Frieza no Fronteiras
Talvez tenha sido culpa da chuva torrencial e da baixa temperatura, mas a quarta conferência do Fronteiras do Pensamento 2008, realizada nesta segunda-feira, em Porto Alegre, foi bem gelada.
O público não chegou perto de lotar as dependências do Salão de Atos da UFRGS. Mas isso se explica, também, pelos próprios conferencias: Milton Hatoum e Sergio Ramirez tinham capacidade de sobra para estarem lá, mas pouquíssima gente os conhecia.
Ramirez, escritor e político nicaragüense, foi vice-presidente de seu país entre 1984 e 1990, depois de participar da derrubada do ditador Anastásio Somoza. Como convém a um escritor, preferiu ler uma apresentação previamente escrita ao invés de arriscar-se no livre improviso, o que se mostrou uma decisão acertada. Falou sobre as fronteiras entre literatura e política, suas incompatibilidades e como uma afeta a outra na prática. Seu melhor momento, entretanto, foi quando defendeu um distanciamento crítico na hora de verter acontecimentos políticos para o papel.
Já o premiadíssimo escritor amazonense Milton Hatoum, vencedor de três prêmios Jabuti com os três livros que publicou, preferiu uma abordagem mais informal, autobiográfica e menos planejada. Falou sobre sua crença de que todo escritor carrega consigo certos fantasmas, os quais precisa exorcisar no decorrer da carreira literária, e defendeu também um maior rigor dos próprios autores sobre aquilo que publicam.
Ambas as apresentações foram recebidas com frieza por um público que preferiu se retirar do Salão de Atos antes mesmo da rodada de perguntas.
O próximo encontro acontecerá no dia 30 de junho, com a escritora somaliana Ayaan Hirsi Ali e o psicanalista e filósofo brasileiro Renato Mezan.

Escrito quinta-feira, 12.06.2008
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