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	<title>Blog do jornal CineSemana &#187; Entrevista</title>
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		<title>José Carlos Avellar e o que esperar do Festival de Cinema de Gramado 2011</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 23:35:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faraon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cinema de Gramado]]></category>
		<category><![CDATA[José Carlos Avellar]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Apenas três dias antes da abertura oficial do 39º Festival de Cinema de Gramado, conversamos com o crítico carioca José Carlos Avellar, que há seis anos consecutivos é um dos curadores do festival, ao lado do documentarista Sérgio Sanz. Além de contar o que o público pode esperar das mostras e dos fimes selecionados, ele falou sobre a homenagem aos 80 anos da primeira exibição de <em>Limite</em>, de Mario Peixoto, a respeito das características que unem as cinematografias brasileira e latino-americana e sobre a ausência do Kikito de Cristal nesta edição. Confira a seguir.</p>
<p><strong>Que novidades esta edição do festival apresenta em relação às demais e que poderiam ser destacadas?</strong></p>
<p>Há muito o que se destacar. Em primeiro lugar, acho que merecem atenção especial os filmes de abertura e de encerramento. Acho que o filme do Selton Melo e o do Eduardo Nunes, que são fora de competição, criam uma moldura muito especial para o festival. São dois trabalhos especialmente criativos e que atendem a uma coisa que estava no ar enquanto nós fazíamos a escolha dos filmes para o festival desse ano, que é a comemoração dos 80 anos de projeção do primeiro filme do Mario Peixoto, <em>Limite</em>. Nós conseguimos inserir no programa um documentário sobre o Mario Peixoto que vai ser exibido no último dia, o encerramento da Mostra Panorama, justamente pra destacar esse aniversário. Me parece que é a expressão bem radical, bem clara daquilo que o festival procura encontrar e dar espaço sempre, que é um cinema autoral no Brasil e na América Latina.<span id="more-4219"></span></p>
<p><strong>O que o público pode esperar da seleção de filmes desse ano? O que a curadoria buscou entre os inscritos?</strong></p>
<p>A gente segue na mesma busca que a gente tem feito normalmente. São filmes de expressão autoral, e tentar organizar o programa de modo que um filme possa ajudar o espectador a compreender o outro filme. Isso porque a gente sabe que os cinemas que nós produzimos no Brasil e na América Latina não obedecem a fórmulas ou gêneros já conhecidos, e que, portanto, não precisam ser muito analisados nem muito explicados, pois são repetidores de formas de composição já decifradas de alguma maneira. Então nós buscamos filmes que possam ter algumas semelhanças de estilos ou de temas, de modo que o espectador, passando por um, pode compreender melhor determinadas opções do realizador no filme seguinte. É isso que nós tentamos fazer. É significativo neste ano também que a grande maioria dos filmes que estamos apresentando sejam coproduções entre países da América Latina, e às vezes também com a participação de Espanha e Portugal.</p>
<p><strong>Por que isso é importante?</strong></p>
<p>Acho que isso é bem especial, porque na verdade nós temos uma circulação ainda muito pequena de filmes latino-americanos dentro da América Latina. E o fato de que estes produtos que nós estamos aqui apresentando sejam coproduções se deve mais a uma identificação pelos produtores de que trabalhamos em bases comuns, temos pressões de mercado comuns, temos soluções formais muito parecidas, ou seja, existe um diálogo natural que se dá entre os realizadores, embora esses filmes não estejam tendo a possibilidade de conseguir uma igual conversa com os espectadores. E o festival de certa maneira busca criar uma brecha no mercado de modo que alguns filmes que aqui se exibam possam ter uma sequência nume spaço comercial.</p>
<p><strong>E essas coproduções são feitas de modo a facilitar apenas a realização, o financiamento do filme, ou o intercâmbio ultrapassa as questões econômicas da cinematografia?</strong></p>
<p>Não é apenas uma coprodução econômica, financeira, de buscar somente recursos no país vizinho. A gente está indo buscar também algumas formas de narração, algumas soluções formais que fazem parte naturalmente de um país e acaba passando pro outro. Nesse sentido, eu acho que não só as coproduções, mas no contato com esses outros tipos de filme, esse aprendizado se realiza. Por exemplo, esse ano temos produções do Uruguai, do Caribe, de países de pequeno mercado, de pequena capacidade de investimento e que, no entanto, estão produzindo cinema de qualidade. Me parece que o contato com essas produções, para um produtor brasileiro, pode servir, como já tem servido, como uma referência quanto à possibilidade de produzir filmes com orçamento menor. Nós estamos fazendo filmes com orçamentos mais caros que os Mexicanos e Argentinos, por exemplo. E acho que entrar em contato com esses filmes pode ajudar a identificar soluções de narração, soluções de produção que possam ser incorporadas ao nosso cinema de maneira mais ou menos espontâneas. Algumas produções já encontraram esse caminho. Temos aqui coproduções entre Colômbia e Brasil, entre Chile e Argentina, entre Uruguai, Colômbia e Venezuela. Aí existe alguma coisa que nós estamos procurando refletir no festival, essa busca de coprodução entre os países da América Latina. É diferente daquele tipo anterior onde se ia sempre buscar um parceiro economicamente mais forte. Aqui nós estamos buscando um diálogo entre iguais.</p>
<p><strong>Como foi a proporção de inscritos entre documentários e filmes de ficção? Nos últimos anos os documentários vinham sendo maioria.</strong></p>
<p>Ainda tem uma presença muito forte, seja em documentários diretos ou filmes que são realizados como ficção, mas apoiados em processos de trabalho de documentário: muito ligados à realidade imediata, feitos com cenas com grande abertura para a improvisação, recriações a partir do calor do momento. Cria uma instabilidade criativa, onde só há uma ideia do que vai acontecer, mas não mais o controle absoluto sobre a cena. Nisso, a lição do documentário é muito forte.</p>
<p><strong>Na mostra competitiva brasileira, há total equilíbrio, mas na mostra competitiva estrangeira há somente um documentário selecionado. Há uma preocupação da curadoria em equilibrar ou então em selecionar os filmes proporcionalmente à quantidade de inscrito ?</strong></p>
<p>Na Mostra Panorama há outros dois documentários latino-americanos. A gente pensa sempre na programação como um todo, não apenas ao que está na competição. A escolha é feita sem que a gente preste atenção para um equilíbrio entre um gênero e outro. Ela é feita a partir dos filmes que nós julgamos que podem compor uma programação mais harmoniosa, mais desafiadora. Que um filme questione o outro ou explique o outro. Só depois de compor uma coisa ideal é que a gente vai observar quantos documentários ou quantos filmes de ficção foram selecionados. No momento da seleção, os filmes são vistos como filmes e ponto. Procuramos não diferenciar o que é um e o que é outro, até porque isso é uma característica muito especial do cinema da América Latina. As pessoas fazem uma ficção, depois um documentário, depois voltam pra ficção.</p>
<p><strong>E essa fronteira, que nunca se conseguiu delimitar claramente, hoje em dia é mais porosa, mais inexata do que nunca.</strong></p>
<p>Exatamente. A gente tem procedimentos muito misturados. A não ser em cinema de produção industrial mais forte, onde há uma série de fórmulas. Aí sim, há um conjunto de receitas nas quais apenas se encaixa uma história. Nós não temos um cinema de gênero. Há alguma coisa, mas não existem os personagens característicos que se repetem a cada filme policial, a cada filme romântico. Essa mistura de formas, de gêneros, é uma característica de filme que nós temos.</p>
<p><strong>Por que o Kikito de Cristal não será concedido a ninguém neste ano?</strong></p>
<p>Esse ano, a direção decidiu não concedê-lo a ninguém, concentrar-se nas outras homenagens. É uma decisão da direção geral do festival. É possível que em outro ano seja distribuído até mais de um Kikito de Cristal. É possível também que a direção esteja pensando em, no ano que vem, oferecer um Kikito de Cristal especial dos 40 anos de Gramado. Essa premiação não está extinta, apenas não será concedida neste ano.</p>
<p><strong>Quando do anúncio oficial da programação, houve alguma polêmica em torno da presença de <em>Riscado</em>, de Gustavo Pizzi, que recém competiu no Festival do Rio e que já foi exibido em Porto Alegre, no Festival de Inverno do RS. O que você poderia dizer a respeito da escolha deste filme?</strong></p>
<p>A gente procura sempre buscar filmes que possam sair benefciados da proximidade do lançamento com a época do festival. Temos não apenas esse, mas há vários outros exemplos de filmes que serão lançados quase juntos com Gramado ou logo em seguida ao festival. A gente não se preocupa em fazer uma seleção que contenha APENAS filmes inéditos, mas temos uma programação com grande parte dos filmes inéditos. Como nós podemos utilizar no festival filmes que não tenham tido exibição comercial no Rio Grande do Sul, nós optamos por <em>Riscado</em>, entre outros, alguns em competição que já estiveram em outros festivais, outros fora de competição já premiados em outros festivais. Serve pra que a gente comece a criar um espaço de circulação para esses filmes.</p>
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		<title>Para colocar a cultura do RS no compasso do século 21</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Feb 2011 20:26:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faraon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Antonio de Assis Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[secretário de cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Romancista com quase duas dezenas de livros publicados, violoncelista integrante por 15 anos a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e professor universitário, Luiz Antonio de Assis Brasil assumiu a Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, no último mês de janeiro, sob os olhares esperançosos da classe artística. Sua tarefa, conforme [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3977" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-3977" title="assisbrasil" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2011/02/assisbrasil.jpg" alt="" width="400" height="603" /><p class="wp-caption-text">Luiz Antonio de Assis Brasil, secretário de estado da cultura do RS</p></div>
