Televisão embarca de carona na onda do 3D
- Publicado terça-feira, 26.01.2010 por Gustavo Faraon
- Televisão, tecnologia
O sucesso arrasador de Avatar elevou à categoria de certeza quase absoluta que o futuro da exibição cinematográfica está na tecnologia de terceira dimensão. Se por um lado os custos para instalação das salas ainda é muito alto, o retorno gerado através do grande interesse do público e até mesmo dos ingressos mais caros que os tradicionais parecem ter compensado. Mas quem pensa que o 3D será exclusividade do cinema se engana. Tentando pegar uma carona nesta experiência, os fabricantes de televisão já anunciam para 2010 a chegada ao mercado dos primeiros aparelhos com o recurso. Para os mais entusiasmados, entretanto, cabe cautela: ainda é cedo para assistir ao vivo ao atacante do seu time marcar um gol bem diante da sua cara ou ver o casal apresentador do telejornal se projetando para fora do televisor.
Várias empresas já demonstraram seus protótipos em feiras, com variadas tecnologias, o que significa que a indústria ainda está longe de estabelecer um padrão comercial para a televisão em terceira dimensão. Tudo é experimento, até aqui: plasma 3D, LCD 3D (display de cristal líquido, tal qual a maioria das telas de computador atuais), LED 3D (diodo fotoemissor) e OLED 3D (diodo orgânico fotoemissor). Em comum a todas elas, está a necessidade de o telespectador, a exemplo do que acontece nas salas de exibição, usar os famosos óculos. Mas a experiência que cada uma proporciona, dizem os entendidos, pode ser bem diferente entre elas.
Mark Wilson, colaborador do Gizmodo, um dos sites mais respeitados que versam sobre tecnologia, testou quase todos os protótipos disponíveis, e chegou à conclusão de que 90% deles são impossíveis de assistir, seja pela resolução da tela, pelo tamanho inapropriado, pela variação da luminosidade ou simplesmente porque deixam o espectador com dor de cabeça. De acordo com Wilson, dois são os modelos com maior potencial: um protótipo de 60 polegadas da LG e que deverá ser lançado oficialmente este ano, e a linha Panasonic Viera V Series.
Algumas regras básicas sobre o 3D no cinema continuam válidas para o 3D na televisão. Uma delas é quanto maior a tela, melhor. O que significa que, na prática, é inútil investir em equipamento inferior a 50 polegadas. Outro fator é o cansaço: a experiência em TV de terceira dimensão é extremamente imersiva, exige do espectador atenção absoluta e, se utilizada por longo tempo, torna-se muito cansativa. Para ver um filme, funciona, mas é difícil resistir a mais do que isso. O cansaço vai de encontro àquilo que a maioria dos espectadores vê como a grande qualidade da TV atual: a possibilidade de ficar impassível, preguiçoso, “descansando” em frente à telinha por horas a fio.
Tudo isso leva a dois problemas fundamentais que são a chave para a viabilidade comercial da empreitada: preço e conteúdo. Com as televisões de alta definição recém vislumbrando uma popularização (e a Copa do Mundo é uma das grandes esperanças da indústria) e nem sequer estabelecidas, os equipamentos 3D tendem a ser um produto caro demais. Além disso, o preço se eleva proporcionalmente quando analisado o rápido potencial de obsolescência destas tecnologias “piloto”. Com pouca gente comprando, a tendência é que haja pouca oferta de conteúdo produzido para a TV 3D, e a lista de pontos contra ganha mais um ítem: programação precária, ainda restrita a alguns Blu-rays especiais, games e programação de canais especializados que venham a surgir.
Mesmo assim, não há como se duvidar. Todas as empresas estão investindo pesado em tecnologia para fazer uma televisão com terceira dimensão satisfatória. Nas condições ideais ou ainda com alguns problemas a serem solucionados pelo caminho, a TV 3D vai acontecer.

