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	<title>Blog do jornal CineSemana &#187; Entrevista</title>
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		<title>Entrevista: João Pedro Fleck, diretor do Fantaspoa</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 13:11:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Fantaspoa]]></category>
		<category><![CDATA[João Pedro Fleck]]></category>

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Em entrevista ao CineSemana, João Pedro Fleck, um dos realizadores do Fantaspoa ao lado do amigo Nicolas Tonsho, conta como surgiu a ideia de criar um festival voltado para cinema do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e horror). Ele fala ainda sobre as dificuldades e conquistas que marcaram a consolidação do evento no cenário cultural [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3531" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2010/07/JP_Fleck.jpg" alt="" width="500" height="335" /></p>
<p>Em entrevista ao <strong>CineSemana</strong>, João Pedro Fleck, um dos realizadores do Fantaspoa ao lado do amigo Nicolas Tonsho, conta como surgiu a ideia de criar um festival voltado para cinema do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e horror). Ele fala ainda sobre as dificuldades e conquistas que marcaram a consolidação do evento no cenário cultural do país</p>
<p><strong>Como surgiu a ideia de criar o Fantaspoa? </strong><br />
Para ser exato, a ideia do Fantaspoa surgiu em março de 2005, quando dois amigos e eu, na época integrantes da diretoria do Clube de Cinema de Porto Alegre, estávamos em Montevidéu, assistindo ao Festival Internacional de Cinema. Durante o evento, conversamos sobre como seria interessante ter um festival em Porto Alegre. Devido a uma predileção nossa pelo gênero e pela ausência de muitas obras que gostaríamos de ver na tela grande, decidimos lançar a idéia. A proposta inicial do evento era bem diferente. Realizamos principalmente recuperação de clássicos que estavam disponíveis em película no Brasil e já com legendas em português. Hoje, aproximadamente 80% da nossa programação é inédita no Brasil e mais de 50% é inédita na América Latina.</p>
<p><strong>Quais foram as inspirações para realizar um evento com filmes do gênero fantástico, com obras de fantasia, ficção científica e terror?</strong><br />
As inspirações principais foram festivais internacionais semelhantes, como Sitges, Amsterdam Fantastic Film Festival, Gerárdmer. Nós tínhamos o sentimento de que algo assim, com a mesma qualidade, deveria existir no Brasil. E acima de tudo: já que não existia e nós tínhamos condições de criá-lo, porque não fazer o evento ao invés de ficarmos reclamando de sua inexistência? E hoje, 6 anos depois aqui estamos.</p>
<p><span id="more-3530"></span></p>
<p><strong>Como tem sido a receptividade do público? </strong><br />
Ao longo desses anos a gente aumentou o público em aproximadamente 700%. O festival começou com aproximadamente 700 espectadores e ano passado foram mais de 5.000 espectadores. Pode parece um número pequeno, quando comparamos com as bilheterias de algum filme, por exemplo, mas dentro do universo em que ele se encontra – festivais de cinema na cidade de Porto Alegre – ele é o evento mais bem-sucedido e possui uma alta receptividade por parte do público. A cada ano que passa o festival ganha mais espaço na mídia e mais fãs. É um orgulho para nós lermos as pessoas que escrevem como já vão no festival há 4, 5 anos. Enquanto muitos eventos e empresas simplesmente deixam de existir em períodos semelhantes – 5 ou 6 anos – o Fantaspoa está na contramão. Ele possui um público consolidado, que vai para o festival assistir 4 filmes por dia. Outro fator importante para nós é o reconhecimento internacional. Se você digitar no google a palavra “Fantaspoa”, o resultado retorna 34.000 resultados. Isso é realmente bastante, principalmente ao levarmos em conta que o Fantaspoa não conta com nenhuma mídia paga.<br />
<strong><br />
Ao que se atribui o crescimento do Fantaspoa?</strong><br />
O crescimento é atribuído a uma série de fatores. Seria praticamente impossível definir somente um. Fatores decisivos dos últimos anos são os seguintes: (1) a disponibilidade da programação do Fantaspoa. Nos dois últimos anos, ao invés de imprimirmos folders ou flyers do festival, optamos por imprimir um jornal, que nos permite colocar a sinopse e ficha técnica de todos os longas-metragens do festival; (2) o site do festival, que está melhor a cada edição e assim como no ano passado conta com trailer de todos os filmes; (3) a presença de filmes relevantes, em sua maioria inéditos e legendados em português e (4) talvez o mais importante: a altíssima qualidade de trabalho da equipe envolvida no evento. A maioria das pessoas trabalham como voluntários e realizamos todo esse enorme festival com uma equipe de somente dez pessoas. O Fantaspoa é um festival feito por pessoas que verdadeiramente amam o cinema e isso se reflete na nossa programação e no cuidado que temos com todos os detalhes do festival. Nós pensamos no festival ideal que gostaríamos de assistir e damos o nosso máximo para poder trazê-lo ao público Porto-Alegrense.</p>
<p><strong>No decorrer dos seis anos de realização do Fantaspoa quais foram as principais mudanças que marcaram o evento? </strong><br />
Cada ano nós viemos incorporando mudanças e acredito que agora, na sexta edição conseguimos finalmente realizar o evento que consideramos ideal. No segundo ano criamos a competição de curtas-metragens nacionais. No terceiro ano, ampliamos essa mostra de curtas e começamos a receber também curtas-metragens internacionais. No quarto ano iniciamos a Competição Internacional para longas metragens e criamos seções paralelas no festival (animação e documentários). No quinto ano buscamos aprimorar a seleção de filmes e criamos a retrospectiva da carreira de um diretor. Em 2009 este diretor foi David Blyth, agora em 2010 será o renomado diretor italiano Luigi Cozzi. O diferencial para 2010 é a presença de convidados no festival. Teremos 11 convidados internacionais, com sessões comentadas por estes, entre os dias 06 e 17 de julho, sempre às 21 horas. Como comentei anteriormente o nosso objetivo é criar um festival ideal, que seja relevante não somente em Porto Alegre, no Brasil, ou mesmo na América Latina. Nosso objetivo é criar um evento de relevância mundial e nossa parceria com diretores e distribuidores internacionais mostra que estamos no caminho certo.</p>
<p><strong>Existe algum projeto de levar o Fantaspoa para outras cidades, torná-lo itinerante?</strong><br />
O festival gera muitos gastos e consome muito o nosso tempo. Caso venhamos a receber alguma proposta interessante levaremos o Fantaspoa para outras cidades, mas tem que ser algo compensador. Já recebemos propostas de diversas outras cidades, mas não é válido para nós cedermos um evento que criamos com tanto empenho sem que haja uma contrapartida.</p>
<p><strong>Como o festival é financiado hoje?</strong><br />
Quanto ao financiamento do evento: apesar de contarmos com a co-realização da SMC e o Patrocínio do Banrisul, este é o ano no qual mais estamos investindo capital próprio. As três primeiras edições do festival tiveram um gasto muito inferior. O festival começou a encarecer a partir da quarta edição, quando começamos a trazer convidados, nacionais e internacionais, além da necessidade de uma maior impressão de material gráfico. São diversos fatores que vem encarecendo o festival. Neste ano de 2010 estamos bancando 70% do evento. O interessante nos últimos dois anos é que criamos uma maneira do evento ser auto-sustentável. Com a expertise que obtivemos legendando os filmes do Fantaspoa, a partir do quarto ano, abrimos uma empresa de legendagem e viemos reinvestindo todo o lucro da empresa no festival.</p>
<p><strong>Qual a expectativa para o VI Fantaspoa?</strong><br />
A nossa expectativa é que essa será a melhor edição do Fantaspoa. E que este será o maior evento cinematográfico que a cidade de Porto Alegre já recebeu. Provavelmente no ano que vem eu darei a mesma resposta e não é exagero ou egocentrismo. Muitas pessoas que participam do festival percebem-no como sendo o maior evento de Porto Alegre e que vem se superando anualmente, seja em relevância ou em qualidade. É complicado para mim destacar um filme ou um diretor.</p>
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		<title>Carlos Urbim, o patrono dos pequenos leitores</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 12:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[55ª Feira do Livro de Porto Alegre]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Urbim]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2980" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-2980" title="Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/11/urbim1.jpg" alt="Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)" width="500" height="378" /><p class="wp-caption-text">Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)</p></div>
<p>A edição de número 105 do <strong>CineSemana</strong> traz entrevista com o jornalista e autor de histórias infantis Carlos Urbim, eleito o patrono da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Nascido em 1948, na cidade de Santana do Livramento (RS), o escritor mudou-se para Porto Alegre aos 19 anos e cursou jornalismo na UFRGS. Sua obra literária teve início em 1984, quando lançou <em>Um Guri Daltônico</em>, a primeira de muitas publicações destinadas aos pequenos leitores. Ao todo são 19 livros de histórias infanto-juvenis. Nesta entrevista, o patrono destaca que a principal função que a Feira do Livro desempenha é trazer cada vez mais pessoas para a leitura. O escritor também aponta a importância da literatura infantil e fala sobre o orgulho que sente em ocupar o patronato.</p>
<p><strong>Como surgiu o interesse em escrever histórias infantis?</strong><br />
Foi o convívio com os meus dois filhos que me tornou escritor. No fim do dia, quando eles estavam por dormir, eu costumava contar histórias que eu inventava. No dia seguinte, eles pediam que eu repetisse igualzinho. E um dia, pra não esquecer, comecei a colocar no papel. Assim nasceu o meu primeiro livro, <em>Um Guri Daltônico</em>, obra que eu trouxe para a Feira do Livro de 1984, há 25 anos. Então é uma grande coincidência que neste ano, quando eu sou escolhido para ser o patrono, também estou comemorando 25 anos de literatura. Este ano, eu também fui empossado na Cadeira 40 da Academia Rio-grandense de Letras. E pra mim todas as homenagens se tornam importantes porque nem sempre se reconhece o trabalho de quem produz textos para crianças. Eu tenho quatro livros que tem a ver com o meu trabalho como jornalista. São resultados de textos que eu produzi para séries de TV ou para projetos para os quais eu escrevi, mas a minha obra mesmo que me caracteriza, que os leitores identificam são os textos para crianças, 19 livros.</p>
<p><strong>Nas últimas edições da feira, a seção de literatura infantil tem sido um dos grandes destaques&#8230;</strong><br />
O espaço na feira é cada vez maior, a ponto de que no momento que a feira precisou se expandir, ela transbordou e alcançou o Cais do Porto. No Cais se encontra toda a área infanto-juvenil, não sendo somente as barracas, os estandes de livros, as editoras e livrarias, mas também os diversos espaços para incluir cada vez mais as crianças no processo de descoberta da leitura. E aí que eu vejo a importância da literatura infantil. Ela é o primeiro passo. É ela quem conduz os pequenos leitores para a descoberta do prazer de ler.</p>
<p><span id="more-2978"></span></p>
<p><strong>Por meio de quais ações o patrono pode ajudar a feira?</strong><br />
Em primeiríssimo lugar, como este ano o patrono é o representante da literatura infantil, o máximo que ele tem a almejar é conquistar o maior número de crianças para a leitura. Essa é, quem sabe, a principal função da própria Feira do Livro: trazer cada vez mais pessoas para a leitura, para a literatura. E a função do patrono é a de ser o embaixador da feira em todas as áreas, em todos os ambientes, nas alamedas da Praça da Alfândega, junto ao Cais e no meio da garotada. Esse é o papel que me que cabe representar com a maior responsabilidade possível e me sentindo extremamente honrado por ter sido o escolhido da 55ª edição de um evento com longa história e que se tornou a maior feira do livro em espaço aberto do continente americano.</p>
<p><strong>Em que medida o patronato mexe com o orgulho e brios de um escritor?</strong><br />
É a maior honraria a que um escritor no Rio Grande do Sul pode ser o centro. Depois disso, não há muito mais o que esperar da vida. É por isso que eu me sinto tão feliz e tento transmitir para todo mundo esse sentimento. É uma homenagem para quem vem trabalhando neste estado no ofício de escrever. Que bom que seja alguém que vem se preocupando no ano com a formação de leitores. Há 25 anos, desde que eu publico livros, na medida em que a minha própria profissão de jornalista permite, eu venho frequentando escolas, participando de feiras no interior e de eventos literários porque eu acredito que além de sentar para escrever, quem se dedica à literatura infantil passa a assumir essa missão para o resto da vida: a de tentar conquistar cada vez o maior número possível de leitores. Não só para o seu próprio trabalho, porque toda vez que eu estou em público, eu me sinto representante do grande time de escritores que escreve para crianças com compromisso, com seriedade, com responsabilidade, sabendo que temos pela frente todo um desafio.</p>