<p><em>Romancista com quase duas dezenas de livros publicados, violoncelista integrante por 15 anos a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e professor universitário, Luiz Antonio de Assis Brasil assumiu a Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, no último mês de janeiro, sob os olhares esperançosos da classe artística. Sua tarefa, conforme ele mesmo diz, é apartar conflitos e dinamizar a produção cultural do estado, levando-a ao século 21. Para isso, entretanto, terá que recuperar o muito tempo perdido e desfazer uma série de entraves que vêm atrasando o setor, entre eles o puro desinteresse político na área, traduzido na falta de recursos. E com sua reputação em jogo, ele afasta qualquer suposição sobre ser apenas uma figura decorativa na pasta: “eu estou no comando”.</em></p>
<p><strong>Por que o senhor resolveu aceitar o convite para ser o secretário da cultura?</strong></p>
<p>Eu pensei assim: alguma coisa tem que ser feita pela cultura. Temos vários problemas um pouco complicados na cultura nos últimos tempos, uma situação de conflito entre órgãos: secretaria e conselho. Alguma coisa precisava ser feita. Pensei sobre o assunto, achei que deveria encarar até como um compromisso com a minha geração, de fazer algo pela minha geração. A gente sabe que a literatura é que vai ficar. É visível, não existem restos invisíveis, mas perceptíveis, por uma questão de tempo. Mas o estado da situação é que eu tenho um conhecimento da rede cultural do estado e sei onde estão os problemas. E eu sei bem onde estão. E me permiti, assim, aceitar. Por outro lado, também, o governo me deu muita liberdade na composição dos cargos, isso me permitiu fazer várias escolhas, pela competência, pelo currículo. Enfim, é mais como eu me senti na obrigação de fazer alguma coisa pela minha geração. <span id="more-3972"></span></p>
<p><strong>O senhor disse que sabe onde estão os problemas. É possível apontá-los claramente? Onde eles estão?</strong></p>
<p>Eu acho que tem alguns muito claros, como o orçamento da cultura, que nós herdamos da gestão anterior e que corresponde a 0,07% do orçamento geral do estado. E é o menor de todos os estados do país, considerando a cultura que nós temos aqui, ser o último é uma coisa muito complicada. Acho que essa seria uma questão prioritária para ser resolvida. A gente está com um projeto de recuperação orçamentária não só de fundos do estado, que a gente sabe que não está sobrando, mas também de outros lados, como o ministério da cultura e outras estatais. Outro problema era a ruptura entre a secretaria e a comunidade cultural, que foi bastante grave, e fez com que as pessoas deixassem de acreditar, inclusive, na Lei de Incentivo à Cultura. Então, recuperar esse dialogo e fazer com que a gente trabalhe com a comunidade cultural. Por outro lado, algumas instituições que deixaram de existir, como o Instituto Estadual do Livro, isso é uma questão de honra, recuperar o IEL, um cenário histórico. Bom, o museu Júlio de Castilhos, a OSPA sem sede, mas já conseguimos colocar 20 milhões no orçamento da união, no projeto de 32 milhões, vai dar para o início. Bom, eu poderia falar de diversas instituições, mas o principal é a falta de diálogo.</p>
<p><strong>O senhor deu algumas declarações a respeito de levar a cultura para o século 21, como se o Rio Grande do Sul estivesse um pouco atrasado, ou os gaúchos, talvez em um sentimento autossuficiente, estivessem se encarcerando e regozijando do próprio cárcere. Há como reverter isso?</strong></p>
<p>É claro. Certos meios se orgulham de uma pseudo-autossuficiência do estado, não é isso, a gente sabe que o estado precisa recuperar seu poder político, que perdeu no decorrer do tempo. Existe uma espécie de volta ao passado, valorização de alguns elementos culturais do passado, por parte de pessoas que não entendem que cultura é um processo. Cultura não é estática. E eis que, como todo o processo, ele se altera, não interessa se para o bem ou para o mal, mas ele se altera. Então temos que entender isso. Nós temos uma história forte, mas temos que ir além disso, colocar o Rio Grande do Sul  no compasso do século 21. Estar aberto às experiências internacionais de criação da parte artística. Até que a Casa de Cultura [Mario Quintana] se torne esse espaço de contato com a cultura internacional contemporânea.</p>
<p><strong>E há como fazer isso sem abrir mão da tão falada identidade regional?</strong></p>
<p>Na verdade, nós temos identidades no Rio Grande do Sul, é difícil falar em uma identidade, a não ser em aspectos superficiais, modismos, cantar o hino, mas isso não significa ter uma identidade. Por que nós temos culturas em contato no Rio Grande do Sul, culturas híbridas, muito difícil definir o gaúcho. Você pergunta quem é o gaúcho, e todos pensam no gaúcho da metade sul, que mora no campo, masculino. Mas não é assim, nós temos culturas híbridas, zonas de contado entre as culturas das colônias: alemã e italiana. Assumir algum tipo de conduta identificada com essa pseudo-hegemonia do gaúcho da campanha é superficial. Nós temos que ver a profundidade, e falar em culturas do Rio Grande do Sul, e trabalhar com elas.</p>
<p><strong>Nesse sentido, qual o papel da Casa de Cultura Mario Quintana? Virar uma espécie de &#8220;casa de culturas&#8221;?</strong></p>
<p>Pode ser, mas especialmente que se volte para receber e transformar e discutir a cultura contemporânea expressa nas artes. As artes são as representações simbólicas, cultura é bem mais que isso. Mas no caso da CCMQ, ela estará aberta àquelas manifestações culturais que não encontram suporte no mercado, e que possam ter espaço para se apresentar. Aí depende do estado incentivar essas apresentações, sem interferir na produção, claro, isso é para o artista. Mas fazer com que esses meios circulem o mais amplamente possível.</p>
<p><strong>O senhor também já se referiu à vontade de ver a CCMQ levantar polêmicas&#8230;</strong></p>
<p>Mas se há cultura ativa, há polêmica, isso faz parte, a história da arte se alterou assim, o impressionismo foi uma ruptura com o romantismo dominante, no caso da França.</p>
<p><strong>O fato da CCMQ estar quase à deriva, sem receber maiores críticas ou elogios, significa na verdade uma atual falta de importância?</strong></p>
<p>É, mas assim, na verdade não é atualmente, a CCMQ nunca teve um rosto. Nunca se soube o que era a Casa de Cultura. Não tinha uma orientação da natureza cultural que a gente pudesse identificar, e eu espero que isso a gente consiga fazer, esse processo de identificação pública com a Casa de Cultura Mario Quintana.</p>
<p><strong>Sobre o novo teatro da OSPA, há uma discussão sobre o perfil da casa a se construir. Gostaria de saber como isso está andando e quem está participando dessas discussões junto com a secretaria?</strong></p>
<p>Existe um projeto que foi encomendado pela direção da OSPA do governo anterior, ele é um projeto que contempla uma sala de concertos. Há dentro da comunidade cultural algumas pessoas, ligadas especialmente às artes performáticas, , que gostariam de ver aquilo como uma casa que pudesse abrigar todos os espetáculos. A ideia é interessante, mas nós temos outras casas que podem abrigar esses espetáculos, como Theatro São Pedro, Teatro do Sesi. Portanto, já é o momento da cidade ter uma casa para concertos, estamos maduros para tal, um lugar onde se apresentem somente orquestras de câmara e orquestras sinfônicas.</p>
<p><strong>E essa é uma opinião pessoal do ex-violoncelista ou do secretário?</strong></p>
<p>Teria como dissociar as duas opiniões. Mas no caso eu não estou dissociando, eu vejo uma convergência. Pessoalmente, me agrada uma ideia de uma sala de concertos. Isso significa maturidade social, e que existe uma maturidade de concertos.</p>
<p><strong>Existe qualquer tipo de previsão para o início efetivo das obras ou dia da entrega?</strong></p>
<p>Claro, vamos fazer tudo para entregar até o final da gestão. E o mais rápido possível. Nós temos um processo orçamentário federal, ele é um pouco lento. A verba está lá, mas não há dinheiro. Aliás, toda bancada federal do Rio Grande do Sul  votou a favor. Foi pedido R$ 50 milhões, mas daí corta aqui, corta ali, e chegamos a este valor. O projeto como ele está hoje é de R$ 32 milhões, então assim que tivermos o dinheiro na verba, vamos começar a trabalhar.</p>
<p><strong>Outro ponto crítico da cultura no estado é o Instituto Estadual do Livro. Qual será o papel dele na sua gestão?</strong></p>
<p>O Instituto Estadual do Livro já é a terceira ou quarta vez que é ressuscitado. Nós já estamos começando a trabalhar, já iniciamos o projeto Autor Presente, a partir de março começam as visitas dos escritores. Vamos pagar mais dignamente, também. Os escritores ganhavam R$ 200 reais, já subimos para R$ 500, para valorizar o trabalho do escritor. Estamos com uma previsão bastante interessante de atuações, de centenas de visitas dos autores às escolas. Estamos encaminhando o Prêmio do Estado do Rio Grande do Sul, possivelmente teremos um prêmio com o patrocínio da Petrobrás. Isso me ocorreu pelo prêmio da Associação Portuguesa de Escritores, que é bancada pela empresa estatal de petróleo em Portugal. Acho que vai dar certo, então seria um prêmio substancial, acima de R$ 100 mil. Mas também, como segundo prêmio, a publicação desse livro e a distribuição na rede escolar. Por outro lado, o prêmio de edições que eu vou ter que conversar melhor com o Silvestrin [Ricardo, diretor do IEL], mas mudou bastante o cenário editorial do Rio Grande do Sul do que era há 30 ou 40 anos, quando foram publicados em primeira edição romances da Lya, Caio Fernando Abreu, eu, Carlos Carvalho, em que não havia muitas editoras. Isso mudou bastante, nós já temos editoras que estão publicando autores jovens, como a Não Editora, a Dublinense e mais umas duas ou três. Em que a gente verifica que o autor mais jovem consegue publicar suas obras mais facilmente. Então, a gente precisa pensar em coisas mais difíceis de serem publicadas como a poesia. Pensar em coisas mais difíceis de serem publicadas e também as obras já clássicas da literatura gaúcha. Também já começamos com o Festipoa Literária.</p>
<p><strong>Levar os autores para as escolas é uma iniciativa ótima. Mas e os livros desses autores?</strong></p>
<p>Normalmente, como era no passado, nós tínhamos o escritor, mas eram dados os livros que se tinha no mercado, porque é problemático o autor ali e as pessoas não terem livro. Ou ter somente quatro exemplares na biblioteca da escola e não ter em circulação, aí o que acontece é que acabamos indiretamente estimulando o xerox. A metodologia anterior era privilegiar os livros que estão em circulação no mercado.</p>
<p><strong>Ao aceitar o cargo de secretário, o senhor carrega uma expectativa muito grande, também por ser uma pessoa respeitada no meio cultural. Você sente algum receio de que um possível insucesso da secretaria acabe respingando na sua carreira literária, artística e até acadêmica?</strong></p>
