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Oscar para o orçamento baixo

Kathryn Bigelow, a primeira mulher a receber o Oscar de melhor direção (Foto de Richard Harbaugh / ©A.M.P.A.S.)

A Academia fez uma opção, e ela é bem clara: quando esteve entre dois modelos antagônicos de produção cinematográfica, o blockbuster de orçamento colossal que aposta em nova tecnologia para levar uma multidão aos cinemas e o filme de verba bem modesta para o qual um desempenho mediano nas bilheterias já significa lucro, os seus membros escolheram o segundo.

É disso, mais do que qualquer outra coisa, que se trata a vitória acachapante de Guerra ao Terror sobre Avatar na noite do último domingo, em Los Angeles. Sim, porque ninguém esperava que o filme de Kathryn Bigelow levasse seis estatuetas – entre elas as mais importantes, melhor filme e direção – contra três prêmios técnicos da superprodução, mas o contrário, que James Cameron e sua trupe de colaboradores Na’vi tomassem de assalto o palco do Kodak Theatre, que o orçamento gigantesco especulado em cerca de 300 milhões de dólares e os mais de 3 bilhões de dólares em faturamento seriam capazes de patrolar qualquer um que aparecesse pela frente. Não foram.

Produzido com apenas 11 milhões de dólares (valor inferior a muitos filmes brasileiros, apenas para usarmos algum parâmetro), e ainda assim com dinheiro francês (ninguém quis financiar o filme nos EUA), Guerra ao Terror teve uma carreira apagada pelo circuito exibidor, e deve muito de sua recente arrancada vitoriosa à crítica e aos festivais que o projetaram. De certa maneira, é uma valorização das mais tradicionais instituições da indústria no momento em que todos olhavam para uma novidade tecnológica e viam ali a salvação do cinema.

Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle, vencedor do Oscar de melhor filme no ano passado, já tinha um perfil de produto muito semelhante. Outros fortes concorrentes deste ano também: Preciosa, filme independete de orçamento estimado em 10 milhões de dólares e que ganhou dois prêmios, e Educação, que recebeu três indicações com um orçamento de produção de 9 milhões de dólares. O recado foi dado: valorizar as muitas iniciativas que conseguem, com poucos recursos, manter a supremacia hollywoodiana nas bilheterias pelo mundo afora.

Cerimônia

Fora o tradicional e inescapável número coreográfico incluído em qualquer apresentação de qualquer coisa nos EUA, e que neste 82º Academy Awards acompanhou a apresentação das trilhas sonoras, tudo foi muito bem. Os dez filmes concorrentes na principal categoria foram apresentados aos poucos e com calma nos encerramentos dos blocos, os indicados por melhor atuação em papel principal ganharam testemunhais de colegas no palco e a dupla de apresentadores Alec Baldwin e Steve Martin conseguiu não ser constrangedora em nenhum momento.

E as mulheres, algumas premiadas já durante a madrugada do dia dedicados a elas, é que serão lembradas como as protagonistas da festa. Mo’Nique e seu discurso emocionado ao receber o justo Oscar de melhor atriz coadjuvante, Sandra Bullock e a quase inacreditável estatueta de melhor atriz, conquistada apenas um dia depois de ter ido pessoalmente receber o Framboesa de Ouro de pior atuação do ano e, claro, Kathryn Bigelow, que definitivamente mostrou ser bem mais do que a “ex-mulher de James Cameron”.

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