Você pode não saber o que product placement significa, mas com certeza já se deu conta dele em algum filme. Product placement é a estretégia de colocar produtos “disfarçados” em meio a cenas de filmes, como se fizessem naturalmente parte dele, e assim propagandear a marca ou o produto para os espectadores desavisados (esse assunto já foi tema de um artigo escrito por Gustavo Mini para uma edição do CineSemana).
Pois este site fez um ranking das dez propagandas em filmes mais descaradas. Tudo bem que hoje em dia 95% dos filmes aceitem o product placement como forma de rentabilizar ainda mais as produções, mas pô, não custa nada ter um pouco mais de imaginação pra integrar a ladainha no roteiro… as coisas não precisam ser enfiadas tão goela abaixo assim.
Gustavo Spolidoro, que venceu em Milão com Ainda Orangotangos
Responsável pelo primeiro longa-metragem brasileiro filmado em um único take, Gustavo Spolidoro recentemente viu seu filme Ainda Orangotangos ser premiado no Festival de Milão, justamente pela ousada aposta “brilhantemente resolvida”, conforme divulgou o júri da premiação.
Mesmo ainda evolvido com o lançamento do longa, o cineasta já prepara um novo projeto em documentário e, no meio tempo, gravou um depoimento do cineasta alemão Wim Wenders para o projeto Fronteiras do Pensamento. Spolidoro falou ao CineSemana sobre a surpresa de ser premiado no festival italiano, sobre o futuro do cinema e sobre o seu próprio.
Você esperava sair premiado do Festival de Milão? Foi surpresa, até porque concorria com outros dez filmes e o Ainda Orangotangos não é uma unanimidade. Tem pessoas que gostam muito, mas outras não gostam, e como para ganhar um prêmio desses geralmente tem que ser uma decisão unânime, eu não tinha uma expectativa tão grande. Mas para nossa sorte, ganhamos! E o prêmio de melhor longa-metragem é o único prêmio do júri, além disso só há outras menções. Continue lendo »
Casal protagonista do blockbuster Titanic (1997), Leonardo DiCaprio e Kate Winslet poderão ser vistos novamente juntos em ação em Revolutionary Road, drama de época dirigido por Sam Mendes (de Beleza Americana, 1999) para a Paramount. A chegada da fita aos cinemas brasileiros está prevista para 30 de janeiro.
A oficina O Violão nas Canções Brasileiras tem o propósito de abordar e descortinar questões sobre a importância do violão brasileiro no processo criativo das canções populares. A oficina será ministrada pelo compositor e violonista gaúcho Felipe Azevedo, de 8 de outubro a 26 de novembro, na sala Radamés Gnattali do Auditório Araújo Vianna.
Serão oito encontros com duas horas cada, nas quartas-feiras, das 15h às 17h. A ênfase ao repertório abordado será para canções estilo MPB enfocando a utilização do violão como veículo de criação e expressão.
Reconhecido por grandes nomes da música brasileira como Guinga, Luiz Tatit e Hermeto Paschoal, o compositor e violonista gaúcho Felipe Azevedo vem acumulando credenciais em sua trajetória artística. Vencedor de cinco prêmios Açorianos no Rio Grande do Sul, o compositor também já foi premiado em vários festivais em todo o País.
SERVIÇO O quê: Oficina O Violão nas Canções Brasileiras Data: De 8 de outubro a 26 de novembro, às quartas-feiras Horário: 15h às 17h Local: Sala Radamés Gnattali (Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre) Inscrição: Até 7 de outubro no Araújo Vianna ou pelo telefone (51) 3311-6942. Pré-requisitos: Saber executar batidas no violão tais como Samba, Bossa-nova, Baião, etc. e conhecer acordes básicos consonantes (maiores, menores, sétimos e diminutos) e dissonantes tais como (sétimos maiores, sextas, quinta - aumentada, etc.). A leitura de cifras (acordes) e partitura também é recomendável, mas não é imprescindível. Vagas: 20 Quanto: Gratuita
Última atuação de Newman em um grande filme foi o papel de um gângster
Considerado um dos principais atores de Hollywood, Paul Newman, de 83 anos, morreu na sexta-feira, dia 26, em decorrência de um câncer de pulmão. Newman atuou em mais de 60 filmes em cerca de 50 anos de carreira, até anunciar sua aposentadoria há pouco mais de um ano. Ele foi diversas vezes indicado ao Oscar, mas só ganhou a estatueta de melhor ator em 1986, pelo filme A Cor do Dinheiro. Sua última atuação em um grande filme foi o papel de um gângster inimigo de Tom Hanks em Estrada para Perdição em 2002.