<p>Sim, claro que sim, e isso é um risco. Mas eu confio que tendo o governador que nós temos, que é poeta, que é contista, nós vamos ter condições de realizar um bom trabalho. Eu estou vendo que esse apoio, que chega a ser assustador, eu tenho o apoio do governo do estado, estou verificando a implantação de um bom projeto, inclusive com estatais, nós estamos bem adiantados. Nós estamos reproduzindo a organização do Ministério da Cultura, inclusive com projetos setoriais, como artes plásticas, dança, música, arte digital. Nós vamos trabalhar e fazer propostas para definir o destino cultural do estado. É uma coisa meio difícil, pode até parecer demagógico, mas é que nós temos uma comunidade cultural muito ativa no Rio Grande do Sul. E eu me surpreendo o quanto ela é criativa, o quanto tem pessoas com boas ideias, e nós vamos atrás disso. O temor de que possa dar errado há, digamos assim, e isso faz parte da vida.</p>
<p><strong>Há comentários de que o senhor poderia estar aqui bem mais como uma entidade representativa do que, digamos assim, como o tocador das atividades. Mas à medida que você colocas a sua história numa vidraça, é para tomar as rédeas, não é?</strong></p>
<p>Sabe que ninguém me perguntou isso. Eu sei o que as pessoas pensam, claro, natural. Mas eu, no decorrer desses 40 dias – parece que já faz um monte, mas são 40 dias –, eu me vi muito mais administrador do que eu achei que seria. Na verdade, eu estou no trabalho, eu tenho pessoas muito boas, realmente admiráveis. Por outro lado, tem uma coisa que as favorece muito que é a juventude. Eu sou o mais velho de todos. São todas pessoas aí na casa dos 30 anos, não mais do que isso. Pessoas muito batalhadoras, muito fortes e que estão comigo. A gente traça as diretrizes e vamos trabalhar nisso. Eu estou no comando e eu respondo pela Secretaria, seja para o bem ou para o mal. Se eu não estiver no comando, eu não vou ter como responder depois. Então eu preciso ser responsável e é essa a resposta que eu tenho que dar à comunidade cultural.</p>
<p><em>Em fevereiro, CineSemana publica uma série com entrevistas com os novos secretários de estado da cultura do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Na semana que vem, Cesar Souza Junior.</em></p>
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		<title>“Eu quero fazer uma História pop”</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 13:46:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faraon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Bueno]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Peninha]]></category>

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		<description><![CDATA[Escritor, tradutor, jornalista e editor, Eduardo Bueno, o Peninha, já escreveu mais de 20 livros, a maioria deles sobre História do Brasil. Agora, ele está relançando, pela editora Leya, Brasil: uma história, com quase 500 páginas ilustradas que abrangem desde o período pré-descobrimento até o governo Lula. Nesta entrevista, Peninha fala sobre o sucesso editorial, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-3688" title="peninha" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2010/09/peninha.jpg" alt="" width="192" height="288" />Escritor, tradutor, jornalista e editor, Eduardo Bueno, o Peninha, já escreveu mais de 20 livros, a maioria deles sobre História do Brasil. Agora, ele está relançando, pela editora Leya, <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11034583&amp;sid=87364021712621621022438318&amp;k5=239EA3EB&amp;uid=">Brasil: uma história</a></em>, com quase 500 páginas ilustradas que abrangem desde o período pré-descobrimento até o governo Lula. Nesta entrevista, Peninha fala sobre o sucesso editorial, o interesse pela História e não fugiu da polêmica sobre a suposta falta de rigor de seus livros.</p>
<p><strong>Quantos exemplares você já vendeu só de livros de História?</strong></p>
<p>Mais de meio milhão. Só aquela coleção Terra Brasilis vendeu cerca de 500 mil exemplares. Somando todos os meus livros de mercado, eles venderam mais de 600 mil. Porque é o seguinte, eu já fiz 26 livros, mas só dez de mercado, os outros 16 são institucionais. Alguns deles vão sair pela própria Leya, entre eles um sobre a história da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, que eu fiz quando a avenida completou cem anos, em 2005, para a Caixa Federal.</p>
<p><strong>Em um lugar no qual se lê pouco e as pessoas não parecem muito interessadas na história do próprio país, como é virar um best-seller justamente de livros sobre a História do Brasil?</strong></p>
<p>Pra mim, é uma honra. Eu já tive grandes momentos na minha vida. Eu sou o cara que traduziu o <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=5019838&amp;sid=87364021712621621022438318&amp;k5=972B4E4&amp;uid=">On the road</a></em>, clássico da geração beat, do Jack Kerouak, e todo mundo achava que o livro era só pra hippie, que não ia vender nada, e vendeu 122 mil exemplares, um lance incrível. Depois, eu tive a chance de conhecer ao vivo o Bob Dylan, que eu venero. De todos esses momentos felizes profissionalmente, o maior deles é esse orgulho de ter tornado a história um negócio pop e de provar o que eu sempre soube, que os brasileiros gostam de ler, sim, e gostam da sua história. O que eles não querem é aquela história do colégio, aquela chatisse. E aí é uma glória pra mim. Me sinto muito, muito orgulhoso.<span id="more-3687"></span></p>
<p><strong>Quando você é alvo de crítica, é sempre por esse lado pop, pela suposta falta de rigor. Quais são as suas fontes quando escreve?</strong></p>
<p>Seguinte: duas coisas têm que ficar claras. A primeira é que eu não sou historiador, não me pretendo historiador e os meus livros não são uma investigação historiográfica. Segundo: são, sim, livros de divulgação, livros de interesse geral. Só que, às vezes, eu fui acusado de fazer livro de divulgação. E é justamente o contrário: eu me orgulho de fazer livros de divulgação. Eles são feitos pra isso mesmo, divulgar e popularizar a História. Agora, eu não acho que falte rigor neles. Pode faltar o método acadêmico, uma coisa mais formal, e eles não têm porque nunca foi meu interesse. Eu quero é pegar o público que jamais vai pegar um livro acadêmico. E tem outra coisa: os grandes historiados, todos eles saíram em minha defesa. As críticas partiram muito mais de professor de História, especialmente professor universitário. Eu nem precisava dizer porque gera polêmica, mas eu não fujo da polêmica: eu acho que meus livros despertaram o feio sentimento da inveja (risos).</p>
<p><strong>O seu interesse sobre a História do Brasil vem de onde?</strong></p>
<p>Eu sempre fui apaixonado pela História. Com 8 ou 9 anos, eu escrevi o meu primeiro livro, que era sobre o Egito Antigo – porque eu defendia uma tese de que eu vivia no Egito numa vida anterior, no que, aliás, ainda acredito (risos). Então fiz uma compilação. Todo o dinheiro da minha mesada eu gastava com livros sobre o Egito Antigo. Depois, eu passei pra Pré-História, que é uma coisa que eu me amarro também. Mas no colégio eu nunca pude desfrutar dessa paixão que eu tinha pela História. Até porque eu entrei no colégio em 1963, no pré-primário, em 64 teve o golpe militar, e eu saí do colégio em 1975. Portanto, toda a minha vida escolar se deu dentro do período do regime militar, onde o estudo da História era ainda pior. Pra mim foi um tormento.</p>
<p><strong>Você costuma trabalhar com escolas, dar palestras?</strong></p>
<p>Eu tenho muito convite para dar palestras em escolas, mas só dou em escola pública, de periferia. Porque eu não tenho tempo de dar tanta palestra assim e porque eu cobro para palestrar em empresa, reuniões de fim de ano, essas coisas. Então eu não dou palestra em colégio particular. E daí eu vejo que apesar de muitos professores de História terem as suas limitações, na verdade muitos deles são heróis. Porque você vai dar aula pra garotada, e vê os caras com zero interesse, entendeu? Eu, às vezes, começo a gritar lá na frente nas palestras. “Olha aqui, vamos prestar atenção, seus vagabundos, senão vão levar porrada” (risos). Porque neguinho vai pro colégio de saco cheio por uma série de motivos, achando que vai ser aquela lenga lenga. E comigo não tem lenga lenga. Mas eu já tive dificuldade de atrair a atenção dos caras. Então vi as imensas dificuldades que os professores têm. Há os dois lados. Neguinho sempre fala mal dos professores: por um lado, com razão, mas por outro o cara não tá nem interessado no que eles têm a dizer. E os meus livros já foram adotados em alguns colégios – colégios particulares, claro, da elite – mas sempre como livro auxiliar, porque não faz sentido eles serem adotados como livro-texto. Porque eu não sou historiador, porque eles são livros fora do padrão tradicional. Eu acho que eles são bons companheiros adicionais, e nesse sentido já foram adotados, o que muito me orgulha, além do dinheirinho que entra, né.</p>
<p><strong>Atualmente você apresenta programas no History Channel. Como surgiu a oportunidade? Pretende levar adiante mais projetos na TV?</strong></p>
<p>Como jornalista, eu já tinha trabalhando bastante na televisão. Eu tinha sido repórter de esporte da TV Globo em 1980. Depois, em 1983 e 84, eu apresentei um programa diário aqui na TVE do Rio Grande do Sul, um programa de cultura pop chamado Pra Começo de Conversa, super rebelde, pop e contestador. Depois, fiz outras coisas, trabalhei na TV Manchete. Aí, como sou muito amigo do [Pedro] Bial, ele me convidou para fazer o É Muita História, que foi o pico de audiência do Fantástico nos oito domingo que os programas foram ao ar. E foi muito legal, porque o programa era bem mordaz. Mas estava muito ligado ao Bial, e o foco dele tá no Big Brother. Ele tem seus motivos. Não deu pra continuar por isso, e eu saí fora. Daí teve esse convite do History Channel. O que eu faço é apresentar os programas especiais, que vão ao ar nas segundas e sextas-feiras, às 20h55. Mas eu tenho convites pra fazer coisas maiores, de mais fôlego por lá. E eu tô afim de fazer, porque eu acho que se eu quero fazer uma história pop, a história tem que estar também na TV e no computador.</p>
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		<title>Gramado 2010: Avellar defende as mostras paralelas e os filmes fora de competição</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 14:39:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faraon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Premiação]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cinema de Gramado]]></category>
		<category><![CDATA[José Carlos Avelar]]></category>

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		<description><![CDATA[Exclusivamente para os leitores do blog, disponibilizamos na íntegra a entrevista com o crítico José Carlos Avellar, um dos curadores do Festival de Gramado, publicada no jornal CineSemana e que estará também nas páginas do Diário do Festival, publicação oficial do evento.
