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Postagens na categoria ‘Entrevista’

Entrevista com o rapper MV Bill

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MV Bill esteve ontem em Porto Alegre apresentando no Opinião o show de lançamento do CD Falcão – O Bagulho é Doido. O rapper concedeu esta entrevista exclusiva ao CineSemana na qual fala de música e de suas outras frentes de trabalho, além de comentar o cenário político, social e racial do Brasil. MV Bill já escreveu três livros. Cabeça de Porco, ao lado de Celso Athayde e o sociólogo Luiz Eduardo Soares; Falcão – Meninos do Tráfico e Falcão – Mulheres e o Tráfico, ambos também com a colaboração de Celso Athayde. O rapper e escritor ainda produziu o documentário Falcão – Meninos e o Tráfico, que mostrava a vida de crianças dentro de facções criminosas no Rio de Janeiro e ganhou visibilidade ao ser transmitido pela rede Globo.

A música é capaz de exercer um papel social?
Eu vejo a música sendo tratada em muitos momentos de forma muito descartável. Tanto por quem a vende, no caso, o meio empresarial, quanto por quem tem feito. Talvez o resultado disso seja a música de tão baixa qualidade produzida no Brasil, pelo menos as que se ouvem nas FMs mais famosas. Acredito que a minha música tem uma ligação social clara porque ela nasceu no meio disso, e outras músicas no Brasil deveriam também tratar mais desse lado. Fala-se muito do amor entre homem e mulher. Eu sinto a necessidade de falar de amor de uma forma coletiva.

O rap perdeu muito espaço para o funk carioca, que se tornou o gênero mais difundido no País. Porque isso aconteceu?
Isso é culpa do próprio hip hop também, que deu uma acomodada. A exposição do funk se deve um pouco à atitude estagnada do hip hop que parou no tempo ao invés de progredir. Poucas pessoas se preocuparam em dar identidade ao seu trabalho e foi ficando uma linguagem cada vez mais sensual, mais violenta. Teve um período que nossa produção tava se aproximando muito dos americanos. Mas esta perda de espaço teve um aspecto positivo: fez com que o hip hop olhasse para dentro de si próprio. E todo mundo começou a querer melhorar a forma de apresentar suas músicas para recuperar o espaço que a gente acabou perdendo.
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Entrevista: Daniel Galera,
um escritor multitarefa

Daniel Galera - foto de Raul KrebsEx-editor, tradutor e escritor, Daniel Galera já passou por quase todas as áreas que a carreira literária possibilita. Começou escrevendo no fanzine CardosOnline, em 1998, distribuído por e-mail. Em 2001, criou, com mais dois amigos, a editora Livros do Mal, responsável pela publicação de seus dois primeiros livros, a coletânea de contos Dentes Guardados (2001) e a novela Até o Dia em que o Cão Morreu (2003), adaptada para o cinema por Beto Brant no ano passado. Com Mãos de Cavalo, publicado pela Companhia das Letras em 2006 e considerado um dos melhores romances daquele ano, Galera foi alçado pela crítica de promessa à condição de “autor maduro”, adjetivo que rejeita até hoje.

Na época do lançamento do Mãos de Cavalo, saíram muitas críticas dizendo, quase em uníssono, que finalmente você havia se tornado um escritor maduro. O que seria um escritor maduro?

Eu me lembro que usaram muito esse termo pra definir o livro. E até é um negócio que me incomodou, e eu tirei sarro disso. Eu tinha um blog naquela época, e falei que preferia mil vezes ser chamado de escritor adolescente do que de escritor maduro. Porque eu não sei o que diabos quer dizer escritor maduro. É alguém que se conformou? Alguém que cumpriu certos requisitos do que seria a boa literatura? Eu acho besteira. Esse papo de maturidade eu prefiro evitar. Acho que eu estou longe de ser um escritor cujo estilo esteja engessado ou cujos objetivos tenham sido conquistados. Então, maturidade não é um termo que me agrada.

Será que isso serviu ao menos pra te livrar da pecha de escritor jovem?

Não livrou. Eu sou um escritor jovem que escreveu um livro maduro. Não mudou nada.

