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Postagens na categoria ‘Entrevista’

Júlio Conte entre o palco e a psicanálise

Júlio Conte, autor de várias peças gaúchas (Foto: Divulgação)

Júlio Conte, autor de várias peças gaúchas (Foto: Divulgação)

O entrevistado da 66ª edição do CineSemana é Júlio Conte, autor e diretor de Bailei na Curva, obra de maior destaque do teatro gaúcho do todos os tempos. Natural de Caxias do Sul, Júlio formou-se em Direção Teatral em 1984 e, um ano depois, em Medicina. Ao longo de sua trajetória no mundo das artes cênicas, ele já recebeu diversos prêmios Açorianos.

Além de dirigir e escrever peças, Júlio é também ator, professor de teatro e psicanalista. Nesta entrevista, ele conta por que Bailei continua lotando plateias após 25 anos em cartaz, como sua formação médica interfere na vida pessoal e no trabalho com o teatro e como está sendo sua nova experiência mediando uma peça de improvisos. Confira aqui a íntegra.

A que você atribui o grande sucesso da peça Bailei da Curva, que está a 25 anos em cartaz?
O sucesso do Bailei é porque ele conta uma história do Brasil divertida e importante. Ele possibilitou ao longo dos anos uma série de releituras porque trabalha em cima da própria identidade do povo brasileiro, de um pedaço da história que já foi bem obscuro, mas agora já está mais clarificado. O Bailei é de 1983 e a democracia só voltou em 1985. Então o Bailei é a última peça ou a primeira peça sobre a ditadura ainda em vigência da ditadura. Em 83 quando estreou, nós estávamos vivendo ainda sob o regime de exceção. Então isso é uma coisa muito importante porque ela criou um espaço novo dentro da cultura, em que se começou a discutir essas coisas, a ditadura, o estado de exceção em pleno estado de exceção, em plena ditadura.

O tema da ditadura é, ainda hoje, retratado constantemente pelas artes. Na sua opinião, o que mantém o interesse do público pelo tema 25 anos depois da abertura?
No caso do Bailei na Curva é porque, além de falar da ditadura, falar de uma história do Brasil que marca uma identidade de um povo, conta também a história de costumes, uma história de pessoas, por isso ele ganha uma certa universalidade. Não é só falar da ditadura pela ditadura, é falar sim sobre os costumes da época, os hábitos, do tipo de roupa que se vestia, do jeito que se falava, de gíria, do tipo de ingenuidade que se tinha, um tipo de ousadia. Fala da alma do brasileiro em um determinado momento. De certa forma, reverencia também os anos 60, os anos 70, o Flower Power, o movimento hippie. Ela é uma peça que fala de esperança. Essa é a grande perda que a gente teve a partir do pós-modernismo, onde o teatro, o cinema e a televisão, todos passam a ter uma característica de salve-se quem puder. Ali no Bailei é uma saída coletiva, a busca. Eu acho que é o último suspiro da modernidade no teatro, porque ali fala de uma expectativa de uma saída coletiva.

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O mundo paralelo de Mallu Magalhães

Aos 16 anos, a jovem artista que ainda nem saiu da escola já circula entre músicos de renome (Foto: João Wainer/ Divulgação)

Aos 16 anos, a jovem artista que ainda nem saiu da escola já circula entre músicos de renome (Foto: João Wainer/ Divulgação)

O CineSemana que chega aos cinemas hoje, dia 5, traz uma entrevista exclusiva com Mallu Magalhães, mais recente fenômeno musical brasileiro que deve sua fama à divulgação na internet. Cantora, compositora e instrumentista, ela tem apenas 16 anos e virou sensação na internet após colocar suas músicas no MySpace. Apontada como a grande revelação o cenário independente brasileiro, a menina de voz suave, que compõe canções folk, a maioria em inglês, iniciou sua carreira meteórica em 2007. Desde então, seus singles disponibilizados na rede contabilizaram centenas de milhares de acessos, ela recebeu três indicações ao Video Music Brasil (VMB), o badalado prêmio da MTV, e no mês passado lançou o primeiro álbum homônimo com 14 faixas, incluindo os hits Tchubaruba e J1. Gravado no Rio de Janeiro ao longo de 20 dias, durante as férias de julho, o disco Mallu Magalhães tem produção de Mario Caldato Jr., brasileiro que já trabalhou com artistas como Beastie Boys e Jack Johnson. A divulgação fez parte de uma ação de marketing com uma operadora de celular, que está vendendo cada faixa por R$ 1,99 em seu site.