<p><strong>O que se tem feito para incrementar a programação da feira e não deixar que o evento tenha apenas os descontos nos preços dos livros como atrativo da maior parte do público? </strong><br />
A Câmara Rio-Grandense do Livro e a entidade que organiza a feira até não valoriza tanto essa questão. Num Brasil como nosso, num país em que o livro custa caro, é importantíssimo que editores e livreiros ofereçam o desconto como uma grande atração. Mas se a gente se der conta e olhar o tamanhão que a feira ficou, as atrações são muito maiores do que os descontos que dão. Em cada cantinho da praça, em cada recanto do Cais do Porto, existem muitas motivações para trazer os leitores para cá que não seja apenas o fato ser um momento de conseguir um desconto no livro. A feira é cada vez mais completa em outros aspectos. Ela está cheia de ofertas e atividades múltiplas, há oficinas, palestras, apresentações e não fica única e exclusivamente na literatura e no livro, embora o livro seja a super estrela de todos os dias da feira. Mas na feira há muitos vem se abrindo para todas as áreas de manifestação artística. Aqui na feira está também a música, o teatro, as artes plásticas, que neste ano de 2009, a 55ª edição do evento está de braços dados com a Bienal do Mercosul. É dentro da feira que está o Museu de Arte com exposição integrada à Bienal deste ano. Mais do ladinho, o espaço cultural do Santander também tem as artes plásticas. E se não estivesse nos museus e nos centros culturais, a arte visual está no livro, todos os livros, principalmente, nos livros que são criados de forma colorida e atraente para as crianças.<br />
<strong><br />
Se o senhor pudesse mudar alguma coisa na feira, quais mudanças faria?</strong><br />
Eu não vejo nada para mudar. Eu acho que assim como está, está de bom tamanho. Está funcionando tudo muito bem. Eu solicitei para a assessoria de imprensa fazer um censo só para nós termos uma ideia de quantas pessoas trabalham para que a Feira do Livro seja realizada. É impressionante o número de pessoas que trabalham. É um exército de gente. Somente em empregos diretos, a feira tem 210 trabalhando e indiretos, aí sim é exército: 2200 profissionais de todas as áreas, em barracas, todos os setores prestadores de serviços e até dois ou três pipoqueiros. Envolve tudo.</p>
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		<title>Carlos Gerbase conta como foi a escolha de Salve Geral para concorrer a uma indicação da Academia</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 22:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Gerbase]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Salve Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[A 99º edição do CineSemana traz entrevista com o cineasta Carlos Gerbase, um dos integrantes da comissão responsável pela seleção do filme Salve Geral, de Sérgio Rezende, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O comitê contou ainda com as presenças de Silvio Da-Rin, secretário do audiovisual do Ministério da Cultura; Carlos Alberto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-2824" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gerbase-b-222x300.jpg" alt="" width="222" height="300" />A 99º edição do <strong>CineSemana</strong> traz entrevista com o cineasta Carlos Gerbase, um dos integrantes da comissão responsável pela seleção do filme <em>Salve Geral</em>, de Sérgio Rezende, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O comitê contou ainda com as presenças de Silvio Da-Rin, secretário do audiovisual do Ministério da Cultura; Carlos Alberto Mattos, crítico; Beto Rodrigues, produtor; Ivana Bentes, professora e pesquisadora; e Luiz Gonzaga de Luca, exibidor. O longa-metragem dramatiza fatos inspirados nos ataques orquestrados por uma facção criminosa, em 2006, na cidade de São Paulo. <em>Salve Geral</em> vai competir agora com produções de mais de 95 países à indicação final de melhor filme estrangeiro. Nesta entrevista, Gerbase conta como foi a escolha do representante brasileiro e fala das chances de uma indicação.</p>
<p><strong>Como se deu a escolha do filme brasileiro que disputará uma indicação ao Oscar de melhor longa-metragem estrangeiro? </strong><br />
Foi relativamente fácil separar pelo menos quatro filmes dos dez inscritos, que eram os quatro filmes que mais ou menos todos os componentes do júri achavam que tinham condições. E a partir daí, a gente começou a discutir esses quatro, as suas qualidades cinematográficas, técnicas, artísticas e também quais que a gente achava que tinham perfil para representar o Brasil no Oscar. Porque não é um festival de cinema. No festival de cinema tu segue o teu gosto, tu argumenta por que acha que é o filme melhor. Na verdade, a gente discutiu qual o filme que tinha mais condição de representar o Brasil no Oscar, nesse contexto específico.</p>
<p><span id="more-2823"></span><br />
<strong><br />
<em>Salve Geral</em> era o seu favorito entre os dez inscritos para representar o Brasil no Oscar?</strong><br />
A gente combinou, os seis componentes do júri, não falar muito a respeito de como foram os argumentos de cada um. O que eu posso dizer é que todos ficaram satisfeitos com essa escolha. <em>Salve Geral</em> não era unanimidade, se não a gente nem teria votado, mas todos ficaram satisfeitos com o filme. Não teve nenhum dos componentes que achou um absurdo, alguma coisa assim. Todos ficaram satisfeitos com a escolha, cada um com suas preferências pessoais. Enfim, foi uma votação.</p>
<p><strong>Quais foram os principais critérios que pesaram na escolha?</strong><br />
As chances de ser indicado ao Oscar é um critério muito importante. Isso é tão importante quanto as qualidades intrínsecas do filme. Eu acho que tem que considerar essas duas coisas. No caso de <em>Salve Geral</em>, primeiro ele é um filme muito bem feito enquanto realização mesmo, tecnicamente e artisticamente. O desempenho da atriz Andréia Beltrão é muito legal e ela está cercada por atores desconhecidos, ou pelo menos muito menos conhecidos do que ela. Muitos atores são de São Paulo. Eu acho que ficou bem essa junção de uma equipe voluntariamente carioca, mas fazendo um filme em São Paulo. Isso deu uma certa identidade para o filme. Eu acho que foi um processo de realização difícil, complicado com certeza, mas ficou muito bem feito. Agora, nada disso adiantaria, ser um filme bem feito, se não fosse um filme emocionante também. Eu acho que ele emociona por<br />
vários motivos. Ele consegue fazer uma ponte entre o drama pessoal, individual daquela família, da mãe que tem o filho preso, com o drama geral, o drama político no sistema de cadeia no Brasil, que é um absurdo, as gangues, o PCC. Acho que esse problema social brasileiro ficou bem<br />
representado, mas ao mesmo tempo tu vê um drama individual. No cinema de ficção, tu tem que fazer isso: buscar o drama. E acho que o roteiro de <em>Salve Geral </em>articulou bem isso.</p>
<p><strong>O conjunto de filmes inscritos conseguiu representar um pouquinho de cada coisa que foi produzida no Brasil no período?</strong><br />
Eu não sei ao certo. Segundo as contas do Ministério [da Cultura], foram produzidos no Brasil no ano passado aproximadamente 180 filmes. Então se são 180 filmes e só dez foram inscritos é muito pouco para a gente ter uma noção exata.<br />
<strong><br />
Cada uma dessas pessoas do comitê vem de uma área um pouco distinta dentro do cinema. De alguma maneira, cada profissional acaba privilegiando a sua especialidade?</strong><br />
Eu acho que as cinco pessoas convidadas para compor esse comitê são de áreas diferentes justamente para que possa ter uma visão bem completa do filme. A visão dos exibidores e dos realizadores, por exemplo, é muito diferente. Eu acho que para o Oscar essa coisa múltipla fica bem legal, porque daí tu tem várias interpretações distintas. Júri de festival é assim também. Não se faz um júri só de realizadores. Tu chama críticos, atores, para ter uma visão mais ampla do filme. Apessoa só pode julgar de acordo com o seu ambiente, com o seu histórico, não tem como ser diferente disso. Todos os componentes, acho eu, pensavam também no que a Academia pensa sobre cinema, porque quem vai julgar o filme agora são os membros da Academia em Los Angeles.</p>
<p><strong>Qual a representatividade que um Oscar teria para a cinematografia nacional?</strong><br />
Eu acho que o Oscar não é importante, mas infelizmente, ou felizmente, a palavra Oscar em qualquer coisa relacionada com cinema tem uma importância histórica  imensa. Eu acho quase uma bobagem. Não vai fazer nenhuma diferença para o cinema brasileiro estruturalmente ganhar ou não o Oscar. Em termos concretos, econômicos, estéticos, não faz a menor diferença. Eu acho, pessoalmente, a cerimônia do Oscar uma chatice imensa. Eu nunca vejo inteira e, inevitavelmente, na segunda música eu já estou dormindo. Mas enfim, tem pessoas que se vidram, que ficam ligadas a noite inteira, que fazem apostas. Eu acho uma grande bobagem, mas não dá pra desprezar esse apego, esse balanço histórico.<br />
<strong><br />
Filmes como <em>Os Normais 2: A Noite Mais Maluca de Todas</em>, <em>Se Eu Fosse Você 2</em>, <em>Divã </em>e <em>A Mulher Invisível</em> ultrapassaram a barreira de 1 milhão de espectadores nas salas de exibição. Mesmo sendo campeões de bilheteria, eles não seriam bons representantes do cinema brasileiro no exterior?</strong><br />
Eu acho que, primeiro, eles não colocaram esses filmes para concorrer ao Oscar porque os seus produtores acharam, provavelmente, não posso falar por eles, que não tinham perfil para o Oscar, que eram filmes para fazer bilheteria no Brasil e que não seriam bons candidatos brasileiros, basicamente, isso. E eu acho que eles têm razão. Não teria nenhum sentido esses filmes estarem na lista.</p>
<p><strong>No final de 2007, o longa-metragem 3 Efes teve um lançamento simultâneo em quatro mídias diferentes: nos cinemas, na TV, na internet e em DVD. Como foi essa experiência? </strong><br />
A experiência do <em>Três Efes</em> foi ótima. O filme teve um público extraordinário na internet. Foram mais de 300 mil espectadores. Eu fiquei satisfeito do jeito que foi feito e o modo como foi lançado, além disso foi um filme de baixíssimo custo, 100 mil reais.</p>
<p><strong>Você acredita que essa pode ser uma forma de melhorar a distribuição dos filmes brasileiros tendo em vista que muitas obras nem chegam ao circuito exibidor comercial, ou ficam por poucas semanas em cartaz?</strong><br />
Sim, sem dúvida. As salas de cinema são o lugar especial para os filmes. Eu adoro ir ao cinema e acho que as salas de cinema vão existir sempre. Mas elas não têm mais a primazia que tinham antes. Não tem muito sentido a gente pensar nos filmes só para as salas de cinema. Infelizmente no Brasil o nosso mercado de salas ele é de difícil acesso para os filmes brasileiros, que em sua grande maioria ficam uma semana e dizem adeus e nunca mais são vistos e isso não pode nos deprimir tanto assim. A minha tese é que a gente não pode ser eternos deprimidos das salas. Depois de um fim de semana, 90% dos cineastas brasileiros se acham os grandes fracassados, ‘meu filme não deu certo”. E assim 90% dos filmes não dão certo e então isso é uma depressão quase certa [risos]. Eu acho que as salas são um lugar ótimo. A gente deve batalhar para que esse mercado se amplie, fique mais justo para o nosso produto, mas a gente não pode esquecer as outras mídias. Por isso que o meu último filme foi lançado na internet, na TV, DVD e se tiver outras mídias a gente vai lançar tudo ao mesmo tempo. Cada um pensa qual é a melhor estrategicamente, economicamente, falando. A minha lógica foi muito simples: eu vou lançar o filme em todos os lugares onde ele for economicamente viável. E qual foi o lugar que ele foi menos viável? Qual foi o único lugar que o filme perdeu dinheiro? Nas salas. Mas isso não é uma surpresa. Eu já sabia porque o custo para colocar o filme nas salas é muito grande. E o custo para colocar o filme na TV, na internet, em DVD, é muito menor e eles são mais rentáveis. Então o que acontece é que esse sistema de janela, que se tem hoje, primeiro sala de cinema, depois DVD, depois TV, é um sistema que pra mim está completamente ultrapassado, não tem nenhum sentido mais.<br />
<strong><br />
Você pretende lançar outro filme com a mesma estratégia?</strong><br />
Sim. No ano que vem, eu vou passar o primeiro semestre em Paris, fazendo pós-doutorado e vou estudar sobre filmes de baixíssimo custo na França. Como é que os franceses fazem, inclusive, vou comparar quais são os modelos de circulação de filmes digitais na França e ver se tem coisas parecidas com o que fazemos aqui. E aí eu volto e junho, no segundo semestre eu faço alguma coisa.</p>
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		<title>O que Michael Cera aprendeu</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 22:23:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faraon</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta semana, a seção What I&#8217;ve Learned da revista Esquire está especialmente boa. Recomendo muito. A íntegra está disponível aqui, em inglês.
