Ao menos por ter me apresentado esses dois artistas já valeu ter ido ontem à noite ver o Philip Glass palestrar em Porto Alegre.
O primeiro deles é Godfrey Reggio, cineasta independente com quem o músico norte-americano firmou mais de uma parceria. O curta-metragem a seguir, produzido em conjunto com o projeto Fabrica, um centro de estudos de comunicação mantido pela Benetton, se não me engano perto de Trevizo, na Itália, se chama Evidence, e foi feito em 1995. Confiram o olhar vidrado dessas crianças e suas bocas semi-abertas e tentem descobrir o que há com elas:
Já este vídeo sensacional abaixo é a transmissão da BBC para a obra 4′33″, de John Milton Cage, músico que muito influenciou Philip Glass e que fez experimentos musicais extremos (vocês verão, extremos mesmo). Totalmente imperdível. Não sei como posso ter demorado tanto pra descobrir um cidadão como esse. (Reparem, a 5′55″, se não é o próprio Philip Glass assistindo ao concerto em silêncio, fruindo a música todo concentrado) Eis então a peça, que possui três movimentos e aqui é apresentada em versão com orquestra completa.
A Companhia Espaço em Branco promove nesta sexta-feira, 1º de agosto, workshop gratuito com o tema “Processos Criativos”, coordenado pelo encenador João de Ricardo.
Dividida em dois turnos, a oficina apresenta os caminhos que a Cia. utiliza para desenvolver seus trabalhos. Além disso, irá construir o primeiro recorte vivo do espetáculo Teresa e o Aquário, projeto vencedor do Prêmio Habitsul de Montagem Cênica 2008.
O workshop acontece no Departamento de Arte Dramática DAD – UFRGS (Rua General Vitorino, 255, Centro). Mais informações pelo contato (51) 93352089 e e-mail teresaeoaquário@gmail.com.
Banksy é o pseudônimo de um dos artistas mais curiosos (e, na minha opinião, geniais) a surgirem nos últimos 10 ou 15 anos. O cara se dedica a fazer stencils provocativos e intervenções afiadíssimas em outras obras, e acabou mudando muito a maneira com que hoje se vê a arte de rua.
Uma das suas peculiaridades era o anonimato. Era, pois o jornal britânico Mail On Sunday revelou algumas informações sobre o homem que existe atrás da assinatura Banksy. Estudou arte em boa – e cara – faculdade, vive uma boa vida, tem 34 anos. Se chama Robin Gunningham.
O elefante Horton já disse: uma pessoa é uma pessoa não importa o seu tamanho. O artista britânico que atende pelo codinome slinkachu parece ter a mesma crença, espalhando e fotografando mini-bonecos artesanais pelas ruas de Londres e outras cidades européias. Colocadas em situações cotidianas em uma imensa cidade, as pessoinhas foram deixadas na rua para “defenderem-se por elas mesmas”, como disse slinkachu. O projeto Little People está todo registrado em blog.
Até o dia 10 de maio, a Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, está recebendo a exposição Anne Frank - Uma História Para Hoje. Além das fotos históricas da família Frank, a mostra também conta com 100 desenhos feitos por crianças confinadas no campo de concentração nazista de Terezin (na antiga Tchecoslováquia) durante a 2ª Guerra Mundial.
Promovido pela Organização Judaica B’nai B’rith, Federação Israelita do Rio Grande do Sul e Instituto Cultural Judaico Marc Chagall, o evento tem entrada franca e funciona de terça a domingo, das 9h às 21h.
À esquerda, foto da chegada de judeus no campo de concentração de Terezin. Ao lado, a representação da cena feita por Helga Weissova quando criança, dentro da prisão nazista.
A cultura japonesa terá amplo espaço neste fim de semana na capital gaúcha. O Anime World traz mangás (histórias em quadrinhos), anime (desenhos animados) e jogos eletrônicos, entre outras atrações, que podem ser conferidas no ginásio do prédio H do Campus Central - Unidade IPA (Rua Cel. Joaquim Pedro Salgado, 80), das 11h às 19h.
O Teatro Cosplay, formado por um grupo de atores amadores que criam peças focadas em anime ou mangá, e a Mostra de Cinema Japonês, com exibições de grandes clássicos e as mais famosas produções já realizadas no país asiático, também fazem parte da programação. O evento ainda conta com apresentações de música, dança e artes marciais. Mais informações no site www.animeworld.com.br.
Um pedaço de parede foi vendido na Inglaterra pelo equivalente a cerca de R$ 700 mil. Pior: no valor não constava a remoção do material do prédio britânico no qual fora construída, no bairro de Notting Hill, no oeste de Londres. E tudo isso por causa de um grafite. O autor da façanha é o artista inglês Banksy, cuja identidade nunca foi revelada oficialmente, e é conhecido por seus desenhos de conotação política em edifícios públicos da capital britânica e em outras partes do mundo, como o policial urinando em um muro.
O grafite arrematado pela pequena fortuna mostra um pintor vestido com roupas antigas dando os retoques finais na palavra “Banksy”. O preço das obras do artista subiu muito no último ano pelo mistério sobre sua identidade e por sua freqüência na mídia.
Santiago recebeu a reportagem do CineSemana no estúdio que mantém em sua casa no bairro Cidade Baixa. O primeiro a atender a porta é um pequeno cachorro, logo seguido pelo desenhista exatamente como ele se apresenta em seu auto-retrato: sandálias de couro, barba e cavanhaque e um inseparável par de óculos. Animado, ele responde às perguntas enquanto mostra a mesa de luz, a prancha de aquarela, os quadros na parede. Não poupa críticas à imprensa gaúcha e mostra que da indignação nascem as boas charges. Aqui no blog, você pode ler a entrevista na íntegra, incluindo os trechos que não entraram na versão impressa. A sétima edição do CineSemana chegou hoje a todos os cinemas GNC.
O que você acha do espaço que o humor tem na imprensa hoje?
Eu acho que está pequeno. Poderia ser mais bem valorizado esse setor porque o Rio Grande do Sul tem um time de desenhista de boa qualidade. Por exemplo, o Moa, um cara jovem, estava retornando semana passada de um salão na Grécia onde ganhou segundo lugar. Os desenhistas daqui são bem reconhecidos em salões nacionais e internacionais, e não há proporcionalidade no uso desse trabalho.
Isso é uma característica do Rio Grande do Sul ou do país todo?
Eu não sei o que ocorre. Em São Paulo e no Rio é um pouquinho melhor, mas também não é o ideal. Eu sempre cito como bom exemplo o jornal Clarim de Buenos Aires, que tem um time de 12 ou 15 desenhistas. Na verdade, acho que o nível da imprensa gaúcha está muito baixo, estamos em um período muito medíocre, pouco criativo, é uma acomodação que me preocupa bastante.
David Lloyd, o desenhista da graphic novel V De Vingança, transformada em filme em 2005, lança hoje um livro com ilustrações da cidade de São Paulo. Lloyd esteve no Brasil há um ano e, impressionado com a velocidade paulistana, registrou a cidade em fotografias.
Quando o britânico voltou a Londres, decidiu pesquisar o país e criou uma série de desenhos que figuram em Cidades Ilustradas: São Paulo. Entre os temas retratados pelo quadrinista destacam-se a desigualdade social, as grandes construções e os prédios históricos. A dica é da Rolling Stone Brasil, onde você também pode ver mais imagens do livro.