Despretensioso e divertido, assim é Mamma Mia!
- Publicado sexta-feira, 05.09.2008 por Gustavo Faraon
- Cinema
Ontem pude assistir, em pré-estréia, ao musical Mamma Mia!, que chega aos cinemas oficialmente dia 12 de setembro, sexta que vem. Talvez seja um pouco bizarro fazer uma coisa dessas, mas meu elogio ao filme destaca praticamente só pontos negativos, ou que ao menos seriam considerados negativos em outra produção que não esta.
Tudo o que eu jamais esperava de um filme de um grande estúdio, com orçamento de US$ 52 milhões e repleto de astros como Meryl Streep, Pierce Brosnan e Colin Firth, era um certo ar de amadorismo. E ele está presente em quase todas as cenas do filme, do início ao fim. Essa característica é fundamental para dar um tom despretencioso à produção, que também é muito engraçada.
Chama atenção que, em um musical, alguns dos atores principais simplesmente não sabem canatar, não fazem a menor idéia de como cantar. Salvam-se Meryl Streep e a protagonista Amanda Seyfriend, mas a trio masculino formado por Brosnan, Firth e Stellan Skarsgard é absolutamente péssimo no quesito. O mais estranho é que isso funciona, e muitíssimo bem.
Outra coisa interessante: há várias cenas claramente avacalhadas, onde a piada ou a veia cômica está tão em primeiro plano que não há nenhum constrangimento em descuidar de tudo mais. Se metade dos figurantes errou completamente o tempo da coreografia mas o take ficou engraçado, então valeu. A cena ficou mais brega do que música do Fábio Júnior e isso pode render umas gargalhadas? Ótimo. Essa é mais ou menos a filosofia por trás de Mamma Mia! que, diga-se, soube se apoiar muito bem em uma seleção musical a base de ABBA.
O final, ao pior (mas, neste caso específico, ao melhor) estilo novela das sete, o espectador quase não acredita que a produção teve coragem de fazer daquele jeito, tão “amador”. Melhor que isso só mesmo os dois números apresentados junto aos créditos finais, que não deixam ninguém ir embora da sala de cinema.
Resumindo, Mamma Mia! é um filme despretensioso, leve e bastante divertido. Desde que não vá esperando uma obra de arte ou algo super sério, só alguém muito ranzinza pode sair do cinema insatisfeito. Os pontos altos são: amadorismo, números musicais bizarros, coreografias avacalhadas, cantorias desafinadas e espontaneidade. Acredite, isso tudo junto funciona!


Escrito sexta-feira, 05.09.2008
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