Blog do jornal CineSemana

Postagens na categoria ‘Arte’

Filmes em forma de pinturas

Justin Reed é o autor das obras abaixo. Ele transforma filmes em pinturas, trabalhando sempre por encomenda. O resultado é bem legal. Consegue identificar os filmes?

Via Loko na Rede

Entrevista com Caco Ishak, um dos criadores do Baixo Calão

A entrevista com Caco Ishak, realizada por e-mail pela colega Julia Dantas, era pra fazer parte da matéria sobre a galeria virtual Baixo Calão publicada na última sexta-feira no jornal CineSemana (e repicada aqui no blog), mas acabou chegando tarde demais. Então, publico ela à parte agora, já que gostei do conteúdo e acho que pode ser interessante também pra vocês leitores. Confiram aí:

Tu e o Cardoso organizam e sustentam o site sozinhos?
Nesses dois primeiros anos, fomos os dois sozinhos, sim. E aos trancos, já que nenhum dos dois tem muito tempo sobrando – haja paixão e megalomania. Faz coisa de dois meses, porém, que estamos formando uma equipe junto aos próprio artistas pra fazer a coisa andar de vez. Joana Coccarelli, a Narghee-la, por exemplo, vai tomar conta da comunicação – matérias e notícias sobre arte urbana e lowbrow. A idéia é ter uma espécie de coordenador regional também, que corra atrás de parcerias e novos artistas em suas respectivas regiões. Nessa, entram Herbet Loureiro – o Herbie – no Nordeste, Diogo Rustoff no Centro-Oeste, Kael Kasabian no Sudeste e Fabiano Gummo no Sul. Ah, sim. Tem também a Lívia Condurú, mulher de outro artista nosso, o Paulo Ponte Souza, que tá responsável pelos projetos. E ninguém ganha nada – pelo menos, por enquanto. Tudo um bando de maluco. Continue lendo »

Porto Alegre ganha novo espaço para arte

Inaugura amanhã, terça, dia 31 de março, às 19h, um novo espaço para a arte na capital gaúcha. O Farol observatório de arte fica na rua Garibaldi, 872, e já começa com obras de mais de 50 artistas convidados.

O horário de funcionamento da casa será de terça à sábado, das 14h às 19h. Esta primeira mostra fica disponível ao público durante todo o mês de abril.

Arte supostamente de baixo nível

xHOMBRES, do argentino Fernando “Pulpo” Hereñú, marker e acrílico

xHOMBRES, do argentino Fernando “Pulpo” Hereñú, marker e acrílico

Já faz tempo que a arte não está restrita às paredes de museus e galerias. Desde o surgimento do graffiti, toda estrutura urbana tornou-se suporte para estas manifestações artísticas que perderam o estigma de pichação para serem elevadas ao status de “arte de verdade”. Com a popularização das instalações da arte contemporânea, intervenções urbanas tornaram-se forma comum de expressão. Era natural que o espaço virtual da internet seguisse o mesmo caminho e passasse a abrigar obras que, por um motivo ou outro, não se encaixam nos modelos tradicionais de exibição de arte.

O site www.baixocalao.com, iniciativa do escritor paraense Caco Ishak com colaboração do jornalista multimídia André “Cardoso” Czarnobai, é um exemplo de como a internet permite, de forma simples e eficiente, divulgar, promover e comercializar artistas que, de outra forma, teriam seus trabalhos restritos à circulação underground. Como diz Cardoso, “até pouquíssimo pouco tempo atrás, a maioria deles nem sequer seria considerada digna de utilizar o termo ‘arte’ para descrever seu trabalho”.

Origens, de El Guy, técnica mixmedia (lápis, guache, óleo e finalização digital)

Origens, de El Guy, técnica mixmedia (lápis, guache, óleo e finalização digital)

O acervo da galeria virtual já conta com mais de 45 artistas que são encontrados por indicações de amigos, pesquisas em Flickrs e Fotologs ou contato direto por parte do artista. Eles fazem, na maioria, pinturas, ilustrações e gravuras, mas também se encontra um pouco de toy art e até monstrinhos de pelúcia. Além de prestar o serviço de divulgador, o projeto baixo calão tem um caráter provocativo. Na seção que explica a iniciativa, lê-se que estamos olhando para “arte supostamente de baixo nível feita por gente supostamente de pouca cultura”. É o que chamam lowbrow, um movimento artístico que tem suas raízes na Califórnia dos anos 70, mas se disseminou de forma natural e não-organizada e ganhou força com o passar dos anos. O termo lowbrow era originalmente usado de forma pejorativa para se referir a culturas popularescas e fazia oposição à ideia de fine art, a arte feita por e para a elite cultural.

