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Apenas três dias antes da abertura oficial do 39º Festival de Cinema de Gramado, conversamos com o crítico carioca José Carlos Avellar, que há seis anos consecutivos é um dos curadores do festival, ao lado do documentarista Sérgio Sanz. Além de contar o que o público pode esperar das mostras e dos fimes selecionados, ele falou sobre a homenagem aos 80 anos da primeira exibição de Limite, de Mario Peixoto, a respeito das características que unem as cinematografias brasileira e latino-americana e sobre a ausência do Kikito de Cristal nesta edição. Confira a seguir.
Que novidades esta edição do festival apresenta em relação às demais e que poderiam ser destacadas?
Há muito o que se destacar. Em primeiro lugar, acho que merecem atenção especial os filmes de abertura e de encerramento. Acho que o filme do Selton Melo e o do Eduardo Nunes, que são fora de competição, criam uma moldura muito especial para o festival. São dois trabalhos especialmente criativos e que atendem a uma coisa que estava no ar enquanto nós fazíamos a escolha dos filmes para o festival desse ano, que é a comemoração dos 80 anos de projeção do primeiro filme do Mario Peixoto, Limite. Nós conseguimos inserir no programa um documentário sobre o Mario Peixoto que vai ser exibido no último dia, o encerramento da Mostra Panorama, justamente pra destacar esse aniversário. Me parece que é a expressão bem radical, bem clara daquilo que o festival procura encontrar e dar espaço sempre, que é um cinema autoral no Brasil e na América Latina. Continue lendo »

Luiz Antonio de Assis Brasil, secretário de estado da cultura do RS
Romancista com quase duas dezenas de livros publicados, violoncelista integrante por 15 anos a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e professor universitário, Luiz Antonio de Assis Brasil assumiu a Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, no último mês de janeiro, sob os olhares esperançosos da classe artística. Sua tarefa, conforme ele mesmo diz, é apartar conflitos e dinamizar a produção cultural do estado, levando-a ao século 21. Para isso, entretanto, terá que recuperar o muito tempo perdido e desfazer uma série de entraves que vêm atrasando o setor, entre eles o puro desinteresse político na área, traduzido na falta de recursos. E com sua reputação em jogo, ele afasta qualquer suposição sobre ser apenas uma figura decorativa na pasta: “eu estou no comando”.
Por que o senhor resolveu aceitar o convite para ser o secretário da cultura?
Eu pensei assim: alguma coisa tem que ser feita pela cultura. Temos vários problemas um pouco complicados na cultura nos últimos tempos, uma situação de conflito entre órgãos: secretaria e conselho. Alguma coisa precisava ser feita. Pensei sobre o assunto, achei que deveria encarar até como um compromisso com a minha geração, de fazer algo pela minha geração. A gente sabe que a literatura é que vai ficar. É visível, não existem restos invisíveis, mas perceptíveis, por uma questão de tempo. Mas o estado da situação é que eu tenho um conhecimento da rede cultural do estado e sei onde estão os problemas. E eu sei bem onde estão. E me permiti, assim, aceitar. Por outro lado, também, o governo me deu muita liberdade na composição dos cargos, isso me permitiu fazer várias escolhas, pela competência, pelo currículo. Enfim, é mais como eu me senti na obrigação de fazer alguma coisa pela minha geração. Continue lendo »
Escritor, tradutor, jornalista e editor, Eduardo Bueno, o Peninha, já escreveu mais de 20 livros, a maioria deles sobre História do Brasil. Agora, ele está relançando, pela editora Leya, Brasil: uma história, com quase 500 páginas ilustradas que abrangem desde o período pré-descobrimento até o governo Lula. Nesta entrevista, Peninha fala sobre o sucesso editorial, o interesse pela História e não fugiu da polêmica sobre a suposta falta de rigor de seus livros.
Quantos exemplares você já vendeu só de livros de História?
Mais de meio milhão. Só aquela coleção Terra Brasilis vendeu cerca de 500 mil exemplares. Somando todos os meus livros de mercado, eles venderam mais de 600 mil. Porque é o seguinte, eu já fiz 26 livros, mas só dez de mercado, os outros 16 são institucionais. Alguns deles vão sair pela própria Leya, entre eles um sobre a história da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, que eu fiz quando a avenida completou cem anos, em 2005, para a Caixa Federal.