O &#8220;depoente&#8221; é Michael Cera, também conhecido como &#8220;o cara do Juno&#8220;. Chamo de depoente porque a seção é uma espécie de entrevista, porém com as perguntas cortadas da edição, o que faz o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-2384" title="cera" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/06/cera-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" />Esta semana, a seção <em>What I&#8217;ve Learned</em> da revista <a href="http://www.esquire.com">Esquire</a> está especialmente boa. Recomendo muito. A íntegra está disponível <a href="http://www.esquire.com/features/what-ive-learned/michael-cera-quotes-0709?src=rss">aqui</a>, em inglês.</p>
<p>O &#8220;depoente&#8221; é Michael Cera, também conhecido como &#8220;o cara do <a href="http://www.imdb.com/title/tt0467406/"><em>Juno</em></a>&#8220;. Chamo de depoente porque a seção é uma espécie de entrevista, porém com as perguntas cortadas da edição, o que faz o texto parecer uma lista de confissões, deixando muitas coisas confusas mas acaba ressaltando outras tantas.</p>
<p>Pois que o Cera conta algumas coisas interessantes, como o fracasso no teste que fez para viver o menininho de <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0167404/">O Sexto Sentido</a></em>, o pito que tomou de uma diretora ao fazer uma voz engraçada durante um outro teste pra alguma dublagem, como, desde que fez <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0829482/">Superbad</a></em>, virou praxe que caras bêbados e loucos abracem ele sempre que o vêem.</p>
<p>A seguir, transcrevo a melhor parte:</p>
<p>&#8220;<strong>XXXXXXXXXX</strong>XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX</p>
<p><strong>Por favor, não escreve isso</strong>, porque senão minha mãe vai saber que eu já fiz isso. Eu nunca, nunca vou parar de ouvir por causa disso. Sério. Vou confiar em ti.</p>
<p><strong>Não, eu acho</strong> que publicar essa parte encoberta só vai piorar tudo um milhão de vezes&#8221;</p>
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		<title>Martha Medeiros: &#8220;O Divã virou um case&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Apr 2009 13:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Divã]]></category>
		<category><![CDATA[Martha Medeiros]]></category>

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		<description><![CDATA[A 76ª edição do CineSemana traz entrevista com Martha Medeiros, escritora e colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro, Martha Medeiros. Autora de diversas crônicas, ela fez sua estreia na ficção com Divã, em 2002. Três anos depois, a atriz Lilia Cabral adaptou para o teatro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1852" class="wp-caption alignleft" style="width: 318px"><a href="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/04/martha_medeiros.jpg"><img class="size-medium wp-image-1852" title="Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/04/martha_medeiros-208x300.jpg" alt="Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)" width="308" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)</p></div>
<p>A 76ª edição do <strong>CineSemana</strong> traz entrevista com Martha Medeiros, escritora e colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro, Martha Medeiros. Autora de diversas crônicas, ela fez sua estreia na ficção com <em>Divã</em>, em 2002. Três anos depois, a atriz Lilia Cabral adaptou para o teatro a história de Mercedes, uma mulher na meia-idade que resolve fazer análise, questionando temas do cotidiano, como casamento, maternidade e paixão. Hoje, a obra da autora gaúcha chega aos cinemas sob a direção de José Alvarenga, o mesmo de <em>Os Normais</em> (2003). Em entrevista a CineSemana, Martha conta como é ver seu trabalho adaptado para os palcos e telas e também destaca o assunto que mais gosta de escrever: as relações humanas.</p>
<p><strong>Qual a diferença entre ver sua obra adaptada para o teatro e para o cinema?</strong><br />
É quase a mesma coisa. Na verdade existe um estranhamento sempre que a obra é adaptada não importa pra qual veículo porque a gente sempre que escreve se senti assim uma proprietária privada, ‘foi eu quem inventei os personagens, eu conheço bem aquelas emoções que estão no papel, aquilo ali tem muito a ver comigo’. De repente quando a gente vê a obra ganhar corpo, “ganhar corpo” aqui no caso não é jogo de palavras, é ganhar corpo mesmo, existe uma atriz, existe outros atores, existe voz, figurino e outras emoções, claro, é um susto, mas é um susto bom, é uma coisa muito interessante. A gente vê o desdobramento que aconteceu e o livro foi apenas um pontapé inicial disso tudo. É muito bacana. Eu to muito feliz. Agora o fato de ser teatro ou cinema não muda tanto. No caso do <em>Divã</em> pra mim foi surpreendente porque eu já achava que o teatro tinha sido um sucesso e já tinha sido um presente isso acontecer relacionado a um livro meu. Agora o filme vem dar um novo fôlego nessa história toda. Eu brinco assim: o <em>Divã</em> virou um case, porque agora ta completo, é livro, é peça e é filme. E eu acho que pra qualquer autor isso é um super orgulho.</p>
<p><span id="more-1848"></span></p>
<p><strong>Você acompanhou as filmagens ou se envolveu de alguma outra maneira na produção do longa-metragem?</strong><br />
Nada, eu acho que o autor tem que dar liberdade para aqueles que vão adaptar. Porque eu tenho que entender que cada um faz uma leitura da obra, uns conseguem desenvolver mais o lado humorado. No caso da Lilia, por exemplo, ela deu uma veia cômica muito maior ao personagem do que tinha no livro. Às vezes um personagem que é pequeninho no livro, eles acham que tem potencial pra crescer e cresce na obra, sendo teatro ou cinema. Outros personagens que eram pequeninhos no livro desaparecem ao invés de crescer. Eu acho importante porque é uma outra linguagem, não pode achar que teatro e cinema é igual ao livro. Literatura é uma coisa, cinema é outra, teatro é outra, e eu não domino nem cinema, nem teatro. Eu sou só uma espectadora. Então eu achei muito melhor pra eles que eu ficasse ausente do processo de criação, porque se não eles vão querer me agradar, quando na verdade eles têm que agradar o seu espectador, têm que agradar o público e não a mim. E acho que desse jeito é uma maneira mais generosa de trabalhar e pra mim é melhor também porque se não eu ia ficar me frustrando, eu ia me estressar, ‘ai tem que ser assim, tem que ser assado, isso eu gosto, isso eu não gosto’. Não tem porque eu ter essa trabalheira toda. Eu prefiro confiar na equipe e deixar que eles trabalhem com liberdade. Eu sentei no cinema e assisti como qualquer outra pessoa que vai assistir. Eu não sabia o que eu ia ver. Sabia quem era o elenco, confiava muito no diretor, que eu tinha almoçado uma vez só, mas já tava tudo pronto, foi só pra gente sem conhecer. E na peça foi assim também, eu sentei &#8216;e seja o que Deus quiser&#8217;.</p>
<p><strong>E a adaptação ficou bastante fiel?</strong><br />
No aspecto geral ta fiel. É a história de uma mulher casada com filhos, ela nem sabe direito o que ta fazendo na terapia, mas ela sente que tem alguma coisa incomodando, e aos pouquinhos, à medida que as consultas vão passando, a vida dela também vai se transformando, ela acaba tendo um caso com um cara, quer dizer essa parte toda, ela tem a melhor amiga, tudo isso foi mantido, isso ta tudo muito fiel ao livro. O que tem de diferente é alguns personagens, outros que não aparecem muito, isso mudou um pouco. Acho que a peça e o filme são bem mais bem humorados e mais leves do que o livro. Existe uma comunicabilidade muito legal, existe a intenção de claro fazer as pessoas refletirem, mas o humor ta bem mais presente. Eu acho que se tivesse que ter uma grande diferença, não que o livro não tenha um certo humor, ele até tem, mas é um humor mais contido, é mais uma ironia, um sarcasmo, são coisas mais pontuais, enquanto que o personagem da Mercedes ele é mais engraçado, até porque a Lilia faz comédia muito bem, faz tudo bem, mas a comédia em especial. Então eu acho que o filme, principalmente, ganhou nesse aspecto. Mas eu não posso dizer que é uma coisa muito diferente do livro não, acho que a espinha dorsal vamos dizer foi mantida.</p>
<p><strong>Com as adaptações, você e a Lilia Cabral se aproximaram e mantém contato?</strong><br />
Sim, tudo começou através dela mesmo porque na época em que ela leu o livro ela gostou muito, conseguiu meu telefone e disse que tinha interesse em adaptar. Logo depois a gente se encontrou pessoalmente e conversamos. Eu vi como seria o projeto dela e dei carta branca. Não participei das adaptações, nem do teatro e nem do filme. Eu realmente dei carta branca, deixei que eles fizessem o que quisessem. Mas fiquei muito satisfeita com o resultado. E claro, depois eu assisti a peça várias vezes. Acho que assisti a peça umas oito vezes nos três anos em que esteve em cartaz porque a cada estreia em uma cidade eu ia junto, enfim, tinha várias situações em que eu tava com o elenco. E agora com o filme houve essa reaproximação de a gente ter dado muitas entrevistas juntas, então eu acabei tendo mais contato com a Lilia.</p>
<p><strong>O livro aborda a psicanálise. Você tem alguma relação com essa área, tem algo marcante na sua vida sobre isso?<br />
</strong>Não, na verdade eu gosto muito, até nas minhas crônicas, o meu assunto preferido sempre foi relações humanas. Eu gosto muito dessa complexidade do ser humano, de investigar o que está por trás das atitudes, quais são os nossos desejos mais secretos, eu sempre achei tudo isso muito fascinante. Mas eu nem ao menos faço análise, eu não faço. Pra mim escrever é que é terapêutico. Mas eu sempre gostei muito do que move as pessoas, o que faz com que uma pessoa seja feliz ou infeliz, como é que uma pessoa tendo tudo que todos acham que é o básico, que é ‘ah tenho amor, tenho saúde, tenho dinheiro’, porque que tanta gente que isso ainda assim não se senti a vontade na vida e ainda senti que ta faltando alguma coisa. Esse faltar alguma coisa sempre me cativou, o que que é, como é que a gente resolve as nossas carências, e como a gente vai mudando com o tempo, o que nos fazia feliz aos 20 anos, aos 40 já não é mais isso é outra coisa. Eu gosto muito dessa mobilidade da vida, dessa eterna busca, que não vejo isso como uma angústia, mas vejo isso como um trajeto que tem que ser percorrido mesmo. E o livro na verdade é isso, é o trajeto de uma mulher que já viveu alguma coisa, ela ta na meia-idade, e ainda tem mais uma parte dois pra viver na vida e ela quer saber o que fazer dessa parte dois, se ela segue com as mesmas escolhas ou se ela muda de rumo. E acho que isso é comum a todos nós, por isso até acho que o <em>Divã</em>, o livro fez sucesso e fez sucesso com a peça e acho que o filme tem tudo pra fazer também porque eu acho que é muito fácil a gente se identificar com esses questionamentos.</p>
<p><strong><em>Divã</em> retrata temas do cotidiano como casamento, maternidade, solidão e paixão. Você acha que suas crônicas têm alguma influência sobre o livro?<br />
</strong>Eu acho que tem. Às vezes eu até fico constrangida de chamar o <em>Divã</em> de um romance porque na verdade eu acho que na verdade ele é um livro de transição entre a crônica e a ficção. Ainda eu me coloco muito até em função de ser escrito na primeira pessoa e os assuntos que têm no <em>Divã</em>, muitos deles eu já abordei em crônicas, só que claro no livro eu tenho mais espaço, eu posso aprofundar mais, eu posso desenvolver mais esses assuntos. Mas eu não acho que seja uma obra completamente diferente das crônicas que eu faço. Só que ali existe um personagem que conduz todos esses temas. Essa é a diferença maior e é um livro de ficção. É diferente nesse aspecto, quando eu escrevo crônica eu to dando minha opinião, ali é eu Martha, e na ficção eu consigo realmente abordar os temas que não tem nada a ver comigo assim especificamente, mas que eu também tenho interesse em discutir.</p>
<p><strong>Você tem planos para seguir com as crônicas, escrever outra novela ou lançar um romance?</strong><br />