O papo foi longo, mas valeu. Além do aumento do número de dias do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3631" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Avellar.jpg"><img class="size-full wp-image-3631" title="Avellar" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Avellar.jpg" alt="" width="300" height="410" /></a><p class="wp-caption-text">José Carlos Avellar (Foto: Edison Vara/Press Photo)</p></div>
<p>Exclusivamente para os leitores do blog, disponibilizamos na íntegra a entrevista com o crítico José Carlos Avellar, um dos curadores do Festival de Gramado, publicada no jornal CineSemana e que estará também nas páginas do Diário do Festival, publicação oficial do evento.</p>
<p>O papo foi longo, mas valeu. Além do aumento do número de dias do evento, Avellar também falou sobre a escassez de salas em Gramado, sobre o grande momento por que passa o cinema documental e, sobretudo, defendeu as mostras paralelas e os filmes fora de competição como elementos essenciais para o crescimento do festival.</p>
<p><span id="more-3630"></span></p>
<p><strong>Quais as principais as novidades do festival deste ano em relação ao ano passado que merecem destaque?</strong></p>
<p>O que a gente está apresentando esse ano como uma coisa que não existia ano passado é a criação de um prêmio para os filmes exibidos na mostra panorâmica que nós fazemos na parte da tarde. Esses filmes vão receber um prêmio dado por um júri de estudantes de cinema. É um deslocamento para uma sessão do festival que reúne filmes que, do nosso ponto de vista, são tão significativos quanto os que estão na competição, mas que não estavam conseguindo uma visibilidade maior porque as pessoas costumam ver um festival como uma espécie de campeonato de filmes. Então, o que parece ter importância são apenas as competições dos filmes de longas-metragens brasileiros e latino-americanos e a competição de curtas-metragens. Mas temos também num conjunto de filmes que estão exibidos na mostra panorâmica à tarde uma representação bastante significativa. Esse ano, com mais dois dias de exibição do festival, melhora ainda a possibilidade de que a gente tenha um conjunto de filmes que devam ser destacados.</p>
<p><strong>Desde que você e o Sérgio Sanz entraram na curadoria, têm se preocupado em aumentar as mostras paralelas&#8230;</strong></p>
<p>Claro, um festival não deve ser feito apenas para privilegiar o filme que sai vencedor da competição. Esse filme recebe um destaque, mas é preciso que todos os filmes que estejam dentro do programa recebam também um destaque, uma apresentação, alguma coisa que possa chamar a atenção para eles, porque o que acontece num festival é que os filmes interagem. Um deles estimula, explica, discute com o outro. Então é preciso chamar a atenção para isso. Por exemplo, esse ano, o festival como um todo conseguiu uma composição bastante estimulante na mostra competitiva de filmes brasileiros, porque nós temos quatro diretores que estão apresentando seus primeiros filmes de longa-metragem e quatro diretores que já fizeram mais de um filme. Eu acho que essa reunião, essa possibilidade de você entrar em contato com um diretor que você ainda não viu trabalhos anteriores dele em longa-metragem, e esses filmes estarem misturados a quatro outros filmes de diretores já conhecidos dá um equilíbrio estimulante. Um filme acaba ajudando o outro, uma atitude, um processo de narração, um processo de produção acaba ajudando a compreender o outro, discutindo o outro.</p>
<p><strong>No ano passado, quando ventilada a possibilidade de mais dias para o festival, você falou que não se aumenta festival com mais dias, mas com mais salas.</strong></p>
<p>Evidente. Existe um projeto da cidade de construir um conjunto de salas ao lado do cinema já existente, de modo que você possa ter uma programação mais intensa. Não é o nosso papel, mas em reuniões, quando nós estamos com a decisão dos títulos que vão ser selecionados, essa questão retorna porque nós temos poucas salas. Nós temos uma sala e alguns cinemas de complemento. Na verdade, um festival deveria oferecer ao lado dessa programação que nós oferecemos a possibilidade de que um produtor levasse os seus filmes e estabelecesse ali um mercado ou um show prévio, no sentido de que ele vai conseguir um distribuidor, ou no sentido de que ele está pré-apresentando um filme que ele quer lançar dali a um certo tempo, mesmo que esse filme não esteja dentro dos programas do festival. Por exemplo, nós procuramos selecionar para o festival um cinema autoral. Um cinema que tenha uma perspectiva de um realizador, de um autor, de um artista por trás de cada filme, tanto nos filmes latino-americanos, quanto nos filmes brasileiros. Mas existem produções de características as mais variadas, e é possível que o filme não-autoral possa ser apresentado num mercado, num espaço paralelo, numa mostra dentro do programa geral do festival, mesmo que seja para o público especializado. Digamos que eu tenha um filme que eu possa apresentar para uma plateia de 40, 30, 20 pessoas, que sejam distribuidores e exibidores, que sejam donos de sala de cinema no Rio Grande do Sul, nos estados vizinhos do sul, ou que venha um exibidor de qualquer outro ponto do Brasil para ver um filme que não está na programação oficial do festival. O festival passa a se beneficiar disso, o filme passa a se beneficiar disso, porque você vai ter a possibilidade de uma apresentação mais longa. Este ano, por exemplo, vai existir uma homenagem à Cinédia, que está completando 80 anos de sua fundação. Seria interessante que tivéssemos espaço para fazer uma seleção de vários filmes dela, mas estamos conseguindo exibir um filme só. Seria bom se a Cinédia pudesse estar no festival em encontros com eventuais distribuidores de DVD, até negociar o lançamento em DVD dos seus filmes. Essas coisas eu acho que complementariam o festival. Então, me parece que o aumento que se fez dos dias do festival não é uma coisa negativa. Eu acho que se chegou a uma medida bem razoável. Eu tenho a impressão que o festival estava desperdiçando um dos momentos que em geral é onde as pessoas correm para ver filme, que é o fim de semana. O festival agora tendo a sua abertura numa sexta-feira, você conta com o sábado e domingo incorporados à programação. Como ele terminava num sábado, e no sábado não existia projeções a rigor, porque ficava tudo preparado para a cerimônia da entrega dos prêmios, você perdia um fim de semana. E um fim de semana é um momento de grande movimentação de cinema em todas as cidades, e quando várias pessoas podem seguir para o festival e passar uma sexta, sábado e domingo.</p>
<p><strong>Ao colocar um final de semana na programação e, principalmente, com relação aos títulos em competição, não se acaba inevitavelmente privilegiando alguns filmes de cada mostra?</strong></p>
<p>Eu acho que não por uma razão: é muito difícil a gente saber o que vai efetivamente mobilizar o espectador para ver um filme. Estar no festival conta, mas o fato de ele ter conseguido estabelecer uma movimentação, uma agitação, uma imagem fora do festival ajuda muito. Com frequência, as pessoas têm a sensação de que passar na quinta e na sexta-feira, nos últimos dias do festival, é melhor do que passar no começo, porque acham que ao passar no começo lá pelo final as pessoas já esqueceram, e quando você está no final do festival aquela lembrança viva do filme que passou na véspera é uma ajuda para o filme. É muito difícil estabelecer o que é, o que não é. Seguramente, eu acho que, ao ter uma apresentação de filmes em um fim de semana e concluir o festival no outro, ganha-se uma possibilidade de lá no começo estimular o espectador a ver o resto. Você cria uma ambiência para o festival favorável. Isso é o que me chama atenção. Eu tenho a impressão de que os filmes que vão estar ali na sexta, no sábado e domingo não vão se beneficiar do fato de estarem no fim de semana, mas vão beneficiar o festival, porque no fim de semana, imagino, algumas pessoas podem vir das cidades vizinhas a Gramado, vir de Porto Alegre, passar o fim de semana e não ter condições de ficar lá durante todo o período do festival.</p>
<p><strong>Os documentários continuam sendo a maioria dos filmes inscritos?</strong></p>
<p>Continuam. Agora, a gente encontra em toda América Latina e em boa parte da Europa um crescimento considerável da produção filmes documentários. De documentários dirigidos a salas de cinema, não à televisão. Não é aquele documentário tipo reportagem que você pode ver na televisão e que tem um âncora que fica relatando um fato. Vários desses documentários que estão sendo produzidos agora não partem de um fato evidente, de uma notícia, não é como a gente fazer um documentário em cima de um acontecimento que chamou a atenção da mídia. O documentário levanta uma questão e avança com essa questão. Nós temos, neste ano, documentários latino-americanos e documentários brasileiros. E é uma impressão pessoal,uma sensação minha que o documentário está sendo muito praticado como um espaço de criação mais livre do que os modelos de ficção já conhecidos. Eu acho que a ficção está buscando outras formas de composição cinematográfica e que pra isso o documentário se mostra um exemplo importante, significativo, estimulante, que chama atenção para como se pode inventar novas fórmulas de ficção. E isso eu vejo na Argentina, no México, na Colômbia, no Peru, na Venezuela e no Paraguai, que estão produzindo muitos filmes documentários. Nós nem conseguimos todos os documentários que gostaríamos de reunir aqui em Gramado, porque são produções de pequeno investimento e que contam, no caso latino-americano, com muitas poucas cópias. E mesmo a gente tendo conseguido mais dois dias de exibição, continua sendo muito diminuto e a produção é muito ampla.</p>
<p><strong>Não seria o caso de separar os documentários, não sei se iria valorizar ou desvalorizar, separar os documentários dos filmes de ficção?</strong></p>
<p>Creio que não. Essa é uma questão que nós discutimos muito. Houve um momento em que chegamos a pensar na colocação de todos os documentários em uma competição separada dos filmes de ficção. Eu tenho a impressão de que hoje em dia com uma, digamos, redução de um comportamento claro, de um certo esfumaçamento da fronteira entre o documentário e ficção, você precisa colocar os dois juntos. Vários dos documentários que nós vamos apresentar têm inseridos dentro dele elementos de ficção e vice-versa. E tenho impressão de que a colocação de um ao lado do outro ajuda. Eu acho que há efetivamente um diálogo entre os dois gêneros. Eu acho que eles estão reciprocamente se estimulando. Um ajuda o outro.  Eu acho que, no momento, a contribuição do documentário para a ficção é mais forte, mas isso não é duradouro. Chega um momento em que o inverso acontece, que a influência da ficção no documentário se torna mais forte.</p>
<p><strong>A decisão de pagar aluguel para os filmes no ano passado segue nesta edição?</strong></p>
<p>Vamos continuar, agora pagando um pouco mais. Eu acho que isso é o essencial do festival, o pagamento de aluguel dos filmes. Desde o princípio, tanto eu quanto o Sanz éramos a favor não de um prêmio em dinheiro para o melhor filme, mas uma verba suficientemente boa para distribuir entre todos os filmes que estão participando da competição, brasileiros e latino-americanos. E agora também para os filmes que estão fora de competição na mostra, na mostra panorâmica à tarde. Esses filmes recebem aluguel. Há uma diferença do aluguel que se paga ao filme que passa à noite e do filme que passa de tarde, mas todos eles vão receber um aluguel. Isso é um fato irreversível e que nós queremos ampliar.</p>
<p><strong>Gostaria que você comentasse o Troféu Eduardo Abelim para a Ana Carolina Soares. Ele de certa maneira representa uma homenagem para todas as mulheres cineastas que vêm se destacando?</strong></p>
<p>Eu acho que a Ana Carolina começou antes delas. Não é que tenha sido apenas ela a fazer filmes ou que tenha sido a primeira a fazer filmes, mas na história do cinema brasileiro foi uma diretora que impôs um estilo muito pessoal. E acho que há uma série de elementos dentro da programação deste ano que poderão ser lembrados melhor se nós destacarmos e lembrarmos da contribuição da Ana Carolina. Por exemplo, nada mais adequado que um festival que termina com um filme do Cao Guimarães, o <em>Ex-Isto</em>, que lembrar que o cinema da Ana Carolina, que jogo todo tempo entre imagens visuais e imagens verbais, nos títulos, nos diálogos. Ela joga muito com uma fala poética que não é necessariamente uma fala coloquial, e isso é uma marca muito presente no cinema da Ana Carolina. O último filme dela foi sobre um poeta, não esqueçamos, sobre Gregório de Mattos. Basta lembrar os títulos. <em>Mar de Rosas</em>. <em>Sonho de Valsa</em>. <em>Das Tripas Coração</em>. São todas imagens verbais muito fortes pertencentes ao dia-a-dia do brasileiro. Eu acho que, primeiro, pelo fato de que nós temos esse ano, tanto no lado brasileiro, quanto no lado latino-americano, a presença de realizadoras, lembrar a contribuição da Ana Carolina ao cinema é uma coisa importante para o festival. É uma coisa importante para que a gente possa apreciar uma pioneira dessa expressão altamente individualizada que hoje várias diretoras de cinema podem fazer.  Na década de 1970, isso não era uma coisa evidente. Acho que o prêmio dela se justifica especialmente pela tenacidade na invenção de um estilo próprio feminino, mas cinematográfico. Não era só do ponto de vista feminista. Era principalmente por uma mulher se afirmando com um estilo próprio, individual, muito sensível, numa atividade dominantemente masculina.</p>
