literatura. A editora Panini acaba de anunciar a tradução brasileira para a biografia de Heath Ledger. Sob o título Heath Ledger: o astro sombrio de Hollywood, o livro dá especial destaque para sua preparação para o papel do Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas, e também para seus relacionamentos amorosos.
Além disso, a L&PM está lançando a história em quadrinhos de Valsa com Bashir, adaptada do documentário israelense em animação de mesmo nome que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A graphic novel é escrita por Ari Folman – também diretor do filme – e ilustrada por David Polonsky. A história remonta o massacre de centenas de palestinos em campos de refugiados no Líbano, executado por milícias cristãs em setembro de 1982. Na época, Folman era um soldado de Israel enviado ao local.
Ainda aproveitando o Oscar, a L&PM preparou uma seleção de livros que são citados no filme O Leitor, pelo qual Kate Winslet foi nomeada melhor atriz. Entre as ofertas da editora, estão A Dama do Cachorrinho, Guerra e Paz e Odisséia.