As crônicas continuam sem interrupção. Eu continuo com as minhas duas colunas no Jornal Zero Hora e a minha coluna dominical no Globo do Rio, isso aí é o meu trabalho estável, fixo. Depois do <em>Divã</em>, eu já escrevi dois livros de ficção, um que se chamou Selma e Sinatra e o outro foi de dois anos atrás Tudo o que eu queria te dizer, que é um livro de cartas, e também são tentativas minhas de entrar para o mundo da ficção e já to escrevendo um quarto livro de ficção, que eu pretendo concluir até o final do ano, mas não to com pressa, e que também fala sobre relações humanas e dores de amor. Vou em frente. Não sou de fazer muitos planos, mas trabalho sem cessar e aí vamos ver o que a vida vai oferecer.</p>
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		<title>Entrevista com Caco Ishak, um dos criadores do Baixo Calão</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 13:31:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faraon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Baixo Calão]]></category>
		<category><![CDATA[Caco Ishak]]></category>
		<category><![CDATA[lowbrow]]></category>

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		<description><![CDATA[A entrevista com Caco Ishak, realizada por e-mail pela colega Julia Dantas, era pra fazer parte da matéria sobre a galeria virtual Baixo Calão publicada na última sexta-feira no jornal CineSemana (e repicada aqui no blog), mas acabou chegando tarde demais. Então, publico ela à parte agora, já que gostei do conteúdo e acho que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A entrevista com <a href="http://www.verbeatblogs.org/ishak">Caco Ishak</a>, realizada por e-mail pela colega Julia Dantas, era pra fazer parte da matéria sobre a galeria virtual <a href="http://www.baixocalao.com/index/">Baixo Calão</a> publicada na última sexta-feira no jornal CineSemana (e repicada <a href="http://www.cinesemana.com.br/2009/03/27/arte-supostamente-de-baixo-nivel/">aqui </a>no blog), mas acabou chegando tarde demais. Então, publico ela à parte agora, já que gostei do conteúdo e acho que pode ser interessante também pra vocês leitores. Confiram aí:</p>
<p><strong>Tu e o <a href="http://qualquer.org">Cardoso</a> organizam e sustentam o site sozinhos?<br />
</strong>Nesses dois primeiros anos, fomos os dois sozinhos, sim. E aos trancos, já que nenhum dos dois tem muito tempo sobrando – haja paixão e megalomania. Faz coisa de dois meses, porém, que estamos formando uma equipe junto aos próprio artistas pra fazer a coisa andar de vez. Joana Coccarelli, a Narghee-la, por exemplo, vai tomar conta da comunicação – matérias e notícias sobre arte urbana e lowbrow. A idéia é ter uma espécie de coordenador regional também, que corra atrás de parcerias e novos artistas em suas respectivas regiões. Nessa, entram Herbet Loureiro – o Herbie – no Nordeste, Diogo Rustoff no Centro-Oeste, Kael Kasabian no Sudeste e Fabiano Gummo no Sul. Ah, sim. Tem também a Lívia Condurú, mulher de outro artista nosso, o Paulo Ponte Souza, que tá responsável pelos projetos. E ninguém ganha nada – pelo menos, por enquanto. Tudo um bando de maluco.<span id="more-1661"></span></p>
<p><strong>Qual tua motivação?</strong><br />
Acho que minha megalomania é minha maior motivação, mesmo. Sei lá. Nunca entendi muito aquilo que chamam por aí de arte pós-moderna. Isso de cagar num saco plástico e deixar pendurado na galeria, criando mosca, ou uma tela em branco com um pontinho preto no meio..? Invejo os que entendem dessas coisas – mas duvido que realmente existam. Pois bem&#8230; chafurdando na net, encontrei a revista <a href="http://www.juxtapoz.com/">Juxtapoz</a>, há uns cinco ou seis anos. Com ela, veio o conceito de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lowbrow_(art_movement)">lowbrow</a>. Bati os olhos e, pela primeira vez, alguma coisa contemporânea me deixava empolgado. Comecei a publicar trabalhos de artistas gringos no Ciao Cretini, meu blog na época, até que surgiu a idéia de fazer o mesmo com artistas brasileiros, mas num canto específico: uma galeria virtual. No caso, a primeira – e não estou falando do gênero, como se fosse a primeira galeria online de lowbrow, mas a primeira 100% online do Brasil, onde todas as obras expostas estivessem à venda sem que instalações físicas fossem necessárias pra isso. Quando tu tem uma idéia boa, tu toca ela adiante.. não? Essa foi minha motivação.</p>
<div>
<p><strong>Como vocês descobrem os artistas expostos?</strong><br />
No começo, saímos fuçando de <a href="http://www.flickr.com/">flickr</a> em flickr, <a href="http://www.fotolog.com">fotolog </a>em fotolog. Eu já conhecia alguns e o Cardoso também, mas o grosso foi sendo encontrado na net. Com o tempo, artistas começaram a mandar email pra gente, pedindo pra expor – mas tem o crivo, claro. Nessa, abrimos as portas também aos gringos – o primeiro foi um argentino, o Pulpo Corporate, que chegou junto. O segundo será um italiano, Claudio Parentela, que também pediu pra expor. A princípio, a idéia era abrir só pra brasileiro, fazer um mapeamento do que tá rolando nas cinco regiões. Só que, se a coisa quer crescer, não sou eu quem vou impedir esse crescimento. De ora em diante, passaremos a mapear também os cinco continentes, na proporção de 4 brasileiros pra 1 gringo por mês.</p>
<p><strong>Como é o funcionamento da galeria? As obras expostas mudam periodicamente, ou apenas são acrescentadas novas obras deixando a galeria cada vez maior?</strong><br />
A idéia – que nem sempre é levada a cabo – é jogar um artista por semana. Da feita que ele entra, a página dele fica lá forever and ever. <span> </span>No futuro, caso ele queira jogar mais obras, ele volta a receber destaque na página principal como artista da semana e assim vai. Obra nenhuma é apagada. No fim, acaba funcionando como um banco de dados – como eu já tinha dito, um mapeamento do que tá rolando por aí.</p>
<p><strong>São os próprios artistas que determinam os preços?</strong><br />
Isso. Não damos pitaco nesse ponto. Escolhemos quem vai expor e o que o cara vai expor. Quanto ele vai cobrar, já é problema dele. Tanto que temos obras de 5 reais a 5 mil reais.</p>
<p><strong>As vendas estão dentro do esperado?</strong><br />
Depende. Do que era esperado inicialmente, não mesmo. Não que a gente tivesse pretensões de ficar rico com a BC. Mas cobrindo os gastos, estaria tranqüilo. A gente cobrava comissão e tudo – hoje, funciona da seguinte maneira: aparece comprador, a gente joga direto no colo do artista. Se vender, ele tem a opção de contribuir ou não com o caixa da BC. Acontece que não tenho tino nenhum pra ser homem de negócios – e aqui, falo por mim e tão-somente por mim. Minha praia é o jornalismo, a literatura, a música. É escrever, criar, ter idéias – posso até vender idéias, mas nunca tocar um negócio profissionalmente. Fui saber o significado de logística anteontem. Negócio, nas minhas mãos, é falência – batata. Mas enfim&#8230; tudo em nome da arte, não é o que dizem? Baixocalão pra mim não é negócio, é megalomania. Posso dizer até frustração por não saber pintar. Nunca um negócio – no que pode até, um dia, quem sabe, se transformar – mas não comigo a frente.</p>
<p><strong>No site, está escrito que esta é a primeira galeria lowbrow online brasileira. É inspirada em alguma iniciativa semelhante do exterior?</strong><br />
Como eu disse, conheci o lowbrow através da Juxtapoz, que acabou me levando a conhecer algumas tantas galerias americanas do gênero. Mas não lembro de ter topado com nenhuma que fosse tão-somente online. A idéia de reunir artistas brasileiros veio, claro, de tanto ver artistas de fora. Mas pára por aí.</p>
<p><strong>Confesso que eu não conhecia o termo lowbrow, em uma rápida pesquisa deu para entender que, de certa forma, a arte lowbrow se opõe à fine art. Tu poderia falar um pouco da arte lobrow? Essa oposição se dá a partir da postura dos próprios artistas? A partir da visão da crítica? Entre os teus objetivos com a galeria estaria &#8220;elevar&#8221; a arte lowbrow ao patamar da fine art em termos de prestígio e reconhecimento?</strong><br />
A expressão lowbrow surgiu, penso, no sentido de bater de frente com aquela arte pós-moderna sem pé nem cabeça de que eu falei, a partir do momento em que perceberam que os quadrinhos de um jornal faziam mais sentido do que uma instalação no Metropolitan. Uma pixação emocionava mais, carregava o conceito do belo, tinha uma expressão forte e algo a dizer. Qual é a finalidade da arte, afinal? O lowbrow já está fazendo escola e alcançando o reconhecimento devido. Os Gêmeos, no caso brasileiro, estão aí pra não me deixar mentir. Acho que, mais que isso, estraga. Tenho medo de toda e qualquer supervalorização, seja em qualquer campo. Tem uma frase do João Paulo Cuenca, em <em>Corpo Presente</em>, que resume bem isso. Mas não me lembro dela de cabeça agora. Diz algo como “quero leitores, mas dispenso o título de best-seller”. Uma geração de leitores puxa a seguinte. Enquanto que o best-seller de hoje, amanhã ninguém mais se lembra.<br />
Meu objetivo sempre foi apenas um: mostrar o que estava sendo feito no Brasil. E o formato virtual da galeria é perfeito pra isso. De outra forma, como levaríamos um cara de Macapá, em começo de carreira, pra expor em São Paulo? Complicado, né? Com a baixocalão, não mais. Ele vai pra São Paulo e pro mundo todo – e pro mundo todo mesmo: 50% dos visitantes são estrangeiros. Estamos falando de imagens. Não precisam de legenda pra serem compreendidas e admiradas.</div>
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		<title>Júlio Conte entre o palco e a psicanálise</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 18:23:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Bailei na Curva]]></category>
		<category><![CDATA[Júlio Conte]]></category>

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		<description><![CDATA[O entrevistado da 66ª edição do CineSemana é Júlio Conte, autor e diretor de Bailei na Curva, obra de maior destaque do teatro gaúcho do todos os tempos. Natural de Caxias do Sul, Júlio formou-se em Direção Teatral em 1984 e, um ano depois, em Medicina. Ao longo de sua trajetória no mundo das artes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1238" class="wp-caption alignright" style="width: 220px"><a href="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/02/julio_conte.jpg"><img class="size-medium wp-image-1238" title="Júlio Conte, autor de várias peças gaúchas (Foto: Divulgação)" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/02/julio_conte-210x300.jpg" alt="Júlio Conte, autor de várias peças gaúchas (Foto: Divulgação)" width="210" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Júlio Conte, autor de várias peças gaúchas (Foto: Divulgação)</p></div>
<p>O entrevistado da 66ª edição do <strong>CineSemana</strong> é Júlio Conte, autor e diretor de <em>Bailei na Curva</em>, obra de maior destaque do teatro gaúcho do todos os tempos. Natural de Caxias do Sul, Júlio formou-se em Direção Teatral em 1984 e, um ano depois, em Medicina. Ao longo de sua trajetória no mundo das artes cênicas, ele já recebeu diversos prêmios Açorianos.</p>
<p>Além de dirigir e escrever peças, Júlio é também ator, professor de teatro e psicanalista. Nesta entrevista, ele conta por que <em>Bailei</em> continua lotando plateias após 25 anos em cartaz, como sua formação médica interfere na vida pessoal e no trabalho com o teatro e como está sendo sua nova experiência mediando uma peça de improvisos. Confira aqui a íntegra.</p>
<p><strong>A que você atribui o grande sucesso da peça <em>Bailei da Curva</em>, que está a 25 anos em cartaz? </strong><br />
O sucesso do <strong>Bailei</strong> é porque ele conta uma história do Brasil divertida e importante. Ele possibilitou ao longo dos anos uma série de releituras porque trabalha em cima da própria identidade do povo brasileiro, de um pedaço da história que já foi bem obscuro, mas agora já está mais clarificado. O <em>Bailei</em> é de 1983 e a democracia só voltou em 1985. Então o Bailei é a última peça ou a primeira peça sobre a ditadura ainda em vigência da ditadura. Em 83 quando estreou, nós estávamos vivendo ainda sob o regime de exceção. Então isso é uma coisa muito importante porque ela criou um espaço novo dentro da cultura, em que se começou a discutir essas coisas, a ditadura, o estado de exceção em pleno estado de exceção, em plena ditadura.</p>