Fã de Bob Dylan e Johnny Cash, a paulistana de classe alta chama atenção pela precocidade e pelo visual alternativo, incluindo suas próprias criações de moda e o constante uso de calçados desparceirados. Nas últimas semanas, a grande polêmica girou em torno de seu namoro com Marcelo Camelo, ex-vocalista do Los Hermanos, de 30 anos, com quem formou um dueto para compor e executar a música Janta para o recém lançado trabalho solo do cantor. Ainda adolescente, Mallu precisa conciliar os estudos com a agenda lotada de shows e participações em festivais pelo País afora. Por conta disso, entrevistar a jovem foi mais difícil do que conversar com alguns figurões do cinema e da música brasileira. Confira um pouco do que contou por e-mail a garota que fala em tom poético sobre si mesma e sua carreira e que virou hype no País.

Você é considerada um fenômeno da internet, suas músicas bateram recordes de downloads e os seus vídeos viraram mania no YouTube. Havia alguma estratégia para você ser divulgada assim?
Ah, na verdade um amigo meu me falou: “por que que você não põe no MySpace”. Aí eu pensei: “é”, pra ver no que dava.

Quais as suas referências musicais, o que você gosta de ouvir?
Aqui no Brasil eu tiro o chapéu para toda a turma da Tropicália, desde o Tom Zé até o Caetano, João Gilberto, Elis, Gilberto Gil, Mutantes. Bom, aí entra um pessoal como o Cazuza e a Ceumar, o Vanguart, Los Hermanos. De fora eu trago o Dylan, o Johnny Cash, Woody Guthrie, Donavon, Hoyt Axton, Neil Youg, Tom Waits, Elvis, Beatles, Beach Boys, Stray Cats, Chuck Berry, Larry Williams, Chigado, America, Matt Costa.

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Mano Changes: não vou fazer lei pra abolir gravata

Como o Gustavo já tinha anunciado, entrevistamos o Mano Changes essa semana. O deputado nos recebeu no seu gabinete na Assembléia Legislativa para um informal bate papo sobre o encontro entre arte e política. A íntegra da nossa conversa você confere abaixo, mas posso dizer que foi um alívio entrevistar um político que não fugiu das perguntas. Confira:

Vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu e deputado estadual eleito com 43 mil votos, Mano Changes é a pessoa mais irreverente que se poderia encontrar na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Nesta entrevista exclusiva, ele mostra como equilibra a vida de músico e a de político, declara sua opinião sobre a descriminalização da maconha e conta o que acontece quando 54 engomadinhos dividem o mesmo espaço com o autor de músicas como Ah, Eu Tô Sem Erva, Merda de Bar e seu mais recente sucesso, Chuva nas Calcinha.

Por que entrar na política quando você já tinha uma carreira artística consolidada de sucesso?
Tenho, né, a música é a minha profissão, é o amor da minha vida, o que me faz feliz e eu nunca posso deixar de conviver com o palco e as pessoas que gostam das músicas que a gente compõe. Só que a Comunidade [Nin-Jitsu] sempre foi politicamente incorreta, sempre foi uma banda divertida, mas isso não significa que eu não tinha pretensões de ajudar as pessoas. Eu vi que era a pessoa pública que era o Mano Changes pra juventude era uma oportunidade de trazer uma pessoa diferente pra Assembléia, que representasse uma galera que não tem voz aqui ou que não se sente à vontade de estar na Assembléia.
Eu queria contribuir, ajudar e usar um pouco da experiência de vida que eu tenho pra trazer mais representatividade pro jovem. Hoje um dos maiores problemas do nosso País é a falta de oportunidade de emprego pro jovem que está apto ao mercado de trabalho e eu acredito que uma das causas é a falta de representatividade do jovem na política.