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Entrevista: João Guilherme Estrella deixa os tempos de Johnny para trás

joaoestrellaNo CineSemana que começa a circular hoje (e pode ser baixado em pdf aqui no blog), a matéria de capa é a entrevista exclusiva com João Guilherme Estrella, o protagonista real da história contada em Meu Nome não é Johnny. Ele esteve essa semana em Porto Alegre para lançar seu primeiro disco, Meu Nome é João Estrella e aproveitou para conversar com a gente. Segundo o próprio, o filme pintou um retrato fiel. Carismático, inteligente e engraçado, há apenas uma marcante caraterística que não está no filme e logo chama a atenção ao conhecê-lo ao vivo: a serenidade. Mas isso talvez se deva ao fato de que quem conhece João Estrella hoje está diante da versão amadurecida do garoto irrefreável que passou dois anos internado em um manicômio.

Ao falar de música, ele se enche de orgulho. Ao falar de si mesmo, é completamente ciente da imagem que criou ao expor sua vida e o papel que assumiu ao contá-la em livro, filme e palestras. Quando retoma o passado, não há remorso ou vergonha na voz tranqüila. Na questão das drogas, longe de apontar culpados e antes de esquentar o debate, João Estrella humaniza o problema. A sua trajetória é a prova de que o submundo das drogas não é tão “sub” quanto se costuma pintar. Aqui você confere a íntegra da entrevista com trechos inéditos.

O seu nome está em livro, filme e disco. Qual o lado bom e o ruim de ser quase uma grife?
Tem sido bom porque você fica criativo, canaliza a energia para coisas positivas, aparecem novas propostas de trabalho, estimula muito para as palestras e debates que eu gosto de fazer com todo tipo de pessoas. Já fiz debates com presos, com menores infratores, juízes, desembargadores, alunos de colégios particulares, públicos, faculdades, empresas. Você se sente bastante útil, colaborando com a experiência para alertar principalmente a molecada mais nova que às vezes faz coisas sem saber até onde aquilo pode chegar.

O filme ajuda na promoção do disco?
Já ajudou a negociar contrato com ã EMI porque tem uma música no filme. Fiz muito contato na internet com pessoal que leu o livro, viu o filme, são pessoas que hoje estão ouvindo as músicas e gostando. Acho que tudo faz parte da minha história, uma coisa puxa a outra. Quando saiu o livro, os produtores de cinema ficaram interessados, quando o filme saiu trouxe o livro de volta com uma vendagem enorme, são mais de 60 mil vendidos em pouquíssimo tempo. São trabalhos diferentes, apesar de o disco ser como um fechamento para toda a história.
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Entrevista: Jorge Furtado, entre a televisão e o cinema

Jorge

Nosso entrevistado da semana tem 27 anos de carreira em televisão, 24 anos no cinema, um currículo tão extenso quanto elogiado e muita opinião para dar. A assinatura de Furtado está em filmes como Saneamento Básico – O Filme, Meu Tio Matou um Cara e o clássico Ilha das Flores, além de séries televisivas como Os Normais, Cidade dos Homens e Antônia. Aqui você confere a íntegra da entrevista com os trechos que ficaram de fora da edição impressa.

Você prefere escrever ou atuar na direção?
Na verdade, eu prefiro os dois. Eu prefiro alternar os dois porque são trabalhos muito diferentes. Até pouco tempo eu preferia só escrever. De alguns filmes pra cá, quando eu comecei a fazer os longas, eu comecei a me interessar e me divertir mais com a direção, no trabalho com os atores. O que também é bem extenuante e por isso eu gosto de revezá-lo com o trabalho de escrever. Eu fico até seis meses ou quase um ano escrevendo. E aí fico a fim de dirigir e vou fazer um filme. O escritor fica sentado sozinho, no conforto, em silêncio, e o diretor é o oposto disso. Pode ficar na chuva de pé falando com 500 pessoas o dia inteiro. Mas nunca me passou pela cabeça dirigir um roteiro que não fosse meu.

Como é que você foi parar na TV?
A primeira coisa que eu fiz foi TV, em 1981, na TV Educativa em Porto Alegre. Foi lá que eu comecei, trabalhando como assistente de produção. A gente fazia um programa, um grupo de alunos da Ufrgs. Já existia um movimento de cinema em Porto Alegre, os super-oitistas, o Gerbase, o Giba (Assis Brasil), Ana (Azevedo), Werner (Schünemann), uma turma fazendo super-8. Mas eu comecei na televisão, e mal conhecia essas pessoas. Dentro da televisão a gente fez um grupo para fazer um curta. Meu primeiro filme é de 84, O Temporal, dirigido com o José Pedro Goulart.
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