<p><strong>O tema da ditadura é, ainda hoje, retratado constantemente pelas artes. Na sua opinião, o que mantém o interesse do público pelo tema 25 anos depois da abertura?<br />
</strong>No caso do <em>Bailei na Curva</em> é porque, além de falar da ditadura, falar de uma história do Brasil que marca uma identidade de um povo, conta também a história de costumes, uma história de pessoas, por isso ele ganha uma certa universalidade. Não é só falar da ditadura pela ditadura, é falar sim sobre os costumes da época, os hábitos, do tipo de roupa que se vestia, do jeito que se falava, de gíria, do tipo de ingenuidade que se tinha, um tipo de ousadia. Fala da alma do brasileiro em um determinado momento. De certa forma, reverencia também os anos 60, os anos 70, o Flower Power, o movimento hippie. Ela é uma peça que fala de esperança. Essa é a grande perda que a gente teve a partir do pós-modernismo, onde o teatro, o cinema e a televisão, todos passam a ter uma característica de salve-se quem puder. Ali no <em>Bailei</em> é uma saída coletiva, a busca. Eu acho que é o último suspiro da modernidade no teatro, porque ali fala de uma expectativa de uma saída coletiva.</p>
<p><span id="more-1237"></span></p>
<p><strong>Desde a estreia do <em>Bailei </em>até hoje, a peça passou por algum tipo de mudança em sua montagem? </strong><br />
Sim, houve várias interferências, várias alterações. As mais claras são relacionadas a quando entrou os telões com imagens da época. Na estreia eram apenas sete cadeiras e um fundo preto. Agora as imagens dos anos 60, 70 e 80, estabelecem uma linguagem mais de videoclipe. Começa a ter uma iconografia daqueles anos dentro da peça.  Fora outras situações como histórias novas, releituras de situações, coisas que foram se atualizando com a verdade que foi vindo à tona. A gente reescreveu histórias sobre isso, sobre Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor, uma série de coisas que foi entrando no espetáculo.<br />
<strong><br />
Você exerce a profissão de psicanalista?</strong><br />
Sim, eu tenho um consultório de segunda a sexta e também dou aula de teatro, faço teatro e algumas vezes também faço cinema. Um exercício verdadeiro, rico e eclético.</p>
<p><strong>De que maneira a sua formação de psicanalista interfere no seu trabalho com o teatro? </strong><br />
Olha, eu sempre penso que a arte ajuda a gente a entender muito melhor as coisas do que qualquer livro. A arte é uma condensação de pensamentos que a humanidade vai produzindo ao longo do tempo. O livro fica carregado de informação, mas isento de emoção. Eu sempre gostei muito do trabalho artístico, da sublimação que a arte produz, porque ela ajuda muito a gente a compreender a vida e compreender a própria teoria de uma maneira muito prática, muito viva, cheia de emoção e afeto. Dentro de um consultório, dentro de um palco a questão é como lidar com a vida e com as emoções. Eu sempre penso assim: me ajuda muito a psicanálise, e a psicanálise ajuda muito no teatro.</p>
<p><strong>O que fez com que você permanecesse trabalhando no sul, enquanto muitos artistas preferem ir para São Paulo, o estado de mais forte economia do país e acaba tendo mais espaço para as artes?</strong><br />
Essa é a pergunta que eu venho me fazendo há algum tempo e ainda não tenho bem uma resposta. Eu tive várias oportunidades de ir e eu sempre me recusei. Eu tive propostas de trabalho, já trabalhei fora, no Rio, fiz filmes, fiz coisas em São Paulo. A ideia que eu consigo organizar melhor é que eu sempre sonhei que produzir um teatro Rio Grande do Sul, que esse teatro do Rio Grande do Sul tivesse um espaço nacional, que um artista que trabalhasse aqui pudesse trabalhar em qualquer lugar do Brasil porque hoje não dá mais. Eu não gosto muito da ideia do eixo Rio-São Paulo como dominando toda a cultura do Brasil, porque o Brasil é muito mais do que Rio-São Paulo. No entanto é muito mais difícil fazer teatro aqui e fazer arte, até porque o Rio Grande do Sul está quase ali penduradinho no fim do Brasil.</p>
<p><strong>O que você acha de um festival de teatro ter somente ou a maioria das peças do gênero comédia, como acontece com o Porto Verão Alegre?<br />
</strong>Eu acho ótimo. Aparece bem claro no livro do Umberto Eco <em>O Nome da Rosa</em> que a comédia foi discriminada desde o início dos tempos porque fazia as pessoas rirem de Deus ou rirem do rei, então ela sempre foi uma subversão do poder. Apesar de todo muito falar da tragédia como se fosse uma superioridade, não existe e eu não acredito em nenhuma superioridade entre a tragédia sobre a comédia, porque que cada um tem o seu espaço, e, principalmente, eu acho muito legal esse festival ter muitas comédias, porque a comédia é onde o povo festeja, é onde o povo ri e a voz do povo é a voz de Deus. O povo ta ali, a comédia ta subvertendo Deus e ta recriando Deus na mesma hora.</p>
<p><strong>Na terça e quarta-feira esteve em cartaz a peça de teatro de improviso <em>Tá, e aí?!</em>. Por que você decidiu ir por esse caminho do improviso?<br />
</strong>Eu tenho um trabalho especificamente relacionado com a improvisação. <em>Bailei na Curva </em>foi uma peça criada a partir de improvisações. Eu sempre desenvolvo o jogo de improvisações. A peça <em>Dançarei Sobre Teu Cadáver</em>, que está em cartaz, também é baseado em improvisações. E aí surgiram os guris, Vicente Vargas, Ian Ramil, Eduardo Mendonça, Rafael Pimenta e Leo Barison, que estavam desenvolvendo um trabalho de improvisação, me chamaram pra fazer a mediação e participar junto, ajudar a criar exercícios e desenvolver jogos. É uma coisa que eu sempre adorei, que eu sempre quis fazer e agora nós estamos com esse grupo o <em>Tá, e aí?!</em> pra desenvolver isso aí. É um jogo de verdade, não é nada combinado. Eu faço o trabalho assim, eu crio situações, tem situações que vou dar pra eles que não sabem que vão existir, eu não aviso eles. Tem propostas que eu vou levar, que algumas eles já sabem, mas vai ter surpresas na hora, que eu vou inventar, e além disso, um trabalho de operação de som ao mesmo tempo. Então, conforme a improvisação ta indo eu vou criando uma trilha sonora para a cena. Um trabalho bem legal, bem divertido e inovador que celebra isso. Celebra o momento, transmite o passageiro.</p>
<p><strong>E já tem previsão de quando essa peça volta em cartaz?</strong><br />
A agora a produção está tentando achar teatro pra desenvolver o trabalho durante o ano. Estão procurando lugares para que se encaixam nesse tipo de formato. Não é uma peça pra entrar em cartaz tipo Bailei ou do tipo Dançarei sobre teu cadáver, porque não é uma peça pra manter temporada. É uma peça pra fazer uma atividade talvez num bar, talvez num teatro pequeno. Essas duas apresentações vão nos ajudar pra gente achar o tom da peça, o perfil e achar qual é o público que ta interessado em ver esse tipo de trabalho, esse jogo livre. Esse salto mortal sem rede que é o jogo da improvisação, sendo que às vezes nem eu mesmo sei o que eu vou dizer, o que eu vou propor.</p>
<p><strong>Você iniciou sua carreira no teatro nos anos 80. De lá pra cá, como você vê a evolução do público do teatro? Cresceu ou ficou mais restrito? </strong><br />
Eu acho que o público cresceu e vem se desenvolvendo. A gente ainda não tem assim uma estrutura profissional dos meios. As ferramentas teatrais que o Estado e o Município podem oferecer ainda são um pouco precárias, ainda tem uma certa infantilidade da relação entre o artista e a mídia, mas apesar disso tudo houve um crescimento significativo de público. As mudanças a gente vê no tempo em que as peças permanecem em cartaz. Antes do Bailei na Curva as peças ficavam em cartaz um mês. Eu tava acostumado a fazer teatro com temporada de seis apresentações, de oito apresentações, de doze apresentações e assim que terminava a peça começava a ensaiar uma outra pra apresentar no ano que vem. Agora a gente faz peças que ficam seis anos, 16 anos, 23 anos, 25 anos como o Bailei e várias outras, Se Meu Ponto G Falasse, O Manual Prático da Mulher Moderna, Pois é, vizinha&#8230;, Il Primo Mirácolo e Homens de Perto. Tem uma série de peças que rasgaram o amadorismo e tão desenvolvendo um trabalho profissional, mais tempo em cartaz e com isso também ajudando os artistas a viver, porque é isso que é profissionalismo, o artista vivendo da sua arte.<strong></strong></p>
<p><strong>Você comentou sobre a relação do artista com a mídia</strong><br />
Eu acho que tem um certo jornalismo que é um pouco ingênuo, que bate cabeça pra qualquer trabalho que é feito fora do Rio Grande do Sul, nacional ou internacional, e que tem dificuldade de ver o trabalho que é feito aqui. E tem uma infantilidade, uma choradeira básica dos artistas que querem ser tratados como adultos e se comportam como crianças. Então eu acho que esse é o amadorismo, assim uma ingenuidade, a infantilidade que tem na relação.</p>
<p><strong>Quais são os seus projetos para 2009?</strong><br />
Tem vários projetos, mas eu nem sei ainda o que eu vou fazer porque eu to finalizando meu ano. O meu ano não começou, ele começa depois do carnaval. Eu estou terminando meus trabalhos, vou tirar uns dias de descanso no carnaval e depois tem alguns projetos que vão se desenvolver. Certamente vai ter coisa nova.</p>
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		<title>O mundo paralelo de Mallu Magalhães</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 01:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Mallu Magalhães]]></category>

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		<description><![CDATA[O CineSemana que chega aos cinemas hoje, dia 5, traz uma entrevista exclusiva com Mallu Magalhães, mais recente fenômeno musical brasileiro que deve sua fama à divulgação na internet. Cantora, compositora e instrumentista, ela tem apenas 16 anos e virou sensação na internet após colocar suas músicas no MySpace. Apontada como a grande revelação o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_895" class="wp-caption alignleft" style="width: 255px"><img class="size-medium wp-image-895" title="Aos 16 anos, a jovem artista que ainda nem saiu da escola já circula entre músicos de renome (Foto: João Wainer/ Divulgação)" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2008/12/mallu-245x300.jpg" alt="Aos 16 anos, a jovem artista que ainda nem saiu da escola já circula entre músicos de renome (Foto: João Wainer/ Divulgação)" width="245" height="300" /><p class="wp-caption-text">Aos 16 anos, a jovem artista que ainda nem saiu da escola já circula entre músicos de renome (Foto: João Wainer/ Divulgação)</p></div>
<p>O <strong>CineSemana</strong> que chega aos cinemas hoje, dia 5, traz uma entrevista exclusiva com <a href="http://www.myspace.com/mallumagalhaes" target="_blank">Mallu Magalhães</a>, mais recente fenômeno musical brasileiro que deve sua fama à divulgação na internet. Cantora, compositora e instrumentista, ela tem apenas 16 anos e virou sensação na internet após colocar suas músicas no MySpace. Apontada como a grande revelação o cenário independente brasileiro, a menina de voz suave, que compõe canções folk, a maioria em inglês, iniciou sua carreira meteórica em 2007. Desde então, seus singles disponibilizados na rede contabilizaram centenas de milhares de acessos, ela recebeu três indicações ao Video Music Brasil (VMB), o badalado prêmio da MTV, e no mês passado lançou o primeiro álbum homônimo com 14 faixas, incluindo os hits <em>Tchubaruba</em> e <em>J1</em>. Gravado no Rio de Janeiro ao longo de 20 dias, durante as férias de julho, o disco <em>Mallu Magalhães</em> tem produção de Mario Caldato Jr., brasileiro que já trabalhou com artistas como Beastie Boys e Jack Johnson. A divulgação fez parte de uma ação de marketing com uma operadora de celular, que está vendendo cada faixa por R$ 1,99 em seu <a href="http://www.vivo.com.br/mallu/#" target="_blank">site</a>.</p>