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		<title>Entrevista: João Pedro Fleck, diretor do Fantaspoa</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 13:11:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Fantaspoa]]></category>
		<category><![CDATA[João Pedro Fleck]]></category>

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Em entrevista ao CineSemana, João Pedro Fleck, um dos realizadores do Fantaspoa ao lado do amigo Nicolas Tonsho, conta como surgiu a ideia de criar um festival voltado para cinema do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e horror). Ele fala ainda sobre as dificuldades e conquistas que marcaram a consolidação do evento no cenário cultural [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3531" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2010/07/JP_Fleck.jpg" alt="" width="500" height="335" /></p>
<p>Em entrevista ao <strong>CineSemana</strong>, João Pedro Fleck, um dos realizadores do Fantaspoa ao lado do amigo Nicolas Tonsho, conta como surgiu a ideia de criar um festival voltado para cinema do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e horror). Ele fala ainda sobre as dificuldades e conquistas que marcaram a consolidação do evento no cenário cultural do país</p>
<p><strong>Como surgiu a ideia de criar o Fantaspoa? </strong><br />
Para ser exato, a ideia do Fantaspoa surgiu em março de 2005, quando dois amigos e eu, na época integrantes da diretoria do Clube de Cinema de Porto Alegre, estávamos em Montevidéu, assistindo ao Festival Internacional de Cinema. Durante o evento, conversamos sobre como seria interessante ter um festival em Porto Alegre. Devido a uma predileção nossa pelo gênero e pela ausência de muitas obras que gostaríamos de ver na tela grande, decidimos lançar a idéia. A proposta inicial do evento era bem diferente. Realizamos principalmente recuperação de clássicos que estavam disponíveis em película no Brasil e já com legendas em português. Hoje, aproximadamente 80% da nossa programação é inédita no Brasil e mais de 50% é inédita na América Latina.</p>
<p><strong>Quais foram as inspirações para realizar um evento com filmes do gênero fantástico, com obras de fantasia, ficção científica e terror?</strong><br />
As inspirações principais foram festivais internacionais semelhantes, como Sitges, Amsterdam Fantastic Film Festival, Gerárdmer. Nós tínhamos o sentimento de que algo assim, com a mesma qualidade, deveria existir no Brasil. E acima de tudo: já que não existia e nós tínhamos condições de criá-lo, porque não fazer o evento ao invés de ficarmos reclamando de sua inexistência? E hoje, 6 anos depois aqui estamos.</p>
<p><span id="more-3530"></span></p>
<p><strong>Como tem sido a receptividade do público? </strong><br />
Ao longo desses anos a gente aumentou o público em aproximadamente 700%. O festival começou com aproximadamente 700 espectadores e ano passado foram mais de 5.000 espectadores. Pode parece um número pequeno, quando comparamos com as bilheterias de algum filme, por exemplo, mas dentro do universo em que ele se encontra – festivais de cinema na cidade de Porto Alegre – ele é o evento mais bem-sucedido e possui uma alta receptividade por parte do público. A cada ano que passa o festival ganha mais espaço na mídia e mais fãs. É um orgulho para nós lermos as pessoas que escrevem como já vão no festival há 4, 5 anos. Enquanto muitos eventos e empresas simplesmente deixam de existir em períodos semelhantes – 5 ou 6 anos – o Fantaspoa está na contramão. Ele possui um público consolidado, que vai para o festival assistir 4 filmes por dia. Outro fator importante para nós é o reconhecimento internacional. Se você digitar no google a palavra “Fantaspoa”, o resultado retorna 34.000 resultados. Isso é realmente bastante, principalmente ao levarmos em conta que o Fantaspoa não conta com nenhuma mídia paga.<br />
<strong><br />
Ao que se atribui o crescimento do Fantaspoa?</strong><br />
O crescimento é atribuído a uma série de fatores. Seria praticamente impossível definir somente um. Fatores decisivos dos últimos anos são os seguintes: (1) a disponibilidade da programação do Fantaspoa. Nos dois últimos anos, ao invés de imprimirmos folders ou flyers do festival, optamos por imprimir um jornal, que nos permite colocar a sinopse e ficha técnica de todos os longas-metragens do festival; (2) o site do festival, que está melhor a cada edição e assim como no ano passado conta com trailer de todos os filmes; (3) a presença de filmes relevantes, em sua maioria inéditos e legendados em português e (4) talvez o mais importante: a altíssima qualidade de trabalho da equipe envolvida no evento. A maioria das pessoas trabalham como voluntários e realizamos todo esse enorme festival com uma equipe de somente dez pessoas. O Fantaspoa é um festival feito por pessoas que verdadeiramente amam o cinema e isso se reflete na nossa programação e no cuidado que temos com todos os detalhes do festival. Nós pensamos no festival ideal que gostaríamos de assistir e damos o nosso máximo para poder trazê-lo ao público Porto-Alegrense.</p>
<p><strong>No decorrer dos seis anos de realização do Fantaspoa quais foram as principais mudanças que marcaram o evento? </strong><br />
Cada ano nós viemos incorporando mudanças e acredito que agora, na sexta edição conseguimos finalmente realizar o evento que consideramos ideal. No segundo ano criamos a competição de curtas-metragens nacionais. No terceiro ano, ampliamos essa mostra de curtas e começamos a receber também curtas-metragens internacionais. No quarto ano iniciamos a Competição Internacional para longas metragens e criamos seções paralelas no festival (animação e documentários). No quinto ano buscamos aprimorar a seleção de filmes e criamos a retrospectiva da carreira de um diretor. Em 2009 este diretor foi David Blyth, agora em 2010 será o renomado diretor italiano Luigi Cozzi. O diferencial para 2010 é a presença de convidados no festival. Teremos 11 convidados internacionais, com sessões comentadas por estes, entre os dias 06 e 17 de julho, sempre às 21 horas. Como comentei anteriormente o nosso objetivo é criar um festival ideal, que seja relevante não somente em Porto Alegre, no Brasil, ou mesmo na América Latina. Nosso objetivo é criar um evento de relevância mundial e nossa parceria com diretores e distribuidores internacionais mostra que estamos no caminho certo.</p>
<p><strong>Existe algum projeto de levar o Fantaspoa para outras cidades, torná-lo itinerante?</strong><br />
O festival gera muitos gastos e consome muito o nosso tempo. Caso venhamos a receber alguma proposta interessante levaremos o Fantaspoa para outras cidades, mas tem que ser algo compensador. Já recebemos propostas de diversas outras cidades, mas não é válido para nós cedermos um evento que criamos com tanto empenho sem que haja uma contrapartida.</p>
<p><strong>Como o festival é financiado hoje?</strong><br />
Quanto ao financiamento do evento: apesar de contarmos com a co-realização da SMC e o Patrocínio do Banrisul, este é o ano no qual mais estamos investindo capital próprio. As três primeiras edições do festival tiveram um gasto muito inferior. O festival começou a encarecer a partir da quarta edição, quando começamos a trazer convidados, nacionais e internacionais, além da necessidade de uma maior impressão de material gráfico. São diversos fatores que vem encarecendo o festival. Neste ano de 2010 estamos bancando 70% do evento. O interessante nos últimos dois anos é que criamos uma maneira do evento ser auto-sustentável. Com a expertise que obtivemos legendando os filmes do Fantaspoa, a partir do quarto ano, abrimos uma empresa de legendagem e viemos reinvestindo todo o lucro da empresa no festival.</p>
<p><strong>Qual a expectativa para o VI Fantaspoa?</strong><br />
A nossa expectativa é que essa será a melhor edição do Fantaspoa. E que este será o maior evento cinematográfico que a cidade de Porto Alegre já recebeu. Provavelmente no ano que vem eu darei a mesma resposta e não é exagero ou egocentrismo. Muitas pessoas que participam do festival percebem-no como sendo o maior evento de Porto Alegre e que vem se superando anualmente, seja em relevância ou em qualidade. É complicado para mim destacar um filme ou um diretor.</p>
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		<title>Carlos Urbim, o patrono dos pequenos leitores</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 12:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[55ª Feira do Livro de Porto Alegre]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Urbim]]></category>

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		<description><![CDATA[A edição de número 105 do CineSemana traz entrevista com o jornalista e autor de histórias infantis Carlos Urbim, eleito o patrono da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Nascido em 1948, na cidade de Santana do Livramento (RS), o escritor mudou-se para Porto Alegre aos 19 anos e cursou jornalismo na UFRGS. Sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2980" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-2980" title="Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/11/urbim1.jpg" alt="Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)" width="500" height="378" /><p class="wp-caption-text">Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)</p></div>
<p>A edição de número 105 do <strong>CineSemana</strong> traz entrevista com o jornalista e autor de histórias infantis Carlos Urbim, eleito o patrono da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Nascido em 1948, na cidade de Santana do Livramento (RS), o escritor mudou-se para Porto Alegre aos 19 anos e cursou jornalismo na UFRGS. Sua obra literária teve início em 1984, quando lançou <em>Um Guri Daltônico</em>, a primeira de muitas publicações destinadas aos pequenos leitores. Ao todo são 19 livros de histórias infanto-juvenis. Nesta entrevista, o patrono destaca que a principal função que a Feira do Livro desempenha é trazer cada vez mais pessoas para a leitura. O escritor também aponta a importância da literatura infantil e fala sobre o orgulho que sente em ocupar o patronato.</p>
<p><strong>Como surgiu o interesse em escrever histórias infantis?</strong><br />
Foi o convívio com os meus dois filhos que me tornou escritor. No fim do dia, quando eles estavam por dormir, eu costumava contar histórias que eu inventava. No dia seguinte, eles pediam que eu repetisse igualzinho. E um dia, pra não esquecer, comecei a colocar no papel. Assim nasceu o meu primeiro livro, <em>Um Guri Daltônico</em>, obra que eu trouxe para a Feira do Livro de 1984, há 25 anos. Então é uma grande coincidência que neste ano, quando eu sou escolhido para ser o patrono, também estou comemorando 25 anos de literatura. Este ano, eu também fui empossado na Cadeira 40 da Academia Rio-grandense de Letras. E pra mim todas as homenagens se tornam importantes porque nem sempre se reconhece o trabalho de quem produz textos para crianças. Eu tenho quatro livros que tem a ver com o meu trabalho como jornalista. São resultados de textos que eu produzi para séries de TV ou para projetos para os quais eu escrevi, mas a minha obra mesmo que me caracteriza, que os leitores identificam são os textos para crianças, 19 livros.</p>
<p><strong>Nas últimas edições da feira, a seção de literatura infantil tem sido um dos grandes destaques&#8230;</strong><br />
O espaço na feira é cada vez maior, a ponto de que no momento que a feira precisou se expandir, ela transbordou e alcançou o Cais do Porto. No Cais se encontra toda a área infanto-juvenil, não sendo somente as barracas, os estandes de livros, as editoras e livrarias, mas também os diversos espaços para incluir cada vez mais as crianças no processo de descoberta da leitura. E aí que eu vejo a importância da literatura infantil. Ela é o primeiro passo. É ela quem conduz os pequenos leitores para a descoberta do prazer de ler.</p>
<p><span id="more-2978"></span></p>
<p><strong>Por meio de quais ações o patrono pode ajudar a feira?</strong><br />
Em primeiríssimo lugar, como este ano o patrono é o representante da literatura infantil, o máximo que ele tem a almejar é conquistar o maior número de crianças para a leitura. Essa é, quem sabe, a principal função da própria Feira do Livro: trazer cada vez mais pessoas para a leitura, para a literatura. E a função do patrono é a de ser o embaixador da feira em todas as áreas, em todos os ambientes, nas alamedas da Praça da Alfândega, junto ao Cais e no meio da garotada. Esse é o papel que me que cabe representar com a maior responsabilidade possível e me sentindo extremamente honrado por ter sido o escolhido da 55ª edição de um evento com longa história e que se tornou a maior feira do livro em espaço aberto do continente americano.</p>
<p><strong>Em que medida o patronato mexe com o orgulho e brios de um escritor?</strong><br />
É a maior honraria a que um escritor no Rio Grande do Sul pode ser o centro. Depois disso, não há muito mais o que esperar da vida. É por isso que eu me sinto tão feliz e tento transmitir para todo mundo esse sentimento. É uma homenagem para quem vem trabalhando neste estado no ofício de escrever. Que bom que seja alguém que vem se preocupando no ano com a formação de leitores. Há 25 anos, desde que eu publico livros, na medida em que a minha própria profissão de jornalista permite, eu venho frequentando escolas, participando de feiras no interior e de eventos literários porque eu acredito que além de sentar para escrever, quem se dedica à literatura infantil passa a assumir essa missão para o resto da vida: a de tentar conquistar cada vez o maior número possível de leitores. Não só para o seu próprio trabalho, porque toda vez que eu estou em público, eu me sinto representante do grande time de escritores que escreve para crianças com compromisso, com seriedade, com responsabilidade, sabendo que temos pela frente todo um desafio.</p>
