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Os cegos são eles ou somos nós?

  • Publicado sexta-feira, 12.09.2008 por Julia Dantas
  • Cinema

Estréia hoje Ensaio Sobre a Cegueira, o filme de Fernando Meirelles (Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel) baseado no livro vencedor do Nobel de José Saramago. Pude ver o filme terça-feira passada em uma cabine de imprensa e vim recomendar a vocês que assistam também.

Ainda não digeri completamente tudo que vi, o que é sempre bom sinal: o filme de Meirelles tem muito a dizer. O que mais me impressionou, entretanto, foi a forma como a história prende o espectador. É impossível tirar os olhos da tela por um só segundo, mesmo quando talvez esse fosse nosso instinto ao ver exposta a degradação dos homens subitamente cegos.

(Para quem não pôde ver o trailer ou ler o livro, breve resumo da história e trailers aqui)

Os acontecimentos, os personagens, os efeitos de câmera, tudo contribui para o envolvimento do público. Nos sentimos cúmplices daquelas pessoas confinadas, ao mesmo tempo que existe um certo voyeurismo perverso em testemunhar a nudez (em todos os sentidos) exposta por cada um dos cegos. Ponto para Meirelles, que consegue nos fazer ter uma breve idéia da cegueira branca graças à ousadia na direção, como nos sentir na pele da Mulher do Médico, a única que ainda consegue enxergar, o que pode ser pior do que estar cego.

Para mim, a prova de que, não apenas eu, mas todo o público estava conectado aos personagens foi a reação às (poucas) cenas cômicas. São três ou quatro momentos engraçados que pontuam a aflição que dá o tom geral à narrativa, e nestes três ou quatro momentos, nós do público rimos junto e da mesma maneira que as pessoas na telona. É um riso de catarse, para eles e para nós, uns breves instantes em que respiramos um pouco de alívio e nos lembramos daquilo que nos faz humanos.

Recomendo.

2 comentários em ‘Os cegos são eles ou somos nós?’

  1. Gustavo:

    Realmente, filmasso.

  2. Gloria Castro:

    Assiti ao Ensaio Sobre a Cegueira, sem terminar de ler o livro, queria comparar. Já esperava algo muito bom sendo Fernando Meirelles, mas não consegui digerir tudo o que se passa, muito menos entender o que se passa na gente, depois de assistir o filme. Fiquei como que anestesiada, sentindo um turbilhão de emoções, sem dúvida é um filme que vc precisa pensar muito sobre todos os detalhes. A maneira como foram conduzidas as imagens, a fotografia, em alguns momentos, você tem a impressão que faz parte do grupo, algumas vezes dos cegos, e outras da mulher, única, que consegue ver. Como o meio ambiente, o ambiente em se vive, influência, na vida do indíviduo e também do coletivo. Como pode o homem desprovido de objetivos e valores se comportar através, somente, dos instintos, quer de defesa, quer de ataque. Mostra o verdadeiro caos de uma sociedade, despreparada para enfrentar sua vida totalmente desvinculada do que chamamos de uma vida normal. Tenho que parar pois, tem assunto pra muita discussão. Um filme riquíssimo gerador de muitos debates. Imperdível.

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