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Os fenômenos que marcaram a década no cinema

  • Publicado quarta-feira, 23.12.2009 por Gustavo Faraon
  • Cinema

Nesta última matéria especial de 2009, ao invés de listas, apresentamos seis fenômenos marcantes que, achamos nós, ajudam a sétima arte a chegar aos anos 10 um pouquinho diferente de quando entrou nos anos 00. A propósito: sim, nós sabemos que a década “de verdade” não se encerra agora, mas somente ao fim de 2010. Acontece que, para fim de listas e brincadeiras, a mudança da casa decimal acaba sempre sendo mais representativa do que a realidade.

Os mortos-vivos ressuscitaram

Ninguém retornou com tanta força aos tempos de glória como eles, os zumbis, idolatrados por muitos e odiados por outros tantos. E não foi só no cinema. Os mortos-vivos tiveram nesta década seu tempo de glória na literatura, nos games e até encenações públicas em sua homenagem. Na telona, eles apareceram como oficiais nazistas em Dead Snow, estiveram em seus papéis habituais no Planeta Terror de Robert Rodriguez, foram rememorados na performance de Thriller no documentário This Is It, de Michael Jackson, e em breve devem protagonizar uma versão de horror do clássico de Jane Austen em Orgulho, Preconceito e Zumbis.

Mas não foram apenas os mortos-vivos que voltaram. Também ressuscitaram em suas carreiras ao menos dois grandes atores. Mickey Rourke, que nos anos 1980 já foi o belo ator protagonista de 9 ½ Semanas de Amor, ressurgiu com toda força em O Lutador, e agora tudo indica que sua carreira está de volta aos eixos. Outro que reverteu o ostracismo e voltou para a vida cinematográfica foi Robert Downey Jr, graças à elogiadíssima atuação em Homem de Ferro. O sucesso foi tanto o ator já garantiu presença na sequencia do filme e em breve estará na telona também como o sempre prestigiado detetive Sherlock Holmes.

Os nerds viraram heróis

Se há uma lição que foi passada insistentemente nos filmes produzidos nos últimos dez anos, esta lição é: os nerds é que vencem agora, os esquisitões é que são os bacanas, os palermas é que pegam as garotas gostosas no final. Só há um problema: isto não passa da mais constrangedora mentira, e passar uma ilusão deste tamanho para nerds, esquisitões e palermas é uma tremenda maldade.

Entretanto, aparentemente o estrago já está feito, e um sem número de jovens captaram a mensagem da pior maneira, tentando pegar como modelo de vida o destrambelhamento completo. Michael Cera (o Evan de Superbad: É Hoje, de 2007) e sua risadinha nervosa e patética virou uma espécie de símbolo desta espécie de nova ordem. Outros personagens que igualmente ajudaram a construir o heroísmo nerd contemporâneo foram o abobalhado Napoleon Dynamite (Jon Heder) e o carismático e ingênuo Fogell (Christopher Mintz-Plasse), mais conhecido como McLovin.

As animações conquistaram os adultos

Se a década que vai se encerrando já começou com as animações em alta, foi durante o seu curso que elas sofreram uma transformação importantíssima. Mais do que agradar simplesmente à criançada, os estúdios, aparentemente, passaram a se preocupar também em entreter os pais que eram obrigados a carregar os pequenos aos cinemas. Shrek, de 2001, é possivelmente o pioneiro de um tipo de animação que vai além das piadas de duplo sentido, mas carrega consigo um sentido submerso destinado ao público adulto, combinado com um sem número de referências às décadas de 1970 e 80.

O resultado prático é que os longas de animação, uma vez que aprenderam como agradar a garotada e os mais velhos, viraram enormes hits de bilheteria. Além da franquia Shrek, da DreamWorks, que em breve ganhará seu quarto longa, outras séries de filmes animados também ganharam grande repercussão nos últimos anos, como A Era do Gelo, da Blue Sky Studios, além dos inúmeros sucessos da Pixar, como Os Incríveis, Ratatouille, Wall-E e o recente Up: Altas Aventuras.

