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Apenas três dias antes da abertura oficial do 39º Festival de Cinema de Gramado, conversamos com o crítico carioca José Carlos Avellar, que há seis anos consecutivos é um dos curadores do festival, ao lado do documentarista Sérgio Sanz. Além de contar o que o público pode esperar das mostras e dos fimes selecionados, ele falou sobre a homenagem aos 80 anos da primeira exibição de Limite, de Mario Peixoto, a respeito das características que unem as cinematografias brasileira e latino-americana e sobre a ausência do Kikito de Cristal nesta edição. Confira a seguir.
Que novidades esta edição do festival apresenta em relação às demais e que poderiam ser destacadas?
Há muito o que se destacar. Em primeiro lugar, acho que merecem atenção especial os filmes de abertura e de encerramento. Acho que o filme do Selton Melo e o do Eduardo Nunes, que são fora de competição, criam uma moldura muito especial para o festival. São dois trabalhos especialmente criativos e que atendem a uma coisa que estava no ar enquanto nós fazíamos a escolha dos filmes para o festival desse ano, que é a comemoração dos 80 anos de projeção do primeiro filme do Mario Peixoto, Limite. Nós conseguimos inserir no programa um documentário sobre o Mario Peixoto que vai ser exibido no último dia, o encerramento da Mostra Panorama, justamente pra destacar esse aniversário. Me parece que é a expressão bem radical, bem clara daquilo que o festival procura encontrar e dar espaço sempre, que é um cinema autoral no Brasil e na América Latina. Continue lendo »
Foram divulgados nesta segunda-feira os filmes que irão foramar a seleção oficial do 39º Festival de Cinema de Gramado. Para esta edição, que acontece de 5 a 13 de agosto, foram inscritos 180 filmes de longa-metragem, 105 brasileiros e 75 estrangeiros. Já na categoria de curta-metragem nacional foram 323 filmes inscritos.
Confira os selecionados para as mostras competitivas:
Longas Brasileiros
- As Hiper Mulheres – Carlos Fausto, Leonardo Sette, Takumã Kuikuro – Pernambuco (documentário)
- O Carteiro – Reginaldo Faria – Rio Grande do Sul
- Olhe Pra Mim de Novo – Claudia Priscilla e Kiko Goifman – São Paulo (documentário)
- País do Desejo – Paulo Caldas – Rio de Janeiro
- Ponto Final – Marcelo Taranto – Rio de Janeiro
- Riscado – Gustavo Pizzi – Rio de Janeiro
- Uma Longa Viagem – Lúcia Murat – Rio de Janeiro (documentário)
Longas Estrangeiros
- A Tiro de Pedra – Sebastian Hiriat – México
- El Casamiento – Aldo Garay – Uruguai (documentário)
- Garcia – Jose Luis Rugeles – Colombia
- Jean Gentil – Laura A. Guzmán & Israel Cárdenas – República Dominicana, México e Alemanha
- La Lección de Pintura – Pablo Perelman – Chile
- Las Malas Intenciones – Rosario Garcia Montero – Peru, Alemanha, Argentina
- Medianeras – Gustavo Taretto – Argentina, Espanha, Alemanha
O Festival de Cannes anunciou no último domingo, 22, seus premiados. A cerimônia, se não acabou exatamente como todos esperavam, foi uma espécie de arranjo cuidadoso dos jurados para acomodar todo mundo dentro das expectativas. Sem grandes surpresas, nem grandes decepções. A Árvore da Vida, longa-metragem de Terrance Malick que o festival estava aguardando ansioso há anos, levou a Palma de Ouro. E Robert De Niro, presidente do júri desta 64ª edição, lavou suas mãos dividindo os demais prêmios entre diferentes produções.
Kirsten Dunst, estrela de tantos filmes comerciais hollywoodianos e que, por um momento, temeu-se que poderia sair chamuscada do infeliz episódio protagonizado por seu diretor (Lars Von Trier, que declarou simpatizar com Hitler e acabou expulso do festival), acabou ganhando o prêmio de melhor atriz, pelo qual não se ouviu qualquer contestação. Em Malancolia, ela vive uma noiva que, após ter um verdadeiro casamento de conto-de-fadas em um castelo arruinado por um discurso da própria mãe, fica à espera da colisão de um asteroide na Terra que promete dar cabo do planeta.
Já o francês Jean Dujardin foi escolhido o melhor ator por The Artist. Trata-se de um filme bastante inusitado: mudo, apresentado em preto e branco, em formato de tela 4:3 e acompanhado por uma trilha sonora clássica, daquelas que pontuam as emoções de cada cena. É a história, passada na Hollywood dos anos 1920, Era de Ouro do cinema americano, versa sobre a ascensão de uma jovem atriz com a chegada dos filmes sonoros à medida que um grande astro entra em franca decadência.