Você diz que a Comunidade é uma banda politicamente incorreta, o que reflete em ti. Como você foi recebido na Assembléia pelos outros deputados?
Eles começaram a conhecer a banda depois que eles me conheceram porque eles vivem em outro mundo, até os mais novos não tinham muita referência do que toca no Rio Grande do Sul, o que a gurizada tá ouvindo. Então as pessoas esperavam o Mano um cara polêmico só por ele ser músico e só por ele ser jovem. Mas eu sou um cara de diálogo, eu sou um cara que respeita muito o que as pessoas tem pra dizer. E acho que a política requer isso. Pra representar alguém, tu tem que saber ouvir esse alguém, e mostrando que eu não tenho ranço político, que eu sou um cara aberto a idéias, independente da onde elas vierem, as pessoas viram um cara de diálogo, com cabeça aberta e isso trouxe respeito. Muita gente disse ‘ah, mas olha só o Mano quer aparecer, ele usa terno e camisa pra fora das calças’. Eu uso porque eu me sinto à vontade. Se tu for pensar na maioria dos jovens que vai a casamento, que vai a debutante,  a gurizada usa camisa pra fora das calças e hoje é fashion até. A gente tem que estar o mais confortável possível pra poder trabalhar sem ferir o regimento interno, que diz que tem que estar de paletó, gravata e camisa no Plenário, mas não interessa como vai estar a camisa e a gravata.

Você guarda uma camisa sobressalente aqui?
Tem, tá ali [aponta para um armário no canto da sala], com certeza. Eu uso gravata mesmo no Plenário só.

Também não tem porque não usar e criar conflito, né?
Não, claro. O Raul Pont disse pra mim ‘ah tu tem que fazer uma lei pra abolir a gravata, e eu te apoio`. Daí eu disse que não ia fazer lei pra abolir gravata, fazer lei pra me privilegiar. Eu estou aqui pra privilegiar as pessoas, não pra eu me sentir mais confortável, gravata é um respeito ao Estado, ao povo e aos eleitores que acreditam na gente também.
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Márcio Simões: a voz por trás dos personagens

O dublador Márcio Simões, na montagem com o Patolino (Foto: Guilherme Briggs)

O dublador Márcio Simões, na montagem ao lado do Patolino, há 22 anos empresta sua voz a personagens do cinema e da televisão (Foto: Guilherme Briggs)

Se você se deparar com Márcio Simões pelas ruas, certamente não o reconhecerá. Mas se ouvir a voz dele, não vai deixar de associá-la a uma porção de personagens de filmes, séries e programas de tevê. Formado engenheiro civil, mas atuando como dublador na televisão e no cinema há 22 anos, Simões já emprestou sua voz para desenhos animados, mocinhos e bandidos, de Patolino a Will Smith, Samuel L. Jackson a Heath Ledger na pele do Coringa. Em uma conversa com CineSemana, ele falou sobre essa atividade que por essência é relegada aos bastidores, os desafios das dublagens, além de muitas curiosidades.

Gostaria de começar por uma dúvida que a maioria das pessoas tem quanto aos dubladores. Dubladores são todos atores? No seu caso, qual a sua formação?
Todos atores. A dublagem é uma especialização do ator. A formação da dublagem na verdade é o radioteatro, as pessoas acham que a formação do dublador é o teatro, na televisão, mas não é. É o radioteatro porque a gente não tem o compromisso de decorar um texto, pra ler ou falar, não tem esse compromisso. Então, a gente tem que ler e interpretar lendo, que é na verdade o radioteatro. Então, a minha formação foi um pouco ao contrário. Eu comecei no rádio e do rádio eu vim a fazer dublagem. Na verdade, o dublador se especializa fazendo um curso de dublagem, onde se aprende a técnica, mas a interpretação você tem que saber, você tem que ter, não importa se de radioteatro, se de televisão ou de teatro. Você tem que ser ator e saber interpretar e aprender a técnica de sincronizar, de colocar as palavras na boca, certinho.