Passarada em Roma, de Bete Nóbrega

Passarada em Roma, de Bete Nóbrega

Mas de “gente de pouco cultura” o site não tem nada. Entre os artistas, há nomes como o cartunista Arnaldo Branco, o músico Diego Medina ou o artista plástico argentino Fernando Hereñú, além de grafiteiros, designers, acadêmicos e gente de formação variada que simplesmente encontrou seu caminho nas artes. Com preços – determinados pelos próprios autores das obras – que vão de poucas dezenas a alguns milhares de reais, há peças em diversos estilos, cores e formatos. Em comum, o fato de serem assinadas por artistas ainda não consagrados mas inquestionavelmente talentosos. Como diz o manifesto do Baixo Calão, “o bagulho aqui é fino”.

Arte pelas ruas de NY

Só poderia ser em Nova York, mesmo. Durante todo o mês de outubro, a quarta edição da anual Art in Odd Places (arte em lugares incomuns) está apresentando “Pedestrian on 14th Street, Manhattan”, exposição ao ar livre na rua que divide as partes norte e sul da cidade. A idéia é transformá-la num corredor de arte através de projetos que exploram conexões entre espaços públicos, tráfico de pedestres e perturbações efêmeras.

Se esta caixa fosse largada pelas ruas do nosso Brasilzão, logo seria transforamada em camelô

Se esta caixa fosse largada pelas ruas do nosso Brasilzão, provavelmente logo seria transforamda em camelô

A interessantíssima instalação acima é do artista Eric Doeringer, chamada Free Books. Consiste em caixas de papelão com a inscrição “livros grátis” colocadas em alguns pontos da 14th Street, repleta de livros que podem ser retirados pelos pedestres.

Onde está a arte, alguém poderá perguntar. Além da estranheza da caixa de livros grátis em plena rua, a sacanagem genial consiste no seguinte: as páginas finais de todos os livros foram arrancadas, e o efeito da instalação só se completa depois que o pedestre que retirou o exemplar desavisadamente da caixar tiver lido o livro inteiro e não conseguir descobrir o final.

Escritores entre a loucura e a sanidade

A vida, as letras e como uma pode interferir, modificar e redefinir a outra foi a tônica das conferências do escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez e do poeta brasileiro Fabrício Carpinejar na noite da última segunda-feira, dia 13 de outubro, em Porto Alegre. O público não chegou nem perto de lotar as dependências do Salão de Atos da UFRGS, como aconteceu nas conferências dos astros Wim Wenders e David Lynch, mas saiu satisfeito com o que viu.

Cubano Pedro Juan Gutiérrez, violento no texto e tranqüilo na oratória

Pedro Juan Gutiérrez, violento no texto e tranqüilo na oratória

Gutiérrez, um tipo sóbrio, quase sisudo, bem diferente do que seria de se esperar do autor de livros tão despojados como Trilogia Suja de Havana e O Rei de Havana, preferiu não falar de política em sua palestra “Vida e Literatura”. Preferiu concentrar sua atenção ao ofício de escritor, que comparou a uma criança que segue na busca de explicações ao longo de toda a existência. O cubano, adepto de uma escrita visceral, sempre realizada à mão ou à máquina, falou em tom confessional sobre ser processo de produção, quando costuma se trancar sozinho em um quarto, conversar com ele mesmo e gesticular. Na escritura de O Rei de Havana, ficou obcecado: parou de tomar banho e barbear-se, bebia muito e chegou a juntar-se a um grupo de mendigos que vendiam tubos de pasta de dente na rua. “Não sei escrever sem mergulhar no livro”, revelou Gutiérrez, de certa maneira certificando a própria tese segundo a qual o escritor está sempre em trânsito entre a loucura e a sanidade.

