Blog do jornal CineSemana

Postagens na categoria ‘Entrevista’

Gramado 2010: Avellar defende as mostras paralelas e os filmes fora de competição

José Carlos Avellar (Foto: Edison Vara/Press Photo)

Exclusivamente para os leitores do blog, disponibilizamos na íntegra a entrevista com o crítico José Carlos Avellar, um dos curadores do Festival de Gramado, publicada no jornal CineSemana e que estará também nas páginas do Diário do Festival, publicação oficial do evento.

O papo foi longo, mas valeu. Além do aumento do número de dias do evento, Avellar também falou sobre a escassez de salas em Gramado, sobre o grande momento por que passa o cinema documental e, sobretudo, defendeu as mostras paralelas e os filmes fora de competição como elementos essenciais para o crescimento do festival.

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Entrevista: João Pedro Fleck, diretor do Fantaspoa

Em entrevista ao CineSemana, João Pedro Fleck, um dos realizadores do Fantaspoa ao lado do amigo Nicolas Tonsho, conta como surgiu a ideia de criar um festival voltado para cinema do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e horror). Ele fala ainda sobre as dificuldades e conquistas que marcaram a consolidação do evento no cenário cultural do país

Como surgiu a ideia de criar o Fantaspoa?
Para ser exato, a ideia do Fantaspoa surgiu em março de 2005, quando dois amigos e eu, na época integrantes da diretoria do Clube de Cinema de Porto Alegre, estávamos em Montevidéu, assistindo ao Festival Internacional de Cinema. Durante o evento, conversamos sobre como seria interessante ter um festival em Porto Alegre. Devido a uma predileção nossa pelo gênero e pela ausência de muitas obras que gostaríamos de ver na tela grande, decidimos lançar a idéia. A proposta inicial do evento era bem diferente. Realizamos principalmente recuperação de clássicos que estavam disponíveis em película no Brasil e já com legendas em português. Hoje, aproximadamente 80% da nossa programação é inédita no Brasil e mais de 50% é inédita na América Latina.

Quais foram as inspirações para realizar um evento com filmes do gênero fantástico, com obras de fantasia, ficção científica e terror?
As inspirações principais foram festivais internacionais semelhantes, como Sitges, Amsterdam Fantastic Film Festival, Gerárdmer. Nós tínhamos o sentimento de que algo assim, com a mesma qualidade, deveria existir no Brasil. E acima de tudo: já que não existia e nós tínhamos condições de criá-lo, porque não fazer o evento ao invés de ficarmos reclamando de sua inexistência? E hoje, 6 anos depois aqui estamos.

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Carlos Urbim, o patrono dos pequenos leitores

Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)

Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)

A edição de número 105 do CineSemana traz entrevista com o jornalista e autor de histórias infantis Carlos Urbim, eleito o patrono da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Nascido em 1948, na cidade de Santana do Livramento (RS), o escritor mudou-se para Porto Alegre aos 19 anos e cursou jornalismo na UFRGS. Sua obra literária teve início em 1984, quando lançou Um Guri Daltônico, a primeira de muitas publicações destinadas aos pequenos leitores. Ao todo são 19 livros de histórias infanto-juvenis. Nesta entrevista, o patrono destaca que a principal função que a Feira do Livro desempenha é trazer cada vez mais pessoas para a leitura. O escritor também aponta a importância da literatura infantil e fala sobre o orgulho que sente em ocupar o patronato.

Como surgiu o interesse em escrever histórias infantis?
Foi o convívio com os meus dois filhos que me tornou escritor. No fim do dia, quando eles estavam por dormir, eu costumava contar histórias que eu inventava. No dia seguinte, eles pediam que eu repetisse igualzinho. E um dia, pra não esquecer, comecei a colocar no papel. Assim nasceu o meu primeiro livro, Um Guri Daltônico, obra que eu trouxe para a Feira do Livro de 1984, há 25 anos. Então é uma grande coincidência que neste ano, quando eu sou escolhido para ser o patrono, também estou comemorando 25 anos de literatura. Este ano, eu também fui empossado na Cadeira 40 da Academia Rio-grandense de Letras. E pra mim todas as homenagens se tornam importantes porque nem sempre se reconhece o trabalho de quem produz textos para crianças. Eu tenho quatro livros que tem a ver com o meu trabalho como jornalista. São resultados de textos que eu produzi para séries de TV ou para projetos para os quais eu escrevi, mas a minha obra mesmo que me caracteriza, que os leitores identificam são os textos para crianças, 19 livros.

