Blog do jornal CineSemana

Carlos Urbim, o patrono dos pequenos leitores

Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)

Urbim é autor de Bolacha Maria e mais 18 títulos dedicados ao público infantil (Foto: Luis Ventura/Divulgação)

A edição de número 105 do CineSemana traz entrevista com o jornalista e autor de histórias infantis Carlos Urbim, eleito o patrono da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Nascido em 1948, na cidade de Santana do Livramento (RS), o escritor mudou-se para Porto Alegre aos 19 anos e cursou jornalismo na UFRGS. Sua obra literária teve início em 1984, quando lançou Um Guri Daltônico, a primeira de muitas publicações destinadas aos pequenos leitores. Ao todo são 19 livros de histórias infanto-juvenis. Nesta entrevista, o patrono destaca que a principal função que a Feira do Livro desempenha é trazer cada vez mais pessoas para a leitura. O escritor também aponta a importância da literatura infantil e fala sobre o orgulho que sente em ocupar o patronato.

Como surgiu o interesse em escrever histórias infantis?
Foi o convívio com os meus dois filhos que me tornou escritor. No fim do dia, quando eles estavam por dormir, eu costumava contar histórias que eu inventava. No dia seguinte, eles pediam que eu repetisse igualzinho. E um dia, pra não esquecer, comecei a colocar no papel. Assim nasceu o meu primeiro livro, Um Guri Daltônico, obra que eu trouxe para a Feira do Livro de 1984, há 25 anos. Então é uma grande coincidência que neste ano, quando eu sou escolhido para ser o patrono, também estou comemorando 25 anos de literatura. Este ano, eu também fui empossado na Cadeira 40 da Academia Rio-grandense de Letras. E pra mim todas as homenagens se tornam importantes porque nem sempre se reconhece o trabalho de quem produz textos para crianças. Eu tenho quatro livros que tem a ver com o meu trabalho como jornalista. São resultados de textos que eu produzi para séries de TV ou para projetos para os quais eu escrevi, mas a minha obra mesmo que me caracteriza, que os leitores identificam são os textos para crianças, 19 livros.

Nas últimas edições da feira, a seção de literatura infantil tem sido um dos grandes destaques…
O espaço na feira é cada vez maior, a ponto de que no momento que a feira precisou se expandir, ela transbordou e alcançou o Cais do Porto. No Cais se encontra toda a área infanto-juvenil, não sendo somente as barracas, os estandes de livros, as editoras e livrarias, mas também os diversos espaços para incluir cada vez mais as crianças no processo de descoberta da leitura. E aí que eu vejo a importância da literatura infantil. Ela é o primeiro passo. É ela quem conduz os pequenos leitores para a descoberta do prazer de ler.

Por meio de quais ações o patrono pode ajudar a feira?
Em primeiríssimo lugar, como este ano o patrono é o representante da literatura infantil, o máximo que ele tem a almejar é conquistar o maior número de crianças para a leitura. Essa é, quem sabe, a principal função da própria Feira do Livro: trazer cada vez mais pessoas para a leitura, para a literatura. E a função do patrono é a de ser o embaixador da feira em todas as áreas, em todos os ambientes, nas alamedas da Praça da Alfândega, junto ao Cais e no meio da garotada. Esse é o papel que me que cabe representar com a maior responsabilidade possível e me sentindo extremamente honrado por ter sido o escolhido da 55ª edição de um evento com longa história e que se tornou a maior feira do livro em espaço aberto do continente americano.

Em que medida o patronato mexe com o orgulho e brios de um escritor?
É a maior honraria a que um escritor no Rio Grande do Sul pode ser o centro. Depois disso, não há muito mais o que esperar da vida. É por isso que eu me sinto tão feliz e tento transmitir para todo mundo esse sentimento. É uma homenagem para quem vem trabalhando neste estado no ofício de escrever. Que bom que seja alguém que vem se preocupando no ano com a formação de leitores. Há 25 anos, desde que eu publico livros, na medida em que a minha própria profissão de jornalista permite, eu venho frequentando escolas, participando de feiras no interior e de eventos literários porque eu acredito que além de sentar para escrever, quem se dedica à literatura infantil passa a assumir essa missão para o resto da vida: a de tentar conquistar cada vez o maior número possível de leitores. Não só para o seu próprio trabalho, porque toda vez que eu estou em público, eu me sinto representante do grande time de escritores que escreve para crianças com compromisso, com seriedade, com responsabilidade, sabendo que temos pela frente todo um desafio.

O que se tem feito para incrementar a programação da feira e não deixar que o evento tenha apenas os descontos nos preços dos livros como atrativo da maior parte do público?
A Câmara Rio-Grandense do Livro e a entidade que organiza a feira até não valoriza tanto essa questão. Num Brasil como nosso, num país em que o livro custa caro, é importantíssimo que editores e livreiros ofereçam o desconto como uma grande atração. Mas se a gente se der conta e olhar o tamanhão que a feira ficou, as atrações são muito maiores do que os descontos que dão. Em cada cantinho da praça, em cada recanto do Cais do Porto, existem muitas motivações para trazer os leitores para cá que não seja apenas o fato ser um momento de conseguir um desconto no livro. A feira é cada vez mais completa em outros aspectos. Ela está cheia de ofertas e atividades múltiplas, há oficinas, palestras, apresentações e não fica única e exclusivamente na literatura e no livro, embora o livro seja a super estrela de todos os dias da feira. Mas na feira há muitos vem se abrindo para todas as áreas de manifestação artística. Aqui na feira está também a música, o teatro, as artes plásticas, que neste ano de 2009, a 55ª edição do evento está de braços dados com a Bienal do Mercosul. É dentro da feira que está o Museu de Arte com exposição integrada à Bienal deste ano. Mais do ladinho, o espaço cultural do Santander também tem as artes plásticas. E se não estivesse nos museus e nos centros culturais, a arte visual está no livro, todos os livros, principalmente, nos livros que são criados de forma colorida e atraente para as crianças.

Se o senhor pudesse mudar alguma coisa na feira, quais mudanças faria?

Eu não vejo nada para mudar. Eu acho que assim como está, está de bom tamanho. Está funcionando tudo muito bem. Eu solicitei para a assessoria de imprensa fazer um censo só para nós termos uma ideia de quantas pessoas trabalham para que a Feira do Livro seja realizada. É impressionante o número de pessoas que trabalham. É um exército de gente. Somente em empregos diretos, a feira tem 210 trabalhando e indiretos, aí sim é exército: 2200 profissionais de todas as áreas, em barracas, todos os setores prestadores de serviços e até dois ou três pipoqueiros. Envolve tudo.

Um comentário em ‘Carlos Urbim, o patrono dos pequenos leitores’

  1. Sergio:

    Olá,

    Estamos montando um cadastro de blogs relevantes segmentados por assunto.
    Caso tenha interesse em incluir o seu blog gratuitamente neste cadastro basta nos enviar uma mensagem para blogs@difundir.com.br informando o endereço do seu blog, e-mail de contato e assuntos que são abordados no seu blog.

    Abraço,
    Sergio
    blogs@difundir.com.br
    http://www.difundir.com.br

Deixe o seu comentário

  • Mídia Cinema

(CC) Alguns Direitos Reservados - CineSemana ultiliza o WordPress - Desenvolvido por Fernando Leite