Inovações sobre voz e violão: Jorge Drexler
- Publicado terça-feira, 22.07.2008 por Julia Dantas
- Música
Assisti ontem ao show do Jorge Drexler, que está em Porto Alegre graças ao Festival de Inverno. Em mais de duas horas de apresentação, o uruguaio provou que sua fama internacional é mais que merecida. A voz suave, as composições à base de voz e violão e as belas letras já são conhecidas do público, mas o show é uma experiência à parte.
Apenas um banquinho, um violão, uma guitarra e três microfones no palco. A cenografia era totalmente composta pela iluminação. O minimalismo no uso dos holofotes, aliás, foi o que deu mais impacto aos momentos em que a luz era, realmente, o cenário, abrindo-se em um leque de feixes às costas de Drexler ou quando, em total escuridão, o roadie carregou nos braços um spot de luz para segurá-lo sobre o cantor.
Sozinho no palco, Drexler dedilhava o violão sobre uma base eletrônica com sons os mais diversos. Desde o ruído que lembrava um LP rodando no toca-discos até andorinhas sobrevoando Madrid, passando por vozes sobrepostas (“Bem vindos ao aeroporto Salgado Filho” dizia uma gravação feita no dia anterior por um dos técnicos de som que acompanham o músico), os sons pontuavam e se integravam à melodia. O experimentalismo estava também nos instrumentos inventados pela dupla de técnicos que subiram duas vezes ao palco. Enquanto um segurava um indefinível cubo iluminado que fazia “bipes” agudos, o outro inventava melodias em uma espécie de serrote. O resultado era supreendentemente harmonioso, como foi uma agradável surpresa a inusitada versão de Drexler para Dance me to the end of love, de Leonard Cohen, transformada em uma milonga pelos dedos do uruguaio.
Sempre falante e contador de histórias, Drexler se soltou ainda mais com a presença de Vítor Ramil no palco. Diante deles, parecia que estávamos presenciando uma conversa de mesa de bar em que eles trocavam elogios mútuos, lembravam suas composições em conjunto e trocavam confidências. No quesito música, ambos impecáveis, mesmo improvisando versões não previstas no repertório. Ao final do show, saímos todos satisfeitos, público e músicos, embalados por belas canções.
