Arte supostamente de baixo nível

xHOMBRES, do argentino Fernando “Pulpo” Hereñú, marker e acrílico
Já faz tempo que a arte não está restrita às paredes de museus e galerias. Desde o surgimento do graffiti, toda estrutura urbana tornou-se suporte para estas manifestações artísticas que perderam o estigma de pichação para serem elevadas ao status de “arte de verdade”. Com a popularização das instalações da arte contemporânea, intervenções urbanas tornaram-se forma comum de expressão. Era natural que o espaço virtual da internet seguisse o mesmo caminho e passasse a abrigar obras que, por um motivo ou outro, não se encaixam nos modelos tradicionais de exibição de arte.
O site www.baixocalao.com, iniciativa do escritor paraense Caco Ishak com colaboração do jornalista multimídia André “Cardoso” Czarnobai, é um exemplo de como a internet permite, de forma simples e eficiente, divulgar, promover e comercializar artistas que, de outra forma, teriam seus trabalhos restritos à circulação underground. Como diz Cardoso, “até pouquíssimo pouco tempo atrás, a maioria deles nem sequer seria considerada digna de utilizar o termo ‘arte’ para descrever seu trabalho”.

Origens, de El Guy, técnica mixmedia (lápis, guache, óleo e finalização digital)
O acervo da galeria virtual já conta com mais de 45 artistas que são encontrados por indicações de amigos, pesquisas em Flickrs e Fotologs ou contato direto por parte do artista. Eles fazem, na maioria, pinturas, ilustrações e gravuras, mas também se encontra um pouco de toy art e até monstrinhos de pelúcia. Além de prestar o serviço de divulgador, o projeto baixo calão tem um caráter provocativo. Na seção que explica a iniciativa, lê-se que estamos olhando para “arte supostamente de baixo nível feita por gente supostamente de pouca cultura”. É o que chamam lowbrow, um movimento artístico que tem suas raízes na Califórnia dos anos 70, mas se disseminou de forma natural e não-organizada e ganhou força com o passar dos anos. O termo lowbrow era originalmente usado de forma pejorativa para se referir a culturas popularescas e fazia oposição à ideia de fine art, a arte feita por e para a elite cultural.

Passarada em Roma, de Bete Nóbrega
Mas de “gente de pouco cultura” o site não tem nada. Entre os artistas, há nomes como o cartunista Arnaldo Branco, o músico Diego Medina ou o artista plástico argentino Fernando Hereñú, além de grafiteiros, designers, acadêmicos e gente de formação variada que simplesmente encontrou seu caminho nas artes. Com preços – determinados pelos próprios autores das obras – que vão de poucas dezenas a alguns milhares de reais, há peças em diversos estilos, cores e formatos. Em comum, o fato de serem assinadas por artistas ainda não consagrados mas inquestionavelmente talentosos. Como diz o manifesto do Baixo Calão, “o bagulho aqui é fino”.


Escrito sexta-feira, 27.03.2009
[...] pdf e no blog deles. matéria – mui buena – de Julia [...]
Escrito sábado, 28.03.2009
[...] do artista. Eles fazem, na maioria, pinturas, ilustrações e gravuras, … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Escrito sábado, 28.03.2009
muito bem!!!
Escrito segunda-feira, 30.03.2009
[...] no CineSemana e aqui também] Esta entrada foi escrita por cantonunes e postada em Março 30, 2009 at 19:50 e [...]
Escrito segunda-feira, 30.03.2009
[...] entrevista era pra matéria da julia dantas. não foi enviada até o deadline e acabou ficando de fora. surprise, surprise: publicaram hoje, [...]