O curioso caso de O Curioso Caso de Benjamin Button
- Publicado quinta-feira, 15.01.2009 por Gustavo Faraon
- Cinema

Este filme de David Ficher é provavelmente o primeira adaptação de F. Scott Fitzgerald que dá certo em toda a história. É um caso deveras curioso. O projeto levou mais de 20 anos para ser desengavetado. Apesar da complexidade de verter a trama para a telona (uma criança nasce com 80 anos e vai rejuvenescendo ao invés de envelhecer, fazendo o caminho inverso de sua amada), o filme não tem ares de fantasia e mantém a dignidade o tempo todo, não cai no melodrama e não abusa dos efeitos especiais – usados essencialmente para deixar os protagonistas mais jovens ou mais velhos, sem pirotecnia.
A longa duração da fita (tem duas horas e meia) pode ser uma barreira para sua performance de bilheteria, é verdade. Mas o maior elogio para este O Curioso Caso de Benjamin Button é que se trata simplesmente de uma história bem contada – o que não é nada simples, diga-se – e o espectador não sente vontade de olhar para o relógio nenhuma vez. E não há grandes invencionices estruturais para segurar o ritmo. Pelo contrário. A história foi adaptada utilizando talvez o recurso narrativo mais antigo de que se tem notícia, o mise en abyme (uma história dentro da outra). Méritos do diretor Fincher, méritos do roteirista Eric Roth.
Méritos também para os protagonistas Brad Pitt e Cate Blanchett, que além de bonitos são realmente bons atores e quase sempre passam longe da canastrice. O único ponto que me incomodou levemente no filme inteiro foi o sotaque de New Orleans, Lousiana, que ondulou loucamente: ora ficava mais forte, ora meio que desaparecia sem muito sentido na boca de alguns personagens. Mas pode ter sido uma impressão errada.
Se não escrevo aqui sobre a trama em si, é justamente porque ela encanta pelos pequenos detalhes, e não faz sentido adiantar nada. Mas garanto: O Curioso Caso de Benjamin Button vale o ingresso.