<p><strong>O que se tem feito para incrementar a programação da feira e não deixar que o evento tenha apenas os descontos nos preços dos livros como atrativo da maior parte do público? </strong><br />
A Câmara Rio-Grandense do Livro e a entidade que organiza a feira até não valoriza tanto essa questão. Num Brasil como nosso, num país em que o livro custa caro, é importantíssimo que editores e livreiros ofereçam o desconto como uma grande atração. Mas se a gente se der conta e olhar o tamanhão que a feira ficou, as atrações são muito maiores do que os descontos que dão. Em cada cantinho da praça, em cada recanto do Cais do Porto, existem muitas motivações para trazer os leitores para cá que não seja apenas o fato ser um momento de conseguir um desconto no livro. A feira é cada vez mais completa em outros aspectos. Ela está cheia de ofertas e atividades múltiplas, há oficinas, palestras, apresentações e não fica única e exclusivamente na literatura e no livro, embora o livro seja a super estrela de todos os dias da feira. Mas na feira há muitos vem se abrindo para todas as áreas de manifestação artística. Aqui na feira está também a música, o teatro, as artes plásticas, que neste ano de 2009, a 55ª edição do evento está de braços dados com a Bienal do Mercosul. É dentro da feira que está o Museu de Arte com exposição integrada à Bienal deste ano. Mais do ladinho, o espaço cultural do Santander também tem as artes plásticas. E se não estivesse nos museus e nos centros culturais, a arte visual está no livro, todos os livros, principalmente, nos livros que são criados de forma colorida e atraente para as crianças.<br />
<strong><br />
Se o senhor pudesse mudar alguma coisa na feira, quais mudanças faria?</strong><br />
Eu não vejo nada para mudar. Eu acho que assim como está, está de bom tamanho. Está funcionando tudo muito bem. Eu solicitei para a assessoria de imprensa fazer um censo só para nós termos uma ideia de quantas pessoas trabalham para que a Feira do Livro seja realizada. É impressionante o número de pessoas que trabalham. É um exército de gente. Somente em empregos diretos, a feira tem 210 trabalhando e indiretos, aí sim é exército: 2200 profissionais de todas as áreas, em barracas, todos os setores prestadores de serviços e até dois ou três pipoqueiros. Envolve tudo.</p>
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		<title>Carlos Gerbase conta como foi a escolha de Salve Geral para concorrer a uma indicação da Academia</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 22:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Gerbase]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Salve Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[A 99º edição do CineSemana traz entrevista com o cineasta Carlos Gerbase, um dos integrantes da comissão responsável pela seleção do filme Salve Geral, de Sérgio Rezende, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O comitê contou ainda com as presenças de Silvio Da-Rin, secretário do audiovisual do Ministério da Cultura; Carlos Alberto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-2824" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gerbase-b-222x300.jpg" alt="" width="222" height="300" />A 99º edição do <strong>CineSemana</strong> traz entrevista com o cineasta Carlos Gerbase, um dos integrantes da comissão responsável pela seleção do filme <em>Salve Geral</em>, de Sérgio Rezende, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O comitê contou ainda com as presenças de Silvio Da-Rin, secretário do audiovisual do Ministério da Cultura; Carlos Alberto Mattos, crítico; Beto Rodrigues, produtor; Ivana Bentes, professora e pesquisadora; e Luiz Gonzaga de Luca, exibidor. O longa-metragem dramatiza fatos inspirados nos ataques orquestrados por uma facção criminosa, em 2006, na cidade de São Paulo. <em>Salve Geral</em> vai competir agora com produções de mais de 95 países à indicação final de melhor filme estrangeiro. Nesta entrevista, Gerbase conta como foi a escolha do representante brasileiro e fala das chances de uma indicação.</p>
<p><strong>Como se deu a escolha do filme brasileiro que disputará uma indicação ao Oscar de melhor longa-metragem estrangeiro? </strong><br />
Foi relativamente fácil separar pelo menos quatro filmes dos dez inscritos, que eram os quatro filmes que mais ou menos todos os componentes do júri achavam que tinham condições. E a partir daí, a gente começou a discutir esses quatro, as suas qualidades cinematográficas, técnicas, artísticas e também quais que a gente achava que tinham perfil para representar o Brasil no Oscar. Porque não é um festival de cinema. No festival de cinema tu segue o teu gosto, tu argumenta por que acha que é o filme melhor. Na verdade, a gente discutiu qual o filme que tinha mais condição de representar o Brasil no Oscar, nesse contexto específico.</p>
<p><span id="more-2823"></span><br />
<strong><br />
<em>Salve Geral</em> era o seu favorito entre os dez inscritos para representar o Brasil no Oscar?</strong><br />
A gente combinou, os seis componentes do júri, não falar muito a respeito de como foram os argumentos de cada um. O que eu posso dizer é que todos ficaram satisfeitos com essa escolha. <em>Salve Geral</em> não era unanimidade, se não a gente nem teria votado, mas todos ficaram satisfeitos com o filme. Não teve nenhum dos componentes que achou um absurdo, alguma coisa assim. Todos ficaram satisfeitos com a escolha, cada um com suas preferências pessoais. Enfim, foi uma votação.</p>
<p><strong>Quais foram os principais critérios que pesaram na escolha?</strong><br />
As chances de ser indicado ao Oscar é um critério muito importante. Isso é tão importante quanto as qualidades intrínsecas do filme. Eu acho que tem que considerar essas duas coisas. No caso de <em>Salve Geral</em>, primeiro ele é um filme muito bem feito enquanto realização mesmo, tecnicamente e artisticamente. O desempenho da atriz Andréia Beltrão é muito legal e ela está cercada por atores desconhecidos, ou pelo menos muito menos conhecidos do que ela. Muitos atores são de São Paulo. Eu acho que ficou bem essa junção de uma equipe voluntariamente carioca, mas fazendo um filme em São Paulo. Isso deu uma certa identidade para o filme. Eu acho que foi um processo de realização difícil, complicado com certeza, mas ficou muito bem feito. Agora, nada disso adiantaria, ser um filme bem feito, se não fosse um filme emocionante também. Eu acho que ele emociona por<br />
vários motivos. Ele consegue fazer uma ponte entre o drama pessoal, individual daquela família, da mãe que tem o filho preso, com o drama geral, o drama político no sistema de cadeia no Brasil, que é um absurdo, as gangues, o PCC. Acho que esse problema social brasileiro ficou bem<br />
representado, mas ao mesmo tempo tu vê um drama individual. No cinema de ficção, tu tem que fazer isso: buscar o drama. E acho que o roteiro de <em>Salve Geral </em>articulou bem isso.</p>
<p><strong>O conjunto de filmes inscritos conseguiu representar um pouquinho de cada coisa que foi produzida no Brasil no período?</strong><br />
Eu não sei ao certo. Segundo as contas do Ministério [da Cultura], foram produzidos no Brasil no ano passado aproximadamente 180 filmes. Então se são 180 filmes e só dez foram inscritos é muito pouco para a gente ter uma noção exata.<br />
<strong><br />
Cada uma dessas pessoas do comitê vem de uma área um pouco distinta dentro do cinema. De alguma maneira, cada profissional acaba privilegiando a sua especialidade?</strong><br />
Eu acho que as cinco pessoas convidadas para compor esse comitê são de áreas diferentes justamente para que possa ter uma visão bem completa do filme. A visão dos exibidores e dos realizadores, por exemplo, é muito diferente. Eu acho que para o Oscar essa coisa múltipla fica bem legal, porque daí tu tem várias interpretações distintas. Júri de festival é assim também. Não se faz um júri só de realizadores. Tu chama críticos, atores, para ter uma visão mais ampla do filme. Apessoa só pode julgar de acordo com o seu ambiente, com o seu histórico, não tem como ser diferente disso. Todos os componentes, acho eu, pensavam também no que a Academia pensa sobre cinema, porque quem vai julgar o filme agora são os membros da Academia em Los Angeles.</p>
<p><strong>Qual a representatividade que um Oscar teria para a cinematografia nacional?</strong><br />
Eu acho que o Oscar não é importante, mas infelizmente, ou felizmente, a palavra Oscar em qualquer coisa relacionada com cinema tem uma importância histórica  imensa. Eu acho quase uma bobagem. Não vai fazer nenhuma diferença para o cinema brasileiro estruturalmente ganhar ou não o Oscar. Em termos concretos, econômicos, estéticos, não faz a menor diferença. Eu acho, pessoalmente, a cerimônia do Oscar uma chatice imensa. Eu nunca vejo inteira e, inevitavelmente, na segunda música eu já estou dormindo. Mas enfim, tem pessoas que se vidram, que ficam ligadas a noite inteira, que fazem apostas. Eu acho uma grande bobagem, mas não dá pra desprezar esse apego, esse balanço histórico.<br />
<strong><br />
Filmes como <em>Os Normais 2: A Noite Mais Maluca de Todas</em>, <em>Se Eu Fosse Você 2</em>, <em>Divã </em>e <em>A Mulher Invisível</em> ultrapassaram a barreira de 1 milhão de espectadores nas salas de exibição. Mesmo sendo campeões de bilheteria, eles não seriam bons representantes do cinema brasileiro no exterior?</strong><br />
Eu acho que, primeiro, eles não colocaram esses filmes para concorrer ao Oscar porque os seus produtores acharam, provavelmente, não posso falar por eles, que não tinham perfil para o Oscar, que eram filmes para fazer bilheteria no Brasil e que não seriam bons candidatos brasileiros, basicamente, isso. E eu acho que eles têm razão. Não teria nenhum sentido esses filmes estarem na lista.</p>
<p><strong>No final de 2007, o longa-metragem 3 Efes teve um lançamento simultâneo em quatro mídias diferentes: nos cinemas, na TV, na internet e em DVD. Como foi essa experiência? </strong><br />
A experiência do <em>Três Efes</em> foi ótima. O filme teve um público extraordinário na internet. Foram mais de 300 mil espectadores. Eu fiquei satisfeito do jeito que foi feito e o modo como foi lançado, além disso foi um filme de baixíssimo custo, 100 mil reais.</p>
<p><strong>Você acredita que essa pode ser uma forma de melhorar a distribuição dos filmes brasileiros tendo em vista que muitas obras nem chegam ao circuito exibidor comercial, ou ficam por poucas semanas em cartaz?</strong><br />
Sim, sem dúvida. As salas de cinema são o lugar especial para os filmes. Eu adoro ir ao cinema e acho que as salas de cinema vão existir sempre. Mas elas não têm mais a primazia que tinham antes. Não tem muito sentido a gente pensar nos filmes só para as salas de cinema. Infelizmente no Brasil o nosso mercado de salas ele é de difícil acesso para os filmes brasileiros, que em sua grande maioria ficam uma semana e dizem adeus e nunca mais são vistos e isso não pode nos deprimir tanto assim. A minha tese é que a gente não pode ser eternos deprimidos das salas. Depois de um fim de semana, 90% dos cineastas brasileiros se acham os grandes fracassados, ‘meu filme não deu certo”. E assim 90% dos filmes não dão certo e então isso é uma depressão quase certa [risos]. Eu acho que as salas são um lugar ótimo. A gente deve batalhar para que esse mercado se amplie, fique mais justo para o nosso produto, mas a gente não pode esquecer as outras mídias. Por isso que o meu último filme foi lançado na internet, na TV, DVD e se tiver outras mídias a gente vai lançar tudo ao mesmo tempo. Cada um pensa qual é a melhor estrategicamente, economicamente, falando. A minha lógica foi muito simples: eu vou lançar o filme em todos os lugares onde ele for economicamente viável. E qual foi o lugar que ele foi menos viável? Qual foi o único lugar que o filme perdeu dinheiro? Nas salas. Mas isso não é uma surpresa. Eu já sabia porque o custo para colocar o filme nas salas é muito grande. E o custo para colocar o filme na TV, na internet, em DVD, é muito menor e eles são mais rentáveis. Então o que acontece é que esse sistema de janela, que se tem hoje, primeiro sala de cinema, depois DVD, depois TV, é um sistema que pra mim está completamente ultrapassado, não tem nenhum sentido mais.<br />
<strong><br />
Você pretende lançar outro filme com a mesma estratégia?</strong><br />
Sim. No ano que vem, eu vou passar o primeiro semestre em Paris, fazendo pós-doutorado e vou estudar sobre filmes de baixíssimo custo na França. Como é que os franceses fazem, inclusive, vou comparar quais são os modelos de circulação de filmes digitais na França e ver se tem coisas parecidas com o que fazemos aqui. E aí eu volto e junho, no segundo semestre eu faço alguma coisa.</p>
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		<title>O que Michael Cera aprendeu</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 22:23:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faraon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Juno]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Cera]]></category>
		<category><![CDATA[Superbad]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta semana, a seção What I&#8217;ve Learned da revista Esquire está especialmente boa. Recomendo muito. A íntegra está disponível aqui, em inglês.