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Entrevista com Fernando Meirelles no OmeleTV

Post um pouco atrasado, mas tenho certeza que vai valer muito a pena a dica que vou dar.

O ótimo site de entretenimento Omelete, em parceria com a produtora Colmeia, criaram o OmeleTV, um vídeo podcast muito interessante para quem gosta de cinema, séries e quadrinhos.

Na terceira edição do programete os caras entrevistaram ninguém menos que Fernando Meirelles. Não vou adiantar nada do que ele falou, só digo que vale muito assistir.

Parte 1:

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Entrevista com Gustavo Spolidoro, vencedor do Festival de Milão

Gustavo Spolidoro, vencedor do Festival de Milão com <em>Ainda Orangotangos</em>

Gustavo Spolidoro, que venceu em Milão com Ainda Orangotangos

Responsável pelo primeiro longa-metragem brasileiro filmado em um único take, Gustavo Spolidoro recentemente viu seu filme Ainda Orangotangos ser premiado no Festival de Milão, justamente pela ousada aposta “brilhantemente resolvida”, conforme divulgou o júri da premiação.

Mesmo ainda evolvido com o lançamento do longa, o cineasta já prepara um novo projeto em documentário e, no meio tempo, gravou um depoimento do cineasta alemão Wim Wenders para o projeto Fronteiras do Pensamento. Spolidoro falou ao CineSemana sobre a surpresa de ser premiado no festival italiano, sobre o futuro do cinema e sobre o seu próprio.

Você esperava sair premiado do Festival de Milão?
Foi surpresa, até porque concorria com outros dez filmes e o Ainda Orangotangos não é uma unanimidade. Tem pessoas que gostam muito, mas outras não gostam, e como para ganhar um prêmio desses geralmente tem que ser uma decisão unânime, eu não tinha uma expectativa tão grande. Mas para nossa sorte, ganhamos! E o prêmio de melhor longa-metragem é o único prêmio do júri, além disso só há outras menções.
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Giba Assis Brasil conta como foi a escolha de Última Parada, 174 para concorrer a uma vaga no Oscar

Giba Assis Brasil fala sobre filme nacional no Oscar e montagem

Giba Assis Brasil, um dos fundadores da Casa de Cinema de Porto Alegre (Foto: Agência Bossa/ Divulgação)

A 47ª edição do CineSemana traz entrevista com o montador Giba Assis Brasil, integrante da comissão que foi responsável pela seleção do filme Última Parada, 174, de Bruno Barreto, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O cineasta revela como se deu essa escolha, fala sobre o atual panorama dos filmes brasileiros e afirma que a boa montagem não é a mais performática, mas aquela que o espectador não percebe.

Ainda que tenha começado a carreira como diretor ao lado de Nelson Nadotti em Deu Pra Ti Anos 70 (1981), Giba se destaca, principalmente, quando o assunto é montar um filme. Fundador e um dos sócios da produtora Casa de Cinema de Porto Alegre, é dele a montagem de quase todas as produções de Jorge Furtado, incluindo o curta Ilha das Flores (1989) e os longas do diretor, entre eles O Homem Que Copiava (2003).

O filme Última Parada, 174 era o seu favorito entre os 14 inscritos para representar o Brasil no Oscar?
A decisão não foi unânime, mas a gente discutiu bastante todos os filmes que estavam inscritos e chegamos a uma decisão de consenso. A decisão foi assumida como sendo de toda a comissão.

Então a escolha não se deu através de uma simples votação, mas de um processo de deliberação sobre qual o melhor filme.