<p>Fã de Bob Dylan e Johnny Cash, a paulistana de classe alta chama atenção pela precocidade e pelo visual alternativo, incluindo suas próprias criações de moda e o constante uso de calçados desparceirados. Nas últimas semanas, a grande polêmica girou em torno de seu namoro com <a href="http://www.myspace.com/marcelocamelo" target="_blank">Marcelo Camelo</a>, ex-vocalista do Los Hermanos, de 30 anos, com quem formou um dueto para compor e executar a música Janta para o recém lançado trabalho solo do cantor. Ainda adolescente, Mallu precisa conciliar os estudos com a agenda lotada de shows e participações em festivais pelo País afora. Por conta disso, entrevistar a jovem foi mais difícil do que conversar com alguns figurões do cinema e da música brasileira. Confira um pouco do que contou por e-mail a garota que fala em tom poético sobre si mesma e sua carreira e que virou hype no País.</p>
<p><strong>Você é considerada um fenômeno da internet, suas músicas bateram recordes de downloads e os seus vídeos viraram mania no YouTube. Havia alguma estratégia para você ser divulgada assim?</strong><br />
Ah, na verdade um amigo meu me falou: &#8220;por que que você não põe no MySpace&#8221;. Aí eu pensei: &#8220;é&#8221;, pra ver no que dava.</p>
<p><strong>Quais as suas referências musicais, o que você gosta de ouvir?</strong><br />
Aqui no Brasil eu tiro o chapéu para toda a turma da Tropicália, desde o Tom Zé até o Caetano, João Gilberto, Elis, Gilberto Gil, Mutantes. Bom, aí entra um pessoal como o Cazuza e a Ceumar, o Vanguart, Los Hermanos. De fora eu trago o Dylan, o Johnny Cash, Woody Guthrie, Donavon, Hoyt Axton, Neil Youg, Tom Waits, Elvis, Beatles, Beach Boys, Stray Cats, Chuck Berry, Larry Williams, Chigado, America, Matt Costa.</p>
<p><span id="more-889"></span></p>
<p><strong>O que inspira você para compor seu visual? é você mesma quem escolhe as suas roupas para tocar em shows e fazer videoclipes?</strong><br />
Ah! Sou a favor do bem estar. Seja como ele for. Costurado e reto ou manchado de tinta.</p>
<p><strong>Em seu CD tem apenas duas músicas em português. Por que você prefere escrever suas letras em inglês?</strong><br />
Eu tento ser fiel ao meu coração. Ele fala língua nenhuma e todas. Só ouço o que vem de dentro. Cada vez vem de um jeito. É um negocio que sobe sem pensar ou filtrar com nome ou peneira cruel.</p>
<p><strong>Em uma entrevista, você afirmou que no seu próximo CD deverá ter mais músicas em português. Isso é uma preocu pação em ficar mais acessível ao público em geral?</strong><br />
Sim. Nesses últimos dois meses, escrevi umas 15 em português. Arte é liberdade, não é pra ser vetada nem modificada. Vem de dentro. E assim deve ir pro mundo físico. O coração fala todas e, assim, nenhuma língua.</p>
<p><strong>Em seus shows você toca violão e gaita. Além desses instrumentos, você toca mais algum? Por quais influências você começou a tocar e quando começou a aprender?</strong><br />
O violão é mais antigo, principalmente por copiar papai desde pequena. O piano acho que já faz um ano e meio, mais ou menos, mas ainda não descobri tudo. A gaita veio acho que faz isso também. Mas a coragem de soprar o negócio esquisito de metal só veio há uns meses. O banjo também. Desde que ganhei (fevereiro pra março, mais ou menos), tento tocar. A escaletinha eu comprei mais ou menos em abril. E assim vai e veio.</p>
<p><strong>Depois que você se tornou famosa, como você é vista no colégio? Os seus colegas tratam você como uma celebridade? E os professores têm sido mais &#8220;bonzinhos&#8221; por você ser uma artista conhecida nacionalmente?</strong><br />
Boas e péssimas reações de uma vez só. Pessoas acreditam e levam mentiras e diversidades. Mas também tem quem acolha. É bem difícil. Como tudo, é uma questão de calma e entendimento do respeito.</p>
<p><strong>Você pareceu bastante emocionada ao tocar junto com Marcelo Camelo? </strong><strong>Como foi tocar com ele e o que isso significou para você?</strong><br />
É até difícil falar do Marcelo assim, em linhas tão poucas. Dava até um filme as idéias que a gente tem. Acredito que a nossa amizade e ligação ficaram claras de luz no palco.</p>
<p><strong>Você conquistou notoriedade através de sua página no MySpace. Você costuma acessar o site de relacionamentos, descobrindo novos artistas? Quais você recomendaria?</strong><br />
Eu pesquiso bastante. É um meio de comunicação. Um MP3 não é tão puro e profundo como um LP. Mas ao mesmo tempo, você não precisa comprar o disco inteiro se só quer ouvir uma música. Isso sim, é bom demais.</p>
<p><strong>Como você imagina o seu futuro? </strong><strong>Quais as suas perspectiva em relação a sua carreira e estudos? Como estará a Mallu Magalhães daqui há dez anos?</strong><br />
O futuro é hoje. Hoje é sempre. E sempre eu vou do jeito que vier de mim.</p>
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		<title>Mano Changes: não vou fazer lei pra abolir gravata</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 17:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Dantas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Como o Gustavo já tinha anunciado, entrevistamos o Mano Changes essa semana. O deputado nos recebeu no seu gabinete na Assembléia Legislativa para um informal bate papo sobre o encontro entre arte e política. A íntegra da nossa conversa você confere abaixo, mas posso dizer que foi um alívio entrevistar um político que não fugiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como o Gustavo já tinha anunciado, entrevistamos o Mano Changes essa semana. O deputado nos recebeu no seu gabinete na Assembléia Legislativa para um informal bate papo sobre o encontro entre arte e política. A íntegra da nossa conversa você confere abaixo, mas posso dizer que foi um alívio entrevistar um político que não fugiu das perguntas. Confira:</p>
<p><a href="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2008/11/dsc_01641.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-783" title="dsc_01641" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2008/11/dsc_01641.jpg" alt="" width="500" height="332" /></a></p>
<p>Vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu e deputado estadual eleito com 43 mil votos, Mano Changes é a pessoa mais irreverente que se poderia encontrar na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Nesta entrevista exclusiva, ele mostra como equilibra a vida de músico e a de político, declara sua opinião sobre a descriminalização da maconha e conta o que acontece quando 54 engomadinhos dividem o mesmo espaço com o autor de músicas como <em>Ah, Eu Tô Sem Erva</em>, <em>Merda de Bar</em> e seu mais recente sucesso, <em>Chuva nas Calcinha</em>.</p>
<p><strong>Por que entrar na política quando você já tinha uma carreira artística consolidada de sucesso?</strong><br />
Tenho, né, a música é a minha profissão, é o amor da minha vida, o que me faz feliz e eu nunca posso deixar de conviver com o palco e as pessoas que gostam das músicas que a gente compõe. Só que a Comunidade [Nin-Jitsu] sempre foi politicamente incorreta, sempre foi uma banda divertida, mas isso não significa que eu não tinha pretensões de ajudar as pessoas. Eu vi que era a pessoa pública que era o Mano Changes pra juventude era uma oportunidade de trazer uma pessoa diferente pra Assembléia, que representasse uma galera que não tem voz aqui ou que não se sente à vontade de estar na Assembléia.<br />
Eu queria contribuir, ajudar e usar um pouco da experiência de vida que eu tenho pra trazer mais representatividade pro jovem. Hoje um dos maiores problemas do nosso País é a falta de oportunidade de emprego pro jovem que está apto ao mercado de trabalho e eu acredito que uma das causas é a falta de representatividade do jovem na política.</p>
<p><strong>Você diz que a Comunidade é uma banda politicamente incorreta, o que reflete em ti. Como você foi recebido na Assembléia pelos outros deputados?</strong><br />
Eles começaram a conhecer a banda depois que eles me conheceram porque eles vivem em outro mundo, até os mais novos não tinham muita referência do que toca no Rio Grande do Sul, o que a gurizada tá ouvindo. Então as pessoas esperavam o Mano um cara polêmico só por ele ser músico e só por ele ser jovem. Mas eu sou um cara de diálogo, eu sou um cara que respeita muito o que as pessoas tem pra dizer. E acho que a política requer isso. Pra representar alguém, tu tem que saber ouvir esse alguém, e mostrando que eu não tenho ranço político, que eu sou um cara aberto a idéias, independente da onde elas vierem, as pessoas viram um cara de diálogo, com cabeça aberta e isso trouxe respeito. Muita gente disse ‘ah, mas olha só o Mano quer aparecer, ele usa terno e camisa pra fora das calças’. Eu uso porque eu me sinto à vontade. Se tu for pensar na maioria dos jovens que vai a casamento, que vai a debutante,  a gurizada usa camisa pra fora das calças e hoje é fashion até. A gente tem que estar o mais confortável possível pra poder trabalhar sem ferir o regimento interno, que diz que tem que estar de paletó, gravata e camisa no Plenário, mas não interessa como vai estar a camisa e a gravata.</p>
<p><strong>Você guarda uma camisa sobressalente aqui?</strong><br />
Tem, tá ali [aponta para um armário no canto da sala], com certeza. Eu uso gravata mesmo no Plenário só.</p>
<p><strong>Também não tem porque não usar e criar conflito, né?</strong><br />
Não, claro. O Raul Pont disse pra mim ‘ah tu tem que fazer uma lei pra abolir a gravata, e eu te apoio`. Daí eu disse que não ia fazer lei pra abolir gravata, fazer lei pra me privilegiar. Eu estou aqui pra privilegiar as pessoas, não pra eu me sentir mais confortável, gravata é um respeito ao Estado, ao povo e aos eleitores que acreditam na gente também.<br />
<span id="more-781"></span><br />
<strong>Como conciliar a agenda de músico e de deputado, depois de um show dá pra acordar cedo e vir pra Assembléia?</strong><br />
É só não ter vida pessoal [risos]. Dá pra conciliar porque a carga burocrática funcional, a rotina da Assembléia é muito mais na terça, quarta e quinta e os shows são sexta e sábado e nos outros dias eu viajo pra fazer roteiro, e assim a gente vai. Quando viajo com a banda no fim de semana, aproveito para falar com lideranças e colher idéias e isso sem gastar diária da Assembléia porque estou viajando pra fazer shows. Por exemplo, essa semana eu fui jurado em um concurso domingo, fui numa festa em Santo Antônio sábado e aí a gente também fez roteiro no interior, aproveitamos as lacunas para estar perto das pessoas.</p>
<p><strong>O Gilberto Gil, outro artista na política, largou o Ministério dizendo que ia se dedicar a música de novo. O teu plano de vida é continuar equilibrando as duas coisas? </strong><br />
Sim.</p>
<p><strong>Por tempo indeterminado?</strong><br />
Sim, eu acho que eu tenho uma oportunidade única aqui de chamar a atenção do jovem para a importância de ter um representante que proponha melhorias, principalmente, na qualidade da educação. Eu acredito muito que a gente tem que parar de tapar o sol com a peneira e aproximar a escola do aluno através do esporte, da cultura e da inclusão digital com ênfase na internet. Fazer com que a escola tenha essa atração pra que o jovem não seja obrigado, mas tenha prazer de estar lá. Trabalhar aqui é uma cachaça, tu quer continuar, tu quer ver essas coisas acontecerem. Agora, como a Comunidade é uma banda que compõe muito pela espontaneidade, a gente é uma piada interna que se espalhou e nunca esperou fazer sucesso, mas justamente por ser a primeira banda no mundo a misturar baile funk com rock chamou a atenção. Então quando eu estou com a banda, para pintar uma idéia é importante estar perto das pessoas. Uma profissão complementa a outra e eu me sinto muito à vontade nas duas, e durmo tranqüilo porque eu sei que no palco eu atendo as pessoas, dou toda a minha energia, dou todo o meu tesão e aqui [na Assembléia] não faço nada de errado. To há quase dois anos aqui e nunca ninguém sentou na minha frente pra me fazer uma proposta indecorosa.</p>
<p><strong>Ser eleito mudou a tua postura como músico, te preocupa mais em ser politicamente correto, mudou as letras?</strong><br />