Nas últimas edições da feira, a seção de literatura infantil tem sido um dos grandes destaques…
O espaço na feira é cada vez maior, a ponto de que no momento que a feira precisou se expandir, ela transbordou e alcançou o Cais do Porto. No Cais se encontra toda a área infanto-juvenil, não sendo somente as barracas, os estandes de livros, as editoras e livrarias, mas também os diversos espaços para incluir cada vez mais as crianças no processo de descoberta da leitura. E aí que eu vejo a importância da literatura infantil. Ela é o primeiro passo. É ela quem conduz os pequenos leitores para a descoberta do prazer de ler.

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Carlos Gerbase conta como foi a escolha de Salve Geral para concorrer a uma indicação da Academia

A 99º edição do CineSemana traz entrevista com o cineasta Carlos Gerbase, um dos integrantes da comissão responsável pela seleção do filme Salve Geral, de Sérgio Rezende, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O comitê contou ainda com as presenças de Silvio Da-Rin, secretário do audiovisual do Ministério da Cultura; Carlos Alberto Mattos, crítico; Beto Rodrigues, produtor; Ivana Bentes, professora e pesquisadora; e Luiz Gonzaga de Luca, exibidor. O longa-metragem dramatiza fatos inspirados nos ataques orquestrados por uma facção criminosa, em 2006, na cidade de São Paulo. Salve Geral vai competir agora com produções de mais de 95 países à indicação final de melhor filme estrangeiro. Nesta entrevista, Gerbase conta como foi a escolha do representante brasileiro e fala das chances de uma indicação.

Como se deu a escolha do filme brasileiro que disputará uma indicação ao Oscar de melhor longa-metragem estrangeiro?
Foi relativamente fácil separar pelo menos quatro filmes dos dez inscritos, que eram os quatro filmes que mais ou menos todos os componentes do júri achavam que tinham condições. E a partir daí, a gente começou a discutir esses quatro, as suas qualidades cinematográficas, técnicas, artísticas e também quais que a gente achava que tinham perfil para representar o Brasil no Oscar. Porque não é um festival de cinema. No festival de cinema tu segue o teu gosto, tu argumenta por que acha que é o filme melhor. Na verdade, a gente discutiu qual o filme que tinha mais condição de representar o Brasil no Oscar, nesse contexto específico.

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O que Michael Cera aprendeu

Esta semana, a seção What I’ve Learned da revista Esquire está especialmente boa. Recomendo muito. A íntegra está disponível aqui, em inglês.

O “depoente” é Michael Cera, também conhecido como “o cara do Juno“. Chamo de depoente porque a seção é uma espécie de entrevista, porém com as perguntas cortadas da edição, o que faz o texto parecer uma lista de confissões, deixando muitas coisas confusas mas acaba ressaltando outras tantas.

Pois que o Cera conta algumas coisas interessantes, como o fracasso no teste que fez para viver o menininho de O Sexto Sentido, o pito que tomou de uma diretora ao fazer uma voz engraçada durante um outro teste pra alguma dublagem, como, desde que fez Superbad, virou praxe que caras bêbados e loucos abracem ele sempre que o vêem.

A seguir, transcrevo a melhor parte:

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Por favor, não escreve isso, porque senão minha mãe vai saber que eu já fiz isso. Eu nunca, nunca vou parar de ouvir por causa disso. Sério. Vou confiar em ti.

Não, eu acho que publicar essa parte encoberta só vai piorar tudo um milhão de vezes”

Martha Medeiros: “O Divã virou um case”

Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)

Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)

A 76ª edição do CineSemana traz entrevista com Martha Medeiros, escritora e colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro, Martha Medeiros. Autora de diversas crônicas, ela fez sua estreia na ficção com Divã, em 2002. Três anos depois, a atriz Lilia Cabral adaptou para o teatro a história de Mercedes, uma mulher na meia-idade que resolve fazer análise, questionando temas do cotidiano, como casamento, maternidade e paixão. Hoje, a obra da autora gaúcha chega aos cinemas sob a direção de José Alvarenga, o mesmo de Os Normais (2003). Em entrevista a CineSemana, Martha conta como é ver seu trabalho adaptado para os palcos e telas e também destaca o assunto que mais gosta de escrever: as relações humanas.

