Blog do jornal CineSemana

Postagens na categoria ‘Cinema’

A evolução dos personagens animados

Outrora protagonizados por príncipes e princesas, bruxas, feiticeiros e heróis de carne e osso (ainda que a fantasia os permitisse ter sempre poderes sobre-humanos), as animações, que em tempos remotos ainda eram chamadas de desenhos animados, estão dando mais um passo para longe desta cada vez mais velha história. WALL-E, que estréia nesta sexta-feira nos cinemas, dá continuidade a um movimento dos estúdios Pixar que não vem de agora, apresentando mais um personagem principal que, a rigor, é apenas uma coisa, um objeto, ainda que possa acabar mais humano do que muito príncipe encantado que andou por aí.

Desde Branca de Neve e os Sete Anões (David Hand, 1937), reconhecido por grande parte da crítica como a melhor animação de todos os tempos, muita coisa mudou no âmbito deste gênero cinematográfico. Prova disso é que o próprio clássico responsável por erguer o império de Walt Disney e que consolidou a adaptação de contos de fada e alguns dos principais paradigmas desta então recém-nascida indústria acabou sendo motivo de chacota em uma cena do filme Shrek Terceiro (Chris Miller, 2007).

BambiA substituição das representações idealizadas de pessoas nos desenhos animados por animaizinhos humanizados começou muito cedo. No início da década de 1940, ao menos três longas-metragens de suma importância apresentaram como protagonistas um rato, um elefante e um veado. Com exceção do Mickey Mouse feiticeiro de Fantasia (James Algar e Samuel Armstrong, 1940), em Dumbo (Bem Sharpsteen, 1941) e em Bambi (David Hand, 1942) o que se vê são bichos estilizados graficamente, mas que mantêm suas características físicas básicas, locomovendo-se sobre quatro patas e incapazes de usá-las para segurar uma garrafa de refrigerante, por exemplo, embora seus comportamentos sejam guiados segundo a ótica e a ética humanas e seus conflitos sigam essa mesma lógica.

Em algumas produções do cinema contemporâneo, esta maneira de representar os animais continua sendo essencialmente a mesma. Entretanto, comparando Os Aristogatos (Wolfgang Reitherman, 1970) com Procurando Nemo (Andrew Stanton, 2003), não é difícil perceber que os peixinhos da Pixar, que podem eventualmente até se abraçar, têm feições e gestual mais parecidos com os nossos do que os felinos aristocratas.

RemySeguindo esta linha de personagens animais com características híbridas, o tipo originário de Mickey Mouse foi um pouco mais longe na mistura. Emprestando aos quadrúpedes a habilidade de se equilibrarem sobre duas patas apenas e permitindo que essas patas tivessem a mesma destreza de movimentos de mãos, por exemplo, filmes como FormiguinhaZ (Eric Darnell e Tim Johnson, 1998), no qual os insetos possuem tórax musculoso e dedos, e Ratatouille (Brad Bird, 2007), que apresenta um rato capaz de abrir uma tampa de rosca com as próprias mãos, ajudaram a fundir completamente também as características físicas, tornando mais difícil distinguir se os personagens são mais bicho ou mais gente.

Desde Toy Story (John Lasseter, 1995), quando quem ganhou vida foram os brinquedos, vem se delineando uma mudança no paradigma da animação. Ao invés de animais com feições e características humanas, é a vez de objetos virarem os protagonistas dos enredos. A história dos bonecos Woody e Buzz Lightyear foi a responsável por dar o ponta-pé inicial à prática. Em Shrek (Andy Adamson e Vicky Jenson, 2001), biscoitos de gengibre fizeram apenas uma ponta como coadjuvantes do filme. Mas em Carros (John Lasseter, 2006), os personagens híbridos, parte humanos e parte objetos, puderam comprovar e consolidar seu sucesso, que é reafirmado pelo anuncio da Disney/Pixar de sua continuação, Carros 2, prevista para 2012.

wall-eApesar das semelhanças físicas com o E.T. de Steven Spielberg e com visual e enredo do filme claramente inspirados em clássicos da ficção científica, o WALL-E que chega nesta sexta-feira aos cinemas não passa de uma máquina de separar lixo para reciclagem. O próprio nome do robozinho é uma sigla para Waste Allocation Load Lifter Earth-Class, que em português significa Elevador de Detritos Classe Terra. É um bom exemplo da nova safra de personagens que começam a ficar cada vez mais freqüentes nos filmes de animação: parte objetos e parte humanos.

