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Adaptações cinematográficas todo mundo já conhece, e a mais recorrente delas é fazer da literatura cinema, o livro que vira filme. Mas o que acontece quando escritores recebem a missão de adaptar filmes ou a obra de um cineasta para a as páginas? É possível fazer o caminho contrário?
Este é o ponto de partida de 24 letras por segundo, livro organizado por Rodrigo Rosp. Eis a missão dos 17 autores convidados: incorporar e traduzir para a linguagem literária um pouco de Tarantino, Spielberg, Almodóvar, Polanski, Woody Allen e muito mais.
O lançamento do livro, com sessão de autógrafo dos autores, será na próxima quinta-feira, dia 4, a partir das 19h, no GNC Moinhos de Vento. Afinal de contas, nada mais apropriado que um cinema para marcar o nascimento de um livro tão… cinematográfico.

Parece uma capa de fita VHS velhona, mas é a capa do livro, mesmo
Confira quem faz parte do elenco:
Bernardo Moraes – Quentin Tarantino
Monique Revillion – Tim Burton
Rodrigo Rosp – Woody Allen
Juarez Guedes Cruz – M. Night Shyamalan
Reginaldo Pujol Filho – Irmãos Coen
Pena Cabreira – Terry Gilliam
Pedro Gonzaga – Wong Kar-Wai
Silvio Pilau – Kevin Smith
Milton Ribeiro – Roman Polanski
Eric Novello – Bernardo Bertolucci
Bruno Mattos – José Mojica Marins
Diego Grando – Sylvain Chomet
Samir Machado de Machado – Steven Spielberg
Antônio Xerxenesky – Hal Hartley
Rafael Bán Jacobsen – Pedro Almodóvar
Victor Paes – Milos Forman
Márcio-André – David Lynch
A pergunta acima faz parte de uma promoção da livraria Letras&Cia, e me deixou pensando um bocado.
Todos temos filmes com os quais não simpatizamos pela relação anterior com os livros que lhes deram origem. É normal.
Mas minha resposta pra essa pergunta, curiosamente, seria um filme que ainda não foi lançado: Extremamente alto e incrivelmente perto.
Trata-se de uma adaptação do romance homônimo publicado por Jonathan Safran Foer em 2005, e que terá direção de Stephen Daldry.
Mas por que jamais deveria virar filme?
Pra mim, porque eu criei uma imagem mental dos personagens daquele livro e não quero que ela seja substituída, nem em 1%, pelos rostos de Tom Hanks, Sandra Bullock e, sobretudo, Thomas Horn.
Nada contra eles, fique claro. Mas pô, a família Schell que eu imaginei era muito, muito diferente do Forrest Gump, da Miss Simpatis e desse guri.
Há muito tempo que acompanho, semanalmente, o calendário de estreias de cinema no Brasil.
Fazendo uma média assim meio chutada, são lançados no mercado brasileiro, a cada semana, cerca de cinco novos longas no circuito comercial. Semanas muito abarrotadas, talvez, cheguem a dez estreias, não mais do que isso.
É filme pra caramba, sem dúvida. Mas o cinéfilo mais hardcore, que faça questão de assistir a todos os lançamentos, pode cumprir seu objetivo se dedicar cerca de duas horas diárias para os filmes.
Perdido mesmo está leitor que não quer deixar escapar nenhum lançamento. De acordo com a Saraiva, principal varejista de livros do país, chegam às suas estantes todos os meses nada menos que 2 mil títulos novos, em média.
Isto significa 500 livros lançados por semana. Mais de 70 por dia. Quase três por hora!
Haja filtro pra escolher o que selecionar disso tudo…
Começa amanhã, terça-feira, no Studio Clio, em Porto Alegre, a primeira edição do Sport Club Literatura, uma série de eventos literários de inspiração futebolística.
Diferente das iniciativas a partir do qual foi concebido (Copa de Literatura Brasileira, criada a partir do Tournament of books, e o Gauchão de Literatura), os jogos do Sport Club Literatura são ao vivo, transmitidos diretamente do palco por dois juízes convidados e o mediador da partida. A cada edição, duas partidas movimentam as torcidas: um jogo histórico denominado Coliseu (com clássicos e épicos da literatura) e uma pelada chamada Com-ca vs. Sem-ca (com jogos mais alternativos, modernos, com ou sem critérios). A missão dos resenhistas é apresentar, avaliar e confrontar diferentes obras da literatura universal.
No primeiro dia de partida, Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice, 1813), de Jane Austen (1775-1817), enfrenta Middlemarch (1874), de George Eliot (1819-1880), pela série Coliseu. Milton Ribeiro e Joana Bosak apitam a partida.