Eu acho que a idade faz a gente pensar mais assim do que a própria carreira política. Só que a Comunidade tem um norte, tem uma referência que é a vizinhança de praia quando a gente se divertia, quando a gente ficava ali simplesmente pra zoar. E o próprio <em>Chuva nas calcinha</em>, que foi uma música que tocou no Estado inteiro, não deixa de ser uma música pra mostrar pras pessoas que a Comunidade e o Mano Changes continuam os mesmos. Eu não vou mudar o meu jeito de compor pra contentar possíveis eleitores. Eu acho que as pessoas precisam um pouco de verdade e de autenticidade. Assim como nunca ninguém vai me ver no palco, que pra mim é um lugar sagrado, falando de política. Eu acho que a gurizada que paga pra ver o meu show quer ser divertida, não quer ser instruída politicamente e seria estúpido se eu fizesse isso no meio do show porque os caras iam me tirar pra babaca. Eu deixo ao máximo separadas as coisas, é difícil porque todo mundo acaba misturando, mas eu mantenho a postura de  não querer me beneficiar do palco e não usar a política pra beneficiar a banda também.</p>
<p><strong>Mas a tua fama te beneficiou pra ser eleito&#8230;</strong><br />
Com certeza. Eu não teria o ouvido dos jovens se não fosse a Comunidade Nin Jitsu. Acho que se todos os meus fãs votassem em mim eu teria feito mais de 43 mil votos, por todos os shows, por todo o carinho que nós temos em todas as cidades que a gente vai no estado Rio Grande do Sul. Mas quem me ouviu e viu as minhas propostas na internet, quem viu a importância de aproximar a escola do aluno e ter um representante da galera dentro do parlamento, foi quem votou.</p>
<p><strong>E teu fãs lidaram bem com a tua candidatura?</strong><br />
Certamente, ninguém chegou assim ‘nossa tu vai pôr tua carreira artística fora”, até porque eu sempre fui uma pessoa ponderada, nunca misturei, nunca usei isso pra me aproveitar de nada. Enquanto a sociedade achar que eu sou útil, beleza! Quando a sociedade achar que eu não sou mais útil, e as urnas é que mostram isso, eu vou cuidar da minha vida, dos negócios da minha família, minha banda e vou continuar sendo um cara feliz que dorme tranqüilo, sabendo que aprendi muito. Acho que a gente nunca tá preparado pra nada, a gente tem que tá sempre buscando se preparar porque a vida é dinâmica. E cada vez mais a gente ta amadurecendo politicamente aqui. E agora me sinto preparado, ou vou me preparar, tô sendo ambíguo aqui [risos], mas me sinto praticamente preparado pra presidir a Comissão de Educação [no biênio 2009-2010], e aguardem que a Comissão de Educação não vai mais ser careta como é.</p>
<p><strong>Parece uma vida dupla, tem o músico, de identidade irreverente e contestadora, e tem o deputado, que precisa se colocar num ambiente burocrático e cheio de regras&#8230;</strong><br />
Mas eu continuo sendo irreverente aqui dentro, eu brinco com as pessoas, antes de eles se arriarem em mim eu já me arrio em mim mesmo porque eu sei que é o jeito de blindar. Teve uma vez que eu cheguei todo descabelado, todo amassado de manhã numa comissão de saúde. Eu vi que eles ficaram meio que rindo da minha cara. Daí quando teve um momento Professor Girafales do Chaves, eu disse assim ‘ah vocês estão rindo do meu jeito de me vestir”, daí todos os deputados brincaram e eu disse ‘vocês têm que ser da conta que nós somos 55 aqui na casa: tem um desleixado e 54 engomadinhos, então quem gosta de engomadinho, tem que escolher um entre 54 de vocês pra votar enquanto quem gosta de desleixado vem comigo direto. Quando eu falei aquilo de uma maneira irônica foi muito engraçado porque eu tirei o sorriso do rosto das pessoas de forma categórica, mas brincando, como se fosse uma estratégia mirabolante política minha.</p>
<p><strong>A Comunidade tem diversas letras que falam de maconha, que não é uma apologia, mas está bem explícito. Tu pretende colocar isso no teu discurso político em algum momento?</strong><br />
Esse é um tema que tem que ser tratado com cuidado, porque às vezes pode ser mal interpretado. Mas eu tenho a mesma opinião do Gilberto Gil, por exemplo, eu acho que no momento que tu liberar o consumo ou descriminalizar o uso da maconha tu tira uma das fontes do traficante. E no momento que tu proibir a veiculação comercial dessa drogas lícitas na mídia e que tu usar todo o imposto gerado pelo comércio de qualquer droga para fazer campanhas educativas, tu ta combatendo o tráfico e dizendo que beber é brega, fumar é brega. O que não pode é o cara que fuma maconha ser preso e o álcool, que é uma droga que causa muito mais efeito, é promovido pela menina mais bonita do País na propaganda. Temos que nivelar tudo isso. A maconha só foi proibida no mundo por causa da indústria do nylon, porque cânhamo produzia mais do que ela, e porque era uma cultura dos mexicanos. Foi um jeito dos americanos discriminarem os mexicanos, até pra poder começar a controlar essa questão da imigração. Então eu sou a favor da descriminalização sim, acompanhada de uma trabalho de base, especialmente nas periferias.</p>
<p><strong>E a Lei Seca?</strong><br />
A Lei Seca pra carros tudo bem, mas pra bares é um absurdo. A gente é a favor da conscientização pra que as pessoas não se droguem na noite e não voltem dirigindo, que façam festa de cara limpa. É importante isso porque o Mano é um cara polêmico, o que chama atenção, mas no palco, só toma água. Quando o Mano abre a boca pra falar, a gurizada presta atenção no que ele tem pra dizer, e o Mano diz que se tu tá cara de limpa é muito mais fácil de ficar com uma gatinha na noite porque tu tá muito mais rápido e muito mais acelerado, basta tu ter personalidade. E a última coisa que a menina quer é um cara com bafo de trago, chato, que fica incomodando. A menina tem um papel fundamental na questão da Lei Seca dos carros, porque não pode ser careta o cara deixar o carro e ir pra casa de táxi, isso tem que ser bacana, isso tem que ser positivo. E as mulheres mandam no mundo, elas que precisam dizer “oh, tu não é o galo que vai pegar o carro e dirigir bêbado e não vai acontecer nada, pode acontecer, os reflexos diminuem entendeu? Vamos de táxi que vai tá tudo certo”.</p>
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		<title>Márcio Simões: a voz por trás dos personagens</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 19:59:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[dublagem]]></category>
		<category><![CDATA[Márcio Simões]]></category>

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		<description><![CDATA[Se você se deparar com Márcio Simões pelas ruas, certamente não o reconhecerá. Mas se ouvir a voz dele, não vai deixar de associá-la a uma porção de personagens de filmes, séries e programas de tevê. Formado engenheiro civil, mas atuando como dublador na televisão e no cinema há 22 anos, Simões já emprestou sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_664" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-664" title="O dublador Márcio Simões, na montagem ao lado do Patolino, há 22 anos empresta sua voz aos personagens do cinema e da televisão (Foto: Guilherme Briggs)" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2008/10/marcio-simoes-300x248.jpg" alt="O dublador Márcio Simões, na montagem com o Patolino (Foto: Guilherme Briggs)" width="300" height="248" /><p class="wp-caption-text">O dublador Márcio Simões, na montagem ao lado do Patolino, há 22 anos empresta sua voz a personagens do cinema e da televisão (Foto: Guilherme Briggs)</p></div>
<p>Se você se deparar com Márcio Simões pelas ruas, certamente não o reconhecerá. Mas se ouvir a voz dele, não vai deixar de associá-la a uma porção de personagens de filmes, séries e programas de tevê. Formado engenheiro civil, mas atuando como dublador na televisão e no cinema há 22 anos, Simões já emprestou sua voz para desenhos animados, mocinhos e bandidos, de Patolino a Will Smith, Samuel L. Jackson a Heath Ledger na pele do Coringa. Em uma conversa com <strong>CineSemana</strong>, ele falou sobre essa atividade que por essência é relegada aos bastidores, os desafios das dublagens, além de muitas curiosidades.</p>
<p><strong>Gostaria de começar por uma dúvida que a maioria das pessoas tem quanto aos dubladores. Dubladores são todos atores? No seu caso, qual a sua formação?</strong><br />
Todos atores. A dublagem é uma especialização do ator. A formação da dublagem na verdade é o radioteatro, as pessoas acham que a formação do dublador é o teatro, na televisão, mas não é. É o radioteatro porque a gente não tem o compromisso de decorar um texto, pra ler ou falar, não tem esse compromisso. Então, a gente tem que ler e interpretar lendo, que é na verdade o radioteatro. Então, a minha formação foi um pouco ao contrário. Eu comecei no rádio e do rádio eu vim a fazer dublagem. Na verdade, o dublador se especializa fazendo um curso de dublagem, onde se aprende a técnica, mas a interpretação você tem que saber, você tem que ter, não importa se de radioteatro, se de televisão ou de teatro. Você tem que ser ator e saber interpretar e aprender a técnica de sincronizar, de colocar as palavras na boca, certinho.</p>
<p><span id="more-660"></span><strong>Você trabalhou em algum filme ou peça nos quais além de ouvir a sua voz, o público possa ver o seu rosto?</strong><br />
Não, eu praticamente me dediquei à dublagem. Fiz muito tempo rádio aqui no Rio de Janeiro, em várias rádios daqui, e acabei entrando no meio da dublagem. Comecei a fazer um curso e a partir daí segui basicamente na dublagem, fiz rádio até mais um tempo, mas depois parei e me dediquei só a isso. A minha formação na verdade nem é essa, eu sou engenheiro civil. O que mais tem na dublagem é gente de outras profissões, médico, e todo mundo se interessa e começa a gostar, e aí parte pra fazer teatro, fazer alguma coisa e aprende a dublagem. Eu descobri minha veia artística lá atrás.</p>
<p><strong>Você chegou a trabalhar como engenheiro?</strong><br />
Não. Eu estava terminando a faculdade e na época o mercado estava meio fraco, estava meio devagar. Estavam até pensando em aumentar o currículo das universidades para segurar mais o pessoal na escola pra dar tempo do mercado absorver. E daí eu já tinha descoberto a dublagem. Na verdade, eu gostava desde criança, mas eu não tinha noção do que era. Eu gostava de imitar os personagens de desenhos animados, mas não tinha noção do que era a dublagem. E aí eu estava fazendo faculdade nessa época e trabalhando em rádio e descobri o curso, comecei a fazer, comecei a gostar, e acabou que engenharia ficou em segundo plano, ficou pra traz. De lá pra cá são 22 anos.</p>
<p><strong>É muito estranho falar contigo. É como se eu falasse com uma pessoa que eu já conheço&#8230;</strong><br />
Ligou a televisão, minha voz está lá né!</p>
<p><strong>Qual foi a dublagem mais complicada de fazer? Tem algum tipo específico que é muito difícil ou todos são de certa maneira iguais depois que se aprende a técnica?</strong><br />
Tudo depende do filme, do que se apresenta, do que você precisa fazer, se vai seguir o que o cara fez ou criar algo em cima. Um dos mais difíceis que eu fiz foi o Gênio do <a title="Aladdin (Character) from Aladdin (1992) - IMDB" href="http://www.imdb.com/character/ch0000538/" target="_blank"><em>Aladin</em></a>, porque o Robin Willians fez um excelente trabalho. E aqui a gente ainda teve que fazer diferente dele, porque lá o desenho foi feito depois da dublagem. Ou seja, ele foi filmado dublando e utilizaram a expressão facial pra fazer o desenho. E aqui eu tive que fazer com tudo dele próprio. Ele mudava de personagem no meio da fala, entrava outro personagem que ele fez separadamente, depois foi editado e colocado na fala. Mas aqui, na época, nós não tínhamos nenhum recurso desse tipo. Hoje em dia a gente grava direto no computador. E na época não era assim, pra cinema a gente fazia em película, então no máximo que a gente tinha eram dois canais. Aí eu pegava e dividia a frase, eu fazia um personagem e ao invés de continuar a frase eu parava pra depois, no outro canal, eu fazer o outro personagem, pra dar tempo de eu pensar no outro que eu tinha que fazer. Foram muitas adaptações que a gente fez, porque as piadas americanas só têm graça pra eles. Então tive que adaptar tudo para o nosso dia-a-dia, usar personagens brasileiros, falar de Faustão, falar de Xuxa, para poder trazer a realidade das crianças daqui, e aí deu mais trabalho ainda.</p>
<p><strong>Como você decide que tipo de voz dar a cada personagem? Tenta necessariamente aproximar um pouco do original? </strong><br />