Aquecimento para a estréia de Wall-E

Faltando menos de uma semana para a estréia de Wall-E nos cinemas, o blog do CineSemana faz para você um compilado das vinhetas do mais novo desenho da Pixar.

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30 anos de Garfield

Garfield 30 anosHoje um dos gatos mais famosos do mundo e, com certeza, o mais preguiçoso, Garfield, faz 30 anos – o dobro da expectativa média de vida de um gato criado em cativeiro que não come lasanha, 15 anos.

Criado por Jim Davis, Garfield virou filme em 2004 e é atualmente a tirinha mais publicada em jornais pelo mundo, em torno de dois mil e seiscentos, tendo entrado no Guiness.

Última semana para inscrições no 36º Festival de Cinema de Gramado

Quem quiser inscrever algum filme para as mostras competitivas de curta e longa-metragens nacionais e estrangeiros e também para a Mostra Gaúchao do 36º Festival de Cinema de Gramado, que acontecerá de 10 a16 de agosto, só tem mais quatro dias.As inscrições encerram na próxima sexta-feira, dia 20 de junho.

Todas as informações sobre o Regulamento Oficial do 36º Festival de Cinema de Gramado e o Regulamento da Mostra Gaúcha, bem como as fichas de inscrições, estão disponíveis no site oficial do Festival.

Aparecer menos é aparecer mais

Por Gustavo Mini

Não sei se você tem notado, mas ultimamente a publicidade tem ido com mais freqüência ao cinema. A revista Vanity Fair contou quase 70 produtos e marcas citados ou utilizados em Sex and The City: O Filme. Um dos blockbusters de 2007, Transformers, foi considerado por muitos especialistas como um novo modelo na mistura de conteúdo e publicidade, uma vez que os mocinhos do filme eram carros da GM. E em Viagem a Darjeeling, os protagonistas do filme de Wes Anderson passam a tal da viagem inteira carregando suas exclusivas malas Louis Vuitton.

Mas isso não acontecia antes? Por que estamos vendo ocorrer com mais intensidade? O que mudou nos últimos anos? Mudou que o consumidor está ficando mais esperto. O barateamento e a popularização da tecnologia nos últimos dez anos colocaram os meios digitais de produção (computadores pessoais e celulares) e distribuição (internet) nas mãos de quase todo mundo. E, de repente, o seu computador e o seu celular viraram uma central que produz e veicula filmes, música e foto. A sua vida ficou mais fácil. E a dos marqueteiros, muito mais complicada.

Estamos assistindo ao fim do domínio da publicidade interruptiva. Em outras palavras, a publicidade que fica entre dois segmentos de programa de TV ou entre duas matérias de revista está sendo lentamente substituída por outras ferramentas mais integradas a toda uma nova cultura de consumo de entretenimento e informação.

Uma dessas ferramentas é o product placement (no Brasil também chamado de merchandising), onde uma marca aparece misturada ao roteiro de um filme. Não se trata de um subterfúgio novo. Desde os pioneiros franceses Irmãos Lumière (que no século XIX já colocavam em suas histórias o sabonete da empresa de um associado) uma ligação controversa une Hollywood a indústrias de peso. Por meio de contratos milionários, muitas marcas foram parar dentro de roteiros na esperança de encontrar uma forma menos interruptiva de chegar ao consumidor.

Mas foi uma espetacular manobra da BMW em 2001 que virou o jogo e redefiniu os limites entre conteúdo e publicidade em um formato que até hoje é copiado. Através de um projeto desenvolvido pela agência americana Fallon Worldwide, a campanha tradicional da BMW se tornou The Hire, uma série de oito curtas-metragens dirigidos por diretores de peso como John Woo, John Frankenheimer e Ang Lee.

The Hire foi um marco na história da mistura entre publicidade e conteúdo por estabelecer um novo patamar de qualidade e uma nova equação. Os filmes foram veiculados inicialmente na internet para depois ganharem edições em DVD e até mesmo uma série em quadrinhos. Só na internet, os filmes foram vistos mais de 100 milhões de vezes nos primeiro quatro anos e ainda hoje são assistidos em sites como YouTube ou baixados em programas de compartilhamento.