Foi um debate bastante longo, até demorou mais do que eu imaginava. Mas não teve absolutamente nenhuma pressão, nenhuma acusação, foi um debate respeitoso, de ponto de vista. Estava todo mundo representando a sua subjetividade, a sua relação com o cinema. A gente discutiu todos os filmes e fomos afunilando, eliminando alguns e chegamos à decisão final. O combinado é que a gente não exporia os resultados parciais para não gerar uma polêmica desnecessária. Não é que não houve polêmica; foi bastante discutido dentro do grupo, mas não queremos gerar um sentimento de “qual é o segundo lugar, qual é o terceiro lugar”. Todos os 14 filmes estavam aptos a representar o Brasil e nós escolhemos este.

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Júlio Bressane, um cineasta por necessidade

Júlio BressaneO entrevistado da edição 40 do CineSemana é o cineasta carioca Júlio Bressane. Considerado um dos expoentes do chamado Cinema Marginal brasileiro, Bressane terá sua obra reconhecida pela primeira vez no Festival de Cinema de Gramado. Desde que começou profissionalmente na sétima arte, em 1965, como assistente de direção de Walter Lima Júnior, ele dirigiu mais de 40 longas-metragens com orçamentos baixos e roteiros complexos, que fogem dos clichês cinematográficos. A 36º edição do festival, que acontece de 10 a 16 de agosto, homenageará o diretor com o Troféu Eduardo Abelin, prêmio concedido a grandes nomes do cinema nacional.

Filmes como Cleópatra (2007) e Dias de Nietszche em Turim (2002) traduzem o cinema profundamente ligado ao conteúdo produzido pelo cineasta. Seu mais recente trabalho, A Erva do Rato, realizado ao lado da diretora Rosa Maria Dias, foi selecionado na última terça-feira, 29, para a Mostra Horizontes do Festival de Veneza, sendo a sexta participação do diretor no evento. Nesta entrevista, Júlio Eduardo Bressane de Azevedo, de 62 anos, revela o quanto é difícil viabilizar seus filmes e seu descontentamento com o cinema brasileiro.

Como você começou no cinema?
Eu comecei a fazer cinema com dez anos de idade, ganhei uma câmera de presente e um projetor e comecei a fazer filmes. Foi assim que eu comecei.

Quais as influências para realização dos seus filmes?
Minhas principais influências vieram da leitura sistemática que eu fiz ao longo da minha vida. Autores como Dante, Camões, Shakespeare sempre estiveram muito próximos a mim. No meu ponto de vista, nunca dividi o cinema em escolas, eu sou um especialista em cinema mudo. Eu comecei a me interessar pelo cinema que se fazia no início e até hoje tenho mais interesse em cinema mudo do que falado. Continue lendo »

Entrevista: João Pedro Fleck, realizador do Fantaspoa

João Pedro FleckO CineSemana que começa a circular hoje traz uma matéria sobre o IV Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, e uma entrevista com João Pedro Fleck (foto), um dos realizadores do evento ao lado do amigo Nicolas Tonsho. Formado em Administração, o cinéfilo fala sobre a trajetória e detalhes da realização do festival, que começa na segunda-feira, 28. Confira aqui a íntegra da entrevista.

Quais os motivos que o levaram a promover o Fantaspoa?
Existem três principais motivos que nos levam a organizar tal festival: o nosso gosto pessoal por cinema do gênero fantástico; a pouca (ou nula, por assim dizer) distribuição de filmes independentes, principalmente deste gênero; o gosto do público, por filmes dessa temática. Filmes de terror e fantasia estão entre os mais alugados, e quando estes não são grandes lançamentos, muitas vezes acaba não chegando ao grande público, se limitando apenas a países da América do Norte e Europa, ou sendo lançados diretamente em dvd. É interessante comentar que uma boa parte do público do festival não assiste um ou outro filme, mas acompanha intensamente a programação.