O ator também foi piloto de carros de corrida e criador de uma linha de produtos alimentícios, a Newman’s Own, que tem seu nome e rosto nos rótulos e cujos lucros são integralmente doados para instituições de solidariedade.
Para a edição desta sexta-feira do CineSemana, aproveitando a proximidade das eleições, estamos preparando uma matéria de duas páginas sobre bons filmes com conotação política.
Um deles é Adão ou Somos Todos Filhos da Terra (1999). O personagem deste documentário em curta-metragem foi descoberto durante as filmagens de um outro documentário, este bem mais conhecido, Notícias de uma Guerra Particular (1999). O filme é uma pequena obra-prima, e mostra a visão de mundo deste compositor de mais de 500 músicas, que vive numa cadeira de rodas depois de ser baleado diversas vezes. Pra quem tem boa memória, Adão Xalebaradã, depois deste filme, veio a ser convidado para interpretar Exu – que faz a conversão de Dadinho em Zé Pequeno – em Cidade de Deus (2002).
Giba Assis Brasil, um dos fundadores da Casa de Cinema de Porto Alegre (Foto: Agência Bossa/ Divulgação)
A 47ª edição do CineSemana traz entrevista com o montador Giba Assis Brasil, integrante da comissão que foi responsável pela seleção do filme Última Parada, 174, de Bruno Barreto, para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar. O cineasta revela como se deu essa escolha, fala sobre o atual panorama dos filmes brasileiros e afirma que a boa montagem não é a mais performática, mas aquela que o espectador não percebe.
Ainda que tenha começado a carreira como diretor ao lado de Nelson Nadotti em Deu Pra Ti Anos 70 (1981), Giba se destaca, principalmente, quando o assunto é montar um filme. Fundador e um dos sócios da produtora Casa de Cinema de Porto Alegre, é dele a montagem de quase todas as produções de Jorge Furtado, incluindo o curta Ilha das Flores (1989) e os longas do diretor, entre eles O Homem Que Copiava (2003).
O filme Última Parada, 174 era o seu favorito entre os 14 inscritos para representar o Brasil no Oscar?
A decisão não foi unânime, mas a gente discutiu bastante todos os filmes que estavam inscritos e chegamos a uma decisão de consenso. A decisão foi assumida como sendo de toda a comissão.
Então a escolha não se deu através de uma simples votação, mas de um processo de deliberação sobre qual o melhor filme.
Foi um debate bastante longo, até demorou mais do que eu imaginava. Mas não teve absolutamente nenhuma pressão, nenhuma acusação, foi um debate respeitoso, de ponto de vista. Estava todo mundo representando a sua subjetividade, a sua relação com o cinema. A gente discutiu todos os filmes e fomos afunilando, eliminando alguns e chegamos à decisão final. O combinado é que a gente não exporia os resultados parciais para não gerar uma polêmica desnecessária. Não é que não houve polêmica; foi bastante discutido dentro do grupo, mas não queremos gerar um sentimento de “qual é o segundo lugar, qual é o terceiro lugar”. Todos os 14 filmes estavam aptos a representar o Brasil e nós escolhemos este.
Eu não sei nada sobre cinema. Mas não se irrite comigo, vou provar que posso ser útil.
Mesmo pertencendo a uma casta diferente, tenho consciência da importância de um espaço especializado como este, e não faria dele palco para bradar aos quatro cantos o meu desconforto com a sétima arte. Principalmente porque esse desconforto não existe.
Sou um simples ignorante no tema, do tipo que não consegue viver a cultura cinematográfica como um todo por ser terrivelmente ruim com fisionomias e nomes. Gosto e vou ao cinema com freqüência, mas dificilmente saberia elencar os diretores e roteiristas dos filmes que assisto. No máximo, posso dizer como antipatizo com o Nicolas Cage – aquela implicância gratuita que só quem não tem nada a perder pode divulgar, sem preocupações maiores com argumentação.
Assim sendo, toda a responsabilidade na hora da escolha de um filme recai sobre fatores tidos como secundários por muitos, mas que são meus cães guia na cegueira que sinto numa fila de cinema, antes mesmo das luzes apagarem. E o meu melhor amigo nesta hora é o cartaz.