Antigamente, a gente criava mais, não tinha muito essa exigência. Hoje em dia já vem determinado pelo cliente que é o mais próximo possível do original. Mas antigamente não tinha muita exigência não. Tanto que alguns personagens que fizeram muito sucesso de desenhos animados, não meus, por exemplo o He-Man, o Alf, o tipo original era muito diferente, eles aqui melhoraram o tipo. O tipo original era até meio sem graça. E aqui o pessoal não seguiu exatamente o que era lá e fez mais engraçado. Então essa liberdade a gente já não tem mais hoje em dia, a não ser em um trabalho ou outro, mas nos grandes trabalhos a exigência já vem do cliente, e tem que tentar se aproximar. Quando a gente vai fazer um teste, é o mais próximo possível do original. Mas tenta dar um acentozinho brasileiro, tenta melhorar um pouco mais e tenta não seguir exatamente, porque às vezes o tipo é legal, mas pode melhorar um pouquinho mais.</p>
<p><strong>Então ultimamente o trabalho do dublador vem perdendo um pouquinho dessa característica autoral&#8230;</strong><br />
É, mais ou menos, um ou outro, não são todos, mas é que hoje em dia a gente não tem muita liberdade não. Isso foi se perdendo ao longo do tempo, não só de criar como das coisas que foram acontecendo. Hoje em dia, ninguém respeita nem o que a gente tinha antigamente, que se chamava de fichário, que era manter o mesmo dublador para o mesmo ator sempre. Hoje em dia isso praticamente não existe, foram forçando uma barra. Até entendo, porque em vários casos o cliente dependia do filme e como tinha que ser aquele dublador porque o cara já fazia aquele há muito tempo, e de repente o cara estava muito enrolado e não podia entregar o filme no prazo, eles ficavam com o filme preso. Então isso foi se perdendo ao longo do tempo por exigência, mesmo. O mercado começou a precisar de coisas mais rápidas, muito volume de trabalho, o que hoje em dia caiu assustadoramente. Hoje em dia não tem praticamente nada, as empresas estão praticamente paradas.</p>
<p><strong>Mas a sensação que se tem, ao menos de fora do mercado, é um maior número de filmes dublados. Por exemplo, muitos blockbusters que antes vinham só legendados, agora começam a ter uma demanda também de dublagem, e não apenas filmes infanto-juvenis&#8230;</strong><br />
Na verdade, esse ano a produção está baixíssima e a gente não sabe nem explicar por quê. Muitas coisas que estão passando já foram dubladas e a gente não sabe explicar por quê. Em São Paulo também diz que a produção está muito baixa, é só fase, a gente sabe que são os Estados Unidos. Esse ano está atípico, porque está muito ruim mesmo, algumas empresas até fecharam, o negócio está meio esquisito, nunca esteve tão ruim. Para o público isso não chega, porque as pessoas assistem aos filmes que já estão dublados, mas não sabem quando foram dublados, a não ser os que são lançamentos. Esses continuam: tem lançamento, blockbuster, daí é dublado mesmo. Mas o volume que tinha antigamente de quando começou a TV a cabo, era muita coisa, já não tem mais. Vários canais de TV a cabo não passam mais dublados, é um ou outro, Telecine Pipoca. O volume de filmes dublados na TV a cabo era maior e foi caindo, a AXN que passava dublado cortou, a Sony que passava dublado cortou. O mercado ficou meio estranho mesmo.</p>
<p><strong>Com a tecnologia 3D os filmes vão ter que necessariamente ser dublados. Qual é a perspectiva disso para vocês? Já começaram alguns trabalhos? Porque isso está engatinhando ainda no Brasil.</strong><br />
É, tá engatinhando. A gente estava na esperança da HDTV de aumentar realmente, pode ser que daqui a pouco aconteça. Quando implatarem o sistema em todas as emissoras, daqui a pouco realmente deve começar uma produção maior, mas ainda não está acontecendo. Acho que vai ter muita produção. O que a gente soube mais ou menos é que as emissoras vão ter que ter um tipo de programação 24 horas, vão ser muitas coisas interativas, daí você tem que poder, por exemplo, escolher o idioma do programa. Mas isso ainda não começou a acontecer efetivamente.</p>
<div id="attachment_675" class="wp-caption aligncenter" style="width: 581px"><img class="size-full wp-image-675" title="personagens-marcio-simoes" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2008/10/personagens-marcio-simoes.jpg" alt="Alguns dos personagens que ganharam a voz de Márcio Simões. Tem pra tudo que é gosto." width="571" height="293" /><p class="wp-caption-text">Alguns dos personagens que ganharam a voz de Márcio Simões. Tem pra tudo que é gosto.</p></div>
<p><strong>Pela sua voz, além do Gênio do Aladin, eu estou reconhecendo Will Smith, Samuel L. Jackson. Que outros atores ou personagens marcantes você dublou?</strong><br />
Vou tentar puxar aqui porque tem muitos. Fiz vários filmes do Samuel L. Jackson. Fiz <a title="The Matrix (1999) - IMDB" href="http://www.imdb.com/title/tt0133093/" target="_blank"><em>Matrix</em></a>, o Morfeu. Kevin Spacey também dublei várias vezes, como <a title="American Beauty (1999) - IMDB" href="http://www.imdb.com/title/tt0169547/" target="_blank"><em>Beleza Americana</em></a>. Alec Badwinn também. São tantos que se começar a puxar pela cabeça vai aparecer um monte.<br />
<strong><br />
E desenhos animados?</strong><br />
Da Disney eu fiz vários. Eu fiz <a title="A Bug's Life (1998) - IMDB" href="http://www.imdb.com/title/tt0120623/" target="_blank"><em>Vida de Inseto</em></a>, aquele gafanhoto mau. Fiz o <a title="Finding Nemo (2003) - IMDB" href="http://www.imdb.com/title/tt0266543/" target="_blank"><em>Procurando Nemo</em></a>, no qual eu era aquele peixe Gil que ficava no aquário e ajudava o Nemo. Em <a title="Lilo &amp; Stitch (2002) - IMDB" href="http://www.imdb.com/title/tt0275847/" target="_blank"><em>Lilo Stitch</em></a>, eu fazia o Stitch. E fiz agora a pouco tempo o <a title="Ratatouille (2007) - IMDB" href="http://www.imdb.com/title/tt0382932/" target="_blank"><em>Ratatouille</em></a>, no qual eu era o cozinheiro careca mau.</p>
<p><strong>Normalmente as pessoas que trabalham com comunicação, especialmente com cinema, são reconhecidas nas ruas, têm um rosto famoso. Mas como é com uma voz famosa? Você já foi reconhecido pela sua voz?</strong><br />
É porque na realidade como eu faço muito filme, minha voz tá toda hora na televisão, mas tem gente que não associa. Eu acho engraçado que às vezes eu entro em uma loja ou em um lugar qualquer e só peço uma coisinha, bem rapidinho, e tem gente que sabe dizer exatamente “peraí, você não faz o personagem daquela série tal, assim, assim?”. Isso é legal, porque eu não tinha noção, por exemplo, que a gente tem um fã-clube, eu não tinha noção disso, não tem esse retorno, não tem feedback. Mas aí com a internet, um amigo meu falou assim: “poxa, vi tua comunidade no Orkut”, e eu disse “eu tenho comunidade no Orkut?”. Aí um dia eu entrei e vi, realmente, que um monte de gente fala do meu trabalho, e eu não tinha noção disso. A partir daí eu participei de alguns encontros de anime e mangá. Em um evento na UERJ, aqui no Rio, foi interessante: o auditório estava cheio pra caramba e cada dublador foi se apresentando. Eles pediam pra se apresentar fazendo a voz do boneco tal, e o pessoal ia fazendo as vozes. Quando chegou a minha vez, eu só falei “boa tarde”. Rapaz, mas o auditório veio abaixo! “É o Will Smith!” (risos). Depois eu tive que dar autógrafo, foi legal pra caramba. A gente não tem esse retorno assim como um ator. Até acontece de vez em quando, entrar num estabelecimento e a pessoa reconhecer tua voz. Criança que é o mais legal. Uma vez aconteceu comigo que um amigo meu tava no telefone com o sobrinho, e pediu para eu falar com o garoto e fazer umas vozes. Mas o garoto não tava me vendo. O moleque foi à loucura! Eu fiz vários personagens pra ele, e na cabeça dele eram os personagens que tavam falando com ele. Ele não entendeu. “Como é que pode o Patolino falando comigo, o Frajola falando comigo?”. Na cabeça da criança é o personagem que fala.</p>
<p><strong>Uma pergunta sacana: na hora de assistir filme, você prefere dublado ou com legenda?</strong><br />
Olha, eu gosto muito do filme no original, mas eu ando assistindo muito filme dublado. No lançamento dos filmes que a gente faz, eu vou ao cinema pra ver, eu quero ver o trabalho, eu gosto de ver o trabalho do ator original e gosto de ver o dublado pra ver como ficou trabalho. E o último que eu fiz foi um trabalho legal, foi o Coringa do <a title="The Dark Knight (2008) - IMDB" href="http://www.imdb.com/title/tt0468569/" target="_blank"><em>Batman: O Cavaleiro das Trevas</em></a>.</p>
<p><strong>A atuação do Heath Ledger foi elogiadíssima&#8230;</strong><br />
Maravilhosa, pena que ele morreu, olha que carreira que ele tinha pela frente ainda.</p>
<p><strong>No que você se inspirou pra dublar esse personagem? </strong><br />
Foi difícil, porque o cara entrou no personagem mesmo, o cara era mau pra caramba. E que extensão de voz interessante, porque na verdade pra mim ele é muito novo, eu não dublaria naturalmente, pois minha voz é para um cara um pouco mais velho, não casa com ele. Mas naquele personagem, sim. Ele compôs o personagem com a voz mais macabra, soturna mesmo, grave. E daí ficou perfeita a minha voz. Mas se algum dia você dissesse pra mim pra eu dublar o Heath Ledger, eu ia dizer que vocês ficou maluco, o cara é novinho, como é que minha voz ia combinar com a dele? Mas nesse personagem combinou.<br />
<strong><br />
Como funciona a preparação? Vocês têm tempo filme de ver os filmes ou se dubla direto?</strong><br />
Nada, entra no estúdio e vai vendo na hora. Um filme ou outro dá tempo de pegar na locadora e assistir em casa pra se preparar. Mas no dia-a-dia da gente não dá tempo. Você entra no estúdio, ensaia uma, duas, três vezes, depois pega o jeito e vai embora. A prática ajuda, são 22 anos fazendo isso todo dia, você acaba se acostumando. Mas mesmo assim tem um sempre algo em que você tropeça. O dublador que diz que já sabe tudo tá morto, porque todo dia você encontra uma dificuldade, todo dia você encontra um filme difícil pra caramba, que você tem que parar, às vezes você não consegue chegar lá, o trabalho é tão bom que você tem que suar a camisa pra chegar. Esse do <em>Batman</em> aconteceu isso.<br />
<strong><br />
A maior dificuldade é quando alguém fala muito rápido? Com a boca fechada?</strong><br />
Que fala muito rápido. E americano adora falar muito rápido. Ou então o cara cria uma coisa que você deveria ter tempo de fazer um laboratório, pra você entrar no personagem, mas como a gente não tem tempo, você tem que entrar meio na marra. E isso deveria ser o certo, mas pra gente é tudo contra o relógio, nosso trabalho é contra o relógio sempre. Sempre que estamos no estúdio, o relógio tá contando. Então mesmo um filme mais difícil, a gente até tem um pouco mais de tempo pra fazer, não é aquela coisa corrida, mas você não pode perder uma hora pra ensaiar uma cena. Não existe isso na dublagem, você tem três minutos e você tem que se virar ali. O negócio é meio brabo, ou você se adapta e aprende a fazer, ou então&#8230; Mas um dos filmes mais difíceis que eu vi, que inclusive nem fui eu que fiz, foi o Mauro Ramos, que também é um outro excelente dublador, é aquele <a title="Shine (1996) - IMDB" href="http://www.imdb.com/title/tt0117631/" target="_blank"><em>Shine</em></a>, que é sobre um cara que surtou. Ele era pianista e aí o pai dele exigia e ele acabou surtando. O ator falava rápido, mas você entendia tudo que ele falava, ele falava a frase e repetia umas três vezes, aí você entendia tudo que ele falava no inglês, não era aquela coisa de enrolação. Isso deu um trabalho danado pro Mauro fazer. É um filme desses que você acha que vai chegar na hora e vai fazer tranqüilamente e não faz, quebra a cara mesmo, nesse tipo você perde tempo, você tem que fazer frase por frase e bem devagar.</p>
<p><strong>Quanto tempo dura normalmente a dublagem de um personagem principal de um filme de duas horas?</strong><br />
Em média, o papel principal de um filme assim você faz no máximo seis horas num dia e seis horas no outro. Em geral é seis ou oito horas, no máximo, de dublagem.</p>
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