Para conquistar consumidores de forma mais perene, a série da BMW nos ensinou uma valiosa lição: diferente do que vínhamos praticando até então, chegou a era em que aparecer menos (e direito) é aparecer mais.

Gustavo Mini é Coordenador de Conexões na agência Escala e editor do blog Conector

Instituições assistenciais de Porto Alegre terão Dia de Cinema

Amanhã, terça-feira, às 15h, no Auditório do Instituto da Criança com Diabetes (Rua Álvares Cabral, 529), ocorre o lançamento do projeto Dia de Cinema. O projeto é itinerante e, durante dois meses, exibirá filmes em oito instituições assistenciais de Porto Alegre: Instituto da Criança com Diabetes, Instituto do Câncer Infantil, Associação dos Pais e Amigos do Expecional de Porto Alegre (APAE), Fase, Sociedade Porto-Alegrense de Auxílio aos Necessitados (SPAAN), Pão dos Pobres, Asilo Padre Cacique e Sanatório Partenon. O objetivo é levar entretenimento e quebrar a rotina dos internos, pacientes, amigos e funcionários das entidades, que em sua maioria atende a crianças e idosos carentes.

As salas de cinema montadas em cada instituição contarão com tela, cadeiras e projetor de alta resolução. Os filmes e desenhos exibidos serão escolhidos pela própria platéia. Os momentos da primeira temporada do Dia de Cinema serão registrados pelas lentes da fotógrafa Patrícia Phil e o resultado será transformado em uma exposição fotográfica que vai percorrer shoppings e demais localidades.

Limite, de Mário Peixoto, ganhará exibição comentada em Porto Alegre

Still de LimiteEm comemoração ao centenário do diretor Mário Peixoto, Porto Alegre receberá uma única e rara exibição em dvd do filme Limite. A sessão acontecerá na próxima quarta-feira, 11, no Santander Cultural, com início às 19h. A versão será a mesma apresentada em Cannes, em 2007, em processo de restauração, e será comentada por Alice Spitz e Michael Korfmann, pesquisador e difusor da obra de Peixoto.

Limite é considerado internacionalmente como uma obra-prima, e apontado como o correspondente brasileiro às vanguardas do surrealismo e impressionismo francês. Em 2007, foi o único filme brasileiro escolhido por David Bowie entre seus dez favoritos da América Latina para exibição no High Line Festival.

Imperdível!

Pérolas de Bush

Poster do filme W.No final deste ano o atual presidente dos EUA, George W. Bush, ganhará um filme. W., dirigido por Oliver Stone, promete.

Por enquanto podemos nos divertir com o cartaz do filme (ao lado – clique para ampliar), que conta com as melhores frases já ditas pelo homem mais poderoso do mundo.

Vamos ver se até o dia em que ele deixar a Casa Branca não somos brindados com mais algumas pérolas.

Via Quero te Contar

Provas de câmera, por Pedro Almodóvar

Um dos testesEm seu blog, no qual comementa com detalhes cada passo da produção de seu próximo longa-metragem, Los Abrazos Rotos, Pedro Almodóvar publicou ontem explicações, reflexões e seus critérios pessoais durante as provas de câmera.

Uma boa oportunidade de conhecer melhor como este processo funciona e, sobretudo, ficar por dentro de algumas escolhas estéticas do diretor e suas motivações.

José Padilha 10 x Beto Brant 0

Acabei de voltar do Fronteiras do Pensamento, um evento que coloca pessoas ligadas à arte, cultura, política, etc., pra discutirem e falarem assuntos um tanto genéricos.

O que acabei de ver foi surpreendente. Um José Padilha racionalizando todo o seu cinema emocional e um Beto Brant demonstrando toda a imporvisação por trás de seus filmes reflexivos.

Brant, na verdade, mais ficou divagando sobre a infância, num relato em tom confessional pouco producente.

Padilha, por sua vez, mostrou de onde advém cada uma das idéias e objetivos por trás de suas produções.

Na verdade, o título deste post deveria ser Racionalização e Método 10 x Improvisação 0. Ao menos foi o que se viu na noite desta segunda-feira no palco do Salão de Atos da UFRGS.

Estou escrevendo uma matéria um pouquinho maior para a edição impressa do próximo CineSemana. Confiram na sexta-feira.

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