O &#8220;depoente&#8221; é Michael Cera, também conhecido como &#8220;o cara do Juno&#8220;. Chamo de depoente porque a seção é uma espécie de entrevista, porém com as perguntas cortadas da edição, o que faz o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-2384" title="cera" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/06/cera-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" />Esta semana, a seção <em>What I&#8217;ve Learned</em> da revista <a href="http://www.esquire.com">Esquire</a> está especialmente boa. Recomendo muito. A íntegra está disponível <a href="http://www.esquire.com/features/what-ive-learned/michael-cera-quotes-0709?src=rss">aqui</a>, em inglês.</p>
<p>O &#8220;depoente&#8221; é Michael Cera, também conhecido como &#8220;o cara do <a href="http://www.imdb.com/title/tt0467406/"><em>Juno</em></a>&#8220;. Chamo de depoente porque a seção é uma espécie de entrevista, porém com as perguntas cortadas da edição, o que faz o texto parecer uma lista de confissões, deixando muitas coisas confusas mas acaba ressaltando outras tantas.</p>
<p>Pois que o Cera conta algumas coisas interessantes, como o fracasso no teste que fez para viver o menininho de <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0167404/">O Sexto Sentido</a></em>, o pito que tomou de uma diretora ao fazer uma voz engraçada durante um outro teste pra alguma dublagem, como, desde que fez <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0829482/">Superbad</a></em>, virou praxe que caras bêbados e loucos abracem ele sempre que o vêem.</p>
<p>A seguir, transcrevo a melhor parte:</p>
<p>&#8220;<strong>XXXXXXXXXX</strong>XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX</p>
<p><strong>Por favor, não escreve isso</strong>, porque senão minha mãe vai saber que eu já fiz isso. Eu nunca, nunca vou parar de ouvir por causa disso. Sério. Vou confiar em ti.</p>
<p><strong>Não, eu acho</strong> que publicar essa parte encoberta só vai piorar tudo um milhão de vezes&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Martha Medeiros: &#8220;O Divã virou um case&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Apr 2009 13:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Katiana Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Divã]]></category>
		<category><![CDATA[Martha Medeiros]]></category>

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		<description><![CDATA[A 76ª edição do CineSemana traz entrevista com Martha Medeiros, escritora e colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro, Martha Medeiros. Autora de diversas crônicas, ela fez sua estreia na ficção com Divã, em 2002. Três anos depois, a atriz Lilia Cabral adaptou para o teatro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1852" class="wp-caption alignleft" style="width: 318px"><a href="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/04/martha_medeiros.jpg"><img class="size-medium wp-image-1852" title="Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)" src="http://www.cinesemana.com.br/wp-content/uploads/2009/04/martha_medeiros-208x300.jpg" alt="Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)" width="308" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)</p></div>
<p>A 76ª edição do <strong>CineSemana</strong> traz entrevista com Martha Medeiros, escritora e colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro, Martha Medeiros. Autora de diversas crônicas, ela fez sua estreia na ficção com <em>Divã</em>, em 2002. Três anos depois, a atriz Lilia Cabral adaptou para o teatro a história de Mercedes, uma mulher na meia-idade que resolve fazer análise, questionando temas do cotidiano, como casamento, maternidade e paixão. Hoje, a obra da autora gaúcha chega aos cinemas sob a direção de José Alvarenga, o mesmo de <em>Os Normais</em> (2003). Em entrevista a CineSemana, Martha conta como é ver seu trabalho adaptado para os palcos e telas e também destaca o assunto que mais gosta de escrever: as relações humanas.</p>
<p><strong>Qual a diferença entre ver sua obra adaptada para o teatro e para o cinema?</strong><br />
É quase a mesma coisa. Na verdade existe um estranhamento sempre que a obra é adaptada não importa pra qual veículo porque a gente sempre que escreve se senti assim uma proprietária privada, ‘foi eu quem inventei os personagens, eu conheço bem aquelas emoções que estão no papel, aquilo ali tem muito a ver comigo’. De repente quando a gente vê a obra ganhar corpo, “ganhar corpo” aqui no caso não é jogo de palavras, é ganhar corpo mesmo, existe uma atriz, existe outros atores, existe voz, figurino e outras emoções, claro, é um susto, mas é um susto bom, é uma coisa muito interessante. A gente vê o desdobramento que aconteceu e o livro foi apenas um pontapé inicial disso tudo. É muito bacana. Eu to muito feliz. Agora o fato de ser teatro ou cinema não muda tanto. No caso do <em>Divã</em> pra mim foi surpreendente porque eu já achava que o teatro tinha sido um sucesso e já tinha sido um presente isso acontecer relacionado a um livro meu. Agora o filme vem dar um novo fôlego nessa história toda. Eu brinco assim: o <em>Divã</em> virou um case, porque agora ta completo, é livro, é peça e é filme. E eu acho que pra qualquer autor isso é um super orgulho.</p>
<p><span id="more-1848"></span></p>
<p><strong>Você acompanhou as filmagens ou se envolveu de alguma outra maneira na produção do longa-metragem?</strong><br />
Nada, eu acho que o autor tem que dar liberdade para aqueles que vão adaptar. Porque eu tenho que entender que cada um faz uma leitura da obra, uns conseguem desenvolver mais o lado humorado. No caso da Lilia, por exemplo, ela deu uma veia cômica muito maior ao personagem do que tinha no livro. Às vezes um personagem que é pequeninho no livro, eles acham que tem potencial pra crescer e cresce na obra, sendo teatro ou cinema. Outros personagens que eram pequeninhos no livro desaparecem ao invés de crescer. Eu acho importante porque é uma outra linguagem, não pode achar que teatro e cinema é igual ao livro. Literatura é uma coisa, cinema é outra, teatro é outra, e eu não domino nem cinema, nem teatro. Eu sou só uma espectadora. Então eu achei muito melhor pra eles que eu ficasse ausente do processo de criação, porque se não eles vão querer me agradar, quando na verdade eles têm que agradar o seu espectador, têm que agradar o público e não a mim. E acho que desse jeito é uma maneira mais generosa de trabalhar e pra mim é melhor também porque se não eu ia ficar me frustrando, eu ia me estressar, ‘ai tem que ser assim, tem que ser assado, isso eu gosto, isso eu não gosto’. Não tem porque eu ter essa trabalheira toda. Eu prefiro confiar na equipe e deixar que eles trabalhem com liberdade. Eu sentei no cinema e assisti como qualquer outra pessoa que vai assistir. Eu não sabia o que eu ia ver. Sabia quem era o elenco, confiava muito no diretor, que eu tinha almoçado uma vez só, mas já tava tudo pronto, foi só pra gente sem conhecer. E na peça foi assim também, eu sentei &#8216;e seja o que Deus quiser&#8217;.</p>
<p><strong>E a adaptação ficou bastante fiel?</strong><br />
No aspecto geral ta fiel. É a história de uma mulher casada com filhos, ela nem sabe direito o que ta fazendo na terapia, mas ela sente que tem alguma coisa incomodando, e aos pouquinhos, à medida que as consultas vão passando, a vida dela também vai se transformando, ela acaba tendo um caso com um cara, quer dizer essa parte toda, ela tem a melhor amiga, tudo isso foi mantido, isso ta tudo muito fiel ao livro. O que tem de diferente é alguns personagens, outros que não aparecem muito, isso mudou um pouco. Acho que a peça e o filme são bem mais bem humorados e mais leves do que o livro. Existe uma comunicabilidade muito legal, existe a intenção de claro fazer as pessoas refletirem, mas o humor ta bem mais presente. Eu acho que se tivesse que ter uma grande diferença, não que o livro não tenha um certo humor, ele até tem, mas é um humor mais contido, é mais uma ironia, um sarcasmo, são coisas mais pontuais, enquanto que o personagem da Mercedes ele é mais engraçado, até porque a Lilia faz comédia muito bem, faz tudo bem, mas a comédia em especial. Então eu acho que o filme, principalmente, ganhou nesse aspecto. Mas eu não posso dizer que é uma coisa muito diferente do livro não, acho que a espinha dorsal vamos dizer foi mantida.</p>
<p><strong>Com as adaptações, você e a Lilia Cabral se aproximaram e mantém contato?</strong><br />
Sim, tudo começou através dela mesmo porque na época em que ela leu o livro ela gostou muito, conseguiu meu telefone e disse que tinha interesse em adaptar. Logo depois a gente se encontrou pessoalmente e conversamos. Eu vi como seria o projeto dela e dei carta branca. Não participei das adaptações, nem do teatro e nem do filme. Eu realmente dei carta branca, deixei que eles fizessem o que quisessem. Mas fiquei muito satisfeita com o resultado. E claro, depois eu assisti a peça várias vezes. Acho que assisti a peça umas oito vezes nos três anos em que esteve em cartaz porque a cada estreia em uma cidade eu ia junto, enfim, tinha várias situações em que eu tava com o elenco. E agora com o filme houve essa reaproximação de a gente ter dado muitas entrevistas juntas, então eu acabei tendo mais contato com a Lilia.</p>
<p><strong>O livro aborda a psicanálise. Você tem alguma relação com essa área, tem algo marcante na sua vida sobre isso?<br />
</strong>Não, na verdade eu gosto muito, até nas minhas crônicas, o meu assunto preferido sempre foi relações humanas. Eu gosto muito dessa complexidade do ser humano, de investigar o que está por trás das atitudes, quais são os nossos desejos mais secretos, eu sempre achei tudo isso muito fascinante. Mas eu nem ao menos faço análise, eu não faço. Pra mim escrever é que é terapêutico. Mas eu sempre gostei muito do que move as pessoas, o que faz com que uma pessoa seja feliz ou infeliz, como é que uma pessoa tendo tudo que todos acham que é o básico, que é ‘ah tenho amor, tenho saúde, tenho dinheiro’, porque que tanta gente que isso ainda assim não se senti a vontade na vida e ainda senti que ta faltando alguma coisa. Esse faltar alguma coisa sempre me cativou, o que que é, como é que a gente resolve as nossas carências, e como a gente vai mudando com o tempo, o que nos fazia feliz aos 20 anos, aos 40 já não é mais isso é outra coisa. Eu gosto muito dessa mobilidade da vida, dessa eterna busca, que não vejo isso como uma angústia, mas vejo isso como um trajeto que tem que ser percorrido mesmo. E o livro na verdade é isso, é o trajeto de uma mulher que já viveu alguma coisa, ela ta na meia-idade, e ainda tem mais uma parte dois pra viver na vida e ela quer saber o que fazer dessa parte dois, se ela segue com as mesmas escolhas ou se ela muda de rumo. E acho que isso é comum a todos nós, por isso até acho que o <em>Divã</em>, o livro fez sucesso e fez sucesso com a peça e acho que o filme tem tudo pra fazer também porque eu acho que é muito fácil a gente se identificar com esses questionamentos.</p>