Entendo que muitos os colecionem e tenham como peças de estimação, mas para mim é apenas uma ferramenta. Logo, encaro ela com seriedade, e cobro que ela represente de fato o que estou prestes a assistir. E os senhores que me desculpem, mas nessa arte eu que sou especialista.
Alguns filmes têm cartazes tão inadequados que sequer deveriam ser assistidos. Xeque-Mate (2006), por exemplo, tem um cartaz que tenta simplificar um roteiro cheio de suspense e viravoltas em um filme de tiroteio “à la” Bruce Willis. Tanto que é o próprio que aparece empunhando duas armas no centro do banner, sendo que nem protagonista é. Nesse assalto ao bom senso, quem perde mais é Josh Hartnett, colocado em segundo plano.
Entendo a razão mercadológica, e que um filme com armas e Bruce Willis tem mais apelo, mas a história simplesmente não é esta.
Outro exemplo estranho é de Meu Nome Não é Johnny (2008). Quando fui assistir, desconfiei muito do gosto de minha namorada, já ensaiando aquela reclamação ciumenta pra cima do Selton Mello. O rapaz aparecia como um gangster, abaixando os óculos escuros, cheirando a enredo policial setentista. Contudo, o filme é muito mais que isso. Nada perto do que o cartaz desvenda.
Talvez tenha funcionado de forma inversa a peça publicitária, já que ela baixou tanto minha expectativa na película que o que veio foi muito bem-vindo.
Portanto, se pintar aquela dúvida na fila do cinema, consultem um incauto que entende de cartazes. Será uma honra ajudar.
Assisti ao novo filme do Breno Silveira (que estreiou dirigindo 2 Filhos de Francisco, em 2005), que entra amanhã em cartaz nos cinemas, e pra falar a verdade não gostei muito do que vi em Era Uma Vez….
Em parte pela alta expectativa (me surepreendi muito positivamente com o 2 Filhos…), em parte porque achei que o filme repete ou tenta repetir alguns elementos que foram marcantes demais em Cidade de Deus, deixando o espectador com aquela sensação de deja-vu em certos momentos.
Uma coisa que me inquietou foi um certo clima de favela limpinha e com vista pro mar. Ok, a intenção do filme não é fazer uma denúncia das condições de vida no morro, mas acho que rolou uma certa esterilização da favela. Fora isso, gostaria de ter conhecido um pouco mais da personagem Nina (ela estuda, trabalha, não faz nada?) para poder compreender melhor algumas das escolhas dela. Por fim, achei a solução final sinceramente desastrada e um tanto forçada. É claro que, desde a metade da fita, vai se criando aquele clima de “algo desastroso está para acontecer”, mas acho que o caminho não poderia ter sido exatamente aquele seguido.
Só a comunidade foi convidada para o festerê
O filme tem qualidades, é claro. As atuações são boas, especialmente de Thiago Martins e Cyria Coentro, e até o Paulo César Grande não foi nada mal. Também há algumas cenas divertidas, especialmente quando o protagonista Dé faz suas tentativas atrapalhadas de conquistar a patricinha da Vieira Souto.
Vai gostar do filme quem aprecia histórias de amor e ao mesmo tempo não se importa com um clima meio “já vi isso antes no Cidade de Deus” no meio disso tudo. É um Romeu e Julieta transportado para Ipanema, no Rio de Janeiro, e ao invés das famílias rivais temos os dois mundos sociais antagônicos em conflito. Nada muito original, mas vá lá: é uma realidade brasileira e que também deve ser refletida pelo cinema.
Depois de duas horas de deliberações, o comitê formado por seis profissionais do setor mais seu presidente, o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin, escolheu hoje o filme Última Parada, 174, de Bruno Barreto, como o representante brasileiro no Oscar. A escolha não foi unânime, mas consensual.
Agora, o filme de Barreto concorre com produções de outras 90 nações em busca de uma vaguinha entre os cinco finalistas que disputam a estatueta na festa da Academia, no Kodak Theatre, em Los Angeles.
Filme de Barreto é inspirado no documentário Ônibus 174, de José Padilha, que resgata a história de vida do seqüestrador Sandro Dias do Nascimento
Na enquete sobre quem deveria ser o candidato brasileiro, Última Parada, 174 teve um único voto. O campeão de preferência foi, como o esperado, Meu Nome Não é Johnny, com milhares e milhares de nove votos. Aproveite pra responder agora o que achou da escolha.
Eu, apesar de não ter visto o filme ainda, mas baseado unicamente na grande simpatia pelo documentário de José Padilha que deu origem a este ficcional, gostei da decisão!