Já conferimos Alice no País das Maravilhas
- Publicado domingo, 11.04.2010 por Gustavo Faraon
- Cinema

Conferi hoje o tão aguardado Alice no País das Maravilhas de Tim Burton. Ao invés de fazer um texto corrido com uma suposta crítica sobre o longa, acho mais interessante lançar alguns apontamentos apenas.
- Estou curioso para ver o resultado desta estratégia adotada pelos distribuidores do filme no Brasil. Chegará por aqui dia 21 de abril, praticamente dois meses depois da estreia em todos os outros lugares do mundo. Pra mim, parece um grande contrasenso: num momento em que se briga pra lutar contra a pirataria, etc e tal, deixar esse atraso todo bem em um filme tão comentado me parece uma grande estupidez, é praticamente implorar para que o pessoal mais curioso baixe pela internet. Vamos ver se os resultados me desmentem ou não.
- Esse atraso todo, somado ao excessivo espaço que este filme vem ganhando em tudo que é lugar (desde tema de desfiles de moda, fantasias de vendedores em livrarias, cartazes de produtos derivados nos supermercados, etc), gerou um fenômeno interessante. De certa maneira, assisti-lo foi como ter um deja-vu. Fora daqui, todo mundo já viu, comentou, debateu, polemizou. Sobra o quê, para nós?
- Eu preferiria ter visto o filme em projeção convencional, 35mm, sem nada de 3D. O filme não me pareceu pensado para o formato, mas adaptado, como que para não perder o filão. Os óculos e a visão estereoscópica não me deixam nem de perto tão relaxado e confortável quanto numa projeção normal. E fiquei com a impressão de que as cores e os detalhes da arte do filme poderãao ser melhor percebidos desse modo…
- Se puder, assista a uma cópia legendada. Há animações como Up: Altas Aventuras, em que a dublagem praticamente em nada perdeu, mas em Alice o idioma original é mesmo fundamental, acredite. O sotaque britânico de época, as vozes esquisitas e entonações loucas dos atores, as invencionices linguísticas emprestadas de Lewis Carroll não serão as mesmas em português, nem a pau.
- Alguns efeitos são bacanas, mas outros deixam a desejar. Mesmo. Há partes meio… ruins. Particularmente, mas sem entrar em maiores detalhes, achei bastante decepcionante o resultado de algumas cenas, sobretudo quando envolvia animais correndo. Me senti levado de volta ao fim dos anos 1990, tão desajeitados e pouco naturais os pobres bichos eram.
- Johnny Depp, no papel do Chapeleiro Louco, é uma cópia dele mesmo e das suas atuações anteriores. Parece estar se repetindo. Já ficou cansativo vê-lo na tela. Mas também, como não se repetir com tantos papéis semelhantes e as mesmas parcerias?
- Talvez pelo excessivo buzz gerado pelo filme, pela demora em poder assisti-lo e pela expectativa gerada, saí da sala menos satisfeito do que esperava que sairia. Ainda assim, convenhamos: mesmo que eu e todos os jornalistas do universo disséssemos que o filme é uma bomba (não é), alguém conseguiria vencer a curiosidade e deixaria de assisti-lo?

Escrito domingo, 11.04.2010
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