<p><strong><em>Divã</em> retrata temas do cotidiano como casamento, maternidade, solidão e paixão. Você acha que suas crônicas têm alguma influência sobre o livro?<br />
</strong>Eu acho que tem. Às vezes eu até fico constrangida de chamar o <em>Divã</em> de um romance porque na verdade eu acho que na verdade ele é um livro de transição entre a crônica e a ficção. Ainda eu me coloco muito até em função de ser escrito na primeira pessoa e os assuntos que têm no <em>Divã</em>, muitos deles eu já abordei em crônicas, só que claro no livro eu tenho mais espaço, eu posso aprofundar mais, eu posso desenvolver mais esses assuntos. Mas eu não acho que seja uma obra completamente diferente das crônicas que eu faço. Só que ali existe um personagem que conduz todos esses temas. Essa é a diferença maior e é um livro de ficção. É diferente nesse aspecto, quando eu escrevo crônica eu to dando minha opinião, ali é eu Martha, e na ficção eu consigo realmente abordar os temas que não tem nada a ver comigo assim especificamente, mas que eu também tenho interesse em discutir.</p>
<p><strong>Você tem planos para seguir com as crônicas, escrever outra novela ou lançar um romance?</strong><br />
As crônicas continuam sem interrupção. Eu continuo com as minhas duas colunas no Jornal Zero Hora e a minha coluna dominical no Globo do Rio, isso aí é o meu trabalho estável, fixo. Depois do <em>Divã</em>, eu já escrevi dois livros de ficção, um que se chamou Selma e Sinatra e o outro foi de dois anos atrás Tudo o que eu queria te dizer, que é um livro de cartas, e também são tentativas minhas de entrar para o mundo da ficção e já to escrevendo um quarto livro de ficção, que eu pretendo concluir até o final do ano, mas não to com pressa, e que também fala sobre relações humanas e dores de amor. Vou em frente. Não sou de fazer muitos planos, mas trabalho sem cessar e aí vamos ver o que a vida vai oferecer.</p>
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		<title>Entrevista com Caco Ishak, um dos criadores do Baixo Calão</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 13:31:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faraon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Baixo Calão]]></category>
		<category><![CDATA[Caco Ishak]]></category>
		<category><![CDATA[lowbrow]]></category>

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		<description><![CDATA[A entrevista com Caco Ishak, realizada por e-mail pela colega Julia Dantas, era pra fazer parte da matéria sobre a galeria virtual Baixo Calão publicada na última sexta-feira no jornal CineSemana (e repicada aqui no blog), mas acabou chegando tarde demais. Então, publico ela à parte agora, já que gostei do conteúdo e acho que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A entrevista com <a href="http://www.verbeatblogs.org/ishak">Caco Ishak</a>, realizada por e-mail pela colega Julia Dantas, era pra fazer parte da matéria sobre a galeria virtual <a href="http://www.baixocalao.com/index/">Baixo Calão</a> publicada na última sexta-feira no jornal CineSemana (e repicada <a href="http://www.cinesemana.com.br/2009/03/27/arte-supostamente-de-baixo-nivel/">aqui </a>no blog), mas acabou chegando tarde demais. Então, publico ela à parte agora, já que gostei do conteúdo e acho que pode ser interessante também pra vocês leitores. Confiram aí:</p>
<p><strong>Tu e o <a href="http://qualquer.org">Cardoso</a> organizam e sustentam o site sozinhos?<br />
</strong>Nesses dois primeiros anos, fomos os dois sozinhos, sim. E aos trancos, já que nenhum dos dois tem muito tempo sobrando – haja paixão e megalomania. Faz coisa de dois meses, porém, que estamos formando uma equipe junto aos próprio artistas pra fazer a coisa andar de vez. Joana Coccarelli, a Narghee-la, por exemplo, vai tomar conta da comunicação – matérias e notícias sobre arte urbana e lowbrow. A idéia é ter uma espécie de coordenador regional também, que corra atrás de parcerias e novos artistas em suas respectivas regiões. Nessa, entram Herbet Loureiro – o Herbie – no Nordeste, Diogo Rustoff no Centro-Oeste, Kael Kasabian no Sudeste e Fabiano Gummo no Sul. Ah, sim. Tem também a Lívia Condurú, mulher de outro artista nosso, o Paulo Ponte Souza, que tá responsável pelos projetos. E ninguém ganha nada – pelo menos, por enquanto. Tudo um bando de maluco.<span id="more-1661"></span></p>
<p><strong>Qual tua motivação?</strong><br />
Acho que minha megalomania é minha maior motivação, mesmo. Sei lá. Nunca entendi muito aquilo que chamam por aí de arte pós-moderna. Isso de cagar num saco plástico e deixar pendurado na galeria, criando mosca, ou uma tela em branco com um pontinho preto no meio..? Invejo os que entendem dessas coisas – mas duvido que realmente existam. Pois bem&#8230; chafurdando na net, encontrei a revista <a href="http://www.juxtapoz.com/">Juxtapoz</a>, há uns cinco ou seis anos. Com ela, veio o conceito de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lowbrow_(art_movement)">lowbrow</a>. Bati os olhos e, pela primeira vez, alguma coisa contemporânea me deixava empolgado. Comecei a publicar trabalhos de artistas gringos no Ciao Cretini, meu blog na época, até que surgiu a idéia de fazer o mesmo com artistas brasileiros, mas num canto específico: uma galeria virtual. No caso, a primeira – e não estou falando do gênero, como se fosse a primeira galeria online de lowbrow, mas a primeira 100% online do Brasil, onde todas as obras expostas estivessem à venda sem que instalações físicas fossem necessárias pra isso. Quando tu tem uma idéia boa, tu toca ela adiante.. não? Essa foi minha motivação.</p>
<div>
<p><strong>Como vocês descobrem os artistas expostos?</strong><br />
No começo, saímos fuçando de <a href="http://www.flickr.com/">flickr</a> em flickr, <a href="http://www.fotolog.com">fotolog </a>em fotolog. Eu já conhecia alguns e o Cardoso também, mas o grosso foi sendo encontrado na net. Com o tempo, artistas começaram a mandar email pra gente, pedindo pra expor – mas tem o crivo, claro. Nessa, abrimos as portas também aos gringos – o primeiro foi um argentino, o Pulpo Corporate, que chegou junto. O segundo será um italiano, Claudio Parentela, que também pediu pra expor. A princípio, a idéia era abrir só pra brasileiro, fazer um mapeamento do que tá rolando nas cinco regiões. Só que, se a coisa quer crescer, não sou eu quem vou impedir esse crescimento. De ora em diante, passaremos a mapear também os cinco continentes, na proporção de 4 brasileiros pra 1 gringo por mês.</p>
<p><strong>Como é o funcionamento da galeria? As obras expostas mudam periodicamente, ou apenas são acrescentadas novas obras deixando a galeria cada vez maior?</strong><br />
A idéia – que nem sempre é levada a cabo – é jogar um artista por semana. Da feita que ele entra, a página dele fica lá forever and ever. <span> </span>No futuro, caso ele queira jogar mais obras, ele volta a receber destaque na página principal como artista da semana e assim vai. Obra nenhuma é apagada. No fim, acaba funcionando como um banco de dados – como eu já tinha dito, um mapeamento do que tá rolando por aí.</p>
<p><strong>São os próprios artistas que determinam os preços?</strong><br />
Isso. Não damos pitaco nesse ponto. Escolhemos quem vai expor e o que o cara vai expor. Quanto ele vai cobrar, já é problema dele. Tanto que temos obras de 5 reais a 5 mil reais.</p>
<p><strong>As vendas estão dentro do esperado?</strong><br />
Depende. Do que era esperado inicialmente, não mesmo. Não que a gente tivesse pretensões de ficar rico com a BC. Mas cobrindo os gastos, estaria tranqüilo. A gente cobrava comissão e tudo – hoje, funciona da seguinte maneira: aparece comprador, a gente joga direto no colo do artista. Se vender, ele tem a opção de contribuir ou não com o caixa da BC. Acontece que não tenho tino nenhum pra ser homem de negócios – e aqui, falo por mim e tão-somente por mim. Minha praia é o jornalismo, a literatura, a música. É escrever, criar, ter idéias – posso até vender idéias, mas nunca tocar um negócio profissionalmente. Fui saber o significado de logística anteontem. Negócio, nas minhas mãos, é falência – batata. Mas enfim&#8230; tudo em nome da arte, não é o que dizem? Baixocalão pra mim não é negócio, é megalomania. Posso dizer até frustração por não saber pintar. Nunca um negócio – no que pode até, um dia, quem sabe, se transformar – mas não comigo a frente.</p>
<p><strong>No site, está escrito que esta é a primeira galeria lowbrow online brasileira. É inspirada em alguma iniciativa semelhante do exterior?</strong><br />
Como eu disse, conheci o lowbrow através da Juxtapoz, que acabou me levando a conhecer algumas tantas galerias americanas do gênero. Mas não lembro de ter topado com nenhuma que fosse tão-somente online. A idéia de reunir artistas brasileiros veio, claro, de tanto ver artistas de fora. Mas pára por aí.</p>
<p><strong>Confesso que eu não conhecia o termo lowbrow, em uma rápida pesquisa deu para entender que, de certa forma, a arte lowbrow se opõe à fine art. Tu poderia falar um pouco da arte lobrow? Essa oposição se dá a partir da postura dos próprios artistas? A partir da visão da crítica? Entre os teus objetivos com a galeria estaria &#8220;elevar&#8221; a arte lowbrow ao patamar da fine art em termos de prestígio e reconhecimento?</strong><br />
A expressão lowbrow surgiu, penso, no sentido de bater de frente com aquela arte pós-moderna sem pé nem cabeça de que eu falei, a partir do momento em que perceberam que os quadrinhos de um jornal faziam mais sentido do que uma instalação no Metropolitan. Uma pixação emocionava mais, carregava o conceito do belo, tinha uma expressão forte e algo a dizer. Qual é a finalidade da arte, afinal? O lowbrow já está fazendo escola e alcançando o reconhecimento devido. Os Gêmeos, no caso brasileiro, estão aí pra não me deixar mentir. Acho que, mais que isso, estraga. Tenho medo de toda e qualquer supervalorização, seja em qualquer campo. Tem uma frase do João Paulo Cuenca, em <em>Corpo Presente</em>, que resume bem isso. Mas não me lembro dela de cabeça agora. Diz algo como “quero leitores, mas dispenso o título de best-seller”. Uma geração de leitores puxa a seguinte. Enquanto que o best-seller de hoje, amanhã ninguém mais se lembra.<br />
Meu objetivo sempre foi apenas um: mostrar o que estava sendo feito no Brasil. E o formato virtual da galeria é perfeito pra isso. De outra forma, como levaríamos um cara de Macapá, em começo de carreira, pra expor em São Paulo? Complicado, né? Com a baixocalão, não mais. Ele vai pra São Paulo e pro mundo todo – e pro mundo todo mesmo: 50% dos visitantes são estrangeiros. Estamos falando de imagens. Não precisam de legenda pra serem compreendidas e admiradas.</div>
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