Blog do jornal CineSemana

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Trilha surrupiada na cara dura?

Acabo de assistir ao trailer de Missão Babilônia, novo filme estrelado pelo ator bombadão Vin Diesel e uma coisa me chamou muito a atenção (não foi o número absurdo de explosões consecutivas). A trilha sonora, que é uma das minhas favoritas de filmes. Quem gosta de cinema certamete vai reconhecer. Confere aí:

A grande questão, no entanto, é que esta é a trilha original composta para Réquiem para um Sonho, de Darren Aronofsky, pelo genial Clint Mansell. Nada demais, não fosse o fato de tal crédito não constar no IMDB. Lá, consta somente o crédito da trilha original para um cidadão de nome Atli Örvarsson. Que feio!

Pra você que não se lembra de Réquiem…, separei aqui uma versão do trailer com a trilha do Clint Mansell feita por um fã. Sensacional!

Update 16/09 - 19:15: O amigo Solon Brochado acaba de dar mais informações curiosas a respeito da trilha composta pelo Clint Mansell. Diz ele que a música já foi usada em Senhor dos Anéis - ver aqui na Wikipedia - e usada no trailer do jogo, também. Segundo ele, “é uma versão com um coro, mas é a mesma música. Ela ficou tão famosa que virou uma música por si só, sem ligação com o filme.”

Os cegos são eles ou somos nós?

Estréia hoje Ensaio Sobre a Cegueira, o filme de Fernando Meirelles (Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel) baseado no livro vencedor do Nobel de José Saramago. Pude ver o filme terça-feira passada em uma cabine de imprensa e vim recomendar a vocês que assistam também.

Ainda não digeri completamente tudo que vi, o que é sempre bom sinal: o filme de Meirelles tem muito a dizer. O que mais me impressionou, entretanto, foi a forma como a história prende o espectador. É impossível tirar os olhos da tela por um só segundo, mesmo quando talvez esse fosse nosso instinto ao ver exposta a degradação dos homens subitamente cegos.

(Para quem não pôde ver o trailer ou ler o livro, breve resumo da história e trailers aqui)

Os acontecimentos, os personagens, os efeitos de câmera, tudo contribui para o envolvimento do público. Nos sentimos cúmplices daquelas pessoas confinadas, ao mesmo tempo que existe um certo voyeurismo perverso em testemunhar a nudez (em todos os sentidos) exposta por cada um dos cegos. Ponto para Meirelles, que consegue nos fazer ter uma breve idéia da cegueira branca graças à ousadia na direção, como nos sentir na pele da Mulher do Médico, a única que ainda consegue enxergar, o que pode ser pior do que estar cego.

Para mim, a prova de que, não apenas eu, mas todo o público estava conectado aos personagens foi a reação às (poucas) cenas cômicas. São três ou quatro momentos engraçados que pontuam a aflição que dá o tom geral à narrativa, e nestes três ou quatro momentos, nós do público rimos junto e da mesma maneira que as pessoas na telona. É um riso de catarse, para eles e para nós, uns breves instantes em que respiramos um pouco de alívio e nos lembramos daquilo que nos faz humanos.

Recomendo.

De que filme é este frame?

Para dar continuidade ao post publicado pelo Fernando na terça, acabo de descobrir mais um joguinho legal na internet envolvendo cinema.

Este aqui eu não faço nem idéia de que filme seja

Este aqui eu não faço nem idéia de que filme seja

Pois este jogo aqui é bem simples, mas tão viciante quanto os outros: um frame é apresentado randomicamente por vez, e o vivente tem que acertar a que filme ele pertence. Parece fácil, mas na prática a coisa não é bem assim. Dos dez frames que vi até agora, só acertei quais eram os filmes em dois casos. Média horrível de 20%!

E aí, sabichão, consegue média melhor?