Overdose de super-heróis na telona

Bem como os livros, as histórias em quadrinhos de super-heróis foram bem exploradas por Hollywood nos últimos dez anos, a começar pelo grupo de mutantes de X-Men, em 2000. O longa-metragem de Bryan Singer ganhou mais duas continuações: X-Men 2 (2003) e X-Men: O Confronto Final (2006), além de X-Men Origins: Wolverine (2009), este último centrado na trajetória do personagem Wolverine. Em 2002, o diretor Sam Raimi alcançou o topo das bilheterias com Homem-Aranha, consolidando de vez a presença dos heróis na telona. Em 2007, Homem-Aranha 3 se tornaria a maior abertura de um filme na história do cinema. Além de mais duas sequências, as aventuras de Peter Parker abriram caminho para Superman, Homem de Ferro e tantos outros super-heróis que invadiram as telonas.

Bem recebido pelo público e pela crítica, a volta do homem-morcego às telas despontou como um dos grandes destaques dos anos 2000. O cineasta Christopher Nolan resgatou o prestígio do personagem com Batman Begins (2005), fazendo ainda mais sucesso com a continuação O Cavaleiro das Trevas (2008). Ainda faz parte da leva de heróis que saíram das páginas das HQs direto para o cinema, porém com bem menos expressão, filmes como Demolidor: O Homem sem Medo, Mulher-Gato, Quarteto Fantástico, Spirit e Watchmen: O Filme.

O boom das grandes adaptações

Não há dúvida esta década foi pontuada por grandes adaptações de livros no cinema. Para começar, a trilogia O Senhor dos Anéis, dirigida por Peter Jackson, ousou em transpor para a telona a riqueza de detalhes e personagens da série de livros homônima criada por J.R.R. Tolkien. A saga de Frodo e seus parceiros da Sociedade do Anel na Terra Média arrecadou bilhões de dólares ao redor do mundo. Somente o terceiro filme da franquia, O Retorno do Rei (2003) abocanhou 11 estatuetas do Oscar, igualando o recorde de prêmios conquistados por Titanic (1997) e Ben-Hur (1959).

Sucesso editorial e cinematográfico, a série de aventuras fantásticas do pequeno mago Harry Potter, escrita pela britânica J. K. Rowling, tornou-se a franquia mais lucrativa de Hollywood, tendo arrecadado, até agora, mais de 4,5 bilhões de dólares. O Código da Vinci e Anjos e Demônios, de Dan Brown, também integram a lista de grandes bestsellers adaptados, porém sem o êxito esperado. Alçada à condição de mais recente fenômeno da literatura pop, a saga de vampiros Crepúsculo também arrebatou o público por todo o mundo. A história de amor entre a adolescente Bella Swan e o vampiro Edward Cullen, criada pela escritora Stephenie Meyer, é contada em quatro livros, dos quais dois já foram levados ao cinema.

A retomada dos musicais

Depois de  décadas relegados ao esquecimento, os musicais voltaram com toda a força neste começo de século. A retomada começou com Moulin Rouge (2001) que, ao incorporar músicas já conhecidas do grande público, conquistou grande número de espectadores. O filme do australiano Baz Luhrmann recria o universo boêmio do mais tradicional cabaré parisiense ao som de Roxanne, do The Police, Your Song, de Elton John, Like a Virgin e Material Girl, de Madonna, e até de Smells Like Teen Spirit, da banda Nirvana.

Na sequência, Chicago, de Rob Marshall (2002), ganhou seis estatuetas do Oscar em 2003, incluindo o de melhor filme do ano. Desde então, uma série de produções cada vez mais vêm experimentando com o gênero, como Dreamgirls (2006), Hairspray (2007), Sweeney Todd (2008) e Mamma Mia! (2008). Aproveitando esta nova tendência, a Disney lançou a franquia High School Musical e já acumulou centenas de milhões de dólares, além de fãs em todo o mundo. Ainda que sempre existam aqueles que torcem o nariz para qualquer musical, há cada vez mais espectadores que apreciam estes  filmes nos quais os personagens estão sempre dispostos a largar o que estiverem fazendo para cantar e dançar como se não houvesse amanhã.

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