Quais as influências para a realização do Fantaspoa?
Somos influenciados por festivais que já contam com mais de duas dezenas de anos. Festivais como o de Sitges, da Espanha, e o BIFFF (Brussels International Fantastic Film Festival), de Bruxelas, estão entre as nossas principais influências. As outras duas maiores influências, eu tive o enorme prazer de acompanhar este ano, e são o Fantasporto, de Portugal, e principalmente o (Amsterdam Fantastic Film Festival), de Amsterdam. Se eu tivesse que dizer qual festival gostaríamos de ser um dia, sem dúvida seria o AFFF.

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O professor de rock

franjorgeO entrevistado da edição 36 do CineSemana, já nos cinemas, é Frank Jorge, que já participou de cultuadas bandas de rock como Graforréia Xilarmônica e Cascavelletes, além da mais recente Cowboys Espirituais. Hoje, ele integra a Tenente Cascavel, banda formada por ex-integrantes da TNT, também nascida na década de 80, e da própria Cascavelletes, além de investir na carreira solo. Seu terceiro disco deve sair até o final deste ano pela gravadora Monstro, de Goiânia. Além de músico, Frank está à frente do curso de Produtores e Músicos de rock, onde ocupa o cargo de e ministra aulas para jovens que almejam ingressar no concorrido mundo da música. Amanhã, dentro da programação do Gig Rock, em Porto Alegre, ele se apresenta no palco do Porão do Beco, e, ainda este mês, parte com a Tenente Cascavel em turnê pelo interior do Estado. Confira aqui a íntegra da entrevista.

Teu trabalho sempre teve toques de humor, como tu vê essa relação entre humor e música?
Acho que em todas as bandas, principalmente desde os anos 60, os caras querem tirar alguma chinfra sobre um assunto ou outro. Garotas, carros, drogas, noite, relacionamento, mas acho que o humor, principalmente dentro da música popular, é algo muito natural porque faz parte da vida. A pessoa, tendo passado por reveses, problemas ou não, tem lá um maldito senso de humor. Até o Velvet Underground, banda norte americana oposta ao flower power, vestida de preto fazendo microfonia e alusão a drogas, eles também têm um sarcasmo numa época que o rock era veiculo para coisas mais doces ou psicodélicas. A gente sempre usou com naturalidade, nunca fez um trato de ser uma banda engraçadinha, à semelhança do que seriam os Mamonas Assasinas ou Língua de Gato. Algumas das nossas músicas soam engraçadas, outras não tem nenhum elemento humorístico. Mas o showbussiness de modo geral nos pede que leve às pessoas uma visão bacana, mais pra cima do mundo. Mas não é algo que eu acorde e pense “tenho que abordar humor numa letra, tenho que ser um cara bem humorado”. Tem dias que o cara tá que é um urtigão, como qualquer pessoa.

Você fez parte de uma das mais cultuadas bandas do sul do País. O RS ainda é um celeiro do rock?
Essa idéia é mais um dos clichês da nossa superioridade gaúcha que é uma grande bobagem. Não é feio ter orgulho da sua terra, das suas tradições, mas o RS tem isso de maneira bem diferente em comparação com a postura de outros estados. Acho que no rock a gente não é melhor nem pior que outros estados. Acho que a gente tem, sim, uma tradição roqueira, um volume de bandas e shows, mas isso de maneira alguma nos torna melhores. Tem estados com bandas muito boas, muito criativas. Em Pernambuco, a cena de Recife é muito rica. Próprio Rio e São Paulo estão cheios de bandas legais. Ainda sou um entusiasta da produção feita em Porto Alegre, minha cidade natal, e recebo material de todo Estado, mas acho completamente desnecessário enxergar o RS desse jeito porque tem muita coisa acontecendo com mais intensidade, por exemplo, em Goiânia, onde tem dois festivais, o Goiânia Noise e o Bananada, e em Recife tem o Abril Pro Rock e o Rec Beat. Porto Alegre agora tá iniciando um clima de ter certa continuidade com o Gig Rock.

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