Em um lugar no qual se lê pouco e as pessoas não parecem muito interessadas na história do próprio país, como é virar um best-seller justamente de livros sobre a História do Brasil?
Pra mim, é uma honra. Eu já tive grandes momentos na minha vida. Eu sou o cara que traduziu o On the road, clássico da geração beat, do Jack Kerouak, e todo mundo achava que o livro era só pra hippie, que não ia vender nada, e vendeu 122 mil exemplares, um lance incrível. Depois, eu tive a chance de conhecer ao vivo o Bob Dylan, que eu venero. De todos esses momentos felizes profissionalmente, o maior deles é esse orgulho de ter tornado a história um negócio pop e de provar o que eu sempre soube, que os brasileiros gostam de ler, sim, e gostam da sua história. O que eles não querem é aquela história do colégio, aquela chatisse. E aí é uma glória pra mim. Me sinto muito, muito orgulhoso. Continue lendo »

José Carlos Avellar (Foto: Edison Vara/Press Photo)
Exclusivamente para os leitores do blog, disponibilizamos na íntegra a entrevista com o crítico José Carlos Avellar, um dos curadores do Festival de Gramado, publicada no jornal CineSemana e que estará também nas páginas do Diário do Festival, publicação oficial do evento.
O papo foi longo, mas valeu. Além do aumento do número de dias do evento, Avellar também falou sobre a escassez de salas em Gramado, sobre o grande momento por que passa o cinema documental e, sobretudo, defendeu as mostras paralelas e os filmes fora de competição como elementos essenciais para o crescimento do festival.
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Em entrevista ao CineSemana, João Pedro Fleck, um dos realizadores do Fantaspoa ao lado do amigo Nicolas Tonsho, conta como surgiu a ideia de criar um festival voltado para cinema do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e horror). Ele fala ainda sobre as dificuldades e conquistas que marcaram a consolidação do evento no cenário cultural do país
Como surgiu a ideia de criar o Fantaspoa?
Para ser exato, a ideia do Fantaspoa surgiu em março de 2005, quando dois amigos e eu, na época integrantes da diretoria do Clube de Cinema de Porto Alegre, estávamos em Montevidéu, assistindo ao Festival Internacional de Cinema. Durante o evento, conversamos sobre como seria interessante ter um festival em Porto Alegre. Devido a uma predileção nossa pelo gênero e pela ausência de muitas obras que gostaríamos de ver na tela grande, decidimos lançar a idéia. A proposta inicial do evento era bem diferente. Realizamos principalmente recuperação de clássicos que estavam disponíveis em película no Brasil e já com legendas em português. Hoje, aproximadamente 80% da nossa programação é inédita no Brasil e mais de 50% é inédita na América Latina.
Quais foram as inspirações para realizar um evento com filmes do gênero fantástico, com obras de fantasia, ficção científica e terror?
As inspirações principais foram festivais internacionais semelhantes, como Sitges, Amsterdam Fantastic Film Festival, Gerárdmer. Nós tínhamos o sentimento de que algo assim, com a mesma qualidade, deveria existir no Brasil. E acima de tudo: já que não existia e nós tínhamos condições de criá-lo, porque não fazer o evento ao invés de ficarmos reclamando de sua inexistência? E hoje, 6 anos depois aqui estamos.
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Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)
A edição de número 105 do CineSemana traz entrevista com o jornalista e autor de histórias infantis Carlos Urbim, eleito o patrono da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Nascido em 1948, na cidade de Santana do Livramento (RS), o escritor mudou-se para Porto Alegre aos 19 anos e cursou jornalismo na UFRGS. Sua obra literária teve início em 1984, quando lançou Um Guri Daltônico, a primeira de muitas publicações destinadas aos pequenos leitores. Ao todo são 19 livros de histórias infanto-juvenis. Nesta entrevista, o patrono destaca que a principal função que a Feira do Livro desempenha é trazer cada vez mais pessoas para a leitura. O escritor também aponta a importância da literatura infantil e fala sobre o orgulho que sente em ocupar o patronato.