Para a pelada, entram em campo 2666 (2004), de Roberto Bolaño (1953-2003) e Liberdade (Freedom, 2010), de Jonathan Franzen (1959). Antônio Xerxenesky e Carlos André Moreira são os juízes convocados para este jogo.
Os ingressos custam R$ 5 (coreia), R$ 10 (arquibancada), R$ 15 (social) e R$ 20 (camarote) e podem ser adquiridos pela página www.studioclio.com.br. Mais informações pelo telefone (51) 3254-7200 ou no local (Rua José do Patrocínio, 698 – Cidade Baixa).
A coordenação do Sport Club Literatura é do StudioClio e do Estúdio de Conteúdo. Os jogos acontecem uma vez por mês até dezembro de 2011.
Depois de há muito ter ouvido que sim, estava certa a adaptação de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto para o cinema, lembrei hoje de dar uma passada no IMDB e dar uma olhada em como anda o status da produção.
Pra minha surpresa, as coisas estão correndo bastante por lá, e a produção está sendo filmada.
O elenco completo: o desconhecido Thomas Horn será o protagonista Oskar Schell; Tom Hanks e Sandra Bullock ganham papel de destaque (medo), mas há também John Goodman, James Gandolfini (da série Sopranos), Jeffrey Wright e Viola Davis.
A curiosidade pra ver o resultado é grande, sobretudo porque o romance original de Jonathan Safran Foer é excelente. Pra quem se interessa pela leitura (e eu recomendo muito), a edição brasileira, publicada pela editora Rocco, é muito boa e bem traduzida. Pra completar, a capa do livro também é sensacional, e foi um dos fatores que me puxaram pra dentro dele.

Fico pensando em como será o cartaz do filme. Prevejo as caras gigantescas do Hanks e da Sandra Bullock em destaque, lamentavelmente. Mas enfim, há sempre a esperançade sermos surpreendidos.
Nos próximos dias haverá uma maratona de lançamentos daquela que é uma das publicações mais aguardadas pelos apreciadores de HQs brasileiros. Trata-se de Cachalote, graphic novel concebida em parceria pelo escritor Daniel Galera, em sua primeira incursão pelo gênero, e pelo artista plástico e quadrinista Rafael Coutinho. O álbum, publicado pela Quadrinhos na Cia., terá sessões de autógrafo dos autores neste sábado, em São Paulo, terça-feira no Rio de Janeiro e quinta-feira, 1º de julho, em Porto Alegre. São quase 300 páginas contendo diversas histórias. O ponto em comum entre elas são temáticas recorrentes como acontecimentos drásticos capazes de transformar as vidas dos personagens e a conciliação da vida com a arte. CineSemana conversou com Daniel Galera sobre o novo livro. Confira:
Como surgiu a oportunidade de fazer a graphic novel ao lado do Rafael Coutinho? Vocês já se conheciam?
Eu e o Rafa nos conhecemos no final de 2007 em São Paulo. Fomos apresentados pelo [Rafael] Grampá, também quadrinista e amigo em comum. O Rafa estava procurando um parceiro para uma graphic novel e tinha lido um livro meu. Foi uma amizade imediata, e em poucos dias decidimos fazer uma HQ juntos. Tivemos uma sintonia criativa muito grande e passamos meses esboçando os personagens e as histórias. Não houve encomenda de editora nenhuma. Quando tínhamos algumas páginas e uma primeira versão do roteiro prontos, visitamos a Companhia das Letras e eles se interessaram pelo projeto.
Você sempre foi um leitor de graphic novels ou quadrinhos? Quais suas referências?
Sou leitor de quadrinhos desde criança. Nunca li muito as séries de super-heróis, mas gostava de graphic novels de todo tipo. Além de Piratas do Tietê e Chiclete com Banana, gostava de Frank Miller, Will Eisner, Crumb, Aragonés. Meu interesse por quadrinhos diminuiu nos anos de faculdade, mas voltou com força total quando me mudei pra São Paulo, em 2005. Conheci quadrinistas e passei a ler Charles Burns, Chris Ware, Yoshihiro Tatsumi, Daniel Clowes, Christophe Blain, David B., Alison Bechdel, etc.
Como foi o processo de produção em parceria? Houve algum tipo de criação conjunta ou as tarefas eram divididas entre vocês?