Divulgados filmes brasileiros concorrentes à vaga no Oscar

Foram divulgados pelo Ministério da Cultura na última terça-feira, dia 9, os 14 longas-metragens inscritos para concorrerem a uma indicação ao Oscar em 2009 na categoria melhor filme em língua estrangeira. O representante brasileiro será divulgado até o dia 16 de setembro, e será escolhido por uma comissão formada por seis profissionais do meio audiovisual: Antonio Alfredo Torres Bandeira, Cleber Eduardo, Silvia Rabello, Maria Dora Mourão, Giba Assis Brasil e Paulo Sérgio Almeida. O nome do filme selecionado será enviado aos organizadores do Oscar, que então escolherão cinco indicados vindos de quase uma centena de países para a concorrerem na cerimônia realizada em fevereiro. Confira a lista dos filmes brasileiros inscritos, na qual chama atenção a ausência de Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas:

A Casa de Alice, de Chico Teixera
A Via Láctea, de Lina Chamie
Chega de Saudade, de Laís Bodansky
Era Uma Vez…, de Breno Silveira
Estômago, de Marcos Jorge
Meu Nome Não é Johnny, de Mauro Lima
Mutum, de Sandra Kogut
Nossa Vida Não Cabe Num Opala, de Reinaldo Pinheiro
Olho de Boi, de Hermano Penna
Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado
O Passado, de Hector Babenco
Os Desafinados, de Walter Lima Júnior
O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli
Última Parada, 174, de Bruno Barreto

Qual você acha que deve ser o candidato brasileiro ao Oscar? Responda nossa enquete ao lado.

De que filme é essa letra?

Se você gosta de jogos do estilo desse, aí vai mais um desafio para você.

Nesse jogo você deve adivinhar a que filme pertence cada uma das 46 letras retiradas de seus cartazes.

O jogo, claro, é em inglês e não é nada fácil. Até o presente momento eu só consegui acertar 8.

Sobre Linha de Passe

Acabo de assistir a Linha de Passe, e achei um filme e tanto. Mantém a tendência da nova safra de filmes brasileiros de voltar mais uma vez os olhos para dentro do próprio país e contar histórias com características bem locais (Wim Wenders apoiaria, certamente).

Quem conhece bem a trajetória cinematográfica dos diretores Walter Salles e Daniela Thomas não vai se espantar com o que verá na telona, mas quem espera algo na linha de Cidade de Deus ou Tropa de Elite está muito enganado. Na verdade, Linha de Passe até dialoga com estes, mas servindo como uma espécie de “negativo”. Ele faz a opção de retratar a pobreza de um ângulo ainda não muito explorado pelo nosso cinema, que é o das pessoas que não são miseráveis nem são bandidas, mas apenas pobres lutando pra sobreviver como podem.

Um ponto do longa-metragem que poderia ser considerado negativo (embora isso seja bem discutível) é o grande número de personagens principais cujas histórias pessoais se alternam no centro da trama. Ao mesmo tempo em que isso dá, ao final, uma noção mais completa da realidade em que vive aquela família paulistana, também dificulta que o espectador “mergulhe” no filme e sinta que realmente conhece cada um daqueles personagens.

Eu recomendo bastante, mas vá ao cinema consciente de que verá um filme reflexivo, autoral, com um ritmo bastante próprio e que pouco tem a ver com as câmeras frenéticas e os cortes rápidos e secos dos últimos sucessos produzidos no Brasil.

Michael Moore libera filme para download

Me agrada muito essa tendência de liberar produções culturais de graça na internet. Depois da turma dos músicos (começando com Radiohead, passando por Nine Inch Nails, e, agora há pouco, Marcelo Camelo, entre vários outros) chegou a hora de os cineastas entrarem na moda. O pioneiro não poderia ser outro que não o polêmico e agitador Michael Moore.

O documentarista lançará Slacker Uprising, sobre o sistema eleitoral norte-americano, gratuitamente no dia 23 de setembro no site www.blip.tv. O filme consiste na viagem de Moore por 62 cidades durante a qual ele tentou convencer jovens a tornarem-se eleitores (como nos EUA o voto não é obrigatório, muitas pessoas preferem não participar da eleição).

A maior parte do orçamento de US$ 2 milhões da produção foi paga pelo próprio diretor, que disse esperar, como único retorno, o maior comparecimento de todos os tempos de eleitores jovens nas eleições de novembro. Além do download liberado, um DVD de Slacker Uprising de baixo custo será lançado em outubro.

Despretensioso e divertido, assim é Mamma Mia!