Como surgiu o interesse em escrever histórias infantis?
Foi o convívio com os meus dois filhos que me tornou escritor. No fim do dia, quando eles estavam por dormir, eu costumava contar histórias que eu inventava. No dia seguinte, eles pediam que eu repetisse igualzinho. E um dia, pra não esquecer, comecei a colocar no papel. Assim nasceu o meu primeiro livro, Um Guri Daltônico, obra que eu trouxe para a Feira do Livro de 1984, há 25 anos. Então é uma grande coincidência que neste ano, quando eu sou escolhido para ser o patrono, também estou comemorando 25 anos de literatura. Este ano, eu também fui empossado na Cadeira 40 da Academia Rio-grandense de Letras. E pra mim todas as homenagens se tornam importantes porque nem sempre se reconhece o trabalho de quem produz textos para crianças. Eu tenho quatro livros que tem a ver com o meu trabalho como jornalista. São resultados de textos que eu produzi para séries de TV ou para projetos para os quais eu escrevi, mas a minha obra mesmo que me caracteriza, que os leitores identificam são os textos para crianças, 19 livros.
Nas últimas edições da feira, a seção de literatura infantil tem sido um dos grandes destaques…
O espaço na feira é cada vez maior, a ponto de que no momento que a feira precisou se expandir, ela transbordou e alcançou o Cais do Porto. No Cais se encontra toda a área infanto-juvenil, não sendo somente as barracas, os estandes de livros, as editoras e livrarias, mas também os diversos espaços para incluir cada vez mais as crianças no processo de descoberta da leitura. E aí que eu vejo a importância da literatura infantil. Ela é o primeiro passo. É ela quem conduz os pequenos leitores para a descoberta do prazer de ler.
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A 99º edição do CineSemana traz entrevista com o cineasta Carlos Gerbase, um dos integrantes da comissão responsável pela seleção do filme Salve Geral, de Sérgio Rezende, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O comitê contou ainda com as presenças de Silvio Da-Rin, secretário do audiovisual do Ministério da Cultura; Carlos Alberto Mattos, crítico; Beto Rodrigues, produtor; Ivana Bentes, professora e pesquisadora; e Luiz Gonzaga de Luca, exibidor. O longa-metragem dramatiza fatos inspirados nos ataques orquestrados por uma facção criminosa, em 2006, na cidade de São Paulo. Salve Geral vai competir agora com produções de mais de 95 países à indicação final de melhor filme estrangeiro. Nesta entrevista, Gerbase conta como foi a escolha do representante brasileiro e fala das chances de uma indicação.
Como se deu a escolha do filme brasileiro que disputará uma indicação ao Oscar de melhor longa-metragem estrangeiro?
Foi relativamente fácil separar pelo menos quatro filmes dos dez inscritos, que eram os quatro filmes que mais ou menos todos os componentes do júri achavam que tinham condições. E a partir daí, a gente começou a discutir esses quatro, as suas qualidades cinematográficas, técnicas, artísticas e também quais que a gente achava que tinham perfil para representar o Brasil no Oscar. Porque não é um festival de cinema. No festival de cinema tu segue o teu gosto, tu argumenta por que acha que é o filme melhor. Na verdade, a gente discutiu qual o filme que tinha mais condição de representar o Brasil no Oscar, nesse contexto específico.
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Esta semana, a seção What I’ve Learned da revista Esquire está especialmente boa. Recomendo muito. A íntegra está disponível aqui, em inglês.
O “depoente” é Michael Cera, também conhecido como “o cara do Juno“. Chamo de depoente porque a seção é uma espécie de entrevista, porém com as perguntas cortadas da edição, o que faz o texto parecer uma lista de confissões, deixando muitas coisas confusas mas acaba ressaltando outras tantas.
Pois que o Cera conta algumas coisas interessantes, como o fracasso no teste que fez para viver o menininho de O Sexto Sentido, o pito que tomou de uma diretora ao fazer uma voz engraçada durante um outro teste pra alguma dublagem, como, desde que fez Superbad, virou praxe que caras bêbados e loucos abracem ele sempre que o vêem.