As tramas e personagens foram uma criação conjunta minha e do Rafa, com base em inúmeros encontros. Ficamos muito amigos e discutíamos as ideias de Cachalote o tempo inteiro. Alguns argumentos originais que estão na HQ são meus, outros do Rafa, mas com o tempo fomos intervindo nas histórias um do outro. Eu fiz algumas versões do roteiro. A primeira foi literária, e as seguintes foram ficando progressivamente mais técnicas. O Rafa desenhava ao mesmo tempo em que eu tratava o roteiro. Demoramos mais de um ano para ter o roteiro final, e depois disso o Rafa ainda precisou de vários meses pra concluir as páginas. Dei muitas ideias para os desenhos e ele chegou a escrever alguns trechos do roteiro. Então houve mesmo um entrosamento muito grande.
Como foi a experiência de compartilhar a autoria de um livro, não ser o único responsável pelas decisões narrativas, estéticas e compartilhar responsabilidades?
Tenho muita dificuldade para trabalhar em parceria com outras pessoas, quando se trata de um trabalho criativo. Nesse sentido, a literatura me cai bem, porque decido tudo sozinho. Mas tive dois casos de parcerias criativas incrivelmente estimulantes na minha vida: uma foi com o Daniel Pellizzari, e a outra foi com o Rafael Coutinho. É um prazer compartilhar a autoria da HQ com o Rafa, não houve nenhum problema de ego ou conflito autoral. A gente discordou em vários momentos, até discutimos, mas sempre de forma que atuava a favor do trabalho. Acho que a gente consegue melhorar o trabalho um do outro.
Imagine um campeonato no qual livros tomam o lugar de times e, ao invés de gols, pontos ou cestas, o que há são confrontos entre obras literárias disputando a preferência de um juiz, que decide quem é o vencedor por meio de uma resenha crítica publicada. Assim é o Campeonato Gaúcho de Literatura, uma iniciativa tão estranha quanto simpática, e que terá início na mesma semana da Copa do Mundo de futebol, em junho, e termina só em dezembro, tendo como campo de batalha o território virtual, no endereço www.gauchaodeliteratura.com.br.
Idealizado por Rodrigo Rosp, sócio de duas editoras gaúchas, Dublinense e Não Editora, a iniciativa tem como principal objetivo movimentar a produção literária regional. “Já que os livros nem sempre têm o espaço que merecem na mídia, esta é uma maneira de tentar chamar atenção das pessoas sobre o que se produz de literatura no estado, além, claro, de promover debates e discussões sobre as obras”, explica Rosp. A competição conta com um comitê organizador formado por Ana Mello, Carlos André Moreira, Daniel Weller, Fernando Ramos, Marcelo Spalding e Luciana Thomé.
A ideia de uma competição entre livros de autores gaúchos ou radicados no Rio Grande do Sul foi inspirada na Copa de Literatura Brasileira (que por sua vez se baseia numa iniciativa parecida fora do país) e é organizada desde 2007 por Lucas Murtinho. A diferença é que a versão nacional da brincadeira só envolve 16 romances publicados no ano anterior selecionados previamente por uma comissão, enquanto o “Gauchão de Literatura”, como está sendo chamado, além de dedicar-se ao gênero conto, abriga todas as obras publicadas em 2008 e 2009 e cujos autores aceitem participar. A primeira edição conta com escritores experientes como Lya Luft, Sergio Napp e Luiz Paulo Faccioli e novos talentos como João Kowacs Castro e Carol Bensimon.
O regulamento faz jus à estranheza da competição: os 27 participantes formam nove triangulares, de onde se classificam 15 para cinco novos grupos com três competidores, dali mais seis para os dois triangulares finais de onde sairão os dois finalistas. “A inspiração foi o formulismo do próprio Campeonato Gaúcho de futebol”, conta Luciana Thomé, uma das organizadoras do torneio. “Achamos que assim, além de proporcionar que cada livro fosse resenhado mais de uma vez, deixamos a iniciativa mais interessante para o público”.
O critério para o julgamento dos vencedores, claro, é completamente subjetivo, e deve variar tanto quanto os perfis dos árbitros – o que parece ter sido pensado sob medida para dar margem a debates acalorados nas caixas de comentários. Mas nem por isso a organização se descuidou ao escolher os apitadores. A partida de abertura do Gauchão, por exemplo, que deve ser publicada no site da competição no dia 10 de junho, será arbitrada pelo crítico de literatura do jornal Zero Hora, Carlos André Moreira.
*Matéria originalmente publicada na edição 130 do jornal CineSemana.
Já que o assunto é ela, mesmo, adianto aqui para os leitores do blog o artigo de autoria do escritor Rafael Bán Jacobsen, que será publicado na edição impressa do jornal, nesta sexta-feira.
