Os games vão ao cinema (e vice-versa)
- Publicado segunda-feira, 07.06.2010 por Katiana Ribeiro
- Games

De olho na popularidade dos games, os produtores de Hollywood vêm apostando cada vez mais em adaptações para a telona. Mas até hoje, a maioria dos filmes baseados em jogos eletrônicos obteve um resultado bem aquém do esperado, como os fracassos de Super Mario Bros. (1993), Street Fighter (1994), Mortal Kombat (1995), e os recentes Doom (2005) e Max Payne (2008). As poucas exceções menos desastrosas incluem Lara Croft: Tomb Raider (2001 e 2003), Resident Evil (2002 e 2004) e Silent Hill (2006).
Neste final de semana foi a vez da versão cinematográfica da série de aventura Príncipe da Pérsia testar a receptividade do público brasileiro. A franquia gamística do acrobático herói árabe foi criada em 1989 pelo artista Jordan Mechner, que assina o roteiro do longa ao lado de Carlo Bernard (de O Último dos Moicanos, 1992). O blockbuster de ação, protagonizado por um sarado Jake Gyllenhaal e dirigido pelo inglês Mike Newell (de Donnie Brasco, 1997), faturou mais de 37,8 milhões de dólares em sua estreia nos Estados Unidos, no dia 28 de maio. Embora o filme de 200 milhões dólares não tenha alcançado o topo das bilheterias norte-americanas – perdendo para Shrek Para Sempre e Sex and the City 2 – conquistou o posto de terceira melhor abertura de uma adaptação de game em toda a história. Pokémon: O Filme (1998) tem a segunda, enquanto Lara Croft: Tomb Raider (2001) tem a primeira colocação.
Ainda que o desempenho nas salas de exibição não seja um desastre completo, boa parte das produções baseadas em jogos costuma desapontar os aficionados pela versão em pixels. Para o escritor e gamer Antônio Xerxenesky, o principal motivo dos sucessivos fracassos está na visão equivocada que os realizadores da indústria cinematográfica têm sobre qual é o público dos jogos. “Os produtores acham que o público gamer é infanto-juvenil, quando na verdade é o público com mais de 20 anos”. Juntamente com este descuido, Xerxenesky ressalta o descaso com os videogames, encarados como uma obra menor e pouco relevante. “Escolhem um diretor de quinta categoria como no caso de Max Payne [John Moore] e realizam um trabalho estético preguiçoso”, critica.
Outra dificuldade em transpor os personagens digitais e suas histórias para a sétima arte reside no fato de a linguagem dos games apresentar suas próprias especificidades. É o caso dos jogos que possuem o chamado “mundo aberto”, onde o jogador não é forçado a fazer alguma missão em específico, podendo vagar por outros lugares em busca de missões que lhe interessam. “Seria impossível adaptar para o cinema o enredo aberto e não-linear de vários jogos”, explica Xerxenesky. O professor de Narratividade e Roteiro para Games da PUC-SP, Fábio Fernandes, também observa uma grande incapacidade de conversão de linguagem devido à discrepância entre a narrativa dos games e a narrativa do cinema. “O game é interativo, enquanto que no cinema o espectador permanece passivo”, enfatiza Fernandes. “Ideais para driblar esse obstáculo na adaptação são os jogos que possuem protagonistas bem definidos e um universo criado previamente, a partir do qual é possível expandir, acrescentando-se mais dados e histórias”, destaca o professor, e cita como exemplos Mass Effect no exterior e Taikodom no Brasil.
Além das constantes versões fílmicas, a influência dos videogames na arte cinematográfica abrange ainda os conceitos estéticos incorporados por alguns diretores em suas obras. “Filmes como 300, de Zack Snyder, e Matrix, dos irmãos Wachowski, são exemplos clássicos de como a sétima arte absorveu certos conceitos dos jogos”, afirma Xerxenesky em seu artigo sobre games A diversão é para todos, publicado na Revista Vida Simples da editora Abril. Fernandes, por sua vez, considera a utilização da linguagem visual dos games muito interessante, mas dificílimo de se fazer bem feito. “Mídias diferentes também exigem sensibilidades diferentes”, acentua o professor da PUC-SP.
O caminho inverso: filmes transformados em jogos
O forte apelo junto ao público de superproduções das telonas tem originado o lançamento de jogos digitais. Já entraram para o mundo dos games as franquias de Matrix, O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Homem de Ferro, o blockbuster Avatar, os desenhos da Pixar, entre outros longas-metragens. “Os resultados costumam ser desastrosos, salvo exceções, como 007 contra Goldeneye, considerado o melhor jogo de todo o Nintendo 64″, salienta Xerxenesky. “Na maioria das vezes, são jogos preguiçosos, com jogabilidade horrível, lançados para ganhar dinheiro em cima do sucesso financeiro dos filmes”, completa.
*Matéria originalmente publicada na edição 134 do jornal CineSemana.

Escrito segunda-feira, 07.06.2010
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Escrito terça-feira, 08.06.2010
Acho que faltou citar um filme que virou game, e que por sinal de tanto sucesso (eleito jogo do ano 2009) que obteve teve seu relançamento em 3D – Batman Arkham Asylum. Que ainda terá uma continuação lançada esse ano.
Ainda não fui assistir ao Prince of Persia, mas concordo com o colocado sobre as outras adaptações. Realmente deixam uma sensação de desleixo.
Escrito quarta-feira, 20.07.2011
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Escrito quarta-feira, 12.10.2011
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