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Sobre Linha de Passe

  • Publicado domingo, 07.09.2008 por Gustavo Faraon
  • Cinema

Acabo de assistir a Linha de Passe, e achei um filme e tanto. Mantém a tendência da nova safra de filmes brasileiros de voltar mais uma vez os olhos para dentro do próprio país e contar histórias com características bem locais (Wim Wenders apoiaria, certamente).

Quem conhece bem a trajetória cinematográfica dos diretores Walter Salles e Daniela Thomas não vai se espantar com o que verá na telona, mas quem espera algo na linha de Cidade de Deus ou Tropa de Elite está muito enganado. Na verdade, Linha de Passe até dialoga com estes, mas servindo como uma espécie de “negativo”. Ele faz a opção de retratar a pobreza de um ângulo ainda não muito explorado pelo nosso cinema, que é o das pessoas que não são miseráveis nem são bandidas, mas apenas pobres lutando pra sobreviver como podem.

Um ponto do longa-metragem que poderia ser considerado negativo (embora isso seja bem discutível) é o grande número de personagens principais cujas histórias pessoais se alternam no centro da trama. Ao mesmo tempo em que isso dá, ao final, uma noção mais completa da realidade em que vive aquela família paulistana, também dificulta que o espectador “mergulhe” no filme e sinta que realmente conhece cada um daqueles personagens.

Eu recomendo bastante, mas vá ao cinema consciente de que verá um filme reflexivo, autoral, com um ritmo bastante próprio e que pouco tem a ver com as câmeras frenéticas e os cortes rápidos e secos dos últimos sucessos produzidos no Brasil.

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