Ontem pude assistir, em pré-estréia, ao musical Mamma Mia!, que chega aos cinemas oficialmente dia 12 de setembro, sexta que vem. Talvez seja um pouco bizarro fazer uma coisa dessas, mas meu elogio ao filme destaca praticamente só pontos negativos, ou que ao menos seriam considerados negativos em outra produção que não esta.

Tudo o que eu jamais esperava de um filme de um grande estúdio, com orçamento de US$ 52 milhões e repleto de astros como Meryl Streep, Pierce Brosnan e Colin Firth, era um certo ar de amadorismo. E ele está presente em quase todas as cenas do filme, do início ao fim. Essa característica é fundamental para dar um tom despretencioso à produção, que também é muito engraçada.

Chama atenção que, em um musical, alguns dos atores principais simplesmente não sabem canatar, não fazem a menor idéia de como cantar. Salvam-se Meryl Streep e a protagonista Amanda Seyfriend, mas a trio masculino formado por Brosnan, Firth e Stellan Skarsgard é absolutamente péssimo no quesito. O mais estranho é que isso funciona, e muitíssimo bem.

Outra coisa interessante: há várias cenas claramente avacalhadas, onde a piada ou a veia cômica está tão em primeiro plano que não há nenhum constrangimento em descuidar de tudo mais. Se metade dos figurantes errou completamente o tempo da coreografia mas o take ficou engraçado, então valeu. A cena ficou mais brega do que música do Fábio Júnior e isso pode render umas gargalhadas? Ótimo. Essa é mais ou menos a filosofia por trás de Mamma Mia! que, diga-se, soube se apoiar muito bem em uma seleção musical a base de ABBA.

Meryl Streep, relembrando os 4 anos de idade

Meryl Streep, relembrando os 4 anos de idade

O final, ao pior (mas, neste caso específico, ao melhor) estilo novela das sete, o espectador quase não acredita que a produção teve coragem de fazer daquele jeito, tão “amador”. Melhor que isso só mesmo os dois números apresentados junto aos créditos finais, que não deixam ninguém ir embora da sala de cinema.

Resumindo, Mamma Mia! é um filme despretensioso, leve e bastante divertido. Desde que não vá esperando uma obra de arte ou algo super sério, só alguém muito ranzinza pode sair do cinema insatisfeito. Os pontos altos são: amadorismo, números musicais bizarros, coreografias avacalhadas, cantorias desafinadas e espontaneidade. Acredite, isso tudo junto funciona!

Festival de mini-curtas abre inscrições

Realizar um filme ao estilo faça-você-mesmo, com duração de 30 a 90 segundos. Essa é a etapa inicial para participar do festival Claro Curtas, que em sua primeira edição aborda o tema “Diversidade e Inclusão”. As inscrições foram abertas ontem (02).

Os três vídeos finalistas serão avaliados pelo Júri formado por cinco profissionais com reconhecida competência na área de cinema: Stephen Hopkins, Sergio Sá Leitão, José Padilha, Tadeu Jungle e Breno Silveira. O grande vencedor leva R$ 50 mil reais.

Maiores informações podem ser obtidas no site do festival.

Agradeçam ao Philip Glass

Ao menos por ter me apresentado esses dois artistas já valeu ter ido ontem à noite ver o Philip Glass palestrar em Porto Alegre.

O primeiro deles é Godfrey Reggio, cineasta independente com quem o músico norte-americano firmou mais de uma parceria. O curta-metragem a seguir, produzido em conjunto com o projeto Fabrica, um centro de estudos de comunicação mantido pela Benetton, se não me engano perto de Trevizo, na Itália, se chama Evidence, e foi feito em 1995. Confiram o olhar vidrado dessas crianças e suas bocas semi-abertas e tentem descobrir o que há com elas:

Já este vídeo sensacional abaixo é a transmissão da BBC para a obra 4′33″, de John Milton Cage, músico que muito influenciou Philip Glass e que fez experimentos musicais extremos (vocês verão, extremos mesmo). Totalmente imperdível. Não sei como posso ter demorado tanto pra descobrir um cidadão como esse. (Reparem, a 5′55″, se não é o próprio Philip Glass assistindo ao concerto em silêncio, fruindo a música todo concentrado) Eis então a peça, que possui três movimentos e aqui é apresentada em versão com orquestra completa.

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