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As peripécias da menina Alice em um mundo paralelo, surpreendente e movido por uma (i)lógica muito peculiar, narradas nos livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), representam um verdadeiro totem da literatura ocidental e, mais do que isso, tornaram-se leitmotiv na cultura pop, merecendo adaptações em desenho animado e cinema e servindo de inspiração a coisas tão díspares quanto a criação musical dos Beatles e a designação de síndromes neurológicas. Muito mais interessante do que fazer tal constatação é buscar compreender os motivos do onipresente “fenômeno Alice”.
Já na época do lançamento, os livros de Lewis Carroll (pseudônimo do diácono anglicano, matemático e fotógrafo Charles Lutwidge Dodgson) caíram no gosto popular, talvez por significarem um contraponto fantasioso às histórias edificantes e moralistas que eram lidas para as crianças da Inglaterra vitoriana. Sempre é possível uma leitura ingênua das duas obras; porém, de igual modo, é possível que se veja, na fuga de Alice para o mundo mágico, uma forma de censurar uma sociedade opressora. Alice é ousada, quebra convenções e não é punida por isso, pois não há punição no país das maravilhas. E nada escapa à sua insubmissão, nem mesmo o símbolo máximo da monarquia no período: a rainha (aliás, conta-se que a Rainha Vitória leu Alice no País das Maravilhas e gostou muito).
Nesse sentido, é emblemático o embate entre a menina e a Rainha de Copas no final da primeira narrativa. A Rainha solta o seu famoso bordão Cortem-lhe a cabeça!, mas Alice não tem medo e a enfrenta. Por esse motivo, os soldados (que são as cartas do baralho) tentam atacá-la; nesse momento, contudo, Alice desperta de seu sonho e percebe que, na verdade, eram folhas de árvore que caíam sobre ela, e não cartas de jogar. Entende-se então que, após demonstrar sua mudança de comportamento através do confronto, o mundo da fantasia se acaba, e Alice, amadurecida, desperta para a realidade.
Chegamos aí a um segundo elemento que faz parte do poder que emana de Alice. Carroll publicou seus livros décadas antes de Freud lançar A Interpretação dos Sonhos. De modo leigo, teria o escritor antecedido as descobertas de Freud? De fato, Carroll foi um dos primeiros autores a se apropriar da linguagem onírica, com toda sua alta carga simbólica, sua imagética surreal e seus deslocamentos espaço-temporais, e utilizá-la para tecer uma longa narrativa ficcional. E o fez com maestria, considerando, inclusive, as repercussões do processo onírico e da sua compreensão pelo sonhador na construção da “vida real”.
Por essas e outras razões (como, por exemplo, seu subtexto com densos influxos da lógica e da matemática), os livros Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho mostraram ser muito mais do que histórias infantis: são obras-primas da literatura fantástica de todos os tempos, para leitores de todas as idades. Duas palavras absolutamente atuais e caras à cultura pós-moderna servem para descrever as centenárias criações de Lewis Carroll: nonsense e psicodelia. Isso demonstra o caráter inovador das obras e a sua atemporalidade. Com certeza, enquanto houver literatura, Alice estará sempre presente.
Stephen Daldry (de O Leitor, 2008) está com tudo acertado para transformar em longa-metragem o romance Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer. Para quem não se lembra, Foer, apesar de bem jovem, é o autor de outro livro que rendeu um belo filme, Tudo Se Ilumina, que nas mãos de Liev Schreiber virou Uma Vida Iluminada em 2005.
A história de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto gira em torno de Oskar Schell, um garoto bem esperto de nove anos que se diz designer de jóias, inventor, estudioso de astrofísica e que acaba de perder o pai, morto no atentado ao World Trade Center. A obsessão de Oskar é encontrar o que pode ser aberto pela chave que seu pai deixou antes de morrer.
Scott Rudin será o produtor do filme e Eric Roth foi o responsável por escrever o roteiro.
Ainda não há elenco definido, mas fico muito curioso pra saber quem irá interpretar o garoto protagonista. Em 2000, Daldry garimpou magistralmente pra achar Jamie Bell, que interpretou o próprio Billy Elliot. Tomara que ele consiga repetir uma escolha tão feliz quanto aquela.
Se a produção ficar à altura do livro e as atuações no mesmo nível da narrativa de Foer, será um filmaço!
Muito já se debateu sobre a adaptação que Guy Ritchie fez para o detetive Sherlock Holmes, criado por Arthur Conan Doyle.
Os mais conservadores ficaram furibundos, mas o fato é que a imensa maioria de tudo o que acontece no filme de Ritchie está, de fato, respaldado pelos romances e contos de Doyle sobre o personagem.
Eu mesmo, depois de ver o filme, fiquei curioso sobre este aspecto e fui atrás da obra completa.
Agora, posso recomendar este post do blog Alerta Geral sobre o assunto, e assinar embaixo de praticamente tudo que foi escrito.