Foram premiados ainda o isralense Footnote (melhor roteiro); o americano Drive (melhor diretor); a coproduçãoentre França e Bélgica O Garoto de Bicicleta e o turco Once Upon a Time in Anatolia (dividindo o grânde prêmio); e o francês Polisse, favorito da crítica e que acabou laureado com o prêmio do júri.
Apesar de o resultado ter parecido, na prática, um grande arranjo político, muitos críticos escreveram que a Palma de Ouro concedida para A Árvore da Vida tem um significado importante: dar um incentivo comercial para uma produção autoral, bastante pretenciosa e que, ainda que conte com o superastro Brad Pitt no papel do protagonista, teria pouca chance de conseguir espaço condizente com sua magnitude no circuito de salas de exibição.
Confira todos os premiados:
Palma de Ouro: A Árvore da Vida, de Terrence Malick (EUA)
Atriz: Kirsten Dunst, por Melancolia (Dinamarca/Suécia/França/Alemanha)
Ator: Jean Dujardin, por The Artist (França)
Diretor: Nicolas Winding Refn, por Drive (EUA)
Roteiro: Footnote, de Joseph Cedar (Israel)
Grande prêmio: O Garoto de Bicicleta, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (Bélgica/França), e Once Upon a Time in Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia), dividiram o prêmio
Curta-metragem: Cross Country, de Marina Vroda (Inglaterra)
Prêmio Câmera de Ouro para diretor estreante: Las Acacias, de Pablo Giorgelli (Argentina/Espanha)
Prêmio do júri: Polisse, de Maiwenn Le Besc (França)
O Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, que ao lado de Gramado é o mais tradicional do país, abriu inscrições na última terça-feira, 16, e anunciou algumas mudanças para este ano.
A mais importante delas é o ineditismo, que deixou de ser necessário para a participação de um filme. Agora, só ficam excluídas as produções que já tiverem sido premiadas como melhor filme em outros festivais. O suporte também foi flexibilizado: produções em película e em digital podem concorrer juntas.
Para atrair mais cineastas, o prêmio em dinheiro também subiu significativamente. O melhor filme, que antes faturava R$ 80 mil em dinheiro, agora passa a receber R$ 250 mil.
As alterações incharam o orçamento do festival, que agora custará ao todo R$ 4 milhões, cerca de 1 milhão a mais do que no ano passado.
O Festival de Brasília acontece de 26 de setembro a 3 de outubro.
Tem início logo mais à noite a 64ª edição do Festival de Cinema de Cannes, no famoso balneário francês.
Quem terá a honra de inaugurar a mostra deste ano é Meia-noite em Paris, novo longa-metragem de Woody Allen, que conta com Owen Wilson, Rachel McAdams e participação da primeira-dama francesa Carla Bruni.
Nenhum brasileiro concorre à Palma de Ouro. Ainda assim, há muito o que acompanhar.
A revista The Hollywood Reporter, por exemplo, publicou uma lista de seis filmes – alguns ainda em produção – que devem agitar os bastidores de Cannes, todos eles promissores e disputados a tapa pelos distribuidores. São eles Black Butterflies, de Paula van der Oest; La Delicatesse, de David Foenkinos e Stéphane Foenkinos; Cities, de Roger Donaldson; Great Hope Springs, de David Frankel; Friends with Kids, de Jennifer Westfeldt; além de Solo, filme dirigido por Antonio Banderas.

Novidades estão sendo preparadas para o 39° Festival de Cinema de Gramado, que acontece de 5 a 13 de agosto na serra gaúcha. Elas são sobretudo de ordem estrutural, mas também afetam a programação.
A primeira boa notícia é a reforma do Palácio dos Festivais. De acordo com o presidente do festival, Alemir Coletto, quem prestigiar o evento este ano vai encontrar um espaço reformado, com novas poltronas, equipamento novo e instalações de última geração. A modernização da sala é um pedido antigo dos cinéfilos e dos próprios curadores, Sérgio Sanz e Luiz Carlos Avellar, e que será atendida.
A estrutura executiva do festival será trazida de volta para o centro da cidade, e ficará sediada no centro de eventos do hotel Serra Azul. Assim, a organização pretende aproximar o público dos atores, diretores e demais convidados. Até o ano passado, a parte executiva – onde são realizadas as inscrições, acontecem as coletivas e os debates – ficava na Expogramado, muito longe do Palácio e dos demais locais de exibição.
Gramado também ganhará a Vila do Festival em 2011. Será um espaço construído junto ao lago Joaquina Bier destinado aos estandes de patrocinadores e parceiros. Lá será montado também um telão gigante que exibirá os principais filmes gratuitamente para o público.
De acordo com Coletto, pequenos ajustes devem ser feitos também nas categorias e na programação do festival, mas não revelou maiores detalhes.
Foto: Edison Vara/Pressphoto