A seguir, transcrevo a melhor parte:
“XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Por favor, não escreve isso, porque senão minha mãe vai saber que eu já fiz isso. Eu nunca, nunca vou parar de ouvir por causa disso. Sério. Vou confiar em ti.
Não, eu acho que publicar essa parte encoberta só vai piorar tudo um milhão de vezes”

Martha Medeiros, colunista e escritora (Foto: Letícia Remião/ Divulgação)
A 76ª edição do CineSemana traz entrevista com Martha Medeiros, escritora e colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro, Martha Medeiros. Autora de diversas crônicas, ela fez sua estreia na ficção com Divã, em 2002. Três anos depois, a atriz Lilia Cabral adaptou para o teatro a história de Mercedes, uma mulher na meia-idade que resolve fazer análise, questionando temas do cotidiano, como casamento, maternidade e paixão. Hoje, a obra da autora gaúcha chega aos cinemas sob a direção de José Alvarenga, o mesmo de Os Normais (2003). Em entrevista a CineSemana, Martha conta como é ver seu trabalho adaptado para os palcos e telas e também destaca o assunto que mais gosta de escrever: as relações humanas.
Qual a diferença entre ver sua obra adaptada para o teatro e para o cinema?
É quase a mesma coisa. Na verdade existe um estranhamento sempre que a obra é adaptada não importa pra qual veículo porque a gente sempre que escreve se senti assim uma proprietária privada, ‘foi eu quem inventei os personagens, eu conheço bem aquelas emoções que estão no papel, aquilo ali tem muito a ver comigo’. De repente quando a gente vê a obra ganhar corpo, “ganhar corpo” aqui no caso não é jogo de palavras, é ganhar corpo mesmo, existe uma atriz, existe outros atores, existe voz, figurino e outras emoções, claro, é um susto, mas é um susto bom, é uma coisa muito interessante. A gente vê o desdobramento que aconteceu e o livro foi apenas um pontapé inicial disso tudo. É muito bacana. Eu to muito feliz. Agora o fato de ser teatro ou cinema não muda tanto. No caso do Divã pra mim foi surpreendente porque eu já achava que o teatro tinha sido um sucesso e já tinha sido um presente isso acontecer relacionado a um livro meu. Agora o filme vem dar um novo fôlego nessa história toda. Eu brinco assim: o Divã virou um case, porque agora ta completo, é livro, é peça e é filme. E eu acho que pra qualquer autor isso é um super orgulho.
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A entrevista com Caco Ishak, realizada por e-mail pela colega Julia Dantas, era pra fazer parte da matéria sobre a galeria virtual Baixo Calão publicada na última sexta-feira no jornal CineSemana (e repicada aqui no blog), mas acabou chegando tarde demais. Então, publico ela à parte agora, já que gostei do conteúdo e acho que pode ser interessante também pra vocês leitores. Confiram aí:
Tu e o Cardoso organizam e sustentam o site sozinhos?
Nesses dois primeiros anos, fomos os dois sozinhos, sim. E aos trancos, já que nenhum dos dois tem muito tempo sobrando – haja paixão e megalomania. Faz coisa de dois meses, porém, que estamos formando uma equipe junto aos próprio artistas pra fazer a coisa andar de vez. Joana Coccarelli, a Narghee-la, por exemplo, vai tomar conta da comunicação – matérias e notícias sobre arte urbana e lowbrow. A idéia é ter uma espécie de coordenador regional também, que corra atrás de parcerias e novos artistas em suas respectivas regiões. Nessa, entram Herbet Loureiro – o Herbie – no Nordeste, Diogo Rustoff no Centro-Oeste, Kael Kasabian no Sudeste e Fabiano Gummo no Sul. Ah, sim. Tem também a Lívia Condurú, mulher de outro artista nosso, o Paulo Ponte Souza, que tá responsável pelos projetos. E ninguém ganha nada – pelo menos, por enquanto. Tudo um bando de maluco. Continue lendo »