Quando a realidade alcança a ficção
- Publicado sexta-feira, 09.07.2010 por Gustavo Faraon
- Cinema, tecnologia
Uma das tarefas da ficção é deixar fluir a fantasia, inventar realidades que estão além daquilo que podemos de fato realizar nas nossas vidas cotidianas. E o cinema, por lidar com imagens em movimento, é pródigo nesta tarefa. Muitos dos sonhos mais antigos dos seres humanos e que posteriormente acabaram virando realidade – como a exploração da Lua, retratada já em 1902 em Viagem à Lua, do ilusionista francês e pioneiro da sétima arte Georges Méliès – foram representados antes na telona. Se aconteceu assim com os grandes desejos humanos, o mesmo se deu com as pequenas invenções. Confira a seguir uma curiosa lista de itens tecnológicos que apareceram primeiro nos filmes e depois acabaram de fato disponíveis para quem quiser (e puder) comprá-los:
Holograma

Quando a Princesa Leia aparecia holograficamente dentro da nave espacial de Guerra nas Estrelas (George Lucas, 1977), todos os espectadores ficavam babando. Pois o mesmo aconteceu em 2008, durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos, na rede de TV CNN, quando alguns repórteres e convidados, ao invés de participarem dos programas através de vídeo, entravam no estúdio em forma de holograma.
TV fininha

Em De Volta para o Futuro 2 (Robert Zemeckis, 1989), Marty McFly e o Dr. Brown viajam para o ano de 2015. Lá, entre tantas coisas diferentes, há uma incrível televisão superfina, acoplada à parede de uma casa. O filme acertou em cheio, pois o aparelho mostrado é idêntico aos modelos de LCD e LED atualmente disponíveis nas lojas de eletrodomésticos.
Videochamada
Um dos desejos mais recorrentes do homem desde que o telefone foi inventado era enxergar a pessoa com quem se está falando no momento da conversa. Em Blade Runner (Ridley Scott, 1982), esse recurso é mostrado. Entretanto, apesar de o diretor ter sido capaz de antever a tecnologia da videochamada, não pôde prever os telefones celulares, e no filme o personagem de Harrison Ford usa o recurso em um telefone público grudado na parede de um bar. Como curiosidade, hoje que a tecnologia existe, pouca gente dá bola para ela.
Touch screen
Mostrada pela primeira vez em Minority Report (Steven Spielberg, 2002), a tecnologia touch screen – ou tela sensível ao toque – é hoje uma realidade bastante popular. Presente desde em celulares como tablets e outras geringonças, a tecnologia permite movimentos de arrasto, aumento, giro, etc., idênticos aos que aparecem no filme. A única diferença é que a luvinha utilizada pelo personagem de Tom Cruise no filme não é necessária. Ponto para a realidade sobre a ficção.
Papel digital

Um homem manuseia um jornal no metrô. Em um segundo, as notícias da primeira página desaparecem e reaparecem em seguida, atualizadas. O jornal em papel digital é outra inovação retratada no longa Minority Report, mas a tecnologia de suportes digitais ultraflexíveis já existe de verdade. As empresas HP, Xerox e Fujitsu, entre outras, já possuem protótipos de produtos idênticos. É uma evolução dos e-readers rígidos.
Autenticação biométrica
Leitores de impressão digital e de íris sempre foram sinônimos de segurança total e futurista em filmes de ficção científica, espionagem e policiais. Hoje, quem diria, é um recurso cada vez mais banal. O leitor de impressão digital, por exemplo, pode ser visto em portarias de escolas e universidades e até no caixa de vídeo-locadoras.
Carro que dirige sozinho

O sonho eterno do carro que dispensa um motorista no comando do volante já foi retratado diversas vezes no cinema, e vai do batmóvel de Batman (Tim Burton, 1989) ao automóvel usado por Van Damme em Guardião do Tempo (Peter Hyams, 1994). Há muito tempo também são feitos estudos e testes para colocar a ideia em prática. Mas, se ainda não é possível dizer para o carro para onde ir e sentar-se no banco do carona até chegar ao destino, ao menos o estacionamento automático já está ao alcance dos mais endinheirados. Modelos como Volkswagen Tiguan e os BMW Série 5 possuem o recurso.
*Matéria originalmente publicada na edição 139 do jornal CineSemana.