O performático Fabrício Carpinejar e os tufos de cabelo que lhe restaram

O performático Carpinejar e os tufos de cabelo que lhe restaram

Tom confessional que, aliás, foi a tônica de Fabrício Carpinejar, bem como uma dose calculada de loucura. Durante a coletiva de imprensa realizada antes das conferências, o poeta já dera uma amostra do que apresentaria ao público ao disparar frases de efeito como “fiz toda minha primeira comunhão de braguilha aberta”. À noite, Carpinejar subiu ao palco do teatro carregando um chifre de boi contendo uísque 12 anos para presentear o companheiro de debates e trajando indumentária típica gaúcha que comprara especialmente para a ocasião: botas, bombacha, guaiaca, camisa branca e um lenço encarnado enrolado ao pescoço, que compunham um visual bem único ao ser combinados com o cabelo cortado com máquina zero (com exceção de dois tufinhos esquecidos propositalmente na parte de trás) e com as unhas coloridas apenas na mão esquerda.

Mas foi com sua apresentação de “As palavras são meu álbum de família: defesa de uma ecologia poética” que Carpinejar conseguiu estabelecer conexão com o público. Ao trazer à tona lembranças da infância, defendeu que não há maior compreensão do que emocionar. “O que é possível conhecer ou aprender com termos como desenvolvimento sustentável?”, ele perguntou, numa espécie de denúncia das palavras ditas sem sentido e expressões sem nada de pessoal. E completou: “Clichês foram feitos para não pensar. As palavras é que formam o comportamento”.

Fotos de Clléber Passus/Divulgação

Agradeçam ao Philip Glass

Ao menos por ter me apresentado esses dois artistas já valeu ter ido ontem à noite ver o Philip Glass palestrar em Porto Alegre.

O primeiro deles é Godfrey Reggio, cineasta independente com quem o músico norte-americano firmou mais de uma parceria. O curta-metragem a seguir, produzido em conjunto com o projeto Fabrica, um centro de estudos de comunicação mantido pela Benetton, se não me engano perto de Trevizo, na Itália, se chama Evidence, e foi feito em 1995. Confiram o olhar vidrado dessas crianças e suas bocas semi-abertas e tentem descobrir o que há com elas:

Já este vídeo sensacional abaixo é a transmissão da BBC para a obra 4′33″, de John Milton Cage, músico que muito influenciou Philip Glass e que fez experimentos musicais extremos (vocês verão, extremos mesmo). Totalmente imperdível. Não sei como posso ter demorado tanto pra descobrir um cidadão como esse. (Reparem, a 5′55″, se não é o próprio Philip Glass assistindo ao concerto em silêncio, fruindo a música todo concentrado) Eis então a peça, que possui três movimentos e aqui é apresentada em versão com orquestra completa.

Misturando cinema e obras de arte

Gostou? Tem mais no site do Worth1000, que promoveu esse concurso de montagns.

Via Tiago Dória

Cia. Espaço em Branco realiza workshop sobre processos criativos

A Companhia Espaço em Branco promove nesta sexta-feira, 1º de agosto, workshop gratuito com o tema “Processos Criativos”, coordenado pelo encenador João de Ricardo.

Dividida em dois turnos, a oficina apresenta os caminhos que a Cia. utiliza para desenvolver seus trabalhos. Além disso, irá construir o primeiro recorte vivo do espetáculo Teresa e o Aquário, projeto vencedor do Prêmio Habitsul de Montagem Cênica 2008.

O workshop acontece no Departamento de Arte Dramática DAD – UFRGS (Rua General Vitorino, 255, Centro). Mais informações pelo contato (51) 93352089 e e-mail teresaeoaquário@gmail.com.

O homem por trás de Banksy

Banksy - FlowerBanksy é o pseudônimo de um dos artistas mais curiosos (e, na minha opinião, geniais) a surgirem nos últimos 10 ou 15 anos. O cara se dedica a fazer stencils provocativos e intervenções afiadíssimas em outras obras, e acabou mudando muito a maneira com que hoje se vê a arte de rua.

Banksy - TescoUma das suas peculiaridades era o anonimato. Era, pois o jornal britânico Mail On Sunday revelou algumas informações sobre o homem que existe atrás da assinatura Banksy. Estudou arte em boa – e cara – faculdade, vive uma boa vida, tem 34 anos.  Se chama Robin Gunningham.

Banksy

Via Alexandre Matias.

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