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Entrevista: João Pedro Fleck, realizador do Fantaspoa

  • Publicado sexta-feira, 25.07.2008 por Katiana Ribeiro
  • Entrevista

João Pedro FleckO CineSemana que começa a circular hoje traz uma matéria sobre o IV Fantaspoa - Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, e uma entrevista com João Pedro Fleck (foto), um dos realizadores do evento ao lado do amigo Nicolas Tonsho. Formado em Administração, o cinéfilo fala sobre a trajetória e detalhes da realização do festival, que começa na segunda-feira, 28. Confira aqui a íntegra da entrevista.

Quais os motivos que o levaram a promover o Fantaspoa?
Existem três principais motivos que nos levam a organizar tal festival: o nosso gosto pessoal por cinema do gênero fantástico; a pouca (ou nula, por assim dizer) distribuição de filmes independentes, principalmente deste gênero; o gosto do público, por filmes dessa temática. Filmes de terror e fantasia estão entre os mais alugados, e quando estes não são grandes lançamentos, muitas vezes acaba não chegando ao grande público, se limitando apenas a países da América do Norte e Europa, ou sendo lançados diretamente em dvd. É interessante comentar que uma boa parte do público do festival não assiste um ou outro filme, mas acompanha intensamente a programação.

Quais as influências para a realização do Fantaspoa?
Somos influenciados por festivais que já contam com mais de duas dezenas de anos. Festivais como o de Sitges, da Espanha, e o BIFFF (Brussels International Fantastic Film Festival), de Bruxelas, estão entre as nossas principais influências. As outras duas maiores influências, eu tive o enorme prazer de acompanhar este ano, e são o Fantasporto, de Portugal, e principalmente o (Amsterdam Fantastic Film Festival), de Amsterdam. Se eu tivesse que dizer qual festival gostaríamos de ser um dia, sem dúvida seria o AFFF.

Como vem sendo a receptividade ao Fantaspoa fora do Estado?
A receptividade ao Fantaspoa fora do estado está sendo bem satisfatória. Estamos passando a receber atenção da mídia de outros estados, e tivemos uma seleção sendo exibida dentro do Riofan, do Rio de Janeiro no primeiro semestre, e teremos uma outra seleção sendo exibida na Mostra Curta Fantástico no segundo semestre. Saindo do Brasil, tivemos uma seleção sendo exibida na Coréia do Sul em maio, e no segundo semestre estaremos presentes no México e na Argentina.

Qual foi o grande salto na trajetória do Fantaspoa?
O grande salto foi o aumento de sua duração, de 10 para 14 dias, e de três para seis salas de cinema, que ocorreu neste último ano. A minha presença em festivais no exterior (os dois supracitados, e o de Clermont-Ferrand, o maior festival de curtas do mundo) também ajudou muito a trazer credibilidade e notoriedade para o nosso festival. Por sua vez, essa será a primeira vez que estamos apresentando uma mostra competitiva de longas, em sua grande maioria inéditos no Brasil, além de quatro mostras paralelas e 25 diferentes programas de curtas-metragens, totalizando 320 filmes.

Ao que se deve o crescimento do festival?
O crescimento se deve à soma dos acontecimentos do último ano. Uma maior dedicação, em todos os sentidos, a receptividade do público, e talvez, o ponto de maior importância, a grandiosidade que o festival tomou aos olhos dos diretores, que decidiram, na totalidade, submeter para nós mais de 600 filmes para essa edição.

Qual a expectativa para o Fantaspoa 2008?
Estaremos realizando um total de 257 sessões, além de uma série de eventos paralelos. Esperamos assim ter um público que valorize o evento e todo o trabalho que tivemos para poder realizá-lo com tanta qualidade. Nossa expectativa é exatamente essa, o reconhecimento por parte do público.

Quais os principais destaque desta edição?
É muito difícil fazer somente um ou outro destaque. Não apenas pelo fato de eu gostar de muitos dos filmes, mas também pela grande variedade destes. No total iremos exibir 320 filmes, entre longas, curtas, médias, documentários, em competição ou em mostras especiais. Os destaques dependem do gosto do espectador. Temos longas muito bons de todas as vertentes principais do cinema fantástico. Quem é fã do horror pode assistir Murder Party e Jack Brooks. O pessoal mais ligado à ficção-científica pode aproveitar experiências cinematográficas inesquecíveis e únicas, tais como After the Apocalypse e The 4th Dimension. Por fim, quem é fã da fantasia, têm filmes premiados, como Nevermore e Hogfather. Isso falando única e exclusivamente da nossa competição internacional, com 42 longas. Tem muitas outras opções a serem assistidas.

Como o Fantaspoa é financiado?
A maior parte (mais de 80%) do festival foi financiado com dinheiro particular. Eu e o outro diretor/produtor do festival (Nicolas Tonsho) decidimos que como estávamos recebendo uma série de negativas de empresas e órgãos contatados, teríamos duas opções: ou cancelar o festival, ou investir tudo que a gente podia. O nosso investimento não é apenas financeiro, mas também físico e psicológico. Se tudo der certo iremos exibir os 91 longas-metragens legendados, e essas legendas todas foram realizadas por nós. Alguns amigos colaboraram com uma pequena porcentagem das traduções, mas o processo de legendagem, e todo o restante da tradução foi realizado pela gente. Outro grande ponto positivo, e que nos permite realizar um melhor festival, é que as demais pessoas envolvidas, como os outros curadores, fotógrafos, o diagramador do folder, todos estão trabalhando sem receber nada, pois sabem o valor de um festival desse porte.

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