Qual a diferença entre ver sua obra adaptada para o teatro e para o cinema?
É quase a mesma coisa. Na verdade existe um estranhamento sempre que a obra é adaptada não importa pra qual veículo porque a gente sempre que escreve se senti assim uma proprietária privada, ‘foi eu quem inventei os personagens, eu conheço bem aquelas emoções que estão no papel, aquilo ali tem muito a ver comigo’. De repente quando a gente vê a obra ganhar corpo, “ganhar corpo” aqui no caso não é jogo de palavras, é ganhar corpo mesmo, existe uma atriz, existe outros atores, existe voz, figurino e outras emoções, claro, é um susto, mas é um susto bom, é uma coisa muito interessante. A gente vê o desdobramento que aconteceu e o livro foi apenas um pontapé inicial disso tudo. É muito bacana. Eu to muito feliz. Agora o fato de ser teatro ou cinema não muda tanto. No caso do Divã pra mim foi surpreendente porque eu já achava que o teatro tinha sido um sucesso e já tinha sido um presente isso acontecer relacionado a um livro meu. Agora o filme vem dar um novo fôlego nessa história toda. Eu brinco assim: o Divã virou um case, porque agora ta completo, é livro, é peça e é filme. E eu acho que pra qualquer autor isso é um super orgulho.

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Entrevista com Caco Ishak, um dos criadores do Baixo Calão

A entrevista com Caco Ishak, realizada por e-mail pela colega Julia Dantas, era pra fazer parte da matéria sobre a galeria virtual Baixo Calão publicada na última sexta-feira no jornal CineSemana (e repicada aqui no blog), mas acabou chegando tarde demais. Então, publico ela à parte agora, já que gostei do conteúdo e acho que pode ser interessante também pra vocês leitores. Confiram aí:

Tu e o Cardoso organizam e sustentam o site sozinhos?
Nesses dois primeiros anos, fomos os dois sozinhos, sim. E aos trancos, já que nenhum dos dois tem muito tempo sobrando – haja paixão e megalomania. Faz coisa de dois meses, porém, que estamos formando uma equipe junto aos próprio artistas pra fazer a coisa andar de vez. Joana Coccarelli, a Narghee-la, por exemplo, vai tomar conta da comunicação – matérias e notícias sobre arte urbana e lowbrow. A idéia é ter uma espécie de coordenador regional também, que corra atrás de parcerias e novos artistas em suas respectivas regiões. Nessa, entram Herbet Loureiro – o Herbie – no Nordeste, Diogo Rustoff no Centro-Oeste, Kael Kasabian no Sudeste e Fabiano Gummo no Sul. Ah, sim. Tem também a Lívia Condurú, mulher de outro artista nosso, o Paulo Ponte Souza, que tá responsável pelos projetos. E ninguém ganha nada – pelo menos, por enquanto. Tudo um bando de maluco. Continue lendo »

Júlio Conte entre o palco e a psicanálise

Júlio Conte, autor de várias peças gaúchas (Foto: Divulgação)

Júlio Conte, autor de várias peças gaúchas (Foto: Divulgação)

O entrevistado da 66ª edição do CineSemana é Júlio Conte, autor e diretor de Bailei na Curva, obra de maior destaque do teatro gaúcho do todos os tempos. Natural de Caxias do Sul, Júlio formou-se em Direção Teatral em 1984 e, um ano depois, em Medicina. Ao longo de sua trajetória no mundo das artes cênicas, ele já recebeu diversos prêmios Açorianos.

Além de dirigir e escrever peças, Júlio é também ator, professor de teatro e psicanalista. Nesta entrevista, ele conta por que Bailei continua lotando plateias após 25 anos em cartaz, como sua formação médica interfere na vida pessoal e no trabalho com o teatro e como está sendo sua nova experiência mediando uma peça de improvisos. Confira aqui a íntegra.

A que você atribui o grande sucesso da peça Bailei da Curva, que está a 25 anos em cartaz?
O sucesso do Bailei é porque ele conta uma história do Brasil divertida e importante. Ele possibilitou ao longo dos anos uma série de releituras porque trabalha em cima da própria identidade do povo brasileiro, de um pedaço da história que já foi bem obscuro, mas agora já está mais clarificado. O Bailei é de 1983 e a democracia só voltou em 1985. Então o Bailei é a última peça ou a primeira peça sobre a ditadura ainda em vigência da ditadura. Em 83 quando estreou, nós estávamos vivendo ainda sob o regime de exceção. Então isso é uma coisa muito importante porque ela criou um espaço novo dentro da cultura, em que se começou a discutir essas coisas, a ditadura, o estado de exceção em pleno estado de exceção, em plena ditadura.

O tema da ditadura é, ainda hoje, retratado constantemente pelas artes. Na sua opinião, o que mantém o interesse do público pelo tema 25 anos depois da abertura?
No caso do Bailei na Curva é porque, além de falar da ditadura, falar de uma história do Brasil que marca uma identidade de um povo, conta também a história de costumes, uma história de pessoas, por isso ele ganha uma certa universalidade. Não é só falar da ditadura pela ditadura, é falar sim sobre os costumes da época, os hábitos, do tipo de roupa que se vestia, do jeito que se falava, de gíria, do tipo de ingenuidade que se tinha, um tipo de ousadia. Fala da alma do brasileiro em um determinado momento. De certa forma, reverencia também os anos 60, os anos 70, o Flower Power, o movimento hippie. Ela é uma peça que fala de esperança. Essa é a grande perda que a gente teve a partir do pós-modernismo, onde o teatro, o cinema e a televisão, todos passam a ter uma característica de salve-se quem puder. Ali no Bailei é uma saída coletiva, a busca. Eu acho que é o último suspiro da modernidade no teatro, porque ali fala de uma expectativa de uma saída coletiva.

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O mundo paralelo de Mallu Magalhães

Aos 16 anos, a jovem artista que ainda nem saiu da escola já circula entre músicos de renome (Foto: João Wainer/ Divulgação)

Aos 16 anos, a jovem artista que ainda nem saiu da escola já circula entre músicos de renome (Foto: João Wainer/ Divulgação)

O CineSemana que chega aos cinemas hoje, dia 5, traz uma entrevista exclusiva com Mallu Magalhães, mais recente fenômeno musical brasileiro que deve sua fama à divulgação na internet. Cantora, compositora e instrumentista, ela tem apenas 16 anos e virou sensação na internet após colocar suas músicas no MySpace. Apontada como a grande revelação o cenário independente brasileiro, a menina de voz suave, que compõe canções folk, a maioria em inglês, iniciou sua carreira meteórica em 2007. Desde então, seus singles disponibilizados na rede contabilizaram centenas de milhares de acessos, ela recebeu três indicações ao Video Music Brasil (VMB), o badalado prêmio da MTV, e no mês passado lançou o primeiro álbum homônimo com 14 faixas, incluindo os hits Tchubaruba e J1. Gravado no Rio de Janeiro ao longo de 20 dias, durante as férias de julho, o disco Mallu Magalhães tem produção de Mario Caldato Jr., brasileiro que já trabalhou com artistas como Beastie Boys e Jack Johnson. A divulgação fez parte de uma ação de marketing com uma operadora de celular, que está vendendo cada faixa por R$ 1,99 em seu site.

Fã de Bob Dylan e Johnny Cash, a paulistana de classe alta chama atenção pela precocidade e pelo visual alternativo, incluindo suas próprias criações de moda e o constante uso de calçados desparceirados. Nas últimas semanas, a grande polêmica girou em torno de seu namoro com Marcelo Camelo, ex-vocalista do Los Hermanos, de 30 anos, com quem formou um dueto para compor e executar a música Janta para o recém lançado trabalho solo do cantor. Ainda adolescente, Mallu precisa conciliar os estudos com a agenda lotada de shows e participações em festivais pelo País afora. Por conta disso, entrevistar a jovem foi mais difícil do que conversar com alguns figurões do cinema e da música brasileira. Confira um pouco do que contou por e-mail a garota que fala em tom poético sobre si mesma e sua carreira e que virou hype no País.

Você é considerada um fenômeno da internet, suas músicas bateram recordes de downloads e os seus vídeos viraram mania no YouTube. Havia alguma estratégia para você ser divulgada assim?
Ah, na verdade um amigo meu me falou: “por que que você não põe no MySpace”. Aí eu pensei: “é”, pra ver no que dava.

Quais as suas referências musicais, o que você gosta de ouvir?
Aqui no Brasil eu tiro o chapéu para toda a turma da Tropicália, desde o Tom Zé até o Caetano, João Gilberto, Elis, Gilberto Gil, Mutantes. Bom, aí entra um pessoal como o Cazuza e a Ceumar, o Vanguart, Los Hermanos. De fora eu trago o Dylan, o Johnny Cash, Woody Guthrie, Donavon, Hoyt Axton, Neil Youg, Tom Waits, Elvis, Beatles, Beach Boys, Stray Cats, Chuck Berry, Larry Williams, Chigado, America, Matt Costa.

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Mano Changes: não vou fazer lei pra abolir gravata

Como o Gustavo já tinha anunciado, entrevistamos o Mano Changes essa semana. O deputado nos recebeu no seu gabinete na Assembléia Legislativa para um informal bate papo sobre o encontro entre arte e política. A íntegra da nossa conversa você confere abaixo, mas posso dizer que foi um alívio entrevistar um político que não fugiu das perguntas. Confira:

Vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu e deputado estadual eleito com 43 mil votos, Mano Changes é a pessoa mais irreverente que se poderia encontrar na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Nesta entrevista exclusiva, ele mostra como equilibra a vida de músico e a de político, declara sua opinião sobre a descriminalização da maconha e conta o que acontece quando 54 engomadinhos dividem o mesmo espaço com o autor de músicas como Ah, Eu Tô Sem Erva, Merda de Bar e seu mais recente sucesso, Chuva nas Calcinha.

Por que entrar na política quando você já tinha uma carreira artística consolidada de sucesso?
Tenho, né, a música é a minha profissão, é o amor da minha vida, o que me faz feliz e eu nunca posso deixar de conviver com o palco e as pessoas que gostam das músicas que a gente compõe. Só que a Comunidade [Nin-Jitsu] sempre foi politicamente incorreta, sempre foi uma banda divertida, mas isso não significa que eu não tinha pretensões de ajudar as pessoas. Eu vi que era a pessoa pública que era o Mano Changes pra juventude era uma oportunidade de trazer uma pessoa diferente pra Assembléia, que representasse uma galera que não tem voz aqui ou que não se sente à vontade de estar na Assembléia.
Eu queria contribuir, ajudar e usar um pouco da experiência de vida que eu tenho pra trazer mais representatividade pro jovem. Hoje um dos maiores problemas do nosso País é a falta de oportunidade de emprego pro jovem que está apto ao mercado de trabalho e eu acredito que uma das causas é a falta de representatividade do jovem na política.

Você diz que a Comunidade é uma banda politicamente incorreta, o que reflete em ti. Como você foi recebido na Assembléia pelos outros deputados?
Eles começaram a conhecer a banda depois que eles me conheceram porque eles vivem em outro mundo, até os mais novos não tinham muita referência do que toca no Rio Grande do Sul, o que a gurizada tá ouvindo. Então as pessoas esperavam o Mano um cara polêmico só por ele ser músico e só por ele ser jovem. Mas eu sou um cara de diálogo, eu sou um cara que respeita muito o que as pessoas tem pra dizer. E acho que a política requer isso. Pra representar alguém, tu tem que saber ouvir esse alguém, e mostrando que eu não tenho ranço político, que eu sou um cara aberto a idéias, independente da onde elas vierem, as pessoas viram um cara de diálogo, com cabeça aberta e isso trouxe respeito. Muita gente disse ‘ah, mas olha só o Mano quer aparecer, ele usa terno e camisa pra fora das calças’. Eu uso porque eu me sinto à vontade. Se tu for pensar na maioria dos jovens que vai a casamento, que vai a debutante,  a gurizada usa camisa pra fora das calças e hoje é fashion até. A gente tem que estar o mais confortável possível pra poder trabalhar sem ferir o regimento interno, que diz que tem que estar de paletó, gravata e camisa no Plenário, mas não interessa como vai estar a camisa e a gravata.

Você guarda uma camisa sobressalente aqui?
Tem, tá ali [aponta para um armário no canto da sala], com certeza. Eu uso gravata mesmo no Plenário só.

Também não tem porque não usar e criar conflito, né?
Não, claro. O Raul Pont disse pra mim ‘ah tu tem que fazer uma lei pra abolir a gravata, e eu te apoio`. Daí eu disse que não ia fazer lei pra abolir gravata, fazer lei pra me privilegiar. Eu estou aqui pra privilegiar as pessoas, não pra eu me sentir mais confortável, gravata é um respeito ao Estado, ao povo e aos eleitores que acreditam na gente também.
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