Guia de sobrevivência do RUGBY
- Publicado sexta-feira, 29.01.2010 por Gustavo Faraon
- esporte
Por Hilton Lima
Para o cinema de Hollywood, fazer um filme sobre um esporte pouco familiar ao público americano é um desafio. Sempre que possível, esportes como o futebol são transformados sem dó em beisebol ou futebol americano.
Entretanto, quando a narrativa esportiva é baseada em um fato real e os personagens não são meros desconhecidos, mas figuras históricas como Nelson Mandela, não há a possibilidade de modificar o jogo.
É o caso de Invictus, dirigido por Clint Eastwood e que estreia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros. O filme narra a vitória da seleção sul-africana de rugby na Copa do Mundo de 1995, e conta como este singular esporte conseguiu unir momentaneamente uma nação dilapidada por 40 anos de segregação racial.
Para dar ao leitor uma noção básica do jogo retratado no filme, CineSemana preparou um guia de sobrevivência do esporte. Confira!
O CAMPO

Nem todo estádio do mundo é de futebol
O palco de um jogo de rugby é um campo com dimensões semelhantes a um campo de futebol, mas com aparência de futebol americano. Nas extremidades do campo, estão dois postes ligados por uma trave horizontal, formando um gol em formato de “H”. Embora seja possível pontuar chutando a bola entre estes postes, o verdadeiro objeto de desejo dos jogadores está localizado logo atrás do gol, em uma área chamada ingoal. É nesta área que é marcado o try, a jogada máxima do rugby, semelhante ao touchdown do futebol americano.
O TIME

Nos times de rugby os backs mais atacam enquanto os forwards são defensivos
Em um primeiro momento, o rugby pode parecer uma espécie de futebol americano sem capacetes. Afinal, os dois esportes tem bolas em formato de ovos, balizas em formatos de letras do alfabeto, jogadas que chamam atenção pela truculência e uma forma muito parecida de marcar pontos. Apesar disso, as diferenças param por aí. O rugby tem as suas próprias peculiaridades e não para a cada cinco segundos, ao contrário do seu primo americano. Um time de rugby é formado por 15 jogadores, sendo 8 forwards e 7 backs. Os forwards são os jogadores mais altos e pesados da equipe. São responsáveis pela maioria das disputas de bola e desempenham funções de caráter mais defensivo. Os backs são os jogadores mais velozes e técnicos, que normalmente marcam a maior parte dos pontos. O rugby é um dos poucos esportes no qual é permitido usar tanto as mãos quanto os pés. Os jogadores podem chutar a bola ou passá-la com as mãos para os companheiros de equipe, mas o passe nunca poderá ser para frente.
A PONTUAÇÃO

Try!
Try: ocorre sempre que um jogador apoia a bola no ingoal adversário. Marcar um try dá o direito a uma conversão. Vale 5 pontos.
Conversão: chute a gol, cobrado após a marcação de um try. Vale 2pontos.
Drop goal: jogada que deu a taça à África do Sul, na final da Copa de 1995, eque poderá ser observada com maior atenção no filme de Clint Eastwood. É um chute de bate-pronto em direção aos postes, que pode ser cobrado em qualquer momento do jogo. Vale 3 pontos.
Pênalti: ocorre após a marcação de uma penalidade. O time beneficiado pela infração poderá escolher, entre outras opções, chutar em direção aos postes. Vale 3 pontos.
O LINEOUT

O balet dos brutos
Jogada executada sempre que a bola sai pelas laterais do campo. As equipes formam duas filas e a bola é disputada no alto após um arremesso de um jogador, que deve ser reto, dando a chance das duas equipes disputarem a bola em condição de igualdade. É comum – e permitido – ver os jogadores levantando os companheiros de equipe para que alcancem a bola antes do adversário.
O SCRUM

Formação de falange romana
É uma forma de reiniciar o jogo. Os forwards de cada equipe formam uma espécie de falange romana, com o objetivo de empurrar os adversários para obter controle da bola, colocada no meio da bagunça. Normalmente, os scrums são realizados após as seguintes situações:
Knock-on: sempre que um jogador deixa a bola cair para a frente.
Passe para frente: sempre que um jogador passa com as mãos a bola acidentalmente (ou malandramente) para um jogador que está em uma posição mais avançada no campo, o que é proibido.
Bola presa: quando os jogadores ficam impossibilitados de disputarem a bola.
O TACKLE

Criançada também derruba
No rugby também é permitido derrubar o jogador que está carregando a bola. Ao ser derrubado, o jogador deve largar imediatamente a bola no chão para que possa ser disputada pelos outros jogadores. Apesar de ser permitido agarrar e jogar o oponente ao solo, o rugby não é vale-tudo: é proibido, por exemplo, agarrar um adversário acima da linha do ombro, que esteja no ar ou que não esteja com a bola.
O RUCK

Quem escapa da pilha humana, comemora
À primeira vista, o ruck pode parecer um amontoado de atletas se atirando sobre o jogador que está com a bola, com o objetivo de matá-lo por asfixia. Após observar a jogada com mais atenção, continuamos com a mesma sensação. Por isso, é muito importante entender a lógica por trás desta confusa jogada, fundamental no jogo de rugby. Toda vez que um jogador sofre um tackle (é derrubado), ele deve largar imediatamente a bola no chão. A única forma do seu time manter a posse de bola é realizando um ruck, que ocorre sempre que pelo menos dois jogadores estão unidos pelos ombros. Estes jogadores tentarão então “ultrapassar” a bola, imprimindo força física sobre o adversário (que também integrará o ruck, tentando ganhar a posse de bola). A lógica da jogada, portanto, é semelhante ao scrum: a bola deve ser disputada ordenadamente através da força física e da disciplina tática. O ruck possui várias regras que determinam como a bola deve ser disputada pelas equipes, e desobedecêlas normalmente resulta em penalidades que podem dar ao adversário a chance de chutar em gol.
Texto originalmente publicado no CineSemana nº 116


Escrito domingo, 31.01.2010
[...] This post was mentioned on Twitter by Gustavo Faraon, CineSemana. CineSemana said: http://migre.me/i666 Guia especial sobre RUGBY, esporte retratado no Invictus de Clint Eastwood. Escrito por @hiltontotal [...]
Escrito terça-feira, 02.02.2010
[...] blog do Jornal, você pode ler a matéria íntegra